Perco-me por vezes em recordações do passado…
Deixo-me ficar a olhar o fumo do cigarro a esvair-se na atmosfera, pensativo, contemplando o vazio, relembrando sorrisos de que sinto a falta, gargalhadas partilhadas, memórias duma vida que sinto vazia e cada vez mais. Nunca me entreguei a ninguém, nunca me dei a ninguém, mas houve duas excepções, ambas estão longe de mim, ambas estão inacessíveis, ambas me abandonaram fruto ora do destino ora de complicações irreais de tão estúpidas que são. Por vezes penso como estaria eu caso ainda tivesse essas pessoas a meu lado, provavelmente estava na universidade, provavelmente nunca teria conhecido uma delas, provavelmente estaria ainda como estava a três anos, a viver do fingir de estudar, perdendo-me em delírios só meus, provavelmente nunca poderia ter juntado essas duas pessoas. Mas penso como seria… e sinto que poderia ter sido bem feliz, partilhar a minha vida com quem eu mais amava, sem sentir nenhum vazio, apenas o meu que lentamente aceitei e com o qual convivo bem (talvez até já nem consiga viver sem ele, porque sem ele não seria eu). Mas.. Não tenho ninguém a quem amo.
Gosto de muita gente, gosto de toda a gente, alias, uns mais outros menos, uns entrego-me mais, outros menos, mas ninguém tem a minha alma. A quem a entreguei fugiu de mim, porque teve que ser ou porque não a compreendeu, ou não acreditou nela (ainda estou para perceber como podem pensar que a fingi). E encontro-me neste momento num período curioso da minha vida: estou só, completamente só, ninguém me tem, não tenho ninguém a meu lado, ninguém a quem entregar a minha vida e a minha alma, mas estou tão bem como nunca estive, como se este “esconder” de minha alma a fizesse ser apenas minha, e a tivesse que enfrentar sozinho, e aprendi a enfrentar, compreendo-a aceito-a e gosto dela, coisa que nunca fiz, e isso levou a que os outros me aceitassem também, amam-me, gostam de mim, ainda esta semana apenas tive duas pessoas que me disseram aquilo que queria que as duas pessoas que fugiram de mim dissessem, que estão loucamente apaixonadas por mim uma, e a outra disse-me que eu era de longe o melhor amigo que teve na vida, ate acrescentou que estava bêbado e um bêbado nunca mente. Gosto delas, mesmo muito, mas hoje dei por mim a pensar que ninguém substitui os meus anjos amados, um deles é impossível, e já o aceitei a muito, qualquer palavra dita com álcool ou sem álcool, bate num muro impenetrável. A outra… a outra é possível, e desejo ardentemente que o consiga, mas em dois dias de loucura e quase que paixão ardente, não sou capaz de me abstrair de comparações, e os outros dois dias… continuam a fazer-me sentir pulsões e desejos muito mais intensos.
Como é possível que uma memória seja mais poderosa que um toque de pele ainda quente?
hà memorias tao fortes que alicerçam a nossa existencia,elas nao sao subtituidas mas sim acrescentadas. Es um ser lindo, por isso a lista de boas memorias irá crescer muito mais,nunca penses e em compará-las, sao todas diferentes embora possam ser tao fortes como as anteriores.beijos lindao.
Posted by: |ariana| at agosto 22, 2003 07:29 PM