2003.
Mais um ano que passou. E este ano foi deveras estranho para o meu lado. Ainda não consegui perceber se foi péssimo, mau, mais ou menos, bom ou excelente. Foi estranho. Essa a melhor caracterização.
Comecei o ano ainda no meu Paraíso privado, namorando com a mulher da minha vida (pensava eu), apaixonado, amando perdidamente, e sendo amado. Mas algures lá no meio a coisa deu para o torto (mesmo torto) e agora nunca mais se endireita, se alguma vez deixarmos de sentir raiva e ódio um pelo outro, se alguma vez conseguirmos trocar um bom dia sem frases como: «ès um merdas, seu estúpido paranóico dum caralho.» e «cale-se sua puta de merda.» acho que então a gente deve amar-se mesmo lol.
Bati mal como é normal, andei meses incontáveis perdido, querendo achar-me em qualquer sitio, e nesse perdido, nessa busca de mim, acrescentei muitas coisas a minha vida, que foram sempre boas, e conheci montes de pessoas e principalmente descobri um novo Eu, que mais não é que o mesmo de sempre mas muito mais confiante, menos depressivo, mais feliz e mais em comunhão com o Mundo. Não foi pelos bons motivos, mas acabou por ser bastante positivo o Verão e os meses que o antecederam e procederam. Mas nada é eterno, e quando tudo estava até a acalmar, a repousar da loucura a começar a gozar as coisas que tinha descoberto e ganho, começa a minha maré de azar: primeiro fui assaltado, depois bati e fiquei temporariamente (que ainda dura) sem carro, o culminar do meu mal-estar intimo com a ida ao medico para receitarem-me comprimidos que me deixaram num estado próximo do zombie (por isso o acidente, mas naquele dia tinha que pegar mesmo no carro), confusões com seguros, confusões com bancos (os cabrões quiseram tirar-me um cartão de crédito por 4 contos, faz sentido??? Fdx…), confusões com a porcaria da burocracia deste pais porque não tinha documentos nenhuns depois do assalto… Enfim, a única coisa que se salvou dos últimos dois meses foi o ter sido promovido, o que já não é nada mau, há anos que não dormia como no ultimo mês, e o cabrão do meu chefe já não me chateia mais (mas confesso que tenho saudades de o mandar para o caralho e de desatinar com ele lol).
No início do ano ia casar, estava com a mulher da minha vida, pelo meio pensei que nunca mais seria feliz, sentia-me num beco sem saída, destruído pela mulher que pensava que era a minha cara-metade, depois uma mulher salvou-me, e mostrou-me que a esperança nunca morre, que sentimentos puros e mágicos não são exclusivo de ninguém, que somos nos que fazemos a nossa felicidade e não outra pessoa, e agora… Agora o futuro apresenta-se sob a forma duma névoa brilhante: não sei o que lá vem, não sei como acabará o dia de amanhã, mas sei que seja o que for, com mais ou menos Dor (e quando me dão as pancas costumam ser violentas) cada vez mais sei que seja lá por onde for tudo se compõe. Há quem diga que sou um felizardo, que nunca soube o que são dificuldades, que tenho gente que me faz tudo, e quando as coisas se compõem, as vezes até penso que se calhar têm razão. Mas…Será que é isso que quero? Não sei, mas acho que lhe vou dar uma hipótese de felicidade, se não for logo se vê. Balanço de 2003? Ainda não sei… 2004 logo o dirá.