O blog tem quase um ano. E reparo que funciona como uma resenha da minha vida no ultimo ano, desde os momentos de maior apatia que vivi, aos momentos em que transformei a minha vida num vazio enorme em que apenas procurava esconder-me sentado aqui no computador, numa hiper-actividade de entradas (lembro-me dum fim-de-semana em que postei trinta vezes), desde sentimentos que nutri, em entradas com poemas escritos de um jorro por necessidade, a imagens ou textos relacionados com algo que me fazia lembrar algo que vivi, a letras que descreviam os meus sentimentos, os meus dias, o que sentia nessa altura. Quase tudo de um modo o mais possivel camuflado, apenas perceptivel para mim e para as pessoas que me conhecem, ou pelas pessoas que poderiam perceber caso lessem o blog, coisa que a maioria das vezes não se passa, mas escrevia sempre com o pensamento de que elas o leriam. E lembro-me das entradas que postei aqui no inicio, mais pessoais, funcionando como um diário, com os meus pensamentos sobre as mais variadas coisas, embora sempre com um unico pensamento em mente. Já foi a um ano, e desde lá tudo mudou. Mas agora que se aproxima o aniversario dessas vivencias sinto-me a cair no mesmo abismo, embora agora não perceba a razão. Começo pouco a pouco a atingir o volume de cigarros que fumava a um ano,´um maço já não me chega para um dia, e não fosse o ter retomado a fumar tabaco de enrolar nos momentos em que quero fumar mas sei que não preciso do tabaco, dois tambem não chegavam, embora ainda longe dos exageros do ano passado sinto-me a caminhar para lá. Sei que se voltar a fumar os seis maços por dia ao fim de semana o meu destino está traçado - Morro. E não é uma morte hipotética de talvez apanhar cancro, é uma morte bastante real, os meus pulmões já não aguentam isso, e de certeza que teria uma paragem respiratória. O médico avisou-me, e o meu prazo acabaria dentro de um mês. Tambem começo a perder o apetite, ontem quando me deitei alarmei-me ao fazer a retrospectiva do dia e ter reparado que não tinha comido mais que 3 sandes. E isso até não seria grave se não fosse o facto de não ter fome, de não ter vontade de comer, de pura e simplesmente o meu corpo e a minha mente estarem numa inércia tal que nem algo tão simples como a alimentação é susceptivel de me alertar a mente e o corpo para a falta da mesma. Não durmo. Deito-me todos os dias sempre de madrugada, perto das 5, e depois de voltas e voltas na cama acabo por acordar as 7 para não mais dormir. Isto a quase 1 semana. Sinto que estou a cair novamente, e não sei a razão para isso. Sei que não quero voltar atrás um ano, mas sinto-me cada vez mais a tocar o fundo... Hoje ao acordar e não conseguir adormecer, pensei em muitas coisas como sempre, mas há um pensamento que me assusta: deste modo, da maneira como ando, como andei, como se calhar nunca deixar de andar apenas estava disfarçado, de certeza que morro cedo. O meu corpo não pode aguentar isto muito mais. E isso assusta-me...
Posted by almahperditae at junho 4, 2004 01:53 PM