Havia algo na sua voz que a estremecia. A profundeza ondulante, a calma poderosa, abismos de veludo que a hipnotizavam. As suas palavras nada diziam, era a musica que a embalava, não ouvia, apenas se deixava enlevar pela voz. Quando entrou no seu olhar, o Infinito cessou diante dela, como se nada pudesse sobreviver à passagem do tempo incauto. Havia tanto tempo para ser derretido… A sua voz… Aquela voz que a embalava, aquele olhar… Como seria o seu toque? A sua pele?
Acordou num sobressalto, deu um trago na bebida, olhou em volta, para as outras mesas, recompôs-se. Ele sorriu, calmo, sereno, distante. Calou-se, acendeu um cigarro, bebeu do copo o liquido dourado. O silêncio…
Ela sorriu. Havia algo na noite que incendiava sentidos, talvez a Lua, talvez o murmúrio do silêncio, o pulsar constante do silêncio…
Ele desceu a ela, tocou-lhe a mão, falou. Corpos inertes, pulsando nas ondas da sua voz, estremecendo mãos no sabor da sua musica, e ela cobrindo o chão com a sua imaginação…
Um murmúrio ecoa através do nevoeiro.
O nevoeiro, manto que me abraça, fantasmas corroendo as veias da minha pele, recordações da terra húmida entranhando-se, a minha pele suspira… Os passos ecoam o peso do meu corpo, esmagando o mundo ao meu vagar, caminho com a minha solidão, coberto nas sombras da noite. Acredito que algures no fim desta noite um raio de Sol me virá afagar, quero acreditar que o frio que me acorrenta em mim será recortado suavemente pelo primeiro raio de Sol que entrar na minha pele, acariciando-me lentamente, sorrindo-me na pele, afagando levemente os pelos do meu braço, hirtos, expectantes… sob o frio da Noite.
Caminho… Caminho através do nevoeiro, que dança em meu redor, sob o som da luz lunar, que tudo cobre de sombras, que me acompanham nesta Noite escura
Quando pela primeira vez alguém disse a piada de "Já não te via desde o ano passado." neste dia, teve piada?