À uns dias que venho vindo a evitar colocar uma entrada. Esta é a entrada cem do blog, queria fazer uma auto-analise sobre o que tenho vindo a escrever aqui nos últimos quatro meses. Mas penso que essa entrada ficará para a entrada cento e um (o que até é mais normal para assim ter cem entradas para avaliar lol) porque esta tarde um pensamento filosófico assaltou-me, uma parte de minha alma confusa obstruiu todo o resto de meu pensar. Falo da diferença entre a Paixão e o Amor.
Já amei. Uma vez. Mas esse Amor não saiu do nada. Por muito que eu tenha pensado que a amei no momento que a vi, por muito que tenha acreditado nisso, isso é mentira. O que senti por ela foi uma loucura que tomou conta de mim e de tudo o que vivia nessa altura e de tudo o que eu vivi até esse dia. Enlouqueci por ela, e ela por mim. Vivemos meses de loucura, não podíamos viver um sem o outro, gastámo-nos, e vivemos um para o outro. Passei por muito, muitas vezes, para estar com ela, andei muitas vezes sem dinheiro e fiz esforços maiores que eu podia por ela, para estar com ela (eu que nunca me esforcei por nada) e da parte dela foi o mesmo. Chateamo-nos com os nossos pais, deixamos os nossos amigos, vivemos um para o outro, meses a fio, todo o dia. Recebia dezenas de mensagens dela por dia, centenas de toques, nunca estávamos mais que vinte minutos sem um contacto qualquer: ela na escola, eu no trabalho, qualquer tempinho que nós tivéssemos usávamo-lo para mandar uma mensagem ou apenas um toque para o outro, para dizer que estávamos a pensar no outro, chegamos ao exagero de mandar dez e mais toques seguidos (acredito que houve intervalos em que ela apenas me mandava toques, nem falava com ninguém) e quando estávamos juntos até o céu nebulado ficava estrelado (parece uma passagem poética mas é verídica).
Enlouqueci por ela. Uma paixão que tomou conta de tudo o que havia em mim. E o dia que a conheci foi o dia em que isto começou. 12 Julho de 2002, dez e meia da noite, estava ela vestida com umas calças pretas e um top branco. Apaixonei-me por ela. Enlouqueci mas não a amei… não nesse dia. O Amor que acabei por sentir por ela veio depois. Com o passar do tempo aquilo que eu via nela acabou por transparecer para mim. Era recíproco e ela fazia coisas por mim. Quando eu bati mal no festival Sudoeste num sábado a tarde e fui para a tenda para estar sozinho, ela foi ter comigo, deixou os amigos e abraçou-me para eu chorar por traumas do passado. Acho que foi ai que a amei pela primeira vez. E a partir desse dia ela fez muitas coisas por mim, fez-me feliz e quando deixou de o fazer por motivos alheios a ela (e até certo ponto também a mim) eu exigi que ela fosse como tinha sido durante muito tempo para mim. Não percebi o porque daquela mudança visto que ainda via nela a loucura da paixão que nos tinha atingido no dia que nos conhecemos. Percebi mais tarde. Muitíssimo mais tarde… Quando já era tarde demais, quando a deixei por uma infantilidade de puto desesperado e ela quis tirar o tempo para ela que ela tanto precisava. Desesperei, e a hipocrisia e falsidade dos «amigos» dela e a minha estupidez e raiva descontrolada fizeram o resto. Perdemos o contacto. Ela odeia-me, despreza-me, e tem medo de voltar a falar comigo. Eu sei o quanto é injusto isso, mas não consigo deixar de perceber e até admirar a atitude dela apesar de saber o quanto estúpida e parva essa mesma atitude é.
Achei que nunca mais encontraria ninguém como ela. Achei que nunca mais sentiria aquela loucura…
Mas senti, e sinto, e estou perdidamente apaixonado novamente. E hoje percebi qual a diferença entre o Amor e a Paixão. Paixão sinto por alguém de quem gosto, que me enlouqueça, que me faça sentir o desejo que tanto tempo andou adormecido em mim. É um sentimento puro, enlouquecido, arrebatador por alguém. Querer estar com ela, desejar sentir apenas o seu cheiro, pensar nela a toda a hora do dia e da noite, querer estar com ela. É algo que sentimos pela outra pessoa, por alguém que desejamos fazer feliz. Amor já não é o sentimento que nutrimos por essa pessoa. É o sentimento que essa pessoa nos faz nutrir por ela devido aquilo que nos faz sentir a nós. É o esforço e dedicação ao nosso bem-estar que sentimos da outra parte. É o esforço que essa pessoa faz para nós estarmos bem, mesmo que para isso tenha que ir contra algo que não sinta ou não deseje. É fazer aquilo que a certo ponto deixaram de fazer por mim. Deixar os amigos de parte uns minutos, deixar de ir ver aquele filme que queria tanto ver, talvez ir até ver um filme que não desejava ver só porque o outro quer. É ir a um jantar que não quer ir por não conhecer ninguém, é chatear-se com outra pessoa só porque nos faria felizes e porque querem estar connosco. E com isto eu quero dizer o que? Quer dizer que queria ir ver o novo filme do Quentin Tarantino, mas já não vou. Caguei no filme… Se não fizerem por mim aquilo que eu quero, também não me importo. Paixões podemos sentir por muita gente, basta que sejam especiais. Amor temos que o merecer e se não somos merecedores de esforços pela nossa pessoa, as paixões acabaram por se reciclar. Mas o que importa é ver um sorriso estampado na cara de quem gostamos. Se não fazem o mesmo pela gente… Cagando e andando. Um dia alguém fará.
Excelente! =) (Não tenho mais palavras. =P)
Posted by: aShBuRn at outubro 31, 2003 09:22 AMAmar é tudo o que disseste. É mais. É deitares-te a pensar nela... acordares exactamente com o mesmo pensamento. É viveres em angústia só para estares com ela. E por não estares. É precisares de alguém pa conversar e apenas te apetece falar com ela. Amar é muito.
Posted by: downthesun at novembro 2, 2003 03:32 PMAMAR é precisamente isto...é adormecer a pensar na pessoa amada e acordar à procura dela...gostei muito*
Posted by: IronLady at novembro 6, 2003 12:00 PM