Entro por vezes em delírios mórbidos. Penso na Morte, desejo desaparecer, entrar num vácuo qualquer e perder-me por lá… deixar-me apodrecer num qualquer canto sem ninguém me ver, me sentir, me amar, me odiar, me desprezar, me ver… apenas ter a suave existência de não existir, fumar cigarros e olhar o vazio, ver o fumo azulado diluir-se no ambiente, ter a cabeça vazio de pensamentos, de dores, de sonhos.
Existir como um vegetal, sem ter que pertencer a algo, algo ao qual nunca pertenço, sem desejar algo que nunca desejo, sem sonhar com algo que não sonho… ser apenas. Não sei se quero a Morte, mas a ideia de ser apenas uma pedra no meio de milhentas outras, sem outra identidade que não as letras comidas pelo tempo, me agrada. Já não serei aquele que disse ou fez ou esteve mesmo sem o dizer ou fazer ou estar, seria apenas um nada, um vazio, um espaço que pretende apenas recordar o que foi, e pensa-se em tudo o que fez, sem no fundo saber o que fez. É um nada, é algo que seduz por não ser nada, apenas o que se imagina que foi…
O conforto do vazio, do Nada…