julho 28, 2005

Sensual Ecstasy
(The Blood Divine)

Surrendering my laments
I remember the deep inner strength in you
I'm in sensual ecstacy

So deep are the feelings born
That they last forever

As we made love in mist shrouded nights
I vow I was in heaven with you
I'm in sensual ecstacy

So deep are these absolute feelings for you
I'm deep into you, and we'll last forever

Inside, my heart beats at one with yours
In bless recalled and so soon returned
Are love's proud memories of you
I'm in sensual ecstacy

So deep are these deep rooted feelings of love
Love for you
That they last forever

So far now, my conscience has flown
With you love I'm never alone
Far away from you, but I remember you
Far away from you, but I still feel you

Posted by almahperditae at 08:31 PM | Comments (0)

julho 26, 2005

Nihil
(Tiamat)

The loosers are the winners
The saints are the sinners
The angels in heaven
Keep falling, keep falling

God is no forgiver
He demands and you deliver
The demons in hell
Keep calling, keep calling

Trough the night shall all wash away
All the horrors of the day
And a little angel on my side
Tries to make it all worthwhile
And with a little beauty in my bed
I still wish that I was dead
And the little angel on my side
Takes me on a devil ride

No rose without a thorn
Dead before you're born
A world full of nothing
So keep praying, keep praying

That what lies ahead of us
In the eye of Horus
A new sacred aeon
We'll be obeying, obeying

Posted by almahperditae at 08:22 PM | Comments (4)

julho 20, 2005

Rota do Sol

Hoje fizeram-me lembrar do Rallie Rota do Sol, e fez-me recordar as noites que passava ao frio para ver passar um carro de dois em dois minutos, as tardes em que faltava a escola para ir ver o primeiro dia do Rota do Sol, e lembrei-me tambem que eu sou fruto do Rallie, como costumo dizer. Afinal os meus pais conheceram-se num rallie, provávelmente fui "feito" num acampamento de um rallie, e a primeira coisa que os meus olhos viram, sem sequer ver, e os meus ouvidos ouviram, sem sequer ouvir, foi os carros de um rallie, pois foi esse o primeiro sitio para onde a minha mãe foi depois de sair do hospital quando eu nasci. Os rallies são parte integrante da minha pessoa, apesar de já não ver um carro passar por mim à uns bons anos, e a ultima vez a que assisti a um foi à já dois anos, na especial nas ruas da Marinha Grande que durante dois anos fizeram no primeiro dia do Rota do Sol. Depois acabaram com isso porque era um estorvo demasiado grande para ter no meio da cidade já de si demasiado pequena. Mas... Isso não é rallie, isso só serve para os amantes do desporto automóvel, coisa que eu decididamente não sou. Eu sou amante dos rallies, de estar no meio do pinhal, no meio de uma serra, longe de tudo, ouvindo os gritos das pessoas que estão lá apenas para ver um carro passar no limite de dois em dois minutos, para estar a ouvir o silêncio recortado pelo som da multidão na espera daquelas três segundos, para ouvir o roncar dos motores ao longe, queimando gasolina, metendo velocidades na urgencia do limite, na espectativa que ele vai passar, provavelmente fazer um peão na curva para a multidão gritar, ouvir o som cada vez mais próximo, a urgência do limite, a promessa, as cores do carro, o pó no ar, as pedras que saltam, o som, a música daquele som, daquele ronco, e pensar "É agora, é agora", mas esse agora demora, mas sabemos que ele ai vem, os ultimos aventureiros que atravessam a estrada a correr, ele não pode parar, ele está no limite, ele está próximo, ouvimos o som cada vez mais omnipresente, cada vez mais próximo, os primeiros gritos "Vem lá um.. Vem ai." E ele passa. Três segundos, passou. O som mais longe, ficaram os gritos, o pó no ar, o cheiro da borracha, do metal, a gasolina queimada, o som das pedras a repousarem em torno da estrada, a memória das cores, o som do motor, majestoso a rasgar o silêncio, e o silêncio que parece mais ensurdecedor. E a espera... A longa espera de dois minutos pelo carro seguinte, pela espectativa seguinte... A longa espera paciente pela urgência do limite...

Menina da Lousada, que nunca viu um rallie, que vive tão perto e tão longe deste mundo, nem te conto o que é isto tudo à noite... Quando tudo isto é recortado pelos flashs das máquinas fotográficas, quando aquela luz intensa ilumina de magia durante instantes de segundos as máquinas que passam a voar apenas para depois devolver tudo à escuridão. Já nem sei se ainda fazem a especial da Ponte Nova (que é velha), mas se um dia tu vires esse espectáculo durante a noite, aposto a minha vida que nunca mais dizes que este espectáculo não te interessa. Não consigo convencer-te que é montes de fixe, por isso tentei escrever como é LINDO :P

Posted by almahperditae at 08:39 PM | Comments (5)

julho 07, 2005

"Nós venceremos, Eles não." Tony Blair (7 Julho 2005)

O texto da entrada anterior escrevi-o no dia 26 Março de 2005. Devido aos acontecimentos de hoje na capital britânica, achei que deveria de vir até ao café em frente da minha casa para o colocar no blog. As palavras do primeiro-ministro inglês vão demasiado ao encontro do que escrevi a uns meses atrás e isso assusta-me. Porque mais que o terror que os terroristas provocam na sociedade ocidental, acredito piamente que não existem inocentes, nem existem bons e maus. Esta luta é uma luta com demasiados séculos, com demasiadas mortes, e o terror da cegueira de todos nós aflige-me muito mais que os terroristas. É a minha modesta contribuição na loucura generalizada do Terrorismo no séc. XXI, na sua incompreenção, na estupidez generalizada duma sociedade que nada avançou desde o tempo de Jesus Cristo, desde o tempo do Neanderthal, desde sempre...

Posted by almahperditae at 10:42 PM | Comments (2) | TrackBack

Uma Cerveja Num Fim de Tarde...

Numa tarde cinzenta, com pequenos fiapos de Sol que teimavam em espreitar por entre uma brecha nas nuvens, percorria as pequenas ruas da minha aldeia, acompanhado pelos meus dois vizinhos, cuja troca de meras palavras no café que aqui abriu fez com que de repente eu começasse a pertencer a pequena aldeia onde sempre vivi. São de outra geração, um uns meros cinco anos mais velho que eu, coisa pouca hoje em dia, grande diferença enquanto crescíamos. Sempre o conheci, ele também a mim, mas enquanto eu nascia ele já brincava nestas ruas, quando eu comecei a brincar nestas ruas, ele já se aventurava noutras, mesmo na escola sempre andamos em escolas diferentes, por isso os nossos caminhos só se cruzavam esporadicamente e não trocávamos mais palavras que não um ténue “Olá vizinho, tudo bem?”. O outro é um pouco mais velho, enquanto eu nascia ele já namorava, quando fui para a escola já ele tinha entrado no furacão que tudo consome e nada resta senão uma ténue esperança de um dia a agulha deixar de penetrar nas veias, roubando toda a decência das vidas que se esgotam numa dormência hipnótica tão mais agradável que a dor da ressaca, que o grito desesperado do cérebro e do corpo por mais uma dose. Nunca os nossos caminhos se cruzaram, e todos nós pertencíamos à mesma aldeia. Começámos a sentarmo-nos na mesa inerte do café, trocar palavras, ensinamentos, gargalhadas e pequenos insultos de sorriso rasgado nos fins de tarde em que as nossas vidas repousam por momentos, tragando cerveja e cigarros. Depois partimos à descoberta de outros recantos e de outras mesas para bebermos mais cerveja e fumar mais cigarros. Os outros recantos servem apenas de desculpa para sairmos e mexermos as pernas, ver gente, e por vezes parar num recanto mais esquecido de uma qualquer esquina para enrolar uma ganza e partilhar um belo de um charro. À amizade dizem sempre eles. Eu concordo. São os tijolos e o cimento de um edifício bastante belo cujo arquitecto é o próprio destino.
Um deles é a classe operária, como ele orgulhosamente se intitula, come, dorme, trabalha, e anseia pelos momentos de liberdade vazia que uma cerveja e um cigarro proporcionam nas mesas dos cafés. O outro é o político, gosta de ler o jornal, gosta de refilar contra os políticos, está sempre informado sobre os projectos e as disputas entre quem manda e quem quer mandar. Eu sou, como eles dizem, mais poesia e música. Não me interessa isso e prefiro olhar as pessoas, ouvir e quando falo é para tirar importância a coisas que acho terem mais importância que aquilo que merecem.
Neste dia dirigíamo-nos para o bar onde costumamos ir. Um sítio por demais agradável, embora a classe operária o ache muito jet, e prefira o bar ao lado com putos ganzados, mas malta altamente como ele diz. Sem fatinhos e nariz empinado, embora só ele veja nariz empinado, eu sinto-me bem e não tenho nada contra um pouco de classe, mesmo que seja uma classe estandardizada, baseada nas correntes minimalistas dos anos 90 com resquícios do free-jazz transmutado em drum and bass. Gosto, e se não insistir em levar as camisolas que me proíbem a entrada em ambientes mais chungas mas que aspiram a ter este estilo passo completamente despercebido. Se as levar ninguém diz nada, porque a verdadeira classe sabe aceitar as diferenças. Quando íamos a subir as escadas o politico cumprimenta um camarada que vinha a passar, convida-o a entrar e beber um copo, ele aceita. Eu fiquei a ouvir, falavam da luta, da causa, o camarada esteve trinta anos emigrado na Alemanha, vai voltar no fim do mês, reformou-se, quer vir para o seu pais lutar pela causa, como o fez na Alemanha, vem cheio de força, cheio de vontade, contou historias da sua luta pelo proletariado contra o patronato como delegado sindical, quis provar-me o valor dos sindicatos, a importância deles, não disse nada porque já estava queimado, porque antes dele começar a falar com paixão já eu tinha dito que os sindicatos eram um bando de chulos, não quis esmorecer a paixão do camarada, gosto de ver tal paixão ainda tão inocente, ainda tão de olhos fechados perante um mundo que já acabou mas ele ainda acredita que existe na terra que o viu nascer. Mais tarde ele abrirá os olhos, não serei eu a abri-los hoje. As histórias eram fascinantes, até estranhas, perguntei quando tinham sido. 1978, 1979, não tinha a certeza, podia dizer que esse mundo tinha acabado, não o fiz. Gostei de ver a paixão, o amor por uma causa morta e enterrada, mas que ele acredita que apenas está moribunda e pode ajudar a revitaliza-la.
Fomos jantar, despedimo-nos, trocamos apertos de mão sinceros, a luta ficou adiada porque o jantar estava em cima da mesa e a fome apertava.
A História da Humanidade é feita em ciclos, tudo continua sempre na mesma, apenas os nomes mudam. Existem sempre duas forças antagónicas, que lutam pelas mesmas coisas mas em lados opostos. Eu tinha visto um vislumbre de uma luta que tinha atravessado todo o século XX, e pensei para mim quais as guerras que tínhamos nos dias de hoje, visto que esta estava morta e enterrada. O Homem não vive sem Guerra. E se para combater o Comunismo inventaram o Fascismo primeiro, aligeiraram-no depois para criar a Guerra Fria, que mais não foi que um muro (literalmente) que separou dois blocos numa longa espera por um deles sucumbir perante o seu próprio cadáver, agora os muros ruíram, por isso tinha que haver duas forças prestes a gladiarem-se até ao ultimo suspiro, até a ultima morte, até ao ultimo cadáver.
Muçulmanos. Acredito que a própria palavra tenha feito toda a gente arrepiar-se, quando falei de Comunismo acredito que apenas um ligeiro sorriso de escárnio vos passou pelos lábios, talvez nem isso, talvez só mesmo pela mente. É por isso que esta Guerra é muito mais perigosa, porque as fronteiras estão muito mais delineadas, é uma Guerra feita de Nós contra Eles e não de Nós somos melhores que Eles, porque nós lhes chamamos terroristas, porque eles nos matam com as suas bombas. Porque eles nos chamam terroristas, porque nós os matamos com os nossos tanques. Porque nós queremos protegermo-nos dos seus ataques, porque eles se querem proteger dos nossos ataques. Porque eles nos atacam em nome de Alá, porque o Bush diz que ganha com a ajuda de Deus. Porque eles criam células terroristas contra os infiéis, porque nós pegamos na Bíblia poeirenta para pedirmos a ajuda de Deus para nos salvar. E atacamos.
Bem sei que há quem não concorde com a invasão do Iraque, porque tem medo das consequências, porque “eles que façam as suas revoluções, nós não temos que nos meter”. Mas ninguém se lembra que enquanto houver esta distinção entre Nós e Eles a Guerra está em aberto. Ninguém se lembra que Eles são como Nós, classe operária, que apenas quer trabalhar e viver a sua Vida descansada. Talvez não acabar a tarde num café com cerveja e cigarros, mas acabar a tarde com outra coisa qualquer equivalente. Ninguém se lembra que quando um jornalista vai entrevistar a mãe de um bombista suicida ela diz que tem orgulho no filho, porque ele deu a vida em nome de Alá, ele protegeu a sua terra e cobriu de honra a sua família, mas quando o gravador se desliga, ela chora e diz que apenas queria que o seu filho estivesse a seu lado. Ninguém se lembra que quando um americano vai para o Iraque a sua família tem orgulho nele, porque vai defender a Liberdade, vai defender o seu país, vai combater os terroristas, mas quando recebe o seu corpo mutilado dentro de uma caixa hermeticamente fechada chora e diz que não nos devíamos de meter com Eles. Quanta diferença existe entre duas mães que choram por filhos mortos contra Eles? Algum politico alguma vez tirou os olhos dos gráficos do preço do petróleo e viu a composição química das lágrimas das mães Deles e das mães dos Nossos? Porque raio insistimos em diferenciar os Nós e os Eles? Porque raio ninguém percebe que enquanto houver Nós e Eles continuarão a haver mortes, e essas mortes continuarão a alimentar o ódio contra Eles? Sejam eles Nós ou Eles. Porque raio ninguém mete na cabeça que Eles são como Nós? A diferença já está impregnada no nosso inconsciente, até no nosso consciente, por isso o ódio não terá barreiras. Vamos continuar a matar e a morrer, e lembro-me de a umas semanas ter lido algures que existem células terroristas a tentar construir bombas atómicas. Alguém duvida que as farão? Alguém duvida que as nossas bombas atómicas não serão usadas em retaliação? Desculpem… Nessa altura o seu uso será justificado como “cortar o mal pela raiz”, protegermo-nos de vez desse perigo, porque Nós não poderemos continuar a morrer nas mãos Deles. Os mesmos argumentos que Eles usam para nos matar. O mesmo Vazio sempre nas palavras de quem não suja as mãos de sangue. Nós, a população anónima só quer é um copo num café ao fim da tarde depois de um dia de trabalho. Tirem os olhos das notícias de atentados, de ataques, de preços de petróleo, de discursos inflamados de políticos e líderes religiosos. Leiam, ou vejam na televisão, as reportagens sobre as pessoas inocentes que só querem é trabalhar, comer, beber um copo. São como todos nós. Não existe nenhuma diferença entre o Nós e o Eles. Apenas existe gentinha reles que tem nas mãos mais poder que aquele que tem capacidade para lidar. Gentinha que não percebe que o Ódio apenas produz mais ódio, e o ódio produz a Morte. E todos nós entramos nesse ciclo, todos nós entrámos numa espiral de violência, de morte, de ódio pelo simples desejo de bebermos uma cerveja descansadamente ao fim da tarde sem que um ataque suicida ou um tanque nos entre pela porta.
E este Medo, este Terror, apenas é aproveitado pela gentinha do poder para nos conduzir à autodestruição. Porque Eles nos querem matar, não é verdade? Nós temos o direito de nos proteger, não é verdade? É o mesmo discurso de sempre, Eles e Nós dizem o mesmo.
Eu gostei de beber uma cerveja com o camarada. Gostava de beber uma cerveja com um Muçulmano, calmamente, num fim de tarde, a ver os raios de Sol espreitarem por entre as nuvens cinzentas… Só Nós e a cerveja. E nem me importava que ele bebesse um chá de menta em vez de uma cerveja.

Posted by almahperditae at 10:32 PM | Comments (2)