fevereiro 26, 2007

Diferenças Sexuais

Posted by almahperditae at 11:06 PM | Comments (0)

fevereiro 18, 2007

Pontuação

Lembrei-me de algo...
A nossa vida pode ser como um texto. Letras, meia duzia delas apenas, que formatadas segundo alguma ordem especifica dão emoções, dão resultado a qualquer coisa que é sempre infinito. E no meio... a pontuação. Há sempre algo na nossa vida que funciona como pontuação. Algo que muda o sentido da vida, algo que lhe dá o enfase que a própria vida não consegue dizer. Há pontos que são sempre hesitantes, rodeiam algo, dão voltas e mais voltas, demonstram duvidas e hesitações. São pontos de interrogação, nunca se sabe bem o que são, para onde vão. Há pontos que têm algo mais que apenas o ponto, algo linear, forte, em sentido. Conseguem exacerbar tudo aquilo que está para trás, criam aquele extase semelhante a um grito. Força. Final e decisivo. Pontos de exclamação. Há pontos finais que se repentem, significam que aquele ponto final não é realmente final, há continuação, As reticencias mais não são que pontos finais que não o querem ser. Hesitam. São uma prolongação de algo que acabou mas não se quer acabar. Como aquela máxima que se um sim é sim, dois sins são não. E finalmente há os pontos finais. Apenas isso, sem mais nada. Sem gritos, sem hesitações, sem dúvidas. Apenas se mete um ponto e se segue em frente ou se chega ao fim. Sem emoção, sem nada. apenas o Fim...

Posted by almahperditae at 09:08 PM | Comments (2)

fevereiro 16, 2007

Uma Pequena História...

Esta história começa à mais de uma década atrás...
Sempre fui diferente, confesso. Para o bem e para o mal sempre fui um solitário, nunca fui atrás de modas, nunca fiz o que os outros faziam. Pelo menos não quando elas me queriam convencer. Quando na minha escola o metal se tornou a moda, todos os gajos com quem eu me dava queriam imitar o Fragoso, metaleiro convicto, todos foram atrás, eu resisti a essa moda, imbecil e estupida como eu lhe chamava, mero barulho para psicopatas e gajos com graves problemas emocionais e mentais. Era o que eu achava, e se hoje em dia sou o que sou ("Este gajo na altura que nos conhecemos detestava metal, recusava-se a ouvir. Hoje em dia é pior que eu." Fragoso dixit, à um par de anos, quando me cruzei com ele no Old), consigo compreender as pessoas que continuam a dizer que detestam metal, muito bem até, eu já fui pior que elas, e sei que é tudo uma questão de preconceito.
Mas não é essa a história. A história é mais complexa até. Nos meus 14, 15, 16 anos, naquela idade em que se começam a fumar os primeiros cigarros, porque é fixe, porque faz parte do crescimento, porque todos querem ser adultos e mostrar que já não são crianças, eu recusei-me, até ás ultimas, nem uma passa dei, na unica ves que estive quase a vacilar, acabei por tomar consciencia à ultima da hora da estupides e de estar a fumar apenas pelos outros e acabei por atirar num impulso o cigarro para cima da mesa de snooker. Não ia atras da maioria, eu era teimoso o suficiente para isso. E não fui.
Mas... Um dia, sozinho, em casa, sem nada para fazer, roubei um cigarro ao meu pai ou à minha mãe e experimentei. Não gostei confesso, detestei. Mais tarde voltei a experimentar e até comecei a descobrir-lhe um certo prazer. Um prazer solitário (isto não soa lá muito bem), um momento para mim, adorava o sabor do cigarro depois do jantar, à noite, à janela, a ouvir e sentir o pulsar da cidade, no escuro total, a ver o fumo do cigarro a dançar à minha frente. Durante anos o tabaco era apenas isso, um prazer solitário, localizado no tempo e no espaço. Era apenas isso. Mais tarde comecei a fumar com um amigo às escondidas tambem, no sotão da casa dele, compravamos maços a meias e de vez em quando iamos fumar um cigarro. Durante anos mantive este hábito, estes momentos de solidão ou acompanhado, mas momentos localizados, e esporádicos. era o prazer do fumo, foi a altura em que tive a melhor relação com o tabaco, confesso que muitos maços deitei fora porque o tabaco pura e simplesmente se estragava de tanto tempo que um maço tinha de vida. Comecei a fumar mais quando fui estudar musica, tinha já 18 anos, a partir desse momento nunca mais deitei um maço fora, mas mesmo assim o tabaco ainda era um hábito, não um vicío, fumava nos momentos que tinha anteriormente, e fumava na escola, a falar de musica, no café em frente com um café, pouca coisa, mas foi a partir dai que comecei a fumar mais, por duas razões, porque comecei a fumar socialmente não por imposição mas como uma coisa natural e principalmente, porque foi a altura em que descobri a marca de tabaco que simplesmente adorei, Davidoff. Tinham-me dado um cigarro num festival, procurei tudo em Leiria e na Marinha e finalmente encontrei o tal tabaco que simplesmente adorava. Comecei a fumar socialmente, mas ainda não era um vicio, um maço dava-me para uma semana.
Mais tarde, num dia de que não falarei aqui, o pior dia da minha vida, precisava de uma muleta qualquer. Comprimidos, alccol, droga, não interessa, apenas interessa que há dias em que nós não aguentamos a pressão da puta da vida, precisamos de algo a que nos agarrar, algo artificial, porque se o ser humano aguenta tudo, tambem é verdade que ás vezes uma muleta psicológica dá uma grande ajuda. Agarrei o restinho de tabaco que ainda tinha e fumei-o, não chegou. No fim do dia tinha fumado 3 maços, não fosse o estado de inconsciencia em que estava, o estado de choque em que me encontrava, de certeza que teria sentido um grande mal estar fisico. Mas não senti, deixei essa muleta e por pouco tempo voltei ao ritmo que já tinha. Mas a pressão era enorme, precisava de fugir da minha vida, estava a enlouquecer dia a dia, hora a hora, e o resultado foi ter deixado de estudar, e começar a trabalhar. Fugi de tudo, mudei radicalmente a minha vida. Tinha 21 anos na altura, acabados de fazer. No trabalho comecei a entrar no ritmo, mas o ritmo teve um preço perigoso, quando o stress era muito, eu corria e fazia o que tinha a fazer e quando as coisas acalmavam precisava de 5 minutos para relaxar com um cigarro. Pelo contrário, quando as coisas estavam demasiado calmas e eu não tinha nada para fazer, fumava um cigarro para me ocupar o tempo. O resultado foi viciar-me. Ao fim de umas semanas um maço por semana já não chegava, ao fim de outras semanas um maço dava para três dias, e chegou ao ponto em que comecei a fumar um maço por dia. Era um fumador.
Passados uns anos, num periodo bastante conturbado da minha vida, pura e simplesmente enlouqueci. E de um maço passei para dois, daí para três... Confesso que houve uma altura da minha vida (mais ou menos na altura que criei este blog) em que cheguei a fumar... OK, é loucura mesmo, mas eu cheguei a andar a fumar durante uns meses 6 (SEIS!!!!) maços por dia. Nem o Jim Morrison foi tão estúpido a este ponto. Juntando a essa dose imbecil de tabaco o alcool, a droga, a falta de sono e a má alimentação, escusado será dizer que passado não muito tempo caí de cama, estive duas semanas a delirar com febres estratósféricas, e o médico chegou a dizer-me as palavras mágicas "Continua a fazer a vida que fazes, fuma o que fumas, e daqui a um ano estás morto." Nunca mais fui ao médico.
Reduzi drásticamente os meus consumos, passei a fumar menos (embora fumar três maços não fosse nada do outro mundo em certos dias), deixei de beber tanto, deixei de tomar tantas drogas, enfim... a falar a verdade também nunca fui grande drogado e grande bebedor, por isso por aí não houve uma redução drástica, embora nunca mais tenha apanhado grandes grandes mocas, coisa que até hoje mantenho, quando vou para casa sei por onde vou,´nunca mais apareci em casa sem saber como lá cheguei como algumas vezes me chegou a acontecer.
Nos ultimos anos tenho andado a reduzir ainda mais tudo, tirando algumas excepções, raramente tenho passado do maço por dia, raramente apanho grandes bubas, e a droga... Até isso tenho reduzido ao minimo, no ultimo ano acho que apenas tive tres noites de semi-abuso, sendo duas delas em festas transe e outra uma "noite branca", nada de muito estrilho, e tudo com o máximo de controlo.
Mas confesso. Não foi uma decisão de Ano Novo, foi uma constatação matemática e biologica, certa noite enquanto fumava um cigarro e bebia uma cerveja calmamente. dei-me conta que faz daqui a meses, sete anos que fumo viciado, dei-me conta que tinha na altura 21 anos, dei-me conta que estou a fazer 28... 7 anos. O numero de anos do ciclo biologico do ser humano, as nossas células regeneram-se de 7 em 7 anos, vai ser agora, e se deixar de fumar agora terei sido apenas fumador durante 7 anos. Um numero mágico, mitico... Decidi nessa noite começar a reduzir ainda mais drásticamente, e mentalizei-me que no dia em que fizer anos será o primeiro dia em que vou estar sem fumar em anos...
Decidi...
Confesso. E sei já à partida que daqui a nada vou estar a fumar novamente, não sou tão ingénuo assim, mas à uma semana que não fumo. E finalmente consigo andar bem disposto sem fumar. Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. Depois de um par de semanas no minimo horriveis, hoje, sem tabaco, finalmente acordei e já não senti a falta da puta da nicotina. E daqui para o resto... Se em pouco mais de um mes consegui fazer o que pensei ser impossivel, o que a falar verdade nem sequer queria muito, vou aproveitar e vou meter mais meia duzia de pontos finais na minha vida, de pessoas a hábitos. Há coisas que por muito que gostemos delas só nos fazem mal, como o tabaco por exemplo.

Posted by almahperditae at 05:07 PM | Comments (10)

fevereiro 09, 2007

Monologo Da Esquizofrenia

"O espelho tem ferrugem. Olhas a sombra projectada e nada ves. O que fazes ai rapaz? Olhando a tua face inerte, sozinho, na podridão de ti mesmo...
Esquece rapaz. Não há nada a fazer. O teu mundo ruiu, só tu ainda não o viste. Nada tens a que te agarrar, olhas o espelho, procuras encontrar a personagem que outrora vias. Morreu, rapaz. Já nao existe. Já não existes. Agora és apenas uma sombra, um vulto, uma memória ainda de carne e sangue, esperando encontrar algo que sabes estar perdido. Sabes não sabes rapaz? Está tudo perdido. Estás ai abandonado, esperando algo, esperando o quê? Esperando nada rapaz.
A tua figura é apenas um reflexo de nada. Esse espelho que olhas está vazio, mas tu continuas a olhar esse espelho como se lá estivesse tudo. E está... Está ai tudo o que ainda tens rapaz. Está o teu corpo, frio, de vidro e prata, o teu cadáver. Nada mais tens que isso rapaz... Nada mais...
Desiste."

O rapaz apagou a luz por cima do espelho. A voz que o hipnotizava, a sua unica companhia, calou-se. O rapaz foi para a janela, acendeu um cigarro, ficou ali a fumar, à espera do tempo que lhe fugia, e nada via no seu quarto vazio que o preenchesse. talvez a voz tivesse razão, talvez tudo estivesse perdido enfim, talvez desistir fosse o melhor...

"Porque te atormentas rapaz? Desiste. Desiste enfim, nada tens, tudo ficou perdido nas brumas de ti mesmo. valerá a pena sofrer assim? Esperas o quê? Nada tens que esperar, o que tiveste está perdido em ti mesmo. Vais morrer e deixar apenas o teu cadáver, a unica coisa que te foi dada ao nascer. A tua vida é um vazio eterno. Desiste enfim... Não há esperança."

O rapaz apagou o cigarro no cinzeiro. A voz ria-se.

"Tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar"
in "Só" Jorge Palma

Posted by almahperditae at 06:39 PM | Comments (6)

GNR No Iraque

Posted by almahperditae at 06:16 PM | Comments (0)