No frio que me corrói a carne... No calor que me escapa das veias... No sal que me molha a pele... Nesse vazio de mim mesmo me encho do nada que sou. Corro entre multidões cegas, pequeno no meu próprio Universo, ansiando um grito que me rasga a garganta, cuspindo ao vento saliva que me molha a face...
Estático, dilacero o vento com os meus braços, serpentes ressequídas de venenos não consumidos. Bebo todo o sémen, todo o néctar de deuses prostrados ante mim, e o fumo que me envolve é mistério de antepassados mortos dentro de mim. Cruel marcha fúnebre esta que me dilacera. Quem serei que não tenha já sido? Por quem me arrasto em lembranças que já esqueci? Hesitante no caminho que não quero percorrer, abandono-me na mais escura viela que não quero deixar... Amanhã encontrarão o meu cadáver, perfumado da morte que sempre fui...
(um riso ecoou)
Um demónio ergue-se sobre mim. O seu riso incandescente rasga-me os sentidos, ajoelha-se ante o meu corpo abandonado, afaga-me a testa encharcada em suor, e murmura-me para o mais profundo da minha alma: “Acorda... Ainda é cedo. Aguenta que vencerás.”
E veridico por incrivel k pareça hehehe
Posted by: Almah Perditae at outubro 4, 2007 07:57 PM