Cresce dentro de mim uma fúria que me ensurdece. Percorro mil caminhos, perdidos numa bruma branca e leitosa, e o som dos meus passos é o crepitar da minha alma conturbada. A solidão de que me visto é matéria palpável que me corrói os ossos, e cerro os dentes numa ânsia de um grito que me rasga as entranhas. Há um grito dentro de mim, há uma ânsia que me consome, há um desejo que não é saciado…
No meu corpo derrotado de batalhas que não travo, pulsa um coração de carne e sangue que me alimenta os passos incertos e precisos. Recito mentalmente epístolas misteriosas, desvendadas no silêncio do Universo, mas a verdade da minha morte é uma espada cravada na pedra do que sou. No vento que descerra o nevoeiro, uma palavra através das florestas é cantada num murmúrio.
No horizonte revelado um deus se ergue. E no final dos meus passos a certeza de uma ceia. A luz que me cobre arrasta atrás de si milhentas formas de sombras, e no voo do meu grito uma ferida se cicatriza. Nas colinas verdejantes um lobo se deixa consumir, e no rugido que ecoa na paisagem, o tempo morre num último suspiro. O Inferno desceu dos céus e a minha última palavra procede Ómega…