junho 25, 2004

Portugal 2 - Inglaterra 2

Em primeiro lugar, agora acredito que vamos ser campeões. A Inglaterra era sem a mínima duvida a selecção mais forte deste europeu, e já se sabia de antemão que este jogo ia ser disputadíssimo. Mas... Nunca pensei que fosse uma tal descarga emocional.
Um erro crasso de Costinha aos 3 minutos de jogo fez com que a esmagadora maioria do encontro se tornasse numa busca maciça e incessante do golo de empate. Postiga saído do banco para o lugar de Figo fez 80 minutos depois de Owen o golo do empate. E aí íamos nós para mais 30 minutos de sofrimento. Rui Costa marcou o mais belo golo português desta campanha, e 3 minutos depois Lampart volta a criar nova suspensão no grito nacional. Neste momento os índices de ataques cardíacos já deveriam de ter batido recordes mas… ainda faltava muito tempo. Penalties! Esse método tão injusto, tão frio, tão… nos penalties não há vitoriosos nem derrotados, existem apenas felizardos e azarados, e não consigo imaginar pior maneira de decidir quem ganha e quem perde, e quem segue em frente e quem segue para as tais merecidas ferias em casa. Depois dos falhanços normais nestas situações, depois dos nervos ainda mais a flor da pele eis que acontece o momento mágico. Ricardo tira as luvas. As suas mãos que foram tão criticadas na convocatória é que iriam decidir tudo. Atira-se para o lado certo e ainda tem os reflexos de ouro de contra a trajectória do corpo parar a bola com as mãos nuas, abençoadas mãos que ele olhou naquele momento de êxtase como se mãos sagradas fossem. Tinha calado de vez, todas as criticas, mas não estava satisfeito. Esta vitoria tinha que ser dele, tinha que mostrar que não só defendia como a vitória ia ser dele e dele apenas, fazendo o impossível num caso destes. O guarda-redes defendia o golo no momento crucial e com a raiva e a euforia de tal momento ia ele mesmo marcar o golo da vitória, das meias-finais, e do afastamento da única selecção que nos podia (como fez de um modo brilhante) fazer frente. Marcou e enquanto corria sozinho no meio de um mundo inteiro de olhos nele (ok… naquele momento toda uma língua saltava e gritava, não o podia ver) fez o impensável e o impossível. O guarda-redes não desejado levou as costas da sua personalidade e vontade a selecção para o próximo jogo.


É esta a poesia do Futebol. É por isto que o mundo inteiro (excepção feita aos americanos) delira. É por isso que estes miúdos são os heróis dos tempos modernos. É com a sua garra e a com a sua vontade que arrastam as multidões aos milhões para os ver combater batalhas contra outros miúdos tão fortes e talentosos como eles. E para quem diz que um jogador de futebol ganha muito… Lembrem-se que só 11 entram naquele campo, e que os outros milhões que os vêem das bancadas, nos ecrãs gigantes e nas televisões adorariam estar no lugar deles, mas são eles os que têm o talento, a vontade e a força para estar naqueles 11. O orgulho de fazer por um pais o que estes 23 têm feito não tem preço. Ou acham que Portugal alguma vez viverá esta loucura novamente?

Posted by almahperditae at junho 25, 2004 01:45 AM
Comments

Que emoção... Vivi o jogo em escassos minutos com este teu texto :) E a resposta à pergunta, acredito que sim. A não ser que os Ingleses não consigam a apuração para o próximo Euro :)

Posted by: Patrícia B. at junho 26, 2004 12:40 AM

Nem mesmo assim :)
Esta loucura de k falo começou prai no dia 8 ou 9 (teve um abaixamento dp do jogo da grecia, mas nao foi mt) e vai-se prolongar ate algum tempo dp do fim...
E espero k a emoçao k viveste seja um elogio :)
beijinhos :)

Posted by: Almah Perditae at junho 26, 2004 11:00 PM

Foi a vitória dos 1/4 de Final e não das meias finais pá, agora é que vamos jogar as meias finais... quanto a ter sido com a raiva e euforia do momento que Ricardo decide ser ele a rematar, o próprio Ricardo diz que já tinha falado com o mister para que depois da série de 5 normal, fosse ele a rematar...

Posted by: HeartLess at junho 27, 2004 04:41 AM

Quanto a questão das meias-finais, quando falo nas meias-finais é no sentido de: o golo que valeu a portugal as meias finais, e nao o golo da vitória das meias-finais.
Quanto ao ter decidido, ele tinha falado com o scolari que se fosse preciso marcava 1, e o scolari disse k dp das 5 se ele quisesse marcava, akele penalty ia outro jogador para marcar mas voltou atras. ok... tira um pouco a poesia e a lenda do momento, mas se ninguem disser nd continua magico e lendario a mesma lol

Posted by: Almah Perditae at junho 27, 2004 05:49 AM