dezembro 26, 2003

Estou só...


Estou só.
Perdido num ruminar de pensamentos desconexos, chorando sangue através das veias dilaceradas de minhas unhas… de minha raiva. Ansiando alguém que me resgate do limbo que me esmaga de encontro a parede do meu próprio silêncio, esperando apenas…
Estou só…
Contra as intempéries do meu vazio, sufocado nas lágrimas que não deito. E tu? Tu ignoras-me, preferes perder-te em promessas vazias e não me das de volta tudo o que te dei… o que te dou… deixas-me aqui abandonado, chorando para mim mesmo, gritando pelo teu nome, mas finges que não me ouves, e depois pedes-me os braços para derramares as lágrimas que deito por ti.
Estou só…
Ninguém me quer, ninguém me limpa as lágrimas, ninguém me mostra nada mais que aquilo que sou: um resto abandonado para as horas vagas. Aquele que vai ao chamamento de ajuda, aquele que corre o mundo por um sorriso, que é sempre largado nos lábios de outrem, e eu… eu fico aqui para enxugar as lágrimas, engolindo as minhas lágrimas de sangue com os meus lábios vazios…
Estou só…
E começo a odiar-me! Por não gritar que quero de volta o que te dou…
Estou só…
Mas não quero nada teu. O meu grito nada mais é que não um grito que me rasga a pele… não quero nada teu… mas um dia as tuas lágrimas não serão engolidas por mim.

Posted by almahperditae at dezembro 26, 2003 09:49 PM
Comments

:(

Posted by: at dezembro 27, 2003 01:07 AM