Lembro-me de um anuncio que vi a uns anos num programa sobre publicidade a uma agencia de publicidade. Lembro-me de ter pensado que ai estava um bom desafio, fazer um anuncio a propria agencia, e lembro-me que pensei que isso é algo bastante complicado de fazer, afinal como fazer um anuncio a anuncios? É um pau de dois bicos, pois o anuncio tem que ser excelente, porque se for mau tem o efeito contrário a sua genese, e neste caso ainda piores resultados tem que um simples mau anuncio. É um risco, e como a obrigação de fazer um anuncio excelente é tão grande, o resultado mais provavel é uma vanglorização exacerbada da própria agencia que leva a que o anuncio seja terrivel, podendo destruir por completo a reputação da agencia e por acréscimo comprometer a sua propria continuidade.
Quando o anuncio começou a desfilar no ecrã fiquei abismado. Como era possivel uma empresa de publicidade cometer tal erro? O anuncio (chamemos-lhe assim) era terrivel, péssimo, horrivel... Uma demonstração ultra rasca dos seus feitos comerciais e artisticos num estilo TV Shop simplesmente constragedor. E quando eles apresentavam numeros e prémios durante aqueles cinco minutos de duração do filme mais estranho achava, como era possivel que uma empresa tão conceituada como eles se apresentavam, tivesse tão mau gosto? Talvez eles fizessem apenas programas para a TV Shop, pensei eu, mas nesse caso como podiam ter prémios tão conceituados no mundo da Publicidade? Nunca tal passaria pela ideia seja de quem fosse entregar prémios tão importantes a uma empresa de anuncios da TV Shop, por muito grande que fosse a sua importancia no mercado, por maiores receitas que atingissem para os seus clientes. Cinco minutos depois do inicio do anuncio, a apresentação acabou, o ecrã escureceu, e sob um fundo negro, apareceu uma frase em letras brancas, sem quaisquer efeitos, simplicidade absoluta: "Em casa de ferreiro, espeto de pau." Brilhante, genial, fenomenal...
É isto que é o novo disco dos Ayreon, uma banalidade constrangedora, um desejo de grandiosidade sem base de apoio, uma boçalidade, um tédio mil vezes repetido, mil vezes falhado, com um final inesperado de 25 segundos que lhe devolve todo o génio que pretende ter durante os anteriores 101 minutos e 56 segundos.
Entendo o que quis dizer... O álbum The Human Equation, pela sucinta explicação de Arjen seria algo diferente do que ele andava fazendo no projeto Ayreon, sem ter aquelas fugas extraplanetárias, vagando em nebulosas e quasares e com viagens no tempo. Pura conversa! Com exatamente apenas 25 segundos ele consegue fazer todo um trabalho de dois CD's que não tinham nenhuma ligação com os anteriores continuar a seguir a mesma linha. Só quem vem acompanhando o trabalho dele pelo menos desde o The Dream Sequencer consegue desvendar a ligação deste álbum com os outros.
Posted by: Eduardo at outubro 15, 2004 07:17 AM