Sou e sempre fui do Sporting, portanto com a idade que tenho é natural que sempre tenha visto o Porto como a equipa a “abater”.
Mal me lembro da final de Viena. Lembro-me do golo do Madjer e mais nada, na altura nem me lembro de ter noção da importância do troféu, era apenas mais uma final, não diferente das finais de Taça ou dos campeonatos do Mundo, por isso o vencedor ser uma selecção estrangeira ou uma equipa nacional para mim era igual. E aquele jogo foi apenas isso: uma final com um golo invulgar, e vencida pela equipa do meu jogador favorito da altura – Paulo Futre. Por estas razões gostei da vitória, mesmo não tendo a exacta noção do seu real valor.
De lá para cá tudo mudou: o Futre saiu do Porto para espalhar classe por essa Europa fora sem nunca atingir o estatuto merecido: uma nova geração de futebolistas emergiu em Portugal, ofuscando todos os heróis anteriores (excepção feita ao Eusébio, mas esse está num patamar diferente); o Porto fez história em Portugal, mas na Europa acompanhou a queda dos outros clubes nacionais; e o futebol nacional caiu num lamaçal de corrupção, interesses e incompetência tal que a maioria dos jogadores de qualidade foram-se embora (alguns sem nunca terem jogado em Portugal) e o interesse cada vez mais se focou nos bastidores em vez de no jogo propriamente dito. Eu cansei-me, e faz agora três anos que deixei de acompanhar o desporto-rei.
Ainda no tempo em que acompanhava o futebol, lembro-me do Sousa Cintra ter feito história no desporto mundial, tendo sido o ÚNICO dirigente a despedir um dos melhores treinadores mundiais – Bobby Robson. Ferido e desgostoso deixou Alvalade e rumou ao Barcelona levando consigo um jovem treinador adjunto – José Mourinho. Na altura o Barcelona era a equipa maravilha no mundo com Luís Figo a descolar para a brilhante carreira que tem levado e com o jovem Ronaldo a despontar para o futebol mundial. Mais tarde Robson acabou por sair do Barcelona e para o seu lugar foi contratado aquele que muitos afirmam ser o melhor treinador do mundo – Van Gaal. José Mourinho ficou em Camp Nou e por lá ficou mais alguns anos, sempre na sombra dos maiores treinadores do mundo, sempre ao lado dos maiores jogadores mundiais, num dos maiores clubes do Mundo. Um dia teve que arriscar e seguir uma carreira em nome próprio. Com uma atitude ofensiva, arrogante, roçando por vezes a bestialidade em meros três anos atingiu o auge da sua carreira. E foi com alguma surpresa que tenho reparado que a medida que se adivinhava que este ano era o ano de José Mourinho, este ia largando pouco a pouco a carapaça arrogante e ganhando lentamente uma nova humildade e Humanidade, tornando-se menos detestável. Na noite de quarta-feira, José Mourinho atingiu o cume da carreira de qualquer treinador, uns meros três anos depois de se aventurar nessa mesma carreira. Lutou, contra tudo e contra todos, arriscou, foi arrogante e agressivo, ganhou inimigos, mas na hora suprema ganhou humildade de campeão. Só lhe falta agora despenhar-se do Olimpo a que trepou, encontrar o seu lugar com a coragem que demonstrou até aqui (mesmo que disfarçada de arrogância e estupidez) para assim poder vencer e mostrar que é um verdadeiro campeão e um grande homem. Contra as minhas próprias expectativas fiquei muito satisfeito com esta vitória do F.C.Porto e do José Mourinho. Não dou os parabéns porque acho estúpido mas o sentido desta entrada é algo semelhante embora não saiba bem o que.
