novembro 30, 2003


Morte…
Serenidade…
Ilusão…
Podridão...
Desespero…
Lágrimas…
Lábios…
Desejo…
Morte…

Posted by almahperditae at 10:07 PM | Comments (4)



Uma rosa pousei na tua pele nua…

Deitados nos lençóis
Embrenhados de teu odor,
Deitei-me sobre ti,
Estremeces-te com o meu toque…

Abraçados num nó de carne e suor
Percorremos as vielas da Loucura
E encontramo-nos no fim da Vida…

Além da Morte.

Posted by almahperditae at 08:01 PM | Comments (6)

Four Steps 'Till Death

Olho a chuva a diluir-se na atmosfera, batendo sincopadamente numa poça de água por baixo da minha janela.

Abro a janela, e o vento violenta-me, rasgando-me a pele em arrepios gelados… encolho-me no meu calor.

Fico estático, vazio, a olhar o frio tomar conta de tudo… deixo de sentir frio.

Acendo um cigarro e fico ali perdido no Tempo, com o olhar vazio a assistir a dança das gotas da chuva na poça de água…

Posted by almahperditae at 04:18 PM | Comments (3)

novembro 27, 2003

Passado sem Presente para um Futuro?

Isto dos comentários tem os seus contras. Se por acaso alguém coloca um comentário numa entrada que já não está na página principal, e nesse dia (ou quando vou ao motor editorial) tenho mais que cinco comentários, já fico sem saber que comentaram entradas antigas. Pois hoje vi uma, e vi que estava lá uma antiga (mas por acaso, mesmo que a entrada tenha sido mesmo do inicio o comentário ainda é deste mês). A entrada é sobre o Snoobar, uma discoteca outrora mítica cá no burgo (e mesmo a nível nacional) hoje em dia já nem sei, visto que ou muito me engano ou essa foi a última vez que lá fui, se essa não foi a ultima a ultima não foi muito depois. E como não podia deixar de ser, reli a entrada, uma entrada pessoal, como muitas que metia no inicio, hoje em dia deixei-me disso, e quando o faço é de tal modo subliminar que muito pouca gente percebe, muitas vezes nem a pessoa de quem falo. Relembro aquele tempo, não foi á muito, à uns meros quatro meses mas mesmo assim parece um outro mundo, uma outra galáxia, primeiro era Verão e de certeza que naquela noite ninguém tremia de frio como eu agora aqui, depois naquela altura estava numa média incrível de perto de 1 maço por hora durante a noite (sim… cheguei a sair à noite e fumar 5 maços por noite), o resultado disso foi quinze dias de cama e um pulmão semi-destruído, duas semanas sem fumar, e agora fumo no máximo dois maços e mesmo assim muito raramente e em “dias especiais”. Mas aquilo que reparei mais foi a parte do fim, do anjo como não podia deixar de ser, e não pude deixar de rasgar um sorriso algo sarcástico para mim mesmo. Os anjos morreram, caíram do céu em que foram colocados, e hoje (quatro meses depois das saudades) relembro novamente um abraço daqueles, mas agora tem cheiro, tem sabor, tem tacto de presente e de futuro, e não apenas recordações delirantes de passados que apenas serviram para me dar a desilusão, a mágoa, e a Dor que precisava para poder ter uma relação séria, calma e sem mitos de Amores Eternos e Entregas e Perfeição. Agora as coisas são o que são, nada mais. E por incrível que pareça podem ser muito melhores. Sem loucuras desmedidas, e sem ilusões que apenas levam a desilusões. Agora não amo, apenas vivo.
Talvez seja um Anjo afinal, mas caído e largado no meio dos mortais.

Eu nem queria escrever mais, mas deu-me para aqui. Vou estar uns dias sem escrever penso eu, ando demasiado em baixo, para me por a escrever coisas sem sentido, mesmo que o blog se intitule Delírios, não me apetece delirar. Por isso pelo menos no mínimo até terça-feira em principio não meto entrada nenhuma, só se me apetecer mesmo escrever, mesmo sem sentido como agora. Até lá então e voltem depois quando eu estiver novamente com vontade :)

(Fechado para desatrofio…)

Posted by almahperditae at 10:13 PM | Comments (1)

Pointless...

Via algures… Estava inserida nos meus sonhos, fiquei fascinado a olha-la, tinha estrelas nos olhos e promessas nos lábios. Não sei o nome dela, não sei quem era, quem é, em que peito chora. Mas quis abraça-la, beijar a humidade de sua boca, confundir as nossas salivas, aquecer a minha pele na dela. Molhar o meu peito com as suas lágrimas…

Posted by almahperditae at 01:54 AM | Comments (1)

novembro 26, 2003

"Aqueles que não pretendem imitar nada, nunca produzirão nada."

(Salvador Dali)

Posted by almahperditae at 10:42 PM | Comments (0)

novembro 25, 2003

Apenas o suicídio me sorri...

Posted by almahperditae at 08:09 PM | Comments (3)

novembro 23, 2003

Gothic (esta imagem tras-me tantas recordações hehehe)

Posted by almahperditae at 10:51 PM | Comments (3)

A Aldeia (Conto - 4ª Parte)

(continuação de...)

O autocarro avançava aos solavancos, que me embalavam o corpo prostrado no assento sujo. Lá fora as nuvens cobriam tudo com um manto de lágrimas e escuridão. Olhava através da janela, via faces que passavam anónimas, e perdia tudo de vista a velocidade do tráfego das aldeias, tudo ficava para trás, tudo desaparecia e nada fazia sentido. Perdia-me nestes pensamentos, perguntava-me qual o significado de tudo isto quando…
Estrondo… Gritos… Silencio… O autocarro estacou violentamente, fui projectado para a frente, agarrei-me ao banco da frente e equilibrei-me. Que se passava? As pessoas levantavam-se e gritavam, pela janela viam-se pessoas que corriam na direcção do autocarro vindas de todos os lados, de todas as direcções. Toda a gente se precipitava para a rua, eu segui a multidão. Vi um homem perdido e aos gritos, com sangue a pender-lhe da testa ensanguentada, fumo e ferro retorcido na frente do autocarro. Tinha havido um acidente, um carro que foi abalroado pelo autocarro, e agora o seu condutor estava aos gritos na rua, desesperado, olhei o carro: lá dentro uma mulher jazia no seu caixão de metal com sangue a escorrer da boca, os olhos vazios abertos violentando toda a gente com o seu horror, a sua pele disforme, esmagada e cortada pelos ferros e vidros que esmagaram o seu corpo davam uma ideia de horror, de violência, de Morte em toda a sua crueldade e frieza…

(continua...)

Posted by almahperditae at 08:12 PM | Comments (0)

O velho cais

A pedido do autor a imagem foi retirada, de qualquer dos modos está uma grande fotografia e quem quiser pode ir ve-la aqui. Não é minha ideia roubar o trabalho artistico de ninguem, por isso é que sempre que posso digo quem é o autor, a minha ideia passa apenas por "divulgar" o talento que eu vejo mas na net muitas vezes os direitos de autor são facilmente quebrados como foi este o caso. Pelo facto peço desculpas e até desconfio que tenho algures mais algumas fotos do mesmo autor, mas neste momento não tenho tempo de procurar. Se alguem as descubrir ou mesmo o autor, basta colocar um comentário que eu facilmente darei com ela(s). Obrigado.

Posted by almahperditae at 03:08 PM | Comments (1)

A Decadência no cemitério dos vivos...

Serenity… I scream through my emptiness,
I revolve all my hopes, they are lost in time,
And I scream… I need an angel’s soft caress.
I’m alone… Crying but the tears don’t shine.

We are all lost,
We are all lost,
Revolving through the graveyard,
Seeking hope in our tears,
Seeking memories of past wars,
Victories to comfort our fears,
To silence our deepest roars.

Posted by almahperditae at 03:56 AM | Comments (1)

novembro 22, 2003

Serenamente...

Serenamente repenso em mim...
A Morte é uma ilusão, e a Vida segue em frente... Existe apenas uma Morte, não perderei tempo com ilusões.

Posted by almahperditae at 10:02 PM | Comments (5)

Sozinho erro...

Posted by almahperditae at 12:51 PM | Comments (5)

Não sou nada...
De nada sirvo,
Ninguem me quer,
Nem a Morte...

Sou um resto de carne pútrida, vagando perdida pela Lama.

Posted by almahperditae at 12:49 PM | Comments (1)

Abdicação

(Fernando Pessoa)

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho.
Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei

O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços

Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.

Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.

Posted by almahperditae at 01:00 AM | Comments (3)

A Morte, o Delírio, a Solidão…
A tristeza, o deambular pelo cemitério dos vivos.
O ser sem o ser,
A tristeza do perecer.
A imensidão e a desilusão,
O pecado doce na ponta da língua.
O desejo moribundo,
O desejo de Morte…

Posted by almahperditae at 12:00 AM | Comments (12)

novembro 21, 2003

Dignidade?

Resto…
Coberta de lágrimas secas por chorar, dorida por dentro, résteas de sonhos, braços matizados de cicatrizes, pele pálida, olhos de Morte, corpo consumido pelo desespero… Ana era seu nome, já não possui identidade. Perdeu-a na multidão que se revolve na lama. Serve o seu corpo, outrora desejado, templo carnal de desejos silenciosos, agora um sepulcro de decadência.

(lágrimas recusam cair… já todas foram consumidas, nada mais resta, nem memórias.)

A perda da dignidade, em nada se distingue da Morte…
Excepto na Dor indolor que se sente no vazio da alma.

Posted by almahperditae at 10:34 PM | Comments (1)

Anseio-te,
Resisto as pulsões de meu ser,
Por ti,
Minha Deusa de Negro.

O teu beijo na minha face,
Fechar os olhos com o conforto,
Sereno e persistente,
De uma eternidade indolor,
Incolor…

Tu ó Morte,
Amante de meus delírios,
Conforto de minha dor,
Tu ó Morte,
Só tu me libertarás deste ser
Repugnante,
Pérfido,
Nojento,
Asqueroso,
Que sob teu manto repousa,
Sob tua essência sonha,
Leva-me contigo,
Através do Tempo silencioso,
Imutável.
Beija-me com a tua foice,
E dá-me o repouso de Mim.

Posted by almahperditae at 10:03 PM | Comments (0)

Noite

Noite.
Chove na rua.
No meu silêncio, vozes gritam-me solidão, a minha companhia sorrateira no delírio suicida de minha imensidão repleta de lágrimas…

Posted by almahperditae at 09:53 PM | Comments (0)

Lunch Time

Um cigarro a queimar-se languidamente, e um café a fumegar... Memórias trespassam-me os sentidos e a solidão aconchega-me. Enquanto pago, penso em escrever estas linhas... Um grito mudo.

Posted by almahperditae at 01:07 PM | Comments (0)

novembro 20, 2003

A Aldeia (Conto - 3ª Parte)

(continuação de...)

Sentei-me a sua frente e reparei que ainda mantinha a beleza que sempre a caracterizou, acho que ela reparou que a estava a avaliar e desviou os olhos de mim com um sorriso tímido. Achei-me estúpido, e perguntei o que queria, café respondeu ela e levantei-me e fui ao balcão pedir dois cafés. Sentei-me novamente, e acendi um cigarro, não perguntei se podia fumar, senti-me ainda mais parvo por não ligar a estes pormenores de boa educação, mas como ela não disse nada, fingi que não se passava nada, e insultei-me a mim mesmo violentamente. Perguntei-lhe como ia a vida dela, esta a acabar o curso, é o ultimo ano, e devolveu-me a pergunta, eu respondi que estava tudo no mesmo, perguntou-me se já namorava e eu respondi que não, tinha acabado, as coisas correram pessimamente e devido a isso tinha passado um inferno, porque me tinha custado muito perder aquela pessoa, e ela? Ela tinha também acabado a pouco tempo, mas as mulheres são mais fortes que nos homens, e mesmo que lhes custe sofrem em silêncio, não tinha ninguém em mente, não queria ninguém por enquanto, queria tempo e meter as ideias no sítio, eu disse que compreendia, afinal tinha passado pelo mesmo, tinha andado meses assexuado, sem desejos, nem interesse em relações, e isso fez-me muito bem, porque agora estava livre, e finalmente preparado para uma nova relação. Se há alguém em mente? Não sei. Talvez, talvez não. O tempo o dirá. Sim. Gosto dela e muito, cada dia que passa descubro mais coisas fascinantes nela, mas as coisas não podem entrar em loucuras descontroladas, e o tempo é sempre um aliado. Primeiro estou eu, tem que ser. Ela andava a descobrir-se, a viver sozinha sem ter aquele contacto diário mesmo que por telemóvel com alguém. Lia muito, ficava horas perdidas a sonhar em cima da cama, disse-me que se lembrava do passado, e dos erros que tinha cometido, lembrava-se as vezes de mim, tinha gostado de mim, achava-me uma pessoa divertida, inteligente, e gostava dos tempos em que andávamos sempre juntos, em que íamos para casa dela, quando combinávamos ir estudar qualquer coisa e nunca ninguém estudava nada porque eu só fazia merda e metia toda a gente a rir-se. Disse que eu sempre a fascinei, porque por baixo do gajo maluco, ela via alguém sensível, e quando ela estava triste eu primeiro falava com ela, dizia-lhe coisas que a faziam sentir melhor e quando ela estava quase bem, fazia-a rir com as minhas parvoíces e tudo desaparecia. Tinha saudades minhas e foi bom reencontrar-me. Gostei de a ouvir. Fez-me bem ao ego, e mostrou-me que afinal a minha ex é mesmo a única excepção, ela é que esta enganada, e eu afinal não sou merda nenhuma.
Recebi uma mensagem. Tinha que ir. Ela sorriu, e prometemos não perder mais o contacto, eu iria visita-la quando tivesse carro, quando ela fosse ao fim de semana a casa íamos beber um café. Qualquer coisa assim. Paguei, e saímos do café. Perguntei-lhe se havia alguma farmácia por ali, precisava de ir comprar uns comprimidos porque doía-me muito a cabeça disse eu, ela não sabia e fui ao quiosque já familiar perguntar, o homem foi simpático, e disse-me onde havia. Tinha que apanhar o 27, e era cinco paragens a frente. Esperei o autocarro com ela a meu lado, falamos um pouco, e quando o autocarro chegou demos um beijo de despedida e promessas de um novo café. Mais um beijo e quando ia a encostar a minha cara a dela via hesitar. Parecia querer dar-me um beijo na boca, fingi que não reparei, e despedi-me de vez e entrei no autocarro. Fiquei a olhar pela janela, e ela parecia estar triste, acenou-me com um sorriso e perdi-a de vista.
Deixei a aldeia para trás banhada por lágrimas do céu.

(continua...)

Posted by almahperditae at 11:16 PM | Comments (0)

novembro 19, 2003

To Be... Or, The cruel pain when it can't be...

Posted by almahperditae at 10:52 PM | Comments (3)

Last Nude

Posted by almahperditae at 12:26 AM | Comments (2)

novembro 18, 2003

Perdi-me num delírio só meu... Achei-te num toque suave de pele





O seu corpo prostrado,
Respirando languidamente.

O seu odor adocicado,
Deixando-me demente.

Os seus olhos penetrantes,
Incendiando-me a loucura.

As suas carícias enlevantes,
Na minha pele com doçura…

Ser teu para sempre aqui e agora,
Seres minha, como quem me devora,
Esta é a ânsia de teu ser,
A sua lacuna o meu sofrer…






Posted by almahperditae at 12:00 AM | Comments (3)

novembro 17, 2003

"O que se faz por Amor está além do Bem e do Mal."

(Nietzsche)

Posted by almahperditae at 10:01 PM | Comments (4)

"SÓ"

(foto de António Nunes)

(Penso que qualquer palavra é desnecessária perante tamanha demonstração de sensibilidade e poesia visual...)

Posted by almahperditae at 09:40 PM | Comments (2)

Ainda sonho em encontrar a mulher angelical

Regressado do trabalho sento-me ao computador. Dou uma olhadela pelos blogs que costumo visionar diariamente e constato que não estou só neste meu deambular pelo Universo. Existem tantas lágrimas ocultas nas caras sorridentes que se cruzam comigo diariamente que penso que nem eu as consigo destrinçar a todas.
Eu que imagino e deliro lágrimas por debaixo da cara mais sorridente, eu que chego a dizer á pessoa mais feliz que ela sofre, que escusa de me mentir, que compreendo todo e qualquer sofrimento, porque eu mesmo sofro, eu mesmo estou só.

Mas por vezes ponho-me a pensar. Será que sofro tanto como as pessoas felizes, que escondem as suas lágrimas? E a única conclusão que posso tirar é que não. Eu conseguia ser feliz. Não me custava nada: tenho um emprego que apesar de não ser nada de especial, é o ideal para mim, pouco trabalho (algumas vezes) um ordenado que só não me chega quando exagero mais nas noitadas ou nas viagens delirantes pelo nosso pais, tenho amigos, mesmo que nem sempre os veja, mesmo que muitas vezes me esconda em mim, porque preciso disso, tenho pessoas que gostam de mim, toda a gente gosta de mim, e até o meu complexo de fealdade desapareceu a muito tempo. Percebi ao fim de anos de falta de iniciativa, em relação as mulheres de quem gostava, por me achar feio e desinteressante, que isso não interessava para nada, que até a mulher mais fantástica e maravilhosa do mundo me poderia Amar, que até a mulher mais bela do Mundo pode sentir um fraquinho por mim. E agora neste limbo de paixão, relembro a mulher que me fez sentir isso.
Estranho. Mas esta história remonta a minha primeira paixão que alguma vez tive, tinha eu os meus 14 anos. Chamava-se Lina, conhecia do modo mais impróprio possível no 6º ano (e esse modo dava uma outra entrada, qualquer dia conto-a mas hoje não porque tenho vergonha), e por crueldade do destino, no meu 7º ano calhou na minha turma, e por capricho dos professores desse ano, que insistiram em os lugares serem por ordem alfabética, ela foi minha parceira o ano todo. Tornamo-nos os melhores amigos, apaixonei-me por ela mas nunca lhe disse nada. Tirando um beijo furtivo, ela nunca imaginou sequer que estava apaixonado por ela. Eu não tinha coragem de lho dizer. Ela era linda, provavelmente a mulher mais linda que já conheci ate hoje, e toda a escola tinha um fraco por ela, e ela nunca ligou a ninguém, nunca deu hipóteses sequer de um beijo a ninguém, e eu remeti-me a minha insignificância…
Com o passar do tempo perde-mos o contacto, e nunca mais a vi.

À coisa de uns 3 anos revi-a. No Snoobar. Estava eu já com um grau de álcool e droga bastante acentuado no corpo e na mente (já tenho saudades desse tempo) e estava a dirigir-me aos meus amigos para me despedir porque me ia embora. Tinha sido essa a minha decisão do tempo que tiro sempre para mim e para a minha solidão (sim… mesmo num sábado a noite eu afasto-me sempre do pessoal e tinha mesmo o meu cantinho no Snoobar para beber e fumar um cigarro e pensar em mim). Não a vi. Viu-me ela e chamou-me. Nesse dia disse-me que sempre gostou de mim mas eu nunca lhe liguei nenhuma. Eu disse-lhe que nunca lhe disse nada porque ela não ligava a ninguém, e a resposta dela foi que não ligava a ninguém porque gostava de mim. Esse dia mudou a minha vida, e a partir desse dia por mais bela ou fantástica que fosse a mulher alvo da minha paixão nunca mais me escondi, e não fosse eu ser uma pessoa bastante fiel e mesmo obsessiva nas minhas paixões acho que nestes três anos teria tido montes de curtes e namoros. Mas não… Para me apaixonar a pessoa tem que ser mesmo muito especial, e quando isso acontece tenho um gosto de sofrimento tal que demora muito a perder esse sentimento. Esse é o entrave a minha felicidade. O perder-me por uma mulher em particular e não ter aquele sentimento egoísta de cabrão e filho da puta que tanto invejo, que tanto desejo possuir. Nestes 3 anos percebi duas coisas. A primeira é que as mulheres não ligam ao aspecto físico e que eu sou uma pessoa bastante interessante ao contrário do que pensava. A segunda é que elas só querem mesmo é foder, e qualquer ideia de romantismo ou entrega é quebrada só porque segundo elas beijo bem e sou bom na cama…

E que conclusão tiro disto tudo? Que elas não merecem mais que uma foda bem dada, e que eu tenho que começar é a pensar em mim.
Mas não consigo… E ainda sonho com o tal Anjo…


Posted by almahperditae at 08:40 PM | Comments (4)

novembro 16, 2003

A Literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.

(Fernando Pessoa)

Posted by almahperditae at 11:43 PM | Comments (0)

Soneto

Uma mulher deitou-se na minha cama.
Via sorrir-me quando lhe beijei a pele,
E embriaguei-me no seu sabor a mel.
Deitei-me sobre ela e fi-la arder em chama.

Lá fora os ruídos do mundo de fel,
Revolviam-se longe da paixão insana,
Derramando suor nos lençóis da cama,
Como se o Tempo alem da nossa pele.

Chega-te a mim com toda a tua doçura,
Beija-me os lábios para alem da tua saliva,
Envolve-me através da tua loucura,

E deixa-me perder no cheiro que me cativa,
Na cruel serenidade de tua candura…
E ficar a olhar-te… Enfim salvo nesta vida.

Posted by almahperditae at 11:30 PM | Comments (0)

"Escrita com luz"

(foto de Luis Pais em 1000 Imagens)

Posted by almahperditae at 10:34 PM | Comments (2)

"Tabacaria"

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(...)

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

(...)

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

(...)

Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.

(Fernando Pessoa / Alvaro de Campos)

Como este Poema é demasiado grande tomei a liberdade de cortar alguns versos. Aconselho a todos o visionamento deste poema simplesmente sublime (provavelmente o melhor texto alguma vez escrito por um Ser Humano) e para isso podem ir a este link

Posted by almahperditae at 10:14 PM | Comments (0)

Anjos

E assim terminei a minha postagem de 7 imagens de Anjos. Já aqui falei tanto de anjos que achei por bem colocar aqui algumas imagens. Como não sabia muito bem quais colocar, acabei por escolher um pouco ao calha as imagens a colocar, não possuem nada em comum com a excepção de serem anjos. Isto e mais as imagens que vou colocando amiúde já da para sacarem para voces algumas imagens que na minha modesta opinião sao bastante bonitas :)

Sim... Confesso que me fascinam bastante os anjos :P

(E já é tempo de ver o "Cidade Dos Anjos" há meses que tenho vindo a adiar isso na esperança de o ver ao lado daquela pessoa especial, agora que já não é especial, mesmo assim sinto-me na obrigação de o ver visto que tão bem me falou dele lol)

Posted by almahperditae at 09:59 PM | Comments (1)

Anjo 7 "Angelic Lust"

Posted by almahperditae at 09:52 PM | Comments (8)

Drakula

(Iced Earth)

Do you believe in love?
Do you believe in destiny?
True love may come only once in a thousand lifetimes...
I too have loved...they took her from me.
I prayed for her soul....I prayed for her peace

When I close my eyes
I see her face, it comforts me
When I close my eyes
Memories cut like a knife

The blood is the life, and Christ I defy.
My sworn enemy...birth of a new creed.

Is this my reward for serving God's own war?
The blood I've spilled for faith fulfilled.
To damn her, a disgrace, you spit back in my face.
I served you loyally, and you spew blasphemy.

I avenge with darkness, the blood is the life
The Order of the Dragon, I feed on human life

There are far worse things awaiting man than death
Come taste what I have seen
I'm spreading my disease
I will feed upon His precious child
The human race will bleed, they will serve my need.

I avenge with darkness, the blood is the life
The Order of the Dragon, I feed on human life

I am the Dragon of blood, a relentless prince of pain
Renouncing God on His throne
My blood is forever stained

For true love I shall avenge
I defy the creed that damned her

Posted by almahperditae at 09:49 PM | Comments (0)

Delirio

Erro… Erro numa imensidão de Dor, Desespero, Irreal monotonia, persisto num sonho, e deixo-me afogar nas lágrimas que caem secas através de minha face dorida…

Posted by almahperditae at 06:29 PM | Comments (0)

Anjo 6 "Fallen Angel IV" por Boris Vallego

Posted by almahperditae at 05:29 PM | Comments (0)

"Killing Me Soft..."

(foto de Olga Gouveia em 1000 imagens)

(I think this image has something to do with me... Maybe the promess of death, running through my lungs and putting my pain to sleep for just one moment... Killing me softly...)

Posted by almahperditae at 05:18 PM | Comments (0)

Nothing... Just rotten soul...


I’ve lost my soul somewhere in my insanity.
Now I rot in this aeon,
Felling nothing…
I look through my mirror,
And see empty eyes:
No tears,
No glow,
Nothing…
Nothing except a pain that do not exist,
A pain that do not have name,
A pain that I feel deep in my veins
But I can not feel what it is.

Maybe some Death…
Maybe some hope unfulfilled
Maybe...
Nothing.

Posted by almahperditae at 05:00 PM | Comments (0)

"O mundo só caminha através do mal-entendido."
(Charles Baudelaire)

Posted by almahperditae at 03:14 PM | Comments (0)

Anjo 5 "Angel Blue"

Posted by almahperditae at 12:34 AM | Comments (0)

A Aldeia (Conto - 2ª Parte)

(continuação de...)

Paguei e sai.
A chuva tinha cessado por um tempo indeterminado e fui conhecer as ruas. Vaguei no meio da multidão, examinava as suas caras, imagina os sofrimentos e alegrias por baixo das suas roupas escuras de tom outonal, e via-os dirigirem-se ao café, ao quiosque do fim da rua, para uma casa qualquer, para um sitio qualquer… Não sei para onde iam e isso também não me interessava, o que me fascina é o agora, o momento preso no Tempo em que se cruzam por mim, em que as consumo através da sua expressão, das suas dores e sorrisos escondidos. Fui até ao jardim, pensei em ir até a beira do rio, ver o seu calmo rumar para o Oceano, sentar-me num qualquer canto e observar, e fumar cigarros na esperança dum raio de Sol furtivo que me aqueça por um tempo efémero. Mas a chuva é persistente, e resolveu reaparecer para mostrar toda a sua glória. Voltei atrás.
Perdi-me tempos incontáveis no quiosque, abri revistas chamativas, e pousava-as no mesmo sítio, abrigava-me da chuva como todas as outras pessoas que se ficavam por lá. Apesar de todas elas não se demorarem muito, tinham aonde ir, estavam a viver a pressa, tinham que sair, e por isso depressa se iam embora enfrentando a chuva fria e indiferente aos corpos encolhidos. Apenas eu e mais uma outra pessoa lá nos demoramos, o outro era um arrumador que actuava no parque de estacionamento em frente, mas tinha tirado uma folga para se abrigar da chuva, não pude deixar de me sentir constrangido, afinal só eu e ele estávamos perdidos, e vagando sem destino… Mas continuei ali, sentia-me protegido e seduzido pelas revistas expostas, queria comprar uma, mas não sabia qual, afinal tinha que ser algo bastante completo, visto que leio demasiado rápido, e ir para um café com uma revista que ia devorar em vinte minutos, não preenchia o tempo que tinha em mãos. Abri uma revista isolada num canto, já gasta pelos dedos incontáveis que a tinham folheado, e perdi-me no seu mundo. Perdi-me demasiado tempo (a leitura tem o condão de nos transpor para um Universo paralelo), tanto tempo que o rapaz do quiosque me veio avisar que não podia ficar ali a ler a revista. Pedi desculpa e paguei a revista, visto que era aquela mesmo que ia levar. O rapaz foi meter o dinheiro na caixa registadora e depois veio pedir-me desculpa, mas eu disse que não havia problema nenhum, e fiquei a conversar com ele, muito tempo, a minha terra não era desconhecida para ele, já aqui trabalhou durante seis meses, falei-lhe do pinhal de Leiria, de S. Pedro, e ele conhecia tudo, disse que vivia num sitio lindíssimo, e quando pode ainda da um saltinho até S. Pedro visto que a praia é lindíssima. Achei curioso o facto, afinal o nosso Mundo, é realmente uma aldeia, por mais distantes que estejamos das nossas raízes encontramos sempre alguém familiar, alguém que conhece a nossa terra, alguém que tenha algo em comum com a gente, e mesmo no meio da maior metrópole, cada rua pode ser uma aldeia, onde todos se conhecem, podemos estar perdidos numa qualquer cidade enorme e olhar as pessoas e ver que afinal é uma aldeia, que apesar dos modernismos, do alienamento, do stress, do lufa-lufa do dia a dia, as pessoas ainda interagem como se numa aldeia vivessem, no café sempre igual, no quiosque sempre igual, no sorriso partilhado, na conversa de ocasião, as pessoas ainda comunicam, mesmo que a solidão seja a nossa única companheira.

Continuava a chover. Na paragem do autocarro as pessoas amontoavam-se no pequeno cubículo para se abrigarem, quando um autocarro parava, as pessoas que saíam dele, saíam a correr e abrigavam-se no primeiro ponto que encontrassem, geralmente o quiosque. Compravam tabaco, compravam o jornal do dia, qualquer coisa para se desculparem de estar ali, para justificar a sua intromissão naquele espaço. Foi quando a vi. Vestida de negro, sóbria, e com a beleza que sempre a caracterizou, há muitos anos que a conheço, que a conheci, já nos perdemos e reencontramos, e sempre bela, sempre com aquele charme que sempre enlouqueceu os homens, sempre com aquele sorriso que sempre adorei, saiu a correr com os cabelos louros a esvoaçarem e entrou naquele espaço. Não me viu, não olhou para ninguém, apenas entrou desesperada com a chuva a molhar-lhe o corpo quente por debaixo da roupa e demorou tempo a recompor-se, a habituar-se ao abrigo. Foi quando a interpelei, olhou para mim e sorriu, surpresa por me ver ali, o que estava ali a fazer? Não estava a fazer nada, andava a descoberta perdido, à espera. E ela? Ia para casa, tinha que estudar, tinha chegado à pouco no expresso, costuma vir mais tarde, mas no dia seguinte tinha um exame, tinha vindo mais cedo, que ia fazer eu? Nada. Esperar apenas. Quanto tempo? Não sei. Vamos então beber um café, meter um pouco a conversa em dia?
Fomos.


(continua...)

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novembro 15, 2003

"Scream"

(Munch)

Posted by almahperditae at 11:29 PM | Comments (0)

"A medida de uma alma é a dimensão do seu desejo."

(Gustave Flaubert)

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"Shou"

(foto de Luis Pais em 1000 Imagens)

Posted by almahperditae at 09:18 PM | Comments (0)

Fuck You!!!!

Posted by almahperditae at 08:13 PM | Comments (2)

Anjo 4 "Universal Angel"

Posted by almahperditae at 04:22 PM | Comments (4)

Lenda De Tavira

Conta a história que a cidade de Tavira (a antiga Tabilla dos árabes) foi conquistada três vezes pelas forças cristãs. A primeira em 1189 por Sancho I; a segunda em 1239 por D. Sancho II e a terceira em 1242 por D. Payo Peres Correia. O presente auto refere-se a essa ocupação, narrada por um velho mouro a seu neto, já no Norte de África, passados muitos anos após a conquista cristã.

Personagens:
Avô: Ali Yussef – 80 anos
Neto: Ibn Said – 10 anos
(Sobre o terraço de uma casa, ambos contemplam o mar)

Neto - Ó avô, até onde chega o mar?
Avô – (Sorrindo brandamente) O mar, meu querido Ibn Said, não tem limites. Vai longe, longe, longe; depois junta-se ao céu e caminha até às estrelas.
Neto – (Supreendido) E não se derrama?...
Avô – Derrama-se, sim, em forma de chuva.
Neto – Mas a chuva é doce e o mar é salgado.
Avô – (Acenando com a cabeça) Podemos agradecer a Alá cuja sabedoria é infinita.
Neto – Mas dizem que há outro Deus com sabedoria igual.
Avô – Sim, dizem. É o Deus dos cristãos, Pai dum pregador chamado Jesus.
Neto – (Pensativo) E Alá é Pai de Maomet! (com curiosidade) Ó avô, então o mundo tem dois deuses?...
Avô – (Sorrindo) Até mais, meu querido.
Neto – (Abrindo muito os olhos) Que me dizes?...
Avô – A verdade. Existem mais Deuses.
Neto – (Incrédulo) Mais?...
Avô – Exactamente: os nórdicos têm Odin e os chineses têm Confucio. Cada um dá-lhe o nome que quer. Mas ao fim e ao cabo tudo se resume ao mesmo espírito.
Neto – Então porque guerreiam?
Avô – Porque outros interesses mais altos se levantam. Os desejos do poder, da conquista e da ganância.
Neto – Estiveste em alguma guerra?
Avô – (Acenando afirmativamente) Estive, sim, quando os cristãos conquistaram a Al-Garb.
Neto – Onde ficava o Al-Garb?
Avô – No extremo sul de uma grande província chamada Al Fagar, que se estendia até à Andalucia e que tinha como capital a maravilhosa cidade de Chelb (Silves).
Neto – (Interessado, puxando pelo albornoz de Ali Yussef) Conta, conta.
Avô – Oh!, foi há tantos anos que a minha memória já custa a recordar. Vivia eu então em Tabilla (Tavira) e era casado com a tua avó Zinaida.
Neto – A avó que morreu?...
Avô – (Com os olhos húmidos de lágrimas) Sim...a avó que morreu! Ai, Ibn Said, como ela era linda nesse tempo. Tinha uns olhos negros, grandes como amêndoas e o ser corpo harmonioso cheirava a alfazema. Quando falava, a sua voz assemelhava-se ao arrulhar de uma pomba e a sua boca era doce como tâmaras do planalto do Atlas. (sacudindo a cabeça) Mas para quê recordar uma época tão distante
Neto – (Tornando a puxar pelo albornoz) Conta avô, conta. Como foi a guerra?
Avô – A guerra, meu filho, foi dura e cruel. A norte de Al Fagar havia um reino denominado Portus Cale, cujo rei era Sancho I, filho de Afonso Henriques.
Neto – Esse Afonso Henriques foi o que nos tirou Lisboa? Disse-me o meu mestre...
Avô – Foi ele, efectivamente, com a ajuda dos Cruzados.
Neto – Também já ouvi falar dos Cruzados. Como eram eles?
Avô – (Com um estranho brilho nos olhos) Oh, eram homens rudes e ferozes, que atacavam sem dó nem piedade. Vestiam cotas de malha de aço e por cima tinham vestidos bibes brancos com uma grande cruz vermelha.
Neto – Então também eram cristãos?...
Avô – Pelo menos assim se proclamavam, fazendo expedições à Terra Santa por determinação dos Papas.
Neto – (Enrugando a testa) Quem eram os papas?
Avô – Os Papas são os Senhos da Igreja Católica. Vivem em Roma, em palácios sumptuosos e empurram outros para essas empresas a que chamam Guerra Santa.
Neto – Como pode haver uma Guerra Santa?...
Avô – Claro que não pode, mas os homens assim o querem, invocando os nomes de Cristo e Maomet. (Fitando a linha do horizonte) Nessa altura vivia eu em Tabilla, pequena cidade do lindo Al Garb onde nasci. Era uma terra erguida sobre colinas e encimada sobre um castelo altaneiro, que dominava toda a paisagem. A seus pés o Rio Cékua, vindo lá das montanhas sagradas, desaguava no Oceano Atlântico; e circundando o olhar viam-se maravilhosos pomares de frutas saborosas e perfumadas.
Neto – Devia ser bela a cidade de Tabilla!...
Avô – Oh, sim! Era uma urbe onde toda a gente se conhecia e estimava, terra de poetas e pensadores, como Chelb. O povo vivia sereno e feliz até que um dia...
Neto – Continua, avô, continua...
Avô – (Cerrando os punhos de indignação) Até que um dia perdemos a nossa cultura e liberdade. Em certa manhã do ano 1189 da Era Cristã, vimos com espanto e terror uma enorme armada a subir pelo rio enquanto que pelo lado da terra, um imenso exército vinha marchando sobre a nossa vetusta cidade.
Neto – (Encolhendo-se) Que medo.
Avô – Sim, muitos tiveram medo. No entanto, os mais afoitos gritavam de indignação, ao saber que aqueles guerreiros iriam saquear Tabilla.
Neto – Saquear?...
Avô – De certo, meu querido Ibn Said. Tal como já o haviam feito em Chakrach (Sagres), Zawala (Lagos), Albur (Alvor), Chelb (Silves), Porcimunt (Portimão), Albuera (Albufeira) e Pharum (Faro), agora apresentava-se-lhes Tabilla com as suas propriedades e riquezas. O Rei dos Lusitanos, Sancho I, querendo terminar a obra do seu pai, resolvera levar de vencida todos os maometanos existentes no país; e daí ter pedido a colaboração dos Cruzados, cuja armada se encontrava no Tejo, pronta a partir para o Mediterrâneo.
Neto – Nesse caso os Cruzados não eram portugueses.
Avô – Não. Eram bretões, normandos e flamengos, que com a capa da Cruz de Cristo cometiam as maiores atrocidades. Para evitar que isso acontecesse, o nosso chefe Albaíno, primo do Kadí de Chelb rendeu-se, tendo Sancho I tomado conta da cidade. Foi a primeira vez que Tabilla deixou de ser árabe.
Neto – Então foi mais vezes?...
Avô – (Surpreendido) Exactamente. Ainda mais duas. (pausa). Este foi o primeiro dia sem Alá!... Felizmente que a ocupação durou pouco tempo, porque o nosso determinado Yacub-al-Mansur ao saber do acontecimento, partiu do Norte de África com um poderoso exército e reconquistou todas as terras do Al Fagar que estavam sob o domínio cristão.
Neto – (Batendo palmas) Ah, valente filho de Mafoma!
Avô – Podes dize-lo, porque foi de facto um guerreiro extraordinário. (respirando fundo) Os anos foram passando e em 1239 mais uma vez o Al Garb foi invadido pelos infiéis.
Neto – Não desistiam?...
Avô – Nunca desistiam. Esta região era como um espinho que se lhes tivesse atravessado na garganta. Desta vez, o exército era comandado por Sancho II, neto do primeiro rei que havia tomado Tabilla. Tinha vindo por aí a baixo, rente ao rio Guadiana e conquistando todas as praças fortes, como Elba (Elvas), Jerumenha (Jerumenha), Serpius (Serpa), Mirtilis (Mértola), Cacilla (Cacela) e por último Tabilla. Foi o segundo dia sem Alá...
Neto – E tu, avô, que fazias?
Avô – (Sorrindo tristemente) Assistia a todos estes dramas com o coração apertado. Mas de que me servia rebelar? Ao menor indício de rebelião, os cristãos cortavam-nos a cabeça.
Neto – (Malicioso) E sempre era melhor conservá-la!...
Avô – Tens razão. Por conseguinte suportávamos o seu domínio com resignação; quem não estivesse satisfeito podia abandonar o país.
Neto – E quem governava a cidade nessa altura?
Avô – (Com um gesto nervoso) Não me faças lembrar. Era um homem terrível, um guerreiro fabuloso que media seis pés de altura e cuja fama já havia ultrapassado as fronteiras do Guadiana. Chamava-se Payo Peres Correia, era Mestre da Ordem de Santiago e o rei tinha por ele uma admiração sem limites.
Neto – (Abrindo a boca de admiração) Pelas barbas do Profeta! Seis pés de altura? Era um gigante...
Avô – (Concordando com um aceno de cabeça) De facto, assim era. E ainda por cima tinha sob o seu comando um grupo de cavaleiros que lhe obedecia cegamente. Constava até que ele tinha poderes sobrenaturais, ao ponto de o povo o adorar e temer. (Pausa) Pois foi Payo Peres Correia o causador do terceiro dia sem Alá!...
Neto – (Cheiro de curiosidade) Como foi, avô?
Avô – (Tornando-se muito sério) Nunca mais poderei esquecer esse dia da Era de Cristo: 11 de Junho de 1242. A história conta que sete cavaleiros da Ordem de Santiago foram mortos à traição, mas é mentira. Somente um o foi; e mesmo assim não à traição, mas sim em legítima defesa.
Neto – Numa luta leal?
Avô – Sim, numa luta leal. (contando com a voz muito emocionada) O cavaleiro em questão, já há muito que perseguia uma linda moura que vivia em Tabilla, para fins amorosos. Mas ela era casada e respeitava o seu senhor; e sempre repudiou as arremetidas do cristão. Até que um dia, este, louco de desejo, penetrou na casa da bela mourisca e tentou subjuga-la. Nesse momento, porém, apareceu o marido e travou-se uma luta de morte, vindo a lume o anseio de vingança, da liberdade e da justiça. O infiel foi vencido e o mouro agarrando na mulher correu até à praia. Chegados lá, tomaram lugar num barco e fizeram-se ao mar, rumo a Marrocos. Ele era pescador e sabia guiar-se pelo sol e pelas estrelas. E assim chegaram aqui nunca mais voltaram a Tabilla.
Neto – E que aconteceu a Payo Peres Correia?
Avô – (Estremecendo). Oh!... Segundo consta, e ao tomar conhecimento da morte do guerreiro, pôs a cidade a ferro e fogo. Aliás, os cristãos aproveitavam o mais leve subterfúgio para atacar os muçulmanos; e desta feita o Mestre da Ordem de Santiago não se fez rogado, destruindo tudo à sua passagem. Ainda hoje esse dia é lembrado com tristeza e repúdio por todo o povo árabe.
Neto – (Intrigado) Mas...diz-me, avô: como se chamava esse mouro que teve a coragem de se opor ao cavaleiro da Cruz de Cristo?
Avô – (Chorando) Esse, que foi culpado pelo banho de sangue? Esse, que por amor à sua mulher, pelo desejo de vingança, pela ânsia de liberdade, matou o invasor?... Esse, que...
Neto – (Abraçando-o comovido) Não digas mais, avô. Já adivinhei tudo!...

Posted by almahperditae at 04:44 AM | Comments (3)

"I'm In Heaven"

(foto de Carlos Romero em 1000 Imagens)

Posted by almahperditae at 04:41 AM | Comments (2)

"Uma certeza com boas maneiras é coisa que não faz sentido."
(Johann Wolfgang von Goethe)

Posted by almahperditae at 04:31 AM | Comments (0)

Believe

(Rain Fell Within)

Beneth the lonely willow, the tired angel lays.
Her arms outstreached, her stomach curled, from deep within she cries...

"Why do I seek peace? Why doth mine eyes deceive me?
On Earth I play, on Earth I die! When might I believe?"

Thoughtless words are spoken here and hateful eyes for all whp are near.
"My wings can't save me now from all that I have seen!

Forgive me as I ponder the meaning of it all.
Seems so unfair to wander with no questions of life beyond!

And all of this hurt from my pointless mission here...
On Earth I've played, on Earth I've died! When might I believe?"

From above, the silent sky reaches out and dries her eyes.
"Be free! Be at all like me! Be near and one with the breeze!"

...oh don't leave me here to die

Beneath the lonely willow, the fallen angel thinks abot this world
and why she's here and of her world of dreams...

"Beauty lays within me...why can't others see?
On Earth I'm sent to change life, but in this I no longer believe...

And this I no longer believe."

Letra fornecida pela minha amiga Maria João, como complemento à terceira imagem de anjos que aqui inseri "Angel In The Alley". Desde já agradeço a sua contribuição, aliás... devo confessar que muitas (a maioria) das imagens que aqui coloco sao fornecidas por ela. esta imagem do Anjo inclusivé (embora eu confesse que não me lembro de ter sido ela a enviar-ma lol, mas se ela o diz é porque foi).

Posted by almahperditae at 03:25 AM | Comments (3)

"Outono"

(foto de Estevão Lafuente em 1000 Imagens)

Posted by almahperditae at 02:56 AM | Comments (0)

"Tudo à minha volta"

(foto de Estevão Lafuente em 1000 Imagens)

Posted by almahperditae at 02:47 AM | Comments (0)

Entrada de um jorro, sem reler, sem um nada que nao um desespero de escrever...

Perco-me em mim…
Anseio as vésperas da minha Morte,
Quando o surreal destino de meu ser,
A cruel inconstância dos meus gritos,
O meu desespero lancinante me irromper os sentidos,
Numa agonia sem nome nem idade,
Apenas o concreto da madeira dos caixões,
Que em meus sonhos suados me descarnam a pele….

Ser feliz…
Ser uma pedra na beira do caminho,
Chutada por um puto que passa e ri,
Mais não ser que a miséria humana,
Que a solidão e o desespero,
Mais não ser que um Nada….

Morre em mim,
Como eu já há muito morri em ti,
No suave toque do teu sorriso,
No escarlate dos teus lábios,
No rubro desenho da tua língua na minha pele…

Morro…
Sofro agonias inconstantes…
Desespero aqui sem Tempo nem espaço,
Apenas um fluir de lágrimas e Desespero.

Posted by almahperditae at 02:36 AM | Comments (3)

"Laid On The Beach"

(foto de Alexandre T. em 1000 Imagens)

Posted by almahperditae at 02:26 AM | Comments (3)

Empty Sheets Of Canvas...

(foto de Pedro Bento "Covão D'Ametade" em 1000 Imagens)


Like a stream through it's bed,
Your fingers run through my skin…
The warm touch of your nails,
My ecstasy every time your lips,
Soft, musty, tender,
Touch my skin embracing your soul…

Happiness…
The soft caress lying on the revolving sheets.

Posted by almahperditae at 12:38 AM | Comments (4)

novembro 14, 2003

O Menino Da Sua Mãe

No plano abandonado
Que a morta brisa aquece,
De balas trespassado
- Duas, de lado a lado -,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
"O menino da sua mãe".

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo, e bem!"
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.


(Fernando Pessoa)


Posted by almahperditae at 10:22 PM | Comments (0)

No Universo erro, no Universo me perco, em mim desejo perder-me, para nunca mais me achar.

Escrevo como um alucinado…
Tenho dentro de mim gritos que desesperam por me esmagar os sentidos de cansaço, de Loucura, de Desespero…. Não sei o que sinto, apenas sei que preciso de sair daqui deste mundo, do mundo por mim já tantas vezes amado e odiado, perder-me no universo, talvez descobrir alguém que me ame, talvez perder-me na pele duma mulher sem nome, talvez mesmo morrer num canto qualquer desconhecido… Talvez ir ver o nascer do Sol depois duma noite sem Lua, errando pelas trevas, iluminado apenas pelo som do silencio. Qualquer coisa… Quero qualquer coisas mas por favor quero esquecer-me de mim…

Posted by almahperditae at 08:19 PM | Comments (0)

Luz & Sombra

Perco-me na tua pele de seda, sinto-me tranquilo quando repouso os meus lábios no teu calor, enlevados numa cama qualquer perdida, de um sonho por viver. O silêncio cortado pelos carros que passam lá fora indiferentes, apenas é cortado pelos nossos corações, compassados, tranquilos, unidos… Carícias e sorrisos, num abraço eterno, palavras murmuradas, receios confessados, tragédias entrecortadas por lágrimas e beijos. Desejo ser o teu pilar, encostares a cabeça no meu ombro e confessares-me o teu íntimo, eu quero chorar também no teu peito, unir as nossas almas pelas lágrimas derramadas e estranguladas com um toque terno, e mãos na face húmida e salgada. Trocar esperanças renovadas, dizer obrigados mudos num abraço luminoso.

A noite… O abraço efémero… O repouso… Acordar contigo nos meus braços, sorrindo tranquila. Acordar-te com beijos na face, na testa, suores trocados, calores partilhados, ouvir o canto das aves no ramo que pende através do universo da nossa janela… O nosso mundo somos nós, e de mãos dadas venceremos a tempestade.

Acordo…

(foto de Tiago Reis em 1000 Imagens)

Posted by almahperditae at 08:01 PM | Comments (0)

Anjo 3 "Angel On A City Alley"

Posted by almahperditae at 07:04 PM | Comments (3)

Anjo 2 "Apocalipse 05" por Luiz Royo

Posted by almahperditae at 01:41 AM | Comments (4)

Angelic Wings Of A Raven... A Smile Rips My Darkness...

She walks in beauty, like the night
Of cloudless climes and starry skies;
And all that's best of dark and bright
Meet in her aspect and her eyes:
Thus mellowed to that tender light
Which heaven to gaudy day denies.

One shade the more, one ray the less,
Had half impaired the nameless grace
Which waves in every raven tress,
Or softly lightens o'er her face;
Where thoughts serenely sweet express
How pure, how dear their dwelling-place.

And on that cheek, and o'er that brow,
So soft. so calm, yet eloquent,
The smiles that win, the tints that glow,
But tell of days in goodness spent,
A mind at peace with all below,
A heart whose love is innocent.


(Lord Byron)

Posted by almahperditae at 01:37 AM | Comments (0)

A Cultura dark...

Penso que nunca ninguém o fez, mas eu vou faze-lo. Escrever uma entrada em resposta a um comentário, porque acho que isso o merece. O comentário encontra-se na entrada Anjo 1 “Fallen” (esta é a primeira entrada duma série de sete que pretendo colocar até Domingo, não meto já tudo porque senão o Main do blog ficaria demasiado “temático”) e é feito pelo vic.

Realmente gostei de ler o seu comentário, demonstra sensibilidade, inteligência e sucintividade num tema tão complexo como este. A cultura ”dark” na juventude.
Na minha opinião (e eu já não sou tão jovem quanto isso visto já ter a vetusta idade de 24 anos), não encaro este culto da Morte, do Loucos Horrendus, do suicídio, da depressão (e a tão famosa expressão “curtir a depressão”), dos ambientes macabros (gore), escuros, deprimentes, como algo de negativo. Não é o fascínio por esta temática que leva à depressão, mas sim o contrario. Estas temáticas são suprimidas do main stream, e por isso não acessíveis a todos, possuem mesmo algo de pérfido, péssima fama, incompreensão da parte de quem não conhece, portanto, quem se deixa embrenhar pelos sons, pela imagem, pela lírica, pelo mundo fantástico que existe por debaixo da má fama e da carapaça de incompreensão e exclusão, são pessoas já com os sentimentos descritos, pré-construidos, nem que seja em esboço, e que se deixam cativar porque se identificam com eles. Eu não deixo esta temática tomar conta de mim, ela não me leva a abismo nenhum, o abismo se existir já foi previamente construído por mim. Não acredito que alguém se deixe cair através dos sons e da lírica, para tal acontecer teria que ser alguém fraco, sem a mínima capacidade intelectual ou discernimento para distinguir Arte de Realidade. E mesmo que existam indivíduos assim, toda a gente sabe que Depressão pode (e é) sinonimo de Inteligência, logo algo incongruente, impossível de acontecer.

Esta temática fascina-me realmente, porque me identifico com ela, e porque admiro o seu lado técnico no que respeita a Arte. Penso que toda a gente que perceba um pouco de questões técnicas no que concerne quer a Musica, quer a Escrita, quer a Arte Visual no seu geral, concorda quando digo que todos (ou a esmagadora maioria) destes Artistas são bons, e possuem um controlo da técnica muito acima da banalidade do main stream.
Mas… (e existe sempre um mas...) não sou fanático, não sou obsessivo, não me deixo controlar, e sei ser eclético. Não ando vestido de negro sempre, não ouço Metal sempre (alias o meu estilo favorito até é blues), não sou uma pessoa depressiva all the time. Quem me conhece pessoalmente, sabe que ate sou cómico (mesmo que exagerado muitas vezes, mesmo que muitas vezes seja para esconder uma magoa), que encaro a vida com muita esperança (mesmo que muitas vezes diga que não vale a pena), e que sei que a Felicidade me espera.
A cultura “dark” mais não é que um reflexo das questões intrinsecamente ligadas a adolescência. Este é um período demasiado cruel, demasiado complicado de viver e quem já o passou, quem, ou esta a passar ou quem como eu ainda tem as marcas desse período, sabe que a desilusão, o fracasso, a raiva, o desespero fazem parte. E penso que este mundo consegue recriar na perfeição esse estado de alma. Não com realidade, não com transcrições literárias de abismos. Mas com uma forma poética, lírica, e complexa sobre esse estado de alma. Não é qualquer um que percebe este mundo. É preciso inteligência para saber separar as águas, compreender que este ambiente, as letras macabras, os abismos descritos são apenas imagens artísticas criadas para transpor para um mundo fantástico a verdadeira essência da alma conturbada. E não são transcrições literais de desejos ou objectivos. Por isso é que este mundo continua inserido num gueto, porque infelizmente a esmagadora maioria das pessoas não possui essa capacidade intelectual para subentender questões intrínsecas por detrás do estilo agressivo e extremo (intenso) da criação.
Mas sim… por vezes certos indivíduos doentes (e a doença e sempre anterior) sentindo-se fascinados por este mundo, quando descarregam a sua demência em inocentes (ou culpados… não sabemos) é normal que se interligue os dois universos. Isso é uma atitude retrógrada, imbecil e demencial. E muito sinceramente já estou farto que as mulheres da fábrica onde trabalho me digam para ter cuidado porque o Cajó matou os pais por causa de pertencer a uma banda de death-metal.


(Nota: Eu nem sou muito adepto do death-metal, grindcore e afins… tirando algumas excepções sou muito mais cativado pelo doom, pelo gothic, algum black, e o tradicional heavy que tem muito do meu tão amado blues. Os meus abismos são muito mais de solidão, de apatia, de contemplação do que propriamente de raiva… Quando a sinto descarrego logo na vitima com impropérios para não ficar com nada a remoer-me lol)

Posted by almahperditae at 12:57 AM | Comments (1)

novembro 13, 2003

Anjo 1 "Fallen"

Posted by almahperditae at 07:49 PM | Comments (2)

Annabel Lee


(foto de Maria Clarinda Galante "Nu petrificado..." em 1000 Imagens)


It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of ANNABEL LEE;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.

I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.

And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.

The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.

But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.

For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling- my darling- my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.

Edgar Allan Poe

Posted by almahperditae at 01:23 AM | Comments (0)

novembro 12, 2003

Elegia à melancolia...

Sento-me no computador e quero escrever algo. Mas não sei o que escrever, a minha cabeça revoluciona-se com lentidão, não consigo pensar ou penso demais, ainda nem percebi, sinto-me vazio e apático. Fumo cigarros atrás de cigarros, ouço uns sons que vou sacando e outros que fazem parte já de mim (reparo quão bela é a melodia de “Angel” da Sarah Mclaughlin) e aqui ao lado falam-me de Moonspell.
Fui vê-los no sábado, foi um excelente concerto como são todos os de Moonspell (menos o do Ermal do ano passado disseram-me, mas eu não vi) e as suas melodias irrompem-me pela mente, vou meter a tocar um som de Moonspell, só um pouco que vou abrir a pasta… Voltei. “Opus Diabolicum” é sempre uma grande musica seja aonde for e em que altura for. Mas o seu riff compassado não me da vontade nenhuma, não me alegra em nada… Estou vazio por dentro, morto…

(Apenas o vazio me seduz, apenas a Morte me sorri, nada faz sentido na minha vida…)

Posted by almahperditae at 01:45 AM | Comments (6)

novembro 11, 2003

Categorias

Bem sei que existe a possibilidade de dividir o blog por categorias, mas... Preferi começar a fazer isso calmamente e pausadamente por mim mesmo, por isso a partir de hoje esta no Main Index o link para a página de apoio a este blog (ou seja onde alojo algumas fotos) mas de modo a que voces possam apenas aceder a uma pagina com os links para as letras de musicas alojadas aqui no blog. Ou seja, entrando nesa página podem ver quais são as letras que aqui meti, e apenas com um clique podem ir directamente para a entrada correspondente :) Simples e rápido...

(Dentro em breve começo a inserir novas categorias, ainda nao sei bem quais, mas isso agora não interessa nada certo? Certo!)

Posted by almahperditae at 08:51 PM | Comments (1)

novembro 10, 2003

A Aldeia (Conto - 1ª parte)

O sol estava escondido. Entrei no café que me convidava a tomar uma refeição em condições e sentei-me ao balcão, sozinho porque assim perco-me em mim e descubro e combato os dragões de mim. Os clientes do costume, as conversas da bola, quem ganha e perde, quem vai aonde e quem recebe quem. Estas conversas fascinam-me, deixam-me a pensar que assim os dias arrastam-se, as pessoas convivem, combatem a solidão dos dias (não pude deixar de reparar que era Domingo, aquele dia em que se deveria almoçar em família) e não se entregam. Fecham a sua Alma em si, e fogem do desespero e do Medo, sem enfrentar os monstros que gritam timidamente nos seus íntimos camuflados. Comi e paguei, sai. Acendi um cigarro e enfrentei a multidão que se estendia pela aldeia. Ouvia os gritos das crianças, os pais preocupados «Olha os carros.» Gritavam como se o seu sangue e a sua carne estivesse descontrolada e indefesa as agressões do mundo exterior. Porque estava. A sua carne expelida em gritos de prazer e dor tinha vida própria, e eles queriam a todo o custo proteger a sua carne, o seu sangue, a sua alma…
Entrei no café em frente, era um café diferente apenas isso, queria descobrir os meandros da aldeia, todos os ventres de todos os cafés, de todas as esquinas, viver no seu íntimo, para beber todos os seus ensinamentos, e pedi uma bebida. Nada de especial apenas o costume, uma coca-cola, é sempre o que bebo quando não sei o que beber, é o meu refúgio conhecido. Sentei-me numa mesa e olhei o telemóvel, o meu cordão umbilical com o mundo conhecido, com o meu mundo, com o mundo longe daquela aldeia vibrante. Tinha algumas mensagens e respondi, não estava só, apesar de o desejar, para mais despido me vestir com os odores e os ruídos desconhecidos. Ainda bebi outra cola, ainda comi mais um bolo, não queria, apenas tinha tempo de sobra e queria ficar ali mais tempo, abrigado da chuva e do frio que lá fora corruia os corpos encolhidos que via passar através da porta envidraçada. As conversas não variavam muito do outro café, nas aldeias geralmente todos se conhecem e todos vivem o mesmo dia a dia. A escolha de um ou outro apenas varia por simpatias, por amizades, ou talvez pelo hábito. Vão a um e não vão a outro porque habituaram-se a esconder-se num deles, e o dono, que tem que zelar pela sua sobrevivência, trata a todos por igual, tal como o outro dono (provavelmente nem se dão, fruto de competições financeiras e de clientela), e as pessoas habituam-se, são bem tratadas num deles, para que ir ao outro? É mesmo em frente, um passo, talvez dois, apenas uns dez segundos a mais ou a menos, vinte se um carro rasgar o silêncio.
Bebi mais um café. Olhei as caras todas iguais, a esta hora já não eram os solitários, já eram os idosos, os vizinhos do lado que vinham beber um café depois do almoço. Casais apenas, idosos na maioria, um casal novo, namorados, talvez não namorem a muito tempo, andam perdidos a viajar, a descobrirem-se a si (se namorassem a algum tempo não se descobriam no meio da multidão a servir de segurança), e não reparam que estão numa aldeia, vieram ver a aldeia que se esconde no meio do Mundo civilizado, nem reparam que se encontram numa aldeia, apenas entram para almoçar, não reparam que estão numa aldeia, não vêem o sofrimento das pessoas, não reparam que estão numa aldeia, estão isolados no seu namoro recente. Vivem para o outro na esperança que alguém viva para eles.
Não reparam que estão numa aldeia.


(continua...)

Posted by almahperditae at 11:41 PM | Comments (2)

novembro 09, 2003

A Praia


(por António Ramos em 1000 Imagens)

Posted by almahperditae at 11:28 PM | Comments (3)

novembro 08, 2003

Estrada Perdida

Estrada perdida,
De desejos e esperanças,
Surreal sangue negro,
Moribundo sorriso mórbido.

Percorro as tuas veias,
O teu sémen queimado de Loucura,
Sem destino,
Sem Futuro,
Sem Passado…
Apenas o Presente constante de descoberta,
Com o teu corpo prostrado a meu lado,
O teu odor inebriante, convulsionando o ruído persistente,
Os meus sentidos vogam pela insistência da tua presença.
Gozo-a enquanto é real,
Presente,
Palpável…

O Fim…
Sorrisos tímidos,
Corpos ansiosos,
A descoberta etérea,
A ilusão…
Serei feliz no toque quente do desconhecido.


(foto de Rogério Pires "A noite dos lobisomens")


Posted by almahperditae at 04:50 PM | Comments (3)

Suavemente a Floresta Envolve-me No Seu Doce Encanto Mágico...



(foto de Pedro Bento " "Blue" Witch Project")

The Forest Whispers My Name
(Cradle Of Filth)

Black candles dance to an overture
but I am drawn past their flickering lure
to the breathing forest that surrounds the room
where the vigilant trees push out of the womb

I sip the blood-red wine
my thoughts weigh heavy with the burden of time
from knowledge drunk from the fountain of life
from Chaos born out of love and the scythe
the forest beckons with her nocturnal call
to pull me close amid the baying of wolves
where the bindings of christ are down-trodden with scorn
in the dark, odiferous earth

We embrace like two lovers at death
a monument to the trapping of breath
as restriction is bled from the veins of my neck
to drop roses on my marbled breast
I lust for the wind and the flurry of leaves
and the perfume of flesh on the murderous breeze
to learn from the dark and the voices between

This is my will...

The forest whispers my name...again and again

When the moon is full
we shall assemble to adore
the potent spirit of your Queen,
my mother great Diana.
She who fain would learn all sorcery
yet has not won its deepest secrets,
then my mother will
Teach her, in truth
all things as yet unknown

I walk the path
to the land of the Dark Immortals
Where the hungry ones will carry my soul
as the wild hunt careers through the boughs

Come to me, my Pale Enchantress
In the moon of the woods we kiss

Artemis be near me
in the arms of the ancient oak
where daylight hangs by a lunar noose
and the horned, hidden one is re-invoked

The principle of Evil
evolution has been recalled
Beneath the spread of a Magickal Aeon
I stand enthralled
...In the whispering forest

"Pale, beyond porch and portal,
crowned with leaves, she stands,
who gathers all things mortal,
with cold immortal hands,
her languid lips are sweeter,
than love's who fears to greet her,
to men that mix and meet her,
from many times and lands."

[A.C. Swinburne]

Posted by almahperditae at 04:56 AM | Comments (1)

novembro 06, 2003

(Lendas narradas com a melodia do Black Metal)

Dracul Va Domni Din Nou In Transilvania
(Marduk)

[Sighisoara, Transilvania in the year of 1431]

All demons ride high upon the bewitching Nightsky
They are only disturbed by a new-born child's painful cry
Son of the great dragon, come forth to rule
In all your glory, no man, no beast will be as cruel
All the angels and the puny men of god looked away
Frightened to death by the evil that was born on that day
Dracul come forth, and see your son's soul is powerful
Triumphantly holding his son, nothing could be as delightful

In our order you are now, for the sake of your greatness
You must murder the muslim turks in thousands, no less
Let them feel our never-ending wrath and our steel
We are men of God, so let them know it for real
It's our mission to seek our enemies, and kill them one by one
They must be destroyed in time, be sure to teach your new-born son
We must bath in the blood of the vermins, called turks, to win
The muslims are to be executed, for they live in great sin

Sultan Murad of the turks is getting more powerful each day
Dracul will not be one of them that for his mercy will pray
He must turn his back on his previous allies
And conspirate with the turks
Beware you all of the evil blood that in Dracul lurks
The holy Roman emperor will get angered with this
But Dracul must protect himself, it's a right of his
So feel the greedy claws of death, you weak men of god
Treacherous thoughts was the father of the berserker prince Vlad

(In the year of 1438)

Seven years of age is he and already in bloody war
His eyes do not turn away from all that death and gore
Father Dracul and brother Mircea are riding by his side
Proud he is of his warrior father, no matter he lied
Together with the turks, they ravaged through the land
Dragon and beast, devils and demons fighting hand-in-hand
Transilvania - You great home of ours
You they will crush, there is no God to help us.

What feeds an evil mind?
What makes a man a man?
The deeds of death!

But greater stories are yet to be told...

Aconselho a todos sacarem este som simplesmente magistral...

Marduk - Dracul Va Domni Din Nou In Transilvania
faixa 7 do disco de 1996 "Heaven Shall Burn... When We Are Gathered".

É nisto que o Black Metal é fantastico, riffs quase que psicadelicos, compassados, fortes, aliado a um ritmo hipnotizante com o sabor de Sangue e Guerra a embalar-nos... Música excelente mesmo, só a conheci hoje lol

Posted by almahperditae at 11:42 PM | Comments (1)

Ó retrato da Morte! Ó Noite

(Bocage)

Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor que a ti sòmente os diga
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel que a delirar me obriga.

E vós, ó cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar o meu coração de horrores.

Posted by almahperditae at 01:46 AM | Comments (0)

Canal de IRC

Bem...

Seguindo as pisadas do Heartless, resolvi plagiar o moço e criar um canal de IRC para o blog.

Eu sei... Eu sei... Não sou original mas que querem? Se ele pode criar o blog para me copiar posso fazer o mesmo né? :P lol

Pois bem... Todos os fãs (que bem que fica dizer esta palavra lol) podem a partir de hoje perder um tempito e entrar no #Delírios da PTnet. (Basta clicar no link que entram imediatamente, eu cada vez me surpreendo mais com este mundo informático lol)

É toda a gente bem vinda :) Se eu não estiver lá... Deixem-se ficar à mesma... Eventualmente entrarei (já meti para me auto-conectar automaticamente senão nunca mais me lembro do canal, e tendo o ´ no nome dá mt trabalho para escrever lol). Vou tambem inserir o canal no Main Index para não cair no esquecimento.

Bem... Espero-vos lá :)

Posted by almahperditae at 12:33 AM | Comments (0)

novembro 04, 2003

For My Sweet Maiden... (We Are Lost In A Dream)


Só...


Completamente só erro pelas brumas da ilusão. Anseio vespertinas carícias, prolongadas através do luar mágico, na lama do nosso ser... Lá ao longe as estrelas vagueiam na bruma. E o frio assola nossas peles sem no entanto dar-mos por ele. Aqueço-te a pele... Acendes-me a ilusão...

As chamas de ti.... O meu Fogo, pulsão animalesca de Desejos com brilhos dementes no olhar, cortam qualquer esperança à Noite...

Anseio o abraço... Anseio a tua pele na minha, percorrendo a Loucura, os teus lábios nos meus, os teus lábios na minha pele, fazendo-me sentir pulsões que me arrastaram até à eternidade... O Tempo não possui castidade.
O Tempo morre e gela no toque suave de nossa Paixão. Entrego minha alma ao teu sorriso (quão belo é o teu sorriso sereno, repousante, quando sentes a minha presença sobre a tua Alma)




Morri em ti...
Senti os meus sentidos divagarem, perderem-se na nossa Loucura e sei que te Amei...

Sim...
Amei-te quando as nossas carícias cessaram, quando apenas um abraço tépido nos enlevou e tudo parou... Tudo morreu.

Um ponto final... Uma esperança por morrer, porque o sonho foi real, vi o Anjo Da Morte, Que me Puxou para o seu interior, que me Amou com o seu abraço, que me retirou do Abismo... E morri nos seus braços, e a Morte morreu nos meus braços... E fui feliz e agradeci. Agradeçi o ter-me salvo de Mim... O meu pior inimigo.


Fui um condenado outrora... Fui um prisioneiro de mim mesmo, reles objecto de carne apodrecendo lentamente na esperança duma Morte cruel... Mas tu retiraste-me da cruz, depois de me teres lavado a face com a tua manta de sonhos. Sonhei contigo, vagamos pelas estrelas e pela magia surreal do nosso mistícismo. Foste a minha salvação. vivi o teu sonho, e tu deste-me um sorriso...

Sorri

(No leve planar de nossas Almas... A visão da tua serenidade, o beijo no teu corpo efervescente, fez-me sorrir por o sonho ser real...)

Agradeço os Deuses terem-te criado...
Agradeço-te a ti teres-me salvo...
Agradeço as lágrimas terem-nos lavado a Alma sedenta...

Salvaste-me

Posted by almahperditae at 08:04 AM | Comments (6)

novembro 01, 2003

Pantera


The Best Of Pantera: Far Beyond The Great Southern, Cowboy's Vulgar Hits (2003)

1. Cowboys From Hell
2. Cemetery Gates
3. Mouth For War
4. Walk
5. This Love
6. I'm Broken
7. Becoming
8. 5 Minutes Alone
9. Planet Caravan
10. Drag The Waters
11. Where You Come From (Live)
12. Cat Scratch Fever
13. Revolution Is My Name
14. I'll Cast A Shadow
15. Goddamn Electric
16. Hole In The Sky


Este é o alinhamento do ultimo registo dos PanterA. O famigerado best of... O titulo (eu meti uma virgula no meio, no site que vi isto não tinha mas acho que faz mais sentido assim) é no minimo interessante visto que retrata todos os discos de PanterA... Todos? Não, não são todos. Faltam aqui menções a cinco discos de PanterA: os três primeiros, considerados pela própria banda como registos menores, ou segundo as suas próprias palavras "as demos que nunca fizemos". E porque não fizeram essas demos? Porque desde cedo que esta banda deu nas vistas. O seu guitarrista de sempre Dimebag Darrel, cedo se notabilizou na arte de tocar guitarra, e chegou mesmo a ser convidado por Dave Mustaine para integrar os Megadeth, mas o músico tinha planos próprios e depressa rejeitou esse convite. O disco ao vivo (por razões óbvias visto que ele mesmo já é um apanhado do que tinham feito até então) e o último... Acho que para todos os fãs este último disco foi uma desilusão, prenuncio do que viria a seguir... O Fim.

No início, o seu som era demasiado glam, influenciados pelos Kiss, e absorvendo o som tradicional do Texas, o seu som era pesado mas nada comparado com o que se seguiria... Quando Phil Anselmo se juntou a banda, e mostrou aos seus companheiros discos de Slayer e de Black Sabbath a história nasceu ai mesmo. Pegando nessas influências, juntando o blues que eles, jovens sulistas, tinham nas veias, e dando a pitada de excelentes mestres na arte de fazer música (na minha opinião encontra-se aqui a melhor banda de sempre do ponto de vista técnico) e com a raiva lírica e cénica de Phil que só ele consegue colocar na voz. O seu "primeiro" disco foi uma pedrada no charco, cheio de hits e mostrando que a raiva, a agressividade do novo metal que se impunha, poderia ser melódica, bela, lírica, sem nunca perder (mesmo que fossem calmos em alguns momentos) a força e o poder que fazem dos PanterA uma das maiores bandas de metal de sempre (na minha modesta opinião a melhor de sempre em qualquer estilo, apenas ultrupassados pelos Nirvana).

Se este alinhamento é um bom exemplo da carreira desta banda magistral? Sim e não... Sim porque estão aqui alguns hinos que fizeram as delícias de muita gente: Cemetary Gates (uma das melhores músicas desta banda, com um riff rock hipnotizante, que nos leva numa viagem pela mente de Phil, torturada pela perda de alguém); This Love (para muitos a melhor música deles, novamente um riff calmo a descambar para um refrão cheio de poder e testosterona); Planet Caravan (uma versão dos Black Sabbath simplesmente magistral)...

Mas...(e há sempre um mas...)














Onde estão os verdadeiros hinos?
Onde está a Hollow? Uma música lindíssima sobre uma criança que vê morrer o seu melhor amigo. A Suicide Note Pt#1 uma música blues sobre o suícidio que faz desaguar rios de lágrimas ouvindo a voz dorida de Phil apenas acompanhado pela guitarra, um teclado para dar ambiente (apenas faz um ruído mudo) e um bombo compassado. Onde está a 10's, um riff "tempestuoso" e psicadélico que descamba no (para mim) melhor solo da história da música. Onde está a Fucking Hostile, punk agressivo (ultra agressivo) do melhor que já se fez no mundo. Onde está a Primal Concrete Sledge, que é para mim a melhor música "a dar" que já foi feita alguma vez? A prova cabal que uma música rápida, violenta, básica (Fá# apenas nos versos, um acorde lol) pode ser melódica e ritmada ao extremo. Onde está a Floods...

Foda-se...
Onde estão as músicas que me fazem adorar PanterA????
Limitam-se a meter aqui dois hinos, para quem não conheçe se habituar ao pior deles e adorar (vai ser tão fácil adorar) para quando forem comprar os discos a sério o culto crescer ao verem que há muito melhor e poderem voltar em grande estilo?

Ok..
Excelente táctica :P
(eu quero um bilhete para a tour de regresso... e ai deles se não vêm a Portugal...)

(enquanto isso vou ouvindo os meus cd's religiosamente guardados, e não vou comprar este)

Posted by almahperditae at 12:29 AM | Comments (36)