novembro 17, 2003

Ainda sonho em encontrar a mulher angelical

Regressado do trabalho sento-me ao computador. Dou uma olhadela pelos blogs que costumo visionar diariamente e constato que não estou só neste meu deambular pelo Universo. Existem tantas lágrimas ocultas nas caras sorridentes que se cruzam comigo diariamente que penso que nem eu as consigo destrinçar a todas.
Eu que imagino e deliro lágrimas por debaixo da cara mais sorridente, eu que chego a dizer á pessoa mais feliz que ela sofre, que escusa de me mentir, que compreendo todo e qualquer sofrimento, porque eu mesmo sofro, eu mesmo estou só.

Mas por vezes ponho-me a pensar. Será que sofro tanto como as pessoas felizes, que escondem as suas lágrimas? E a única conclusão que posso tirar é que não. Eu conseguia ser feliz. Não me custava nada: tenho um emprego que apesar de não ser nada de especial, é o ideal para mim, pouco trabalho (algumas vezes) um ordenado que só não me chega quando exagero mais nas noitadas ou nas viagens delirantes pelo nosso pais, tenho amigos, mesmo que nem sempre os veja, mesmo que muitas vezes me esconda em mim, porque preciso disso, tenho pessoas que gostam de mim, toda a gente gosta de mim, e até o meu complexo de fealdade desapareceu a muito tempo. Percebi ao fim de anos de falta de iniciativa, em relação as mulheres de quem gostava, por me achar feio e desinteressante, que isso não interessava para nada, que até a mulher mais fantástica e maravilhosa do mundo me poderia Amar, que até a mulher mais bela do Mundo pode sentir um fraquinho por mim. E agora neste limbo de paixão, relembro a mulher que me fez sentir isso.
Estranho. Mas esta história remonta a minha primeira paixão que alguma vez tive, tinha eu os meus 14 anos. Chamava-se Lina, conhecia do modo mais impróprio possível no 6º ano (e esse modo dava uma outra entrada, qualquer dia conto-a mas hoje não porque tenho vergonha), e por crueldade do destino, no meu 7º ano calhou na minha turma, e por capricho dos professores desse ano, que insistiram em os lugares serem por ordem alfabética, ela foi minha parceira o ano todo. Tornamo-nos os melhores amigos, apaixonei-me por ela mas nunca lhe disse nada. Tirando um beijo furtivo, ela nunca imaginou sequer que estava apaixonado por ela. Eu não tinha coragem de lho dizer. Ela era linda, provavelmente a mulher mais linda que já conheci ate hoje, e toda a escola tinha um fraco por ela, e ela nunca ligou a ninguém, nunca deu hipóteses sequer de um beijo a ninguém, e eu remeti-me a minha insignificância…
Com o passar do tempo perde-mos o contacto, e nunca mais a vi.

À coisa de uns 3 anos revi-a. No Snoobar. Estava eu já com um grau de álcool e droga bastante acentuado no corpo e na mente (já tenho saudades desse tempo) e estava a dirigir-me aos meus amigos para me despedir porque me ia embora. Tinha sido essa a minha decisão do tempo que tiro sempre para mim e para a minha solidão (sim… mesmo num sábado a noite eu afasto-me sempre do pessoal e tinha mesmo o meu cantinho no Snoobar para beber e fumar um cigarro e pensar em mim). Não a vi. Viu-me ela e chamou-me. Nesse dia disse-me que sempre gostou de mim mas eu nunca lhe liguei nenhuma. Eu disse-lhe que nunca lhe disse nada porque ela não ligava a ninguém, e a resposta dela foi que não ligava a ninguém porque gostava de mim. Esse dia mudou a minha vida, e a partir desse dia por mais bela ou fantástica que fosse a mulher alvo da minha paixão nunca mais me escondi, e não fosse eu ser uma pessoa bastante fiel e mesmo obsessiva nas minhas paixões acho que nestes três anos teria tido montes de curtes e namoros. Mas não… Para me apaixonar a pessoa tem que ser mesmo muito especial, e quando isso acontece tenho um gosto de sofrimento tal que demora muito a perder esse sentimento. Esse é o entrave a minha felicidade. O perder-me por uma mulher em particular e não ter aquele sentimento egoísta de cabrão e filho da puta que tanto invejo, que tanto desejo possuir. Nestes 3 anos percebi duas coisas. A primeira é que as mulheres não ligam ao aspecto físico e que eu sou uma pessoa bastante interessante ao contrário do que pensava. A segunda é que elas só querem mesmo é foder, e qualquer ideia de romantismo ou entrega é quebrada só porque segundo elas beijo bem e sou bom na cama…

E que conclusão tiro disto tudo? Que elas não merecem mais que uma foda bem dada, e que eu tenho que começar é a pensar em mim.
Mas não consigo… E ainda sonho com o tal Anjo…


Posted by almahperditae at novembro 17, 2003 08:40 PM
Comments

Tu estás tolo.

Posted by: O patrão at novembro 17, 2003 10:05 PM

Ou sou... :P

mas k é verdade o k digo é

Posted by: ALMAh Perditae at novembro 17, 2003 10:52 PM

Bem vindo á Realidade. E a conclusão a que chegas...é assim, meu caro! é sim, assim mesmo !

Posted by: GreyMorning at novembro 19, 2003 06:53 PM

Ih ih ih :) para quê complicar o mais simples?! huummm?!! *

Posted by: Lenta at novembro 19, 2003 09:23 PM