agosto 13, 2003

Sangue, sexo e palavras (Por Luiz Costa)

Sua fama é a do amante dominador, perigoso e sensual: Olhos que rasgam vestidos, dentes que deslizam pelo pescoço.

Lamia, Drácula, Nosferatu, Lestat: ressuscitado pelas gerações, o vampiro apavora, adere aos novos tempos e fascina. Para muitos é demônio parasita. Para outros, o que conquistou imortalidade após a morte. É o ícone das chagas sem cura, da peste bubônica à Aids, e metáfora dos que drenam energia vital de seus parceiros. Quando todos o têm como morto, o vampirismo renasce das cinzas e testa seu poder sobre o imaginário popular.

Uma nova onda sanguessuga paira no ar. A Rocco acaba de lançar Lasher, de Anne Rice, e providencia a versão brasileira de Memnoch, The Devil. Quentin Tarantino revisita o vampirismo em uma de cinco recentes produções hollywoodianas com o tema. Oráculo, romance de Bram Stoker que em 97 comemora centenário, encabeçou a lista das melhores obras de entretenimento do século, divulgada em fevereiro pela Biblioteca de Nova York e o ator Christopher Lee acaba de lançar uma video-biografia. E Tod Browning, diretor de Oráculo (1931), com Bela Lugosi, é o grande homenageado do Festival de Cinema de San Sebastian, Espanha, entre 19 e 28 de setembro.

No final de 95, duas das pesquisas mais importantes já realizadas sobre o vampirismo foram editadas no Brasil. A Makron trouxe O Livro dos Vampiros – A Enciclopédia dos Mortos-Vivos, de Gordon Melton, um calhamaço de mil páginas em verbetes. E a Mercúrio lançou o clássico de Raymond McNally e Radu Florescu, Em Busca de Oráculo e Outros Vampiros, de 72, com descobertas históricas que influenciaram a ficção contemporânea, de Rice ao Francis Ford Coppola de Oráculo, de Bram Stocker (1992). Em Busca revê fontes de Stocker e a vida de Vlad Tepes, o Empalador (1430/77), príncipe romeno da Wallachia, que perpassava inimigos com estacas e bebia seu sangue.

Lendas datam da antiguidade grega e casos reais como o de Elizabeth Bathory (1560/ 1614), que mergulhava em sangue para manter a juventude, reforçaram o mito. Mas foi o reino da ficção que se apropriou do vampiro étnico das lendas e o aproximou do imaginário urbano.

A aventura literária do vampiro data do romantismo, cenário da individualidade burguesa e da exacerbação das emoções. Há quem leia no poema Die Braut von Korinth (1797), de Goethe, ou em Christabel (1798), de Colerigde, alusões a vampiros. Mas foi John Polidori (1795/ 1821), médico de Lord Byron, o marco da literatura vampiresca moderna. Polidori estava no grupo que em 1816 se hospedou na Villa Diodati, em Genebra, a convite de Byron, que desafiou todos a criarem histórias de fantasmas durante uma tempestade. Dali sairia Frankenstein, de Mary Shelley. A história de Byron falava de dois amigos que vão para a Grécia, onde um deles morre.Ao moribundo, o amigo jurou não revelar sua morte a ninguém. De volta à Inglaterra, ele o reencontra vivo.

Posted by almahperditae at agosto 13, 2003 01:17 AM
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