julho 01, 2004

Portugal

Portugal, Grécia ou Republica Checa. Uma das três será a próxima selecção Campeã Europeia de Futebol. E seja qual for o resultado, hoje uma certeza já se tem: Portugal fez uma brilhante campanha, e caso não ganhe isso deve-se apenas ao facto de um jogo ser imprevisível, e principalmente está provadíssimo que o nosso país tem que deixar de vez a sua atitude miserabilista. O Europeu de Futebol foi hoje considerado o melhor de sempre, as audiências televisivas no mundo inteiro estão perto dos 900 milhões de espectadores, e o nosso pais deu uma prova inigualável de organização, motivação, acolhimento e simpatia. O resultado dentro das quatro linhas já não tem importância, tudo depende dum jogo de futebol, com tudo o que isso tem de imprevisível. Provado ficou que os velhos do Restelo que a pelo menos 500 anos que nos acompanham continuam a ser sistematicamente esmagados pelo poder de uma Nação que insistem em menosprezar. O que daqui advirá para o Futuro? Não faço mesmo a mínima.
Mas acho que esta na hora de olharmos para nos e verificarmos que toda a nação consegue unir-se de um modo que deriva entre o amor pela pátria e o desespero de acreditar em nós enquanto país. Num momento particularmente mau da nossa vida politica e social, com a economia nacional a cair em derrapagem preocupante, em que a politica é levada a um tal estado de apatia e indiferença em que a nação não acredita em Portugal enquanto pais, em que mergulhávamos numa psicose oscilando entre a pedofilia e a carteira vazia, em que o Euro 2004 nos era apresentado como um erro, em que o desperdício era irreal num pais sem capacidade para tais delírios, em que todas as personalidades nos diziam que ia ajudar-nos a afundar ainda mais na miséria, deu-se uma prova cabal de que as coisas não eram bem assim, que não temos motivos para nos sentirmos inferiores em relação ao resto da Europa e que somos um pais moderno e com capacidade organizativa. A sociedade sorriu aliviada, ajudada pelos resultados desportivos, mas principalmente todos nós sorrimos com a prova de que somos capazes, digam o que disserem os pessimistas. Cada bandeira que se ergue, cada grito de Portugal que se liberta das gargantas, cada braço erguido no ar é uma prova de raiva, uma demonstração de orgulho, um grito de patriotismo, de nacionalismo, a libertação de um sufoco de 30 anos em que nacionalismos eram sinonimo de fascismo, em que na nossa psique colectiva esta inserido o pavor de nos fecharmos dentro de nós mesmos, perdendo o rumo a nossa posição europeia e mundial. Hoje está provado que amar as cores da nossa bandeira, cantar o nosso Hino, ter orgulho de ser português não é uma atitude miserabilista de coitadinho fechado dentro duma caixa inócua ao exterior, não… É a constatação de que possuímos o nosso lugar, que temos valor, que não somos inferiores, que podemos ser tão bons ou melhores, e não é ilusão nenhuma ter orgulho no pais em que nascemos e vivemos. Não nos fechamos, aceitamos todas as nações europeias, tratamo-los como iguais, bebemos com eles, festejamos com eles, recebemo-los e fazemo-los sentirem-se bem junto de nós. Mostramos que o nosso país é bonito, e que podem voltar sempre que queiram, que serão sempre bem recebidos, que os respeitamos, mas que gritamos a nossa nacionalidade e eles respeitam-nos, aceitam-nos e festejam connosco. Quantas vezes vimos adeptos de outras nações com camisolas, bandeiras ou cachecóis nacionais? Todos são unânimes (até os temíveis ingleses) em como neste cantinho se divertiram, foram bem recebidos, foram respeitados e por isso irão voltar mais tarde, pois aqui fizeram amigos. E nós finalmente aceitamos o orgulho de pertencer a esta Nação. Finalmente podemos gritar e festejar o facto de sermos portugueses, finalmente aceitamo-nos como somos, e libertamo-nos de amarras podres que nos queriam infligir. Não é a selecção que esta a ser festejada. Não… è a libertação de um Amor que estava preso no fundo de todas as gargantas. É o festejo de um país unido, é o festejo de um país despertado, é o nascimento de uma nação que não acreditava em si. Só espero que a lição seja aprendida… Se for, finalmente entramos no rumo certo, e os problemas que nos afligiam a umas escassas 3 semanas serão ultrapassados. Basta acreditar, basta confiar, basta ter esperança. Andamos aqui a 900 anos a lutar contra as adversidades, e nunca fomos derrotados, nunca perdemos o rumo, nem a independência. Nunca mais seremos donos de meio planeta, mas porque é que precisamos de meio planeta ou duma taça para termos orgulho em nós? Não basta a constatação de que somos o que somos?

Posted by almahperditae at julho 1, 2004 12:46 AM
Comments

República Checa já não é de certeza... agora espero que seja PORTUGAL!

Posted by: HeartLess at julho 4, 2004 05:38 AM

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Posted by: Stephanie at novembro 7, 2004 08:22 AM
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