(Fernando Pessoa)
Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho.
Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.
Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.
e pq não? mto positivo!
Posted by: jotta at novembro 22, 2003 01:48 AMHá um erro gráfico na primeira estrofe. O segundo verso é quebrado por um parágrafo, assim:
"E chama-me teu filho.
Eu sou um rei"
Mas é um só verso. Ao ser recitado, deve ser recitado como um só verso, para rimar com o seguinte.
Posted by: Vinicius at janeiro 21, 2004 07:00 PMGosto muito de poesia, principalmente a de teor dramático, misterioso, mas posso diser que realmente nunca li uma poesia tão envolvente e marcante como esta, pois se realmente queremos viver como iguais, nada mais nos resta do que despirmos das mascaras e dos titulos, e nos entregar por completo ao destino e a morte
Posted by: Renato at setembro 2, 2004 06:36 PM