abril 01, 2007

Grandes Portugueses (explicado aos tugas pequeninos)

Confesso que não acompanhei o programa, ia ouvindo uns ecos, ia ficando chocado aqui e ali com algumas coisas que ouvia, mas nem ligava muito, a minha opinião sempre foi a mesma e consciente e quando me disseram quem eram os “finalistas”, tirando algumas excepções até nem discordei muito e até pensei que se calhar os portugueses não eram tão imbecis quanto isso, e o resultado final do programa nem seria muito chocante (mesmo que se calhar inconscientemente), apesar de à partida saber que a minha opinião sobre este ranking não iria ser igual ao resultado que eu esperava que os portugueses fossem votar. Mas apesar de tudo, caso o D. Afonso Henriques ganhasse, como eu esperava, isso não me chocaria muito, apesar de tudo, mesmo não sendo o homem mais importante da história mundial como o Infante D. Henrique, nem tendo sido ele a concretizar a obra para que a mais importante Ordem militar e religiosa de todos os tempos foi criada e nos criou enquanto país, a verdade é que ele foi um dos grandes nomes dessa mesma ordem, e foi ele que criou o terreno para essa mesma obra ser realizada, por isso não me chocaria nada ele ficar à frente do Infante D. Henrique.
Mas… Eu tenho que dar o braço a torcer, estava enganado, os portugueses são mesmo imbecis. E nem adianta dizer-se que isto não conta, não interessa, são só meia dúzia de palhaços que quiseram perder tempo e dinheiro a ligar para isto, e nem sequer vale a pena tentar arranjar grandes explicações para o resultado, explicações estúpidas que vão desde a campanha feita pela RTP para ganhar audiências, até ao analisarem isto como um protesto de descontentamento por parte do “povo” sobre o momento actual.
A verdade pura e simples é que os portugueses são estúpidos, imbecis e ignorantes. E mesmo sendo meia dúzia de palhaços apenas a ligarem, a verdade é que o resultado final é tão patético que nem vontade de chorar dá, dá mesmo vontade de rir, e por muito que me tentem convencer que a amostra não é fidedigna, eu continuo a bater na mesma tecla: o resultado é tão patético, que nem que fossem apenas meia dúzia de palhaços a ligarem, em condições normais, mesmo assim, o resultado nunca seria este. Este resultado é simplesmente patético e anedótico, e desculpem-me mas a única conclusão que tiro é que os portugueses têm que ser mesmo imbecis e estúpidos, não encontro mais nenhuma explicação racional.
Partindo deste principio vou tentar explicar algumas coisas a quem me ler. Não sendo (nem de perto nem de longe) um perito em História, confesso que a falar verdade nem nas aulas eu tinha muita atenção, mas burro não sou nem nunca fui, e apesar de não ter ligado nenhuma á escola, há coisas que sei, e por isso vou tentar explicar um bocadinho de História, e peço uma coisa, quem me ler, faça o favor de enviar o link desta entrada aos vossos amigos, porque vou tentar explicar a História de Portugal de um modo que os portugueses percebam. Esses mesmos portugueses que agora sei serem estúpidos, imbecis e ignorantes. E como o fazer? Como explicar algo a um “povo” iletrado e imbecil? Pois bem, neste rectângulo verde à beira mar plantado, já houve tantas incidências durante os últimos nove séculos, que o melhor é começar por explicar: um rectângulo verde, e nove séculos de incidências. Transformem isto num relvado de futebol e em noventa minutos. A História como um jogo de futebol. E tentem analisar o jogo com toda a vossa cultura técnico-táctica do futebol. Pode ser que assim percebam…


A equipa de Portugal entra em campo liderada pelo seu capitão que acumula a tarefa de também treinar a equipa. Nos balneários, Afonso delineou a táctica da equipa e incutiu nos seus pupilos um espírito vencedor. Jogador de meio-campo possante e tecnicamente evoluído, líder carismático, Afonso avança sem medo para uma partida em que apenas a vitoria interessa. No pontapé de saída, recebeu a bola a meio campo e mostra saber guardar a bola, escondendo-a dos adversários, criando ao mesmo tempo linhas de passe para os seus companheiros. Num passe teleguiado coloca a bola no ala Dinis, o lateral adversário cai em cima de Dinis, e por um momento parece que lhe vai roubar a bola, mas numa jogada magistral, Dinis mostra toda a sua raça e técnica apurada, partindo os rins ao defesa contrário, deixando-o pregado ao relvado e avançando a grande velocidade para a linha de fundo, cruzando para um companheiro isolado à boca da baliza. Em esforço, o central atira para canto ao pressentir que atrás de si estava um avançado desmarcado. Uma jogada brilhante, embora sem efeitos práticos, mas ai está o primeiro aviso, pouco depois dos primeiros dez minutos estarem concluídos, a equipa de Portugal estudou bem a lição e está motivada.
A meio da primeira parte, Henrique recebe a bola a meio campo, e demonstrando um fenomenal controlo de bola avança imparável para a área contraria, passa todo o meio campo adversário e faz um passe em habilidade a rasgar toda a linha defensiva contraria, deixando os adversários pregados ao chão, e coloca a bola no avançado João que tira dois defesas do caminho e centra para o segundo poste, onde em habilidade o ponta de lança Vasco desfere um potente remate que aloja a bola no fundo das redes adversárias. Fantástico golo, e a equipa de Portugal adianta-se no marcador. Nas bancadas, o publico exulta e o líder da claque, Luís Vaz, orienta a claque a desfraldar um estandarte gigantesco que acrescenta bastante colorido e alegria ao fantástico espectáculo desta noite.
Até ao intervalo Portugal controla o jogo a meio campo, e vai para os balneários em vantagem no marcador, apesar de nos últimos minutos da primeira parte se notar um leve ascendente da equipa adversária.
No inicio do segundo tempo, a equipa adversária surpreende Portugal, que parece andar perdido em campo, e á passagem da hora de jogo, a defesa portuguesa deixa-se adormecer e como um terramoto a linha avançada adversária passa pela defesa portuguesa e poderia ter empatado o jogo, caso não fosse a saída preciosa do guarda-redes português José, tapando o ângulo de remate e mostrando grandes reflexos ao defender para canto numa extraordinária defesa. O guarda-redes fica a protestar com a sua equipa, que momentaneamente se deixou abalar pela ofensiva contrária.
O jogo entra num período de mau futebol, com muitas bolas pelo ar e sem jogadas de perigo para nenhum dos lados. Portugal parece estar mais preocupado em manter a vantagem do que em procurar o golo da tranquilidade. Nas bancadas começam a ouvir-se os primeiros assobios, o publico pede mais, e sintomático desse estado de espírito é o cartaz que um jovem adepto ostenta, em que pede mais um golo com a frase “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”. O público aplaude a entrada do promissor júnior António, um típico 10 que muito promete para o futuro. Faltam cinco minutos para o fim da partida e nas bancadas acredita-se que a jovem promessa possa numa jogada de génio marcar o golo da tranquilidade. No entanto, o jovem demonstra bastante imaturidade, e perde-se em fintas sem sentido, sem progressão e não jogando em equipa, nunca passando a bola, e enervando-se com os assobios que vêem da bancada. Revoltado com o egoísmo do jovem, Álvaro, ponta de lança recém-entrado, protesta com António e os dois colegas de equipa quase entram em confronto. Logo de seguida o árbitro apita para o final da partida e o publico sai descontente com o triste espectáculo final de uma partida que chegou a ter momentos sublimes na primeira parte. Apesar de tudo, Portugal conseguiu a vitória que ambicionava. Uma vitória suada, numa partida nem sempre bem jogada, mas com momentos de bom futebol, principalmente na primeira parte.

Perceberam? Quem será a figura do jogo? O treinador e capitão? Ou o marcador do golo? Ou quem lhe passou a bola? Ou quem criou a jogada do golo? Ou o guarda-redes que defendeu o resultado? E o espectáculo valeu por que motivo? Pelos bons jogadores em campo? Pelas claques? Pela pancada do fim? Honestamente, quem terá sido a figura do jogo?
E já agora, o Aristides… Estava sossegado a ver o jogo quando á frente dele um velhote tropeçou e ele ajudou-o a levantar-se, um gesto bonito sim senhores, mas provavelmente o ala que fez a primeira grande jogada do jogo teve mais protagonismo não?
Mas se calhar o melhor será esperar pela repetição do jogo na RTP-Memória daqui a vinte anos e ver o jogo em casa com olhos de ver não? Se calhar é o melhor… Afinal… A porra das roulottes à porta do estádio tinham a cerveja tão fresquinha e tínhamos que nos entreter com algo enquanto o jogo não começava não é? Se calhar é o melhor… Eu também já não me lembro de grande coisa do jogo…

Posted by almahperditae at abril 1, 2007 11:26 PM
Comments

sinceramente vou ter que concordar contigo.Nunca conheci um povo e um pais que tem tantas pessoas ignorantes,sao mesquinhos,maldosos,egocentricos.pPortugal e muito lindo ,mais os portugueses me metem nojo,como sao tao negativos.SE PORTUGAL FOSSE A LUZ DO MUNDO...PREFERIA VIVER NO ESCURO.Aquilo so ainda funciona graças aos turistas e imigrantes!

Posted by: tatiana martins at outubro 12, 2007 08:52 PM

Calma aí...
Podemos ter muitos defeitos, que temos, mas tb temos bastantes qualidades, que tambem as temos. Podes ter razão em muito do que disseste na primeira parte do comentario, mas é preciso ser racional e objectivo. primeiro que tudo, apesar de haver muita estupidez e ignorancia nos portugueses, não podemos ser radicais, existe bastante estupidez e ignorancia em todos os paizes do mundo, sinceramnete, talvez até bastante mais do que aqui... Pq apesar de estupidos e ignorantes, há uma coisa que não somos, que é burros, coisa que no geral nem todos os paizes se podem orgulhar...
Segundo, discordo completamente dessa ideia de sermos muito negativos, depressivos e tristonhos, sem o minimo sentido de humor... Se há coisa que o povo portugues tem e sempre teve é sentido de humor, desde as cantigas de escarnio e mal dizer, passando por essa figura imensa que é o bocage, até na porra do cinema fomos nós que fizemos algumas das maiores obras-primas da comédia mundial. Aliás, nós temos a fatastica capacidade de nos rirmos de nós proprios, premissa primeira e essencial para definir o bom-humor... Por isso discordo completamente disso...
Por ultimo, nós não vivemos dos emigrantes e turistas. Longe de mim querer tapar os olhos aos nossos problemas e defeitos, mas se há coisa que Portugal é é um grande país, temos uma cultura fantastica, das melhores do mundo, se não mesmo a melhor... Oportugues é um povo inteligente no geral, pode nem sempre saber certas coisas, pode ser ignorante, como mostra o resultado deste concurso, mas não é burro. Temos uma capacidade de adaptação e aceitação do k é novo e diferente como poucos povos, mas não aceitamos a diferença de um modo acéfalo. Somos um país antiquissimo, quase 9 séculos de História, temos uma cultura riquissima, somos culturalmente capazes de aceitar e enriquecer-nos com qualquer coisa, mas nunca aceitamos, nem aceitaremos, nem podemos aceitar algo apenas pq é diferente. Isto é algo bastante simples de compreender, nós não somos nem nunca fomos uma cultura submissa, sempre fomos dominantes, como tal tudo o que é estranho só é aceite se nos enriquecer... E temos essa capacidade unica de mesclar diferentes culturas e diferentes pontos de vista... Que outro país existe no mundo com a nossa riqueza cultural? Nenhum! Somos uma mistura compacta e uniforme de culturas tão dispares como a celta, a grega, a romana, a arabe, a hebraica, a africana e a nordica. Fomos os primeiros a importar massivamente culturas como a chinesa e a japonesa...
Isto tudo para falar da nossa cultura... economicamente... deixo uma questão no ar para quem a quiser responder... Se somos assim tao maus, tão pequenos, tão pobres, tão estupidos, tão fracos, tão insignificantes e tão merdosos, porque raio somos independentes à quase 9 séculos? Um país assim tao mau tem k ser assimilado e anexado por outro país mais forte, é uma lei da vida... Nenhum país tão merdoso como dizem k nos somos se aguenta independente, muito menos á 900 anos... Muito menos se mantem no pelotão da frente durante tanto tepo... e escusam de se vr queixar que nós isto e nós akilo e isto está mau... Comparando com a esmagadora maioria dos paises mundiais não há miseria em Portugal, nem somos um pais com altos indices de criminalidade. Somos um pais desenvolvido e economicamente forte. E não adianta dizer "Ah... Mas os que estão piores que nós não contam pq isto e akilo, e são coisas diferentes e não sei que mais..." Nós estamos, e sempre estivemos no grupo dos paises fortes, ricos e importantes. Negar isso é estupido! Porque? Se somos assim tão maus pq é k sempre estivemos bem? Respondam se souberem...
E que raio... ainda a meia duzia de anos saimos de uma ditadura que nos fechou para o mundo durante meio século, por sinal o meio século em k o mundo amis evoluiu, e saimos dela e com um atraso abismal seguimos em frente, e recuperamos terreno, e estamos a recuperar terreno... Isso faz algum sentido? Historicamente não faz sentido nenhum, nós deviamos de já ter acabado a muito tempo como Nação se as coisas fossem exactamente como nós dizemos em desabafos. mas não.. continuamos aí... Porque? Alguem faz sequer a minima ideia de porque????

Posted by: Almah Perditae at outubro 14, 2007 05:03 AM

Olá
Esses cometarios são todos de gente ignorantes e burras. Portugal é um país lindissimo e as pessoas são muitos inteligentes. Porque as mulheres brasileiras que vem pra cá vira tudo puta(a imagem do brasil), e os brasileiros acabam virando bixas. Tenho muito orgulho em morar em Portugal
Até

Posted by: Daniel Willian Assis at janeiro 6, 2008 01:38 AM

O que existe entre o Brasil e Portugal é uma péssima comunicação. No fundo, no fundo, nem nós conhecemos os brasileiros nem eles a nós (principalmente o Brasil a nós)
Nós não somos um país de maneis e joaquins com bigode. Já fomos, isso é inegavel, mas já não somos... Se calhar se nos conhecessemos melhor se calhar não havia destas coisas.

Posted by: Almah Perditae at janeiro 13, 2008 10:41 PM

Eu sou Português, e tenho que admitir que a Tatiana tem uma certa razão. Existe, de facto, gente muito mesquinha, maldosa, invejosa e insignificante em Portugal. O que o Almah disse, porém, também é verdade. O grave problema de Portugal, é que nós temos, simultaneamente, gente de grande qualidade a conviver com o oposto; gente do piorio, o que leva a que muitos Portuguese saiam de Portugal. O que nos falta, na minha opinião, é uma identidade nacional que faça com que todos remem para o mesmo lado. Falta-nos alguma inteligência social. É preciso, a pouco e pouco, hostilizar a gente mesquinha e inútil que atrasa o nosso país.

Posted by: Jaime at agosto 17, 2009 09:03 AM
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