Existe algo de fascinante na solidão. O silêncio seduz mais que a mais bela melodia, a mais envolvente harmonia, o mais demolidor ritmo. Qualquer paisagem ganha outra cor ao envolver-se em negro… Há quem não entenda isto, quem tenha uma necessidade desesperada por companhia, por confusão e barulho, quem precise de haver alguém mais para dar sentido à sua existência. Desconfio sempre de quem não consegue estar sozinho, mas também admito que a minha necessidade dos meus momentos a sós pode por vezes parecer doentia. A chave é o equilíbrio, em tudo na vida, este é um dos pontos em que ainda procuro o meu. Isto para falar do meu novo prazer, já antigo aliás, mas renovado.
Entrar num bar vazio, sentar-me ao balcão e com um cinzeiro, o tabaco á minha frente e o copo do meu whisky favorito, ficar assim, perdido no tempo e na penumbra do escuro e do fumo. Ouvir o som das colunas, procurar identificar o som, ou simplesmente nem ouvir a musica, deixar que se dilua entre as vibrações da chuva na rua. Acender um cigarro, com prazer, sem culpas, apenas o prazer de fumar em silêncio, o fumo é preciso num bar e numa noite assim, e o tabaco é só um prazer. Saborear o liquido, pequenos goles, perdidos no tempo, uma companhia silenciosa e quente, sentir primeiro o seu odor hipnótico, depois fechar os olhos e sentir aquele primeiro sabor ácido na boca, antes de sentir o liquido quente, queimar a garganta suavemente, desperta os sentidos, envolve os sentidos…
Estes momentos para mim são especiais confesso, e infelizmente a minha ideia de momentos perfeitos é demasiado especifica, apesar de muitas vezes me desligar do exterior, o exterior tem que ser do meu agrado, tem que me embalar, e infelizmente um bar vazio e com a decoração perfeita só para mim é algo incomportável seja para quem for, a excepção é eu ter o meu cantinho, o meu som, o meu tabaco e o meu whisky… e tenho, mas não é a mesma coisa. Existe um bar perto de minha casa que está amaldiçoado, já abriu e fechou e reabriu e fechou inúmeras vezes, já teve mais gerências e donos com ideias que provavelmente qualquer outro espaço da cidade, mas por uma razão qualquer, escondida de nós comuns mortais, nunca ninguém conseguiu fazer aquilo rentável. Será por ser tal e qual o que eu quero de um bar? Não sei… Sei que até fechar novamente quero fumar lá uns cigarros descansado, beber uns copos e gozar o silêncio recortado pela musica e pela chuva… Em perfeita comunhão comigo mesmo… Em Relax.
Cá para mim andas a fumar ganzas e não tabaco.
Posted by: HeartLess at novembro 25, 2006 06:45 AMClaro!!! Embora a minha perdição seja o tabaco (e de à 15 dias para cá ando a dois maços dia :() as ganzitas não andam sempre muito longe... Alias, ando quase sempre com uma lingua no bolso, a excepção é agora que ando com uma skank maravilhosa hehehe mas não sou gajo pra fumar muito... semanas a semanas só.
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Posted by: txxwsbhpnqg at agosto 26, 2008 06:25 PM