dezembro 08, 2003

Algures Num Limbo Perdido...

Algures num limbo perdido, anseio as tuas mãos...
Algures num limbo perdido, anseio o teu cheiro...
Algures num limbo perdido, vagueio na sofreguidão do desespero lancinante....
Algures num limbo perdido....

MORTE
SANGUE
ÓDIO
Pulsões sanguinárias de desesperos mudos.
Olho-te nos olhos flamejados de dor salgada,
Cuspo-te na face (qual leito de um rio mar)
Gritos calados no silencio compulsivo da minha Dor...
NÃO!!!!!!
Gritei eu no desespero da queda do anjo dourado...
Caiu...
Apanhei do chão pedregoso os seus restos mortais,
As suas asas que outrora me cobriram no voo magico
Estão rasgadas e cobertas de sangue que é engolido pelo solo indiferente...
Beijo a sua pele ferida, respiro por fim o seu repouso calmo,
E deito-me a seu lado a olhar o céu,
Esperando a descida sobre nossos corpos prostrados de um anjo....
Levem-nos para o fim do tempo...
Abandonem-nos aqui...
Não quero saber....
Já nada interessa
Já nada faz mais sentido
Excepto o sol que lentamente se cobre de estrelas e nos beija pela ultima vez...
(a tua pele esta fria)
Olha-me nos olhos anjo dourado
(viro-lhe a face na minha direcção)
Uma pena solitária pende-lhe por cima do sobrolho,
E a minha carícia fá-la voar ao sabor do vento.
Cai longe de nos...
Repousa.
Beijo-lhe a fronte e espero a seu lado o nosso reencontro naquela estrela negra que brilha só para nós no céu estrelado...
(uma carruagem negra de cavalos negros pára junto a nós e no murmurar da figura de negro apenas o brilho da foice me ilumina a alma)

Posted by almahperditae at dezembro 8, 2003 09:37 PM
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