fevereiro 16, 2007

Uma Pequena História...

Esta história começa à mais de uma década atrás...
Sempre fui diferente, confesso. Para o bem e para o mal sempre fui um solitário, nunca fui atrás de modas, nunca fiz o que os outros faziam. Pelo menos não quando elas me queriam convencer. Quando na minha escola o metal se tornou a moda, todos os gajos com quem eu me dava queriam imitar o Fragoso, metaleiro convicto, todos foram atrás, eu resisti a essa moda, imbecil e estupida como eu lhe chamava, mero barulho para psicopatas e gajos com graves problemas emocionais e mentais. Era o que eu achava, e se hoje em dia sou o que sou ("Este gajo na altura que nos conhecemos detestava metal, recusava-se a ouvir. Hoje em dia é pior que eu." Fragoso dixit, à um par de anos, quando me cruzei com ele no Old), consigo compreender as pessoas que continuam a dizer que detestam metal, muito bem até, eu já fui pior que elas, e sei que é tudo uma questão de preconceito.
Mas não é essa a história. A história é mais complexa até. Nos meus 14, 15, 16 anos, naquela idade em que se começam a fumar os primeiros cigarros, porque é fixe, porque faz parte do crescimento, porque todos querem ser adultos e mostrar que já não são crianças, eu recusei-me, até ás ultimas, nem uma passa dei, na unica ves que estive quase a vacilar, acabei por tomar consciencia à ultima da hora da estupides e de estar a fumar apenas pelos outros e acabei por atirar num impulso o cigarro para cima da mesa de snooker. Não ia atras da maioria, eu era teimoso o suficiente para isso. E não fui.
Mas... Um dia, sozinho, em casa, sem nada para fazer, roubei um cigarro ao meu pai ou à minha mãe e experimentei. Não gostei confesso, detestei. Mais tarde voltei a experimentar e até comecei a descobrir-lhe um certo prazer. Um prazer solitário (isto não soa lá muito bem), um momento para mim, adorava o sabor do cigarro depois do jantar, à noite, à janela, a ouvir e sentir o pulsar da cidade, no escuro total, a ver o fumo do cigarro a dançar à minha frente. Durante anos o tabaco era apenas isso, um prazer solitário, localizado no tempo e no espaço. Era apenas isso. Mais tarde comecei a fumar com um amigo às escondidas tambem, no sotão da casa dele, compravamos maços a meias e de vez em quando iamos fumar um cigarro. Durante anos mantive este hábito, estes momentos de solidão ou acompanhado, mas momentos localizados, e esporádicos. era o prazer do fumo, foi a altura em que tive a melhor relação com o tabaco, confesso que muitos maços deitei fora porque o tabaco pura e simplesmente se estragava de tanto tempo que um maço tinha de vida. Comecei a fumar mais quando fui estudar musica, tinha já 18 anos, a partir desse momento nunca mais deitei um maço fora, mas mesmo assim o tabaco ainda era um hábito, não um vicío, fumava nos momentos que tinha anteriormente, e fumava na escola, a falar de musica, no café em frente com um café, pouca coisa, mas foi a partir dai que comecei a fumar mais, por duas razões, porque comecei a fumar socialmente não por imposição mas como uma coisa natural e principalmente, porque foi a altura em que descobri a marca de tabaco que simplesmente adorei, Davidoff. Tinham-me dado um cigarro num festival, procurei tudo em Leiria e na Marinha e finalmente encontrei o tal tabaco que simplesmente adorava. Comecei a fumar socialmente, mas ainda não era um vicio, um maço dava-me para uma semana.
Mais tarde, num dia de que não falarei aqui, o pior dia da minha vida, precisava de uma muleta qualquer. Comprimidos, alccol, droga, não interessa, apenas interessa que há dias em que nós não aguentamos a pressão da puta da vida, precisamos de algo a que nos agarrar, algo artificial, porque se o ser humano aguenta tudo, tambem é verdade que ás vezes uma muleta psicológica dá uma grande ajuda. Agarrei o restinho de tabaco que ainda tinha e fumei-o, não chegou. No fim do dia tinha fumado 3 maços, não fosse o estado de inconsciencia em que estava, o estado de choque em que me encontrava, de certeza que teria sentido um grande mal estar fisico. Mas não senti, deixei essa muleta e por pouco tempo voltei ao ritmo que já tinha. Mas a pressão era enorme, precisava de fugir da minha vida, estava a enlouquecer dia a dia, hora a hora, e o resultado foi ter deixado de estudar, e começar a trabalhar. Fugi de tudo, mudei radicalmente a minha vida. Tinha 21 anos na altura, acabados de fazer. No trabalho comecei a entrar no ritmo, mas o ritmo teve um preço perigoso, quando o stress era muito, eu corria e fazia o que tinha a fazer e quando as coisas acalmavam precisava de 5 minutos para relaxar com um cigarro. Pelo contrário, quando as coisas estavam demasiado calmas e eu não tinha nada para fazer, fumava um cigarro para me ocupar o tempo. O resultado foi viciar-me. Ao fim de umas semanas um maço por semana já não chegava, ao fim de outras semanas um maço dava para três dias, e chegou ao ponto em que comecei a fumar um maço por dia. Era um fumador.
Passados uns anos, num periodo bastante conturbado da minha vida, pura e simplesmente enlouqueci. E de um maço passei para dois, daí para três... Confesso que houve uma altura da minha vida (mais ou menos na altura que criei este blog) em que cheguei a fumar... OK, é loucura mesmo, mas eu cheguei a andar a fumar durante uns meses 6 (SEIS!!!!) maços por dia. Nem o Jim Morrison foi tão estúpido a este ponto. Juntando a essa dose imbecil de tabaco o alcool, a droga, a falta de sono e a má alimentação, escusado será dizer que passado não muito tempo caí de cama, estive duas semanas a delirar com febres estratósféricas, e o médico chegou a dizer-me as palavras mágicas "Continua a fazer a vida que fazes, fuma o que fumas, e daqui a um ano estás morto." Nunca mais fui ao médico.
Reduzi drásticamente os meus consumos, passei a fumar menos (embora fumar três maços não fosse nada do outro mundo em certos dias), deixei de beber tanto, deixei de tomar tantas drogas, enfim... a falar a verdade também nunca fui grande drogado e grande bebedor, por isso por aí não houve uma redução drástica, embora nunca mais tenha apanhado grandes grandes mocas, coisa que até hoje mantenho, quando vou para casa sei por onde vou,´nunca mais apareci em casa sem saber como lá cheguei como algumas vezes me chegou a acontecer.
Nos ultimos anos tenho andado a reduzir ainda mais tudo, tirando algumas excepções, raramente tenho passado do maço por dia, raramente apanho grandes bubas, e a droga... Até isso tenho reduzido ao minimo, no ultimo ano acho que apenas tive tres noites de semi-abuso, sendo duas delas em festas transe e outra uma "noite branca", nada de muito estrilho, e tudo com o máximo de controlo.
Mas confesso. Não foi uma decisão de Ano Novo, foi uma constatação matemática e biologica, certa noite enquanto fumava um cigarro e bebia uma cerveja calmamente. dei-me conta que faz daqui a meses, sete anos que fumo viciado, dei-me conta que tinha na altura 21 anos, dei-me conta que estou a fazer 28... 7 anos. O numero de anos do ciclo biologico do ser humano, as nossas células regeneram-se de 7 em 7 anos, vai ser agora, e se deixar de fumar agora terei sido apenas fumador durante 7 anos. Um numero mágico, mitico... Decidi nessa noite começar a reduzir ainda mais drásticamente, e mentalizei-me que no dia em que fizer anos será o primeiro dia em que vou estar sem fumar em anos...
Decidi...
Confesso. E sei já à partida que daqui a nada vou estar a fumar novamente, não sou tão ingénuo assim, mas à uma semana que não fumo. E finalmente consigo andar bem disposto sem fumar. Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. Depois de um par de semanas no minimo horriveis, hoje, sem tabaco, finalmente acordei e já não senti a falta da puta da nicotina. E daqui para o resto... Se em pouco mais de um mes consegui fazer o que pensei ser impossivel, o que a falar verdade nem sequer queria muito, vou aproveitar e vou meter mais meia duzia de pontos finais na minha vida, de pessoas a hábitos. Há coisas que por muito que gostemos delas só nos fazem mal, como o tabaco por exemplo.

Posted by almahperditae at fevereiro 16, 2007 05:07 PM
Comments

Ao ler esta tua pequena históri, pareceu-me reconhecer cada palavra, não por experiencia propria, mas pq me pareceu já ter lido cada palavra deste texto (e não tere lido já?). Fico feliz por ti, os vicios podem criar sensações de claustrofobia. e esta a resultar: imagine-se, uma semana Almah, uma semana...
ponto.

Posted by: impressaodigital at fevereiro 16, 2007 07:11 PM

Já leste já...
Acho k agora já consigo lidar com o tabaco como sempre quis lidar. Fumar apenas quando me apetece, ter o prazer do tabaco. Estou a brincar com o fogo... no limite do voltar a viciar-me novamente, mas acredito k consegui libertar-me do vicio. Voltei a fumar o cigarro dp do jantar, e dai pouco passo. É mesmo fixe. Quando não quero não fumo, e nem me faz falta

Posted by: Almah Perditae at fevereiro 18, 2007 08:49 PM

Fico mt feliz por tomares essa decisão da tua vida, o tabaco é um vicio k marca a vida de 1 pessoa para sempre e há certas decissões na vida k temos k tomar msm k nos costutem a mudança da vida, parabens e estou a troçer k sais dessa história triste e k dia aprecisses as coisas mais simples da vida como a propria natureza kando te sentires sozinho olha a tua volta e observa como a simplicidade da natureza as vezes te podem causar o sorriso k tanto precisas!!! Deseijo k sejas mt feliz em td a tua vida!!Bjs fofos acompanhados com a força de viver

Posted by: Hello at fevereiro 26, 2007 11:16 AM

Infelizmente nos ultimos 4 dias, tive 3 dias em que fumei mais do k devia, brinco com o fogo lol Mas Sábado controlei-me, ontem estragei-me e hoje controlei-me outra x... Há hábitos que demoram a perder, já perdi o vicio, mas...

Posted by: Almah Perditae at fevereiro 26, 2007 10:57 PM

grande historia!!!
a tua expriencia e um pouco a de cada um de nos todos sentimos isso poucos tem a curragem de o deixar os vicios...
espero k te aguerntes... fica bem!


ja agora add o meu msn para falarmos rafael_jorge_70@hotmail.com

Posted by: Rafa at março 13, 2007 11:33 AM

Well... Quer dizer... fumar ainda fumo, voltei a fumar, mas... quando quero e me sabe bem, já não fumo pq tenho k fumar... Para mim é o k eu queria, estou satisfeito. Fumo menos de meia duzia de cigarros por dia, ou as vezes nem fumo... estou como quero agora :)

Posted by: Almah Perditae at março 20, 2007 12:35 AM

é uma boa história apra uma adolescente de 16 anos ler ( eu)... LOL...por acaso tem piada... eu sou como tu foste... tu sabes, solitária, nunca fumei, nem sequer dei uma passa, nada de drogas, e alcool: nunca em excesso... eu não gosto de vícios, não gosto de sntir que vou precisar de lago, afinal, ser independente eter liberdade não é só ter 18 anos e podermos fazer o que quisermos, ams também não depender de nada, não é verdade? Não , amsagora acério, gostei da tua história..! =) Bem, o que posso mais dizer? Parabéns =)...quanto a continuares a fumar, mas sem estares viciado... eu ahco que nunca o conseguiria, quando me prendo a algo, prendo-me mesmo e por isso não quero de todo experimentar nada que me possa estragar a mim e à minah carreira ( cantar.. entou no conservatorio desde os 7, toco piano e guitarra... pequeno aparte...lol) é isso.. beijinho, gostei de te "conhecer"

Posted by: moi... charlotte at abril 27, 2007 08:43 PM

Ai ai... Uma música hehehe Então nunca fumes miuda... Há uma "lei" daquelas que não se dizem que diz que um musico fuma, sempre! e na musica há muita droga e alcool e afins... Mesmo no circulo em que andas, de musica classica. Mesmo que um dia tenhas curiosidade nunca fumes, é que não vale a pena mesmo... E se queres cantar... Precisas de ter a respiração mesmo no auge, nem falo da voz, das cordas vocais, fumar moderadamente não te faria muita aflição à voz, mas precisas da respiração no máximo, e não sei qual a relação "matemática", mas deixavas com o fumo de ter a capacidade de cantar que agora tens e que com o treino mais vais conseguir (só agora é que a tua voz está boa para treinar). Mas tb gostei de te conhecer :) Eu até diria uma colega, mas... nove anos no conservatória? Nem me atrevo lol E olha que sei que para entrar lá com 7 aninhos... Não é facil não :) Nem é para quem quer nem para quem pode. É mesmo sou para quem tem o dom, pode e quer :) parabens :)

Posted by: Almah Perditae at abril 29, 2007 10:41 PM

Olá... Eu sou mais uma das pessoas q ao ler esta historia se identificou... É assim, eu qnd tinha +/- 12 anos experimentei o meu primeiro cigarro (ODEEI). Não o foi para ser "a mlehor" nem para me exibir que comecei a fumar uns cigarritos, ate pq o fazio em segredo, tal como tu, na janela. Mas axava bem e melhor sentia-me bem. Hj, com mais uns anitos (cinco), fumo julgo que nao é por ser viciada, mas e pq me da um prazer gigantesco. Nao sei ate q ponto e q isto nao e vicio, mas OK. Sinto me priveligiada pq no meu grupo de amigos nngm é la grande fumador, de vez em quando uns cigarritos, um charro, pouco mais. Bebida é outra coisa xD...

No fundo sei q o meu desejo nao e deixar de fumar, mas tb nao me kero tornr viciada.. vou aprender ctg xD

Posted by: Just_me at janeiro 14, 2008 08:28 PM

Há tres coisas para se ver se é vicio ou não. Eu ouvi isso uma vez e foi qd percebi que estava viciado. Mas do hábito ao vicio, embora vá uma pequena distancia, é uma distancia que nem toda a gente faz... basicamente é assim (a ver se me lembro), Fumar de noite, fumar no escuro, e ser a primeira coisa que se faz ao acordar. Eu penso k é assim, mas tb já não tenho a certeza... Basicamente se so fumas qd te apetece, e não tens que fumar, mal acordes por ex. então é apenas hábito, ou como se costuma dizer, vicio de boca ou vicio de mãos. Se fumares logo de manh~mal acordes... então tás viciada....

E não fumes charros! Deixa a droga miuda. Ela é pouca e nós somos muitos :P

Posted by: Almah Perditae at janeiro 15, 2008 05:51 PM
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