novembro 11, 2007

Povo Que Lavas No Rio




Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

Fui ter à mesa redonda
Bebi em malga que me esconde
O beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste
A água pura, puro agreste
Mas a tua vida não.

Aromas de luz e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição.
Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.

Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

(Três vozes, três fadistas que muito orgulham o povo português. E os portugueses gostam muito de vozes, e adoram atirar para o ar que o Fado é a canção nacional, o que é aliás uma grande mentira. Modas à parte deixem-me dizer quem é que me arrepia nestas três interpretações: Pedro Homem de Melo! O senhor que escreveu estes versos muito simples mas com uma carga emocional arrepiante, de uma força e intensidade como muito poucas vezes se conseguiu na música nacional... Quanto ao resto...)

Posted by almahperditae at novembro 11, 2007 09:56 AM
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