fevereiro 11, 2008

Como Se o Desejo Fosse Ainda O Mesmo...

No crepúsculo dos deuses, derrotas matizadas de vazios. Estender a mão, pequena e virgem, dedos esticados ao infinito, fechar o vento que nos foge, subir à mais alta montanha e de lá cair com o mais ribombante silêncio da indiferença.
Restos mortais, espalhados no pó e no vento. Um grito que se desfez na dança suaves dos pinheiros eternos…

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outubro 15, 2007

Balada Do Medo

Enquanto sinto o frio tomar conta de mim, não consigo deixar de pensar... Foi já à tanto tempo que me abandonei, que não consigo deixar de pensar... Tive tudo quanto desejei. Perdi tudo isso, sem saber que o perdia. Havia sempre uma qualquer razão, o destino que me queria surpreender, pensava eu, e nunca percebi, que apenas me estava a perder... Envelheci. O tempo não me poupou, cada dia estava mais perto da Morte, e nunca o percebi... Um dia não era nada, era um periodo estanque entre o acordar e o deitar. E nesse nada me perdi... Agora, olho as sombras desenhadas no pó, sentindo o tempo tomar conta de mim, sem conseguir fugir, sentindo o frio da Morte penetrar nos meus sentidos, e não consigo fugir, estou preso nas memórias do que não tive, redesenhando toda uma Vida que perdi, e pergunto ao silêncio que me tomou, como hei-de fugir?
Estático, sentindo o vento penetrar no casaco gasto, vejo passar por mim jovens como eu fui, ainda sorriem tanto, e não consigo deixar de pensar que também eles se vão perder...
Nas brumas das memórias que perdi, procuro uma centelha de esperança, pegar esse momento e repeti-lo à eternidade, sentindo que vivi. Mas não me lembro de nada... Todos os dias são iguais, e todos os dias são vazios, será que não vivi? Será que agora que não consigo correr atrás da vida, é que percebi que sempre estive morto? É o medo a tomar conta de mim, esse gume frio que me desespera, o medo de tudo ter perdido, e a tristeza de agora o perceber... A minha vida não existiu. Sempre estive morto... (E o frio que não me larga os ossos...) Este frio... Este medo da Morte, que sinto agora, que a Vida se perdeu enfim... A certeza de que não vivi...

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setembro 10, 2007

Me And The Devil Blues (When Satan Come To Me...)

No frio que me corrói a carne... No calor que me escapa das veias... No sal que me molha a pele... Nesse vazio de mim mesmo me encho do nada que sou. Corro entre multidões cegas, pequeno no meu próprio Universo, ansiando um grito que me rasga a garganta, cuspindo ao vento saliva que me molha a face...
Estático, dilacero o vento com os meus braços, serpentes ressequídas de venenos não consumidos. Bebo todo o sémen, todo o néctar de deuses prostrados ante mim, e o fumo que me envolve é mistério de antepassados mortos dentro de mim. Cruel marcha fúnebre esta que me dilacera. Quem serei que não tenha já sido? Por quem me arrasto em lembranças que já esqueci? Hesitante no caminho que não quero percorrer, abandono-me na mais escura viela que não quero deixar... Amanhã encontrarão o meu cadáver, perfumado da morte que sempre fui...

(um riso ecoou)

Um demónio ergue-se sobre mim. O seu riso incandescente rasga-me os sentidos, ajoelha-se ante o meu corpo abandonado, afaga-me a testa encharcada em suor, e murmura-me para o mais profundo da minha alma: “Acorda... Ainda é cedo. Aguenta que vencerás.”

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agosto 14, 2007

Noite

Nos passos imprecisos da noite, o meu vulto arrastasse entre sombras e silêncio. Percorro mentalmente paisagens que outrora vi, feitas de Sol e verde, e sinto que aqui entre o negro e o frio das vielas sujas e escuras me sinto mais aconchegado, como se a solidão que me cerca me protegesse de mim mesmo. Aqui não sou nada, sou apenas uma sombra que se arrasta em silêncio, percorrendo gritos silenciados na minha mente derrotada. No calor de mil corpos esquecidos, relembro risos que fingi a mim mesmo, e enquanto o fumo do cigarro me envolve, olho a lua, pairando alva e pura sobre os telhados negros de prédios fetos de castelos e sonhos adiados. No seu ventre há talvez risos fingidos, mentiras que se vivem num desespero latente, talvez até haja felicidade verdadeira, daquela feita de sonhos por cumprir que se vivem como se sonhos não passassem de sombras difusas de palavras ingénuas trocadas entre calores e risos reais. Que importa? É uma realidade tão longe de mim, da brisa cortante da noite, dos passos que fogem de mim cavalgando no silêncio, da Lua que sorri prata sobre mim, das sombras dançando nas paredes vazias...
Porque me sinto tão vazio? À tanto tempo que não consigo escrever nada. Sinto um impulso, talvez um grito ou uma lágrima, talvez um sorriso... Que mentira! A verdade é que não sinto nada. Fingo que sinto uma qualquer necessidade para escrever, mas a verdade é que a sinto até ver apenas a folha em branco. Aí perco a vontade de a manchar, não me sinto digno de a sujar comigo, e deixo-a solitária. Abandono a vontade de escrever como abandono outra vontade qualquer, e percorro as ruas vazias, fumando, ouvindo o silêncio, entrando em qualquer lugar para beber um copo, mas tudo em volta está tão morto como eu. Busco nos meus passos perdidos um lugar para me encontrar talvez. Espera... Ouço um som estranho. É a Vida! Afinal existe ainda Vida na cidade que me esmaga... Não era disto que eu andava à procura? Finjo o meu sorriso mais sincero e entro com a confiança que não tenho. E ao sentir a Vida a entrar em mim regozijo. Não era isto que eu queria? Não... Tiro a máscara e abandono-a no chão enquanto viro as costas. Também não era isto que procurava. Mas então... Que busco eu? Porque anseio eu? Porque ando perdido à procura de algo que nem sei o que é? E quando a noite me abandona sozinho, com o último cigarro sento-me no silêncio e finalmente encontro a resposta. Procuro apenas o procurar. Nada mais que o andar perdido. Não quero nada senão o não querer nada. E sempre que desejo algo é até o ter, depois é nada. Quero o Impossível. É isso. Quero o Impossível, mas o Impossível não é possível, e quando o é deixa de ser Impossível... E largo o que tenho porque nada quero que seja meu...
E quando acabou o cigarro, levantei-me, caminhei para casa e sentei-me a escrever um pensamento que senti quando nada sentia. Abandono-o num grito mudo para o atirar ao vento. Para longe de mim... também já não o quero.

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abril 21, 2007

Blank Face

Não sei o seu nome. Nunca o tinha visto. Mas ao vê-lo ali tão inocente, tão puro e virgem vi-lhe as lágrimas que escondia por trás de um sorriso falso. Ele tinha uma pele a pedir cicatrizes, qual dragão expelindo fogo do fogo-fátuo que gritava, mas a cara era lisa, limpa, pura…
Como a dizer que ainda era um livro por escrever, ou talvez uma vida por viver, ou um ser que nunca tinha sido… Um murmúrio surdo de um vazio já cheio demais… Gritava para um mundo surdo que até para sofrer há um mínimo de sofrimento, menos que isso não adianta escrever, não cabe na literatura, mesmo que seja uma vida que grita desesperadamente “Quero sofrer!!”.
Como um poeta cheguei-me a ele, escrevi-lhe na face a poesia por que gritava no seu silêncio. Misturei-lhe o sangue com a saliva, feridas intensas na cara, gritos de prazer na garganta… Fiz dele um livro escrito a suor e sangue. No toque áspero de peles senti-lhe as cicatrizes a explodir em sangue, e num som abafado agradeceu-me do fundo da poça rubra de vida que lhe arranquei do corpo. Sorriu num grito de renascido e foi feliz…

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abril 16, 2007

Cicatrizes

Nos dias em que o tempo se arrasta em lânguidas horas de segundos sempre iguais, olho estático o que fui, e penso se alguma vez o cheguei a ser. No espelho o reflexo devolve-me cicatrizes de uma personagem que criei para as minhas memórias, e penso se alguma vez fui eu que senti na pele as feridas em sangue e fogo que agora já são cicatrizes.
Não… não fui eu. Eu sou aquele que tem cicatrizes, que as olha como se fossem conquistas de um tempo que recordo como meu, mas não sou o das feridas, o da vida. Sou só o das cicatrizes. Aquela personagem que recordo com saudade dos tempos mortos em que as cicatrizes ainda eram sangue a jorrar na pele virgem, não era este Eu que olha o espelho com pele já cicatrizada. Não. Não somos os mesmos. Somos dois Eus de um mesmo vazio: o dele o vazio de cicatrizes, de sangue concreto no tempo sentido, eu o vazio de sangue, de cicatrizes mortas recordadas em sangue vivo. Sou o vazio de nós dois. Um cadáver que apodrece num tumulo, a ilusão de memorias que faço minhas, na lucidez de saber que aquele não fui eu. Eu estou aqui, preso no sangue do meu corpo, na pele cicatrizada de uma vida que não vivi. Eu sou o que sonha com a vida que não sinto, perdido num tempo de toque quente de sangue na pele.
Eu sou a memória do que foi. O concreto fluir do tempo sem vida, o olhar para o que não é e fazer disso o que quero ser. Mas já não sou aquele da vida em que o tempo não existe, esse já não sou eu. Eu já não sou aquele que rasgava a pele sem sentir o sangue a escorrer quente na pele queimada, já não tenho em mim a vida que sinto nas memórias que quero ter. Perdia sem dar pela sua morte. Acordei um dia e já era cicatrizes dum tempo que não dei por ele. Olhei o espelho e vi cicatrizes concretas em carne de sal, arrefecendo o tempo negro de eu já não ser eu.
Aquele era um outro, tinha outras emoções, outras paixões e misérias que já não sinto em mim. Somos dois indivíduos diferentes, com duas almas diferentes. Eu já não sou aquele do tempo em que o tempo não tinha tempo. Eu sou o cadáver de uma vida que não é minha.

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abril 12, 2007

Mist

Cresce dentro de mim uma fúria que me ensurdece. Percorro mil caminhos, perdidos numa bruma branca e leitosa, e o som dos meus passos é o crepitar da minha alma conturbada. A solidão de que me visto é matéria palpável que me corrói os ossos, e cerro os dentes numa ânsia de um grito que me rasga as entranhas. Há um grito dentro de mim, há uma ânsia que me consome, há um desejo que não é saciado…
No meu corpo derrotado de batalhas que não travo, pulsa um coração de carne e sangue que me alimenta os passos incertos e precisos. Recito mentalmente epístolas misteriosas, desvendadas no silêncio do Universo, mas a verdade da minha morte é uma espada cravada na pedra do que sou. No vento que descerra o nevoeiro, uma palavra através das florestas é cantada num murmúrio.
No horizonte revelado um deus se ergue. E no final dos meus passos a certeza de uma ceia. A luz que me cobre arrasta atrás de si milhentas formas de sombras, e no voo do meu grito uma ferida se cicatriza. Nas colinas verdejantes um lobo se deixa consumir, e no rugido que ecoa na paisagem, o tempo morre num último suspiro. O Inferno desceu dos céus e a minha última palavra procede Ómega…

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fevereiro 09, 2007

Monologo Da Esquizofrenia

"O espelho tem ferrugem. Olhas a sombra projectada e nada ves. O que fazes ai rapaz? Olhando a tua face inerte, sozinho, na podridão de ti mesmo...
Esquece rapaz. Não há nada a fazer. O teu mundo ruiu, só tu ainda não o viste. Nada tens a que te agarrar, olhas o espelho, procuras encontrar a personagem que outrora vias. Morreu, rapaz. Já nao existe. Já não existes. Agora és apenas uma sombra, um vulto, uma memória ainda de carne e sangue, esperando encontrar algo que sabes estar perdido. Sabes não sabes rapaz? Está tudo perdido. Estás ai abandonado, esperando algo, esperando o quê? Esperando nada rapaz.
A tua figura é apenas um reflexo de nada. Esse espelho que olhas está vazio, mas tu continuas a olhar esse espelho como se lá estivesse tudo. E está... Está ai tudo o que ainda tens rapaz. Está o teu corpo, frio, de vidro e prata, o teu cadáver. Nada mais tens que isso rapaz... Nada mais...
Desiste."

O rapaz apagou a luz por cima do espelho. A voz que o hipnotizava, a sua unica companhia, calou-se. O rapaz foi para a janela, acendeu um cigarro, ficou ali a fumar, à espera do tempo que lhe fugia, e nada via no seu quarto vazio que o preenchesse. talvez a voz tivesse razão, talvez tudo estivesse perdido enfim, talvez desistir fosse o melhor...

"Porque te atormentas rapaz? Desiste. Desiste enfim, nada tens, tudo ficou perdido nas brumas de ti mesmo. valerá a pena sofrer assim? Esperas o quê? Nada tens que esperar, o que tiveste está perdido em ti mesmo. Vais morrer e deixar apenas o teu cadáver, a unica coisa que te foi dada ao nascer. A tua vida é um vazio eterno. Desiste enfim... Não há esperança."

O rapaz apagou o cigarro no cinzeiro. A voz ria-se.

"Tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar"
in "Só" Jorge Palma

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janeiro 18, 2007

Loucura

E subitamente...
A Loucura gritou dentro de mim, rasgou o véu que a escondia, acariciou a face que a engolia... Tudo foi claro e certo. A luz colorida do saber abraçou-me o corpo com a brancura da sua certeza. Sim... estou louco. E nessa certeza dos dias que se desvendam, mil olhos se fixaram em mim, os mil olhos do meu ser, fechados na Unidade de uma mentira, libertaram-se enfim... Tudo é o que foi quando somos loucos, cada verdade se desvenda no meio de mil verdades, e tudo é uno no plural...

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dezembro 05, 2006

Hollow

Naquele dia acordei sem ter dormido. Fechei os olhos sem sonhar e os ruidos da multidão do quarto vazio atormentaram-me na dança das sombras do quarto. Havia sempre uma qualquer Morte à espera, um silêncio ensurdecedor no vazio, o coração num ritmo que enchia o negro...
Naquele dia acordei sem ter dormido... E o dia foi um pesadelo que sonhei. Quando o despertador me acordou, o seu grito ribombou nos meus sentidos... PUM!

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agosto 04, 2006

Além Do Tempo

Além do tempo havia uma promessa que ela calou.
No desenho das suas mãos, que agarravam o ar que lhe fugia, havia uma promessa nervosa que ela calou.
Quando o toque quente e húmido (estavam suadas as mãos dele) a fez estremecer, o seu olhar perdeu-se no Infinito, fechado na sala hesitante à luz das velas, e engoliu a promessa que calou.
Quis dizer algo, rasgar o silencio perdido no ar incandescente da escuridão aconchegante, mas a promessa da sua voz morreu no silencio que nunca rasgou.
Quando ele a deitou, ela agarrou-o a si, e no silencio da sua carne calou a promessa que nunca fez.

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junho 22, 2006

Forest...

O cenário era o mesmo. Uma floresta negra e uivante, murmurando na vasta vacuidade de mim, memórias irreais que eu nunca tive.
Mas algo era diferente... O odor que me inebriava, as memórias do que não fui, a dor do que não sou... Algo era diferente... Percorria o mesmo Vazio, o mesmo limbo, ansiando encontrar no fim do negro algo de pálpavel, algo de concreto... Perdi-me nas sombras e aí morri...

I don't want to think... I just want to be...

Havia no mesmo cenário algo de diferente... O som dos meus passos ecoavam com a mesma força da mesma podridão, o rasto no húmos de mim era o mesmo rasto do que nunca fui...
O sangue era o mesmo.
For a while I was one of them...
Then I got a smile back and I was happy...

Perdi-me na mesma floresta em que me embrenhei... Sorria e tudo era igual ao que sempre foi...

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junho 14, 2006

Oração A Um Céu Negro

Naquele dia sentei-me sozinho. Acendi um cigarro e deixei-me envolver pelo fumo. Não agarrei o jornal. Fiquei assim não sei quanto tempo. Nada havia além do meu silêncio. Não queria pensar. Não pensava. Tudo passava por mim como se nada existisse além do fumo do cigarro. Havia ruídos em meu redor. Não os ouvia. Havia silêncio no meio da multidão. Eu era silêncio.
O tempo passava, sempre constante, e nada sentia nem nada ouvia. Eu era o silêncio que gritava no mais fundo do Vazio. Olhava em frente, vultos iam passando no limiar da minha percepção, sombras difusas de sonhos que outrora vivi, e momentos perdidos, feitos fumo, num cigarro que se apagou. Era a urgência do tempo a gritar.
Levantei-me como se estivesse parado, e caminhei sem sentir o chão concreto debaixo de meus pés. Nas ruas desertas de mim, havia fantasmas que tinham passado pela vida que tinha sido. Nada me diziam da vida que tinha perdido. Quando cheguei ao templo da minha Morte, agarrei a cruz da minha cobardia, e o seu toque frio estremeceu-me os sentidos.
Gritei como se fosse silêncio… Morri como se fosse vivo.

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junho 04, 2006

Uma Boa Tarde

Foi sob um Sol azul que tremi com o frio do meu silêncio. Nas minhas entranhas apodrecidas, ribombaram trovões com um som surdo e ensurdecedor. Estaquei ali, sob a égide de planícies de verde, com os pés feitos húmus, com vermes corroendo-me os ossos… Olhando o Sol luminoso, e a beleza diluindo o Infinito. Um murmúrio apenas saiu dos lábios, em vagas de ar quente no frio de mim. Sim, seria uma boa tarde algures…

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maio 15, 2006

Pobre Diabo

Talvez tudo tivesse sido em vão… Aquele sorriso, iluminando velhas feridas esquecidas, não, agora tudo ia ser diferente, acreditar, sorrir, agora ia ser aquilo que nunca foi mas podia ter sido. Ingénuo… Pobre diabo, perdido numa ilusão, que dói sempre mais ao acordar, pobre diabo… porque te arrastas aqui? Porque não desistes enfim? Passeias o teu desespero preso por uma esperança escondida, gritando em silêncio para o mundo esse teu desespero, que não sentes, bem lá no fundo não sentes esse desespero que sorris com um sorriso falso, verdadeiro de ti… Tens esperança não tens pobre diabo? Eu sinto-a, sinto-a no sorriso esquecido, reflectindo as tuas lágrimas à noite, sinto-a nessa alegria que sentes dentro de ti, essa alegria que nos mostras do mais fundo do teu perder, como a dizer que perdeste tudo, perdeste toda a esperança, toda a ilusão, perdeste tudo, e agora entregas-te, vazio, livre, medroso, tu! Entregas a tua alma dorida à noite em que mergulhas, toda a dor, tudo o que é só teu, sem ilusões que se prendiam num sonho de que não querias acordar, sem nada… só tu. Diz-me pobre diabo. Enquanto choras, enquanto nos entregas o teu sofrimento, enquanto mostras as tuas feridas ensangue ao mundo coberto pelo teu véu salgado, enquanto desistes, enquanto desesperas, enquanto te vês sem nada, vazio, só tu… Alguma vez te viste mais feliz?

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maio 10, 2006

Dedos às teclas...

Se tudo se rasgar no horizonte, se veias corroerem o tempo inutil, se um brilho fugaz no fim das horas...

Continuo à espera de algo, mas o negro persiste...

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maio 08, 2006

Estático

Por vezes espero algo nas sombras. Um desenho que se dilui, perdendo a voz nos gritos sufocados, esperando réstias de sonhos, embrenhados nos dias, sentindo o fio da navalha, rasgar carne e pó de estrelas…

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abril 17, 2006

A Um Deus Pagão

No inconstante triunfo da multidão sobre o indivíduo, existe um ponto concreto em que as forças estão equilibradas entre si mesmo. A essa dança, os antigos feiticeiros, fecundados na alma do Universo, ofereciam cânticos aos deuses.
E todo o povo, com as cicatrizes enfeitadas de troféus, comparecia na sua pose de deus menor, bebendo lágrimas caídas de podre, no silêncio confundido de um murmúrio. Através do Sol que queima, desgasta os músculos carpidos ao vento, o tempo desvanece-se em pulsares, e nada apaga o suave luar. Todos os sonhos se perdem enfim, e um sorriso persiste em nos acompanhar. Fomos felizes…

Publicado por almahperditae em 04:40 PM | Comentários (4)

janeiro 05, 2006

Voz...

Havia algo na sua voz que a estremecia. A profundeza ondulante, a calma poderosa, abismos de veludo que a hipnotizavam. As suas palavras nada diziam, era a musica que a embalava, não ouvia, apenas se deixava enlevar pela voz. Quando entrou no seu olhar, o Infinito cessou diante dela, como se nada pudesse sobreviver à passagem do tempo incauto. Havia tanto tempo para ser derretido… A sua voz… Aquela voz que a embalava, aquele olhar… Como seria o seu toque? A sua pele?
Acordou num sobressalto, deu um trago na bebida, olhou em volta, para as outras mesas, recompôs-se. Ele sorriu, calmo, sereno, distante. Calou-se, acendeu um cigarro, bebeu do copo o liquido dourado. O silêncio…
Ela sorriu. Havia algo na noite que incendiava sentidos, talvez a Lua, talvez o murmúrio do silêncio, o pulsar constante do silêncio…
Ele desceu a ela, tocou-lhe a mão, falou. Corpos inertes, pulsando nas ondas da sua voz, estremecendo mãos no sabor da sua musica, e ela cobrindo o chão com a sua imaginação…

Publicado por almahperditae em 11:44 PM | Comentários (10)

janeiro 01, 2006

Dancing Shadows...

Um murmúrio ecoa através do nevoeiro.
O nevoeiro, manto que me abraça, fantasmas corroendo as veias da minha pele, recordações da terra húmida entranhando-se, a minha pele suspira… Os passos ecoam o peso do meu corpo, esmagando o mundo ao meu vagar, caminho com a minha solidão, coberto nas sombras da noite. Acredito que algures no fim desta noite um raio de Sol me virá afagar, quero acreditar que o frio que me acorrenta em mim será recortado suavemente pelo primeiro raio de Sol que entrar na minha pele, acariciando-me lentamente, sorrindo-me na pele, afagando levemente os pelos do meu braço, hirtos, expectantes… sob o frio da Noite.
Caminho… Caminho através do nevoeiro, que dança em meu redor, sob o som da luz lunar, que tudo cobre de sombras, que me acompanham nesta Noite escura

Publicado por almahperditae em 07:40 PM | Comentários (8)

dezembro 19, 2005

Desejo

No limiar das estrelas, sob a promessa incandescente de um corpo em sublimação, desejei ser Uno, entrar e dilacerar em delírios uníssonos o Universo prometido.
Ficar assim, talvez na espera do que não virá, talvez na esperança cega e irreal de realidades possíveis… Sei lá. Nem quero saber. A espera tem um odor especial, ser a raiz que penetra na terra seca e compacta, esperar a queda lenta de dilúvios anunciados, olhar o céu… Olhar o céu com olhos pequenos, alimentados a vento e esperança, olhar assim como se o olhar fosse uma mão que constrói castelos de areia na orla de uma maré sempre certa. Talvez seja esse o mistério da vida, o tal mistério de que falam quando algo corre mal. A beleza da vida, a promessa da vida... Promessas inauditas, afinal quem nos prometeu a Vida? Ninguém me deu garantias, nunca vi essa cláusula no contrato que me impingiram, nunca vi uma definição para alem da tal promessa que me recordam em dias mais chuvosos.
Talvez tudo seja apenas um engano, talvez a vida não exista, não haja promessas, nem poesia, nem nada do que dizem fazer sentido. Talvez tudo esteja resumido a isto que olho e como com os olhos. Talvez tudo seja apenas uma espera, a promessa do que nunca será, a esperança do que nunca teremos… E o desejo tornasse vazio. O desejo é impossível.

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agosto 29, 2005

Escritas...

Olho o cinzento do dia (tão longe já o Verão, estarei louco?), ouço o ecoar dos passos na rua, e sinto que algo estará a fugir de mim... Vasculho na minha memória, tantos anos, tantas lágrimas, tantos sorrisos, e sinto que ainda não o senti. O que será? Passa alguem por mim, indiferente a mim, diferente de mim, os nossos olhos trocam-se, e algo faisca... Seguimos o caminho, decidimos virar as costas ao destino, o destino se encarregará das nossas cinzas. Continuo a caminhar, é Inverno, sinto que é Inverno, nos meus ossos o frio corrói-me em lâminas, em Mim o frio são punhais rasgando a pele nua, o sangue nas veias respira mas eu sigo o meu caminho... Sentei-me num café, na ultima mesa, lá ao fundo, com a Humanidade entre nós, uma mulher olha um livro, que estranho, olho a capa azul, não consigo destinguir as letras, parece embrenhada num estranho mundo, e eu fico a admirá-la, a ler, a sonhar, talvez já mais morta que viva, talvez ja um cadáver como eu, apenas respirando por mecãnica carnal, mas morta, sem vida por dentro, apenas buscando résteas de sonho em papel manchado de letras... Como eu, como eu sou, vou falar-lhe... A música dos meus passos embala-me num sonho irreal do qual não acordo. Flutuo nas nuvens rosadas sangrentas de Ocaso.
Acordo...

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agosto 08, 2005

Balada Da Última Hora Na Última Noite

Talvez fosse uma fraqueza. Talvez fosse uma lágrima que não tinha derramado, uma lágrima que tinha engolido antes do seu nascimento. Não sei o que foi…
Estava bem escondido, no meu útero familiar, bebendo néctares que se partilhavam incógnitos, fumando cigarros numa ténue partilha que pensava ser real, fui tudo o que afinal não sou. Mas naquele momento queria ser, rasguei sorrisos, bebi do copo sujo de espuma branca, chamas incandescentes que brilhavam na luz, o conforto do vazio.
Mas tudo acaba… sai, quis mais uma chama, mais uma partilha talvez, não queria a morte certamente. Caminhei pelas ruas vazias, olhando a lua serena na sua majestade, ouvindo os meus passos certos e precisos na noite vazia, e senti-o… o Vazio, a Dor, o Negro… Quis algo mais, um ultimo cigarro, uma ultima palavra, um ultimo sorriso, mas a noite estava fechada, o silêncio tinha tomado conta do Infinito, e eu estava abandonado, e eu abri os olhos, eu estava abandonado.
Percebi com a mais triste das lágrimas percorrendo a minha face, que eu estava abandonado, que eu não podia contar com nada, com ninguém, que todos os sorrisos, todas as chamas, todas as palavras, são pontes sobre um rio sem fim, que sempre no fim da ultima tábua é sempre o Abismo que nos espera, e nada mais que isso posso ansiar, e sentei-me… Sentei-me no ultimo banco da ultima estrada, e fumei o ultimo cigarro da ultima hora, pensei em gritar, mas a noite já tinha demasiados silêncios, e o meu grito era apenas mais um silêncio, confundia-se com a noite, não era o meu grito, o único grito que acreditava que podia rasgar a noite, por isso levantei-me e caminhei, sempre, sem parar, rasgando o silêncio, sem gritos, sem lágrimas, sem poesia. Era apenas eu, na rua, na noite, no frio. Eu estava abandonado…

Publicado por almahperditae em 06:23 PM | Comentários (17)

agosto 04, 2005

O Corpo...

O corpo é finito, é massa mole, é mortal, é cárcere das emoções, é veiculo para o prazer efémero das sensações, é o inicio e é o fim do mais sublime da experiência humana, da grandeza da alma, da poesia do pensamento, da imortalidade do véu com que nos cobrimos. É Morte! É carne que apodrece lentamente, pele que grita silêncio, efémera memória palpável do irreal…
Toda a Humanidade anseia a Imortalidade, a Grandeza, o Infinito, a Poesia, a Arte, a Religião; ser Deus da mortandade, do éter desconhecido. Mas toda a Humanidade fica presa no corpo, pois só aí: no pó, no esquecimento, no sangue, na dor; a Humanidade é real. Somos todos vagas memórias duma fugaz eternidade que se constrói e desconstrói ante a nossa patética realidade. Essa é a nossa Felicidade, efémera; essa é a nossa Tragédia, eterna…

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julho 17, 2004

Vontade

Os dedos começam a percorrer as teclas, numa ânsia incontrolável de escrever, gritar em silencio qualquer coisa que se esconde até de mim. Sinto uma vontade de escrever, escrever, escrever, escrever… perder-me em pensamentos que não penso neste momento, sinto um vazio qualquer na mente, uma vontade de algo que não sei o que (estou a escrever muito depressa, imagino a quantidade de erros que não estou a cometer) acendo um cigarro… olho o ecrã…. Não consigo sequer ler o que escrevi, não consigo ler, não me apetece ler, apetece-me escrever, mas não tenho nada sobre o que escrever, apetece-me dizer qualquer coisa mas o que? Uma alegoria ao vazio? Mas eu não sinto vazio no verdadeiro sentido da palavra que mais vazia é, (não são todas as palavras?), o que sinto é uma ânsia, é uma vontade, é um desejo, um grito que me sufoca intrinsecamente em dilacerações na mente extasiada (parece que me droguei, mas já não o faço a muito tempo) o que quero escrever? Porque raio não me sai um pensamento de jeito? A minha mente parece um furacão, um ciclone prestes a destruir tudo a sua passagem, um grito por gritar, apetece-me sair de casa e ir correr, apetece-me sair de mim e percorrer paisagens nocturnas cheias de nevoeiro e de frio, entrar num qualquer castelo abandonado no meio de nuvens negras e ver anjos a vogar em meu redor, e laminas brilhantes a corroer-me as veias dilacerando-me os sentidos extasiados….
Foda-se…. Enlouqueci de vez e nem loucura sinto. Apenas uma vontade…

Publicado por almahperditae em 05:06 AM | Comentários (11)

junho 27, 2004

Silence

Empty souls climbing through umbilical chains, screaming in pain, with echoes violently passing through the void… I wake up.
Above my head I saw a rough sky of dead leafs, rotting slowly to the passage of time, with worms revolving, eating little putrefactions memories of life, waiting in silence for a scream to put all to rest in oblivion… I still ear my silence echoing.

Publicado por almahperditae em 03:02 PM | Comentários (0)

Uma lágrima que caiu a meus pés...

Somos todos restos de cometas perdidos num turbilhão de Dor e Solidão….
Anseios de um ventre para nos esconder, proteger das lágrimas derramadas, engolidas em sôfregos instintos de podridão ameaçando o grito preso na garganta fétida. Estrelas poeirentas e carnívoras de esquecimentos latentes abandonados na berma de caminhos cruzados que se desenham na imensidão da poeira… Somos todos um enorme vazio que se preenche de Nada… Que se toma por Deus.

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junho 23, 2004

I fall asleep in my dream, and awake with a sunshine in my eyes

E se de repente a ilusão mais não fosse que uma flor a desabrochar? Um raio de luz ainda a rasgar as nuvens negras, um grito a soltar-se da garganta numa melodia. Se os teus sonhos se perdessem na minha realidade, embrenhados num restolhar de folhas de Outono sob a carcaça adormecida de uma árvore.

Publicado por almahperditae em 08:14 AM | Comentários (2)

junho 22, 2004

Continuo a espera de uma espada que rasgue o meu manto...

Nuvens num céu limpo, estrelas que brilham intensamente num céu negro sem estrelas, sonhos que se iludem, desesperos que se prolongam…
Olho estático a Vida. Nada faz sentido, nada alem de um vazio, de uma matéria inerte que se desvenda perante meus olhos, perante minha apatia. Porque fico aqui? Porque é que a Vida se continua a esconder atrás de um Sol que brilha intensamente fora das fronteiras da minha Dor? Fechado num tumulo, sem som, sem luz… Sem mim.

Publicado por almahperditae em 01:03 AM | Comentários (3)

junho 21, 2004

Sob as estrelas

Sento-me sob as estrelas, a olhar o Infinito, a sonhar, a apanhar pó das estrelas, numa réstea fugaz de Humanidade, de conforto, de felicidade, que dura enquanto o cigarro se queima lentamente. O seu fumo voa e envolve-me, e eu não penso, não consigo, deixo-me ser, existir num breve momento, sem Medo, sem Desespero, sem Solidão, sem Dor… Enquanto puder sê-lo, serei apenas eu e as estrelas…

Publicado por almahperditae em 03:32 AM | Comentários (2)

fevereiro 16, 2004

O Vazio

Fumo um cigarro. Enquanto puder nada mais farei. Olharei o mundo a acordar, com a luz branca da manhã a invadir tudo por entre a névoa, com o Sol a aquecer os corpos prostrados a entrada das repartições publicas e das lojas, com os carros a passarem no silencio do alcatrão, a ver os miúdos passarem para ir para a escola…
Apago o cigarro no cinzeiro e entro novamente na cama. Tentar dormir. O mundo lá fora não me pertence, tenho um ritmo próprio. Não preciso de ir para o frio cortante da manha, mas não consigo dormir e perco-me na visão do ritmo da cidade a acordar, devolvendo-me ainda mais a minha solidão. Viro-me na cama. Não consigo dormir, passei a noite em branco, pensando sem ter nada em que pensar que não o meu vazio. Mas o meu vazio não me deixa dormir, penso em toda a minha vida, e penso que nunca nada me arrancou do vazio, sempre o meu vazio, a minha alma perdida que vaga por entre um turbilhão de emoções desconexas, sem nunca sentir outra emoção que não o vazio…
Sinto saudades de nada. Apenas quero aquilo que nunca tive, que não sei o que é. Apenas sei que depois de o ter se confundirá com todo o resto da minha existência, e passará a ser aquilo que sempre fui – O Vazio.

Publicado por almahperditae em 08:35 AM | Comentários (0)

fevereiro 10, 2004

Um vazio, uma qualquer opressão que nos viola a mente. É assim que muitas vezes me sinto, olhando um vazio estático, mesmo quando olho a voracidade da Humanidade, das cidades que nunca dormem, dos corpos que se arrastam na placidez dos dias. Não o sei explicar, não sei porque me sinto vazio, mesmo quando me rio, quando estou bem, quando me insiro num mundo que apenas vejo de longe, mesmo quando sou esse mundo. Sei apenas que nada sinto, que à muito que o vazio tomou conta de mim, que à muito que o que sinto é sempre algo que não sei sentir, que a felicidade que penso sentir embate sempre num muro de indiferença, porque nada sou que alguém veja. Amei-te, amo-te… não sei… sinto a falta de ti, cada vez mais longe, porque eu mesmo cada vez me afasto mais de mim. Estando tu em mim, nada mais sinto por ti, porque nada sinto em mim. Perdi-te… Perdi-te na confusão de mim.

Publicado por almahperditae em 06:23 PM | Comentários (0)

fevereiro 04, 2004

Talvez…
Talvez um dia seja feliz, olhe para o mundo através duns olhos brilhantes, e veja apenas a beleza, o Sol, os risos das pessoas que se cruzam por mim “Bom dia.” Diria eu com um sorriso rasgado na face, responder-me-iam, veria sorrisos e uma piada qualquer para uns breves segundos de riso, sim… está tudo bem, sigamos a nossa vida. E seguiríamos: felizes, olhando para tudo, amando tudo, sem frios que cortam a pele, sem lágrimas cristalizadas na face que já não chora.
Talvez…
Talvez num tempo qualquer, a noite seja só estrelas, e Lua, sem nevoeiros, sem sangue coagulado no alcatrão frio e indiferente, sem gotas de chuva que se confundem com as nossas lágrimas cristalizadas na face que já não chora.
Talvez…
Talvez um dia acorde cheio de vontade, sorria para o mundo, e te diga bom dia, respondas com um sorriso, te beije, te abrace, nos levantemos e abra-mos a janela, para respirar o odor do mar salgado, para sentir o vento matinal a aconchegar-nos a pele, tome um banho e te abrace no próprio chuveiro, façamos amor sob o vapor que lentamente vai cobrindo o espelho de névoa, te beije apaixonadamente, me confunda contigo, me perca nas tuas formas, e sejamos um só novelo de carne em convulsão. Nos sentemos à mesa, bebamos café, comamos qualquer coisa, olhe-te nos olhos e não veja lágrimas cristalizadas na face que já não chora.
Talvez…
Talvez um dia a nossa face já não chore, porque não choramos… e não porque já temos as lágrimas cristalizadas.
Talvez…
Talvez um dia…

Publicado por almahperditae em 12:22 AM | Comentários (3)

janeiro 30, 2004

E se?

E se de repente todo o mundo se reorganiza-se?
Se a felicidade estivesse ao esticar de um braço, se o Amor fosse correspondido, se o dinheiro nunca falta-se, se nunca tivesse que acordar cedo, se os Anathema viessem a Portugal, se ela me falasse, se eu não vivesse sempre a espera de algo que não sei o que é, se amanhã fosse para Nova Iorque, se estivesse calor, se para a semana fosse para os Abyss Studios gravar um disco, se a chuva pudesse ser vista da janela à fogueira sabendo que não ia sair de casa, se estivesse a ouvir um grande som de Jimmy Hendrix dumas colunas B&W, se amanhã fosse para Paris, se fosse bonito, se o meu Ferrari F40 estivesse de depósito cheio para me meter na A8 e ir beber um copo ao Hot Club a 200 km/h, se a minha Gibson Les Paul estivesse nas minhas mãos, se a loirinha estivesse a meu lado, se estivesse a descansar da digressão mundial do meu disco que estava ainda no top 10 mundial, se fosse feliz, se tivesse inspiração para escrever o livro, se conseguisse dormir, se conseguisse comer, se não pensasse tanto, se não fosse eu…
E se?

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janeiro 28, 2004

O Caos

Se num qualquer estado de solidão, alguém olhar para o fundo da alma e o sangue nos corroer os ossos, gritem os pulmões para o Infinito, despedacem a crosta do medo e da dor…
Não existe nada para alem do palpável e tangível, sonhos e delírios são mutações luminosas que nascem e morrem no escuro do nosso desespero, que nos embrenham em constantes fugas do corpo, para orbitas coloridas que mais não sao que pó das estrelas mortas. Repouso em mim. Vejo o fumo azulado do cigarro queimar a atmosfera numa dança caótica e sensual, que apenas eu vejo um sentido, mas porque sigo o seu caos, não porque o sentido exista, mas eu olho, e deixo-me enlevar pela embriagues do fumo pesado, e passo a pertencer ao seu caos, e vejo nele um sentido. Mesmo que saiba que os sentidos da vida, são apenas ilusões no meio do caos.

Publicado por almahperditae em 02:02 AM | Comentários (2)

janeiro 23, 2004

Não sei o que te dizer…
Apenas que me sinto cada vez mais embrenhado na essência de teu ser, que tento resistir com toda a minha força ao desejo de me diluir em ti, de te diluíres em mim. Mas não o estou a conseguir… quero com toda a minha força ser parte de ti, arrastar-te para o meu ser, pegar em ti e atirar-te ao ar, rasgar-te um sorriso, beber de tuas lágrimas, saciar toda a dor que tens em ti e dizer-te com toda a minha alma que me tens a mim, que te amo, que quero rasgar o manto que colocaste na tua cabeça, tapando-a para todo o mundo, que te descubras para mim, para te deitares nos meus braços que eu te protegerei. Lembras-te de quando estavas segura nos meus braços? Quase feliz? Lembraste? Lembraste do meu medo de te amar? Da fuga que fiz, do desejo que reprimi em mim mesmo de te ter… Lembraste disso tudo?
Pois bem… Quero dizer-te que te amo, quero que saibas que te amo, quero que saibas que nada mais quero que não ter-te a ti… Já to disse outras vezes… a medo, com medo de sofrer outra vez, mas queria que o soubesses, queria que soubesses que estou com medo. Que o que sinto por ti me faz sorrir quando estou sozinho e feliz, ou quando estou a olhar-te os olhos azuis, mas fora isso me aterroriza… Já sofri por amar… Não queria sofrer outra vez, mas quero dar um salto no escuro. Quero dizer-te que tenho medo, mas que estou disposto a sofrer por alguém que me faz sorrir como tu fazes. Afinal… Se tiver que sofrer, ao menos que seja por alguém que me fascina, que eu admiro, que eu adoro, e que eu amo como te amo a ti.

Amo-te.
E isso explica a minha confusão, o meu medo…
Não quero mais nada que não o silencio… mas um silêncio partilhado… Contigo.

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janeiro 18, 2004

Névoa


Frio…
A Lua violenta-me com o seu projectar de sombras no meu caminho. Tremo com os ruídos do silêncio, os ecos esmagam-me…
Fujo…
Sempre sem parar, no declínio da minha sanidade, sombras agridem-me, tenho a loucura atrás de mim, tenho a morte a perseguir-me, sinto o seu bafo gelado no meu pescoço…

Publicado por almahperditae em 01:06 AM | Comentários (2)

janeiro 15, 2004

A uma Deusa

Hoje percorri limbos perdidos e esquecidos numa bruma qualquer por viver. Olhei em frente e nada vi que não estivesse já a muito apodrecido pelas minhas lágrimas. Vazios insuportáveis, delírios lancinantes, résteas de sonhos que insistem em sobreviver…
Porque não morrer de podridão no meu canto de lágrimas solitárias? Porque insisto em viver, se já a muito percebi que não fui forjado para a Vida? Porque não outra coisa diferente disto? Porque insisto no vagar na multidão? No silêncio dos meus gritos? Na esperança que resiste, estupidamente, num chão frio que bebe o meu sangue?
O teu ser alimenta-me… A tua essência faz-me sorrir… mas fora de ti nada sou. Deixa-me entrar em ti e dilacerar-te os sentidos e as lágrimas. Fazer da tua Dor a nossa lama, o nosso covil. Anda! Prostra-te a meu lado e rasguemos o manto que nos cobre. Nada mais importa que não o momento em que a nossa lama é una. Seremos um… Seremos divinos, minha deusa. E o teu olhar a minha perdição...


ès o meu azul do Infinito

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janeiro 12, 2004

A Eternidade Num Nada de tempo

Sentei-me ao luar. Olhava a Lua diluir-se tepidamente na minha pele, os teus lábios ferventes na minha face, e o brilho do teu olhar a aquecer-me a Alma. Falamos do Futuro e do Presente. Sonhos e Realidades enlevados num toque de pele e num beijo molhado roubado furtivamente ao Tempo. Fizemos promessas, promessas verdadeiras, apesar de sabermos que com o tempo tudo seria esquecido. Já passamos essa inocência. A doce ilusão da Eternidade. A magia das promessas que sabíamos ser eternas, o falar de Amor Eterno e acreditar, porque era sentido. Mas agora sabemos que o Amor é sempre igual, sempre sentido e enlouquecido, sempre eterno, mas sempre fugaz. Sim… Sou sincero e amo-te com a intensidade da Eternidade. E acredito em ti. Acredito que nos teus beijos incandescentes e no teu olhar terno, existe a esperança e a crença do Amor que me juras. Mas… Quanto tempo? Quanto tempo passará até que esta noite, esta Lua, estes beijos não serão mais que memórias perdidas na Infinidade de outras noites? Quanto tempo até te deitares nos braços de outro homem? Quanto tempo até receber outra mulher nos meus braços e amá-la em silêncio?
Repousa. Deixa-te enlevar no meu odor, deixa-me embalar-te no silêncio do bater de nossos corpos, deixa o tempo estender-se pela Eternidade, pelo Infinito da Ilusão, pelo sonho… Enquanto dura este abraço.

Beijei-te a face. Sorriste-me e beijaste-me o peito. Repousaste a cabeça em mim e ouvimos o vento beijar uma árvore numa doce melodia…
Esta é toda a Eternidade que precisamos.

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janeiro 10, 2004

Errei.
Errei através de limbos desconhecidos, deitei-me num canto isolado, com lágrimas tímidas no olhar. Deitaste-te a meu lado e senti o calor da tua pele, mas nada passou de palavras trocadas no calor da noite fria. Foste-te e deixaste-me lá prostrado, com o ruído do vento e o frio a corroer-me os ossos e a pele. Revi momentos passados da minha vida, e vi que todos eles eram o presente, nada tinha mudado, tudo era o mesmo vácuo que sempre me feriu a alma.

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dezembro 26, 2003

Conversa com Deus


Quem és tu?

Não sou ninguém. Porque perguntas?

Não sei o porque da curiosidade. Mas pareces-me estar só.

E estou, de nada sirvo, para nada presto….

Porque não te matas?

Falta-me a perca da esperança total.

Toma uma arma… Não terás mais esperança que não o seu chumbo frio a violar-te a mente.

Publicado por almahperditae em 10:45 PM | Comentários (0)

Estou só...


Estou só.
Perdido num ruminar de pensamentos desconexos, chorando sangue através das veias dilaceradas de minhas unhas… de minha raiva. Ansiando alguém que me resgate do limbo que me esmaga de encontro a parede do meu próprio silêncio, esperando apenas…
Estou só…
Contra as intempéries do meu vazio, sufocado nas lágrimas que não deito. E tu? Tu ignoras-me, preferes perder-te em promessas vazias e não me das de volta tudo o que te dei… o que te dou… deixas-me aqui abandonado, chorando para mim mesmo, gritando pelo teu nome, mas finges que não me ouves, e depois pedes-me os braços para derramares as lágrimas que deito por ti.
Estou só…
Ninguém me quer, ninguém me limpa as lágrimas, ninguém me mostra nada mais que aquilo que sou: um resto abandonado para as horas vagas. Aquele que vai ao chamamento de ajuda, aquele que corre o mundo por um sorriso, que é sempre largado nos lábios de outrem, e eu… eu fico aqui para enxugar as lágrimas, engolindo as minhas lágrimas de sangue com os meus lábios vazios…
Estou só…
E começo a odiar-me! Por não gritar que quero de volta o que te dou…
Estou só…
Mas não quero nada teu. O meu grito nada mais é que não um grito que me rasga a pele… não quero nada teu… mas um dia as tuas lágrimas não serão engolidas por mim.

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dezembro 20, 2003

Nothing

Sento-me aqui neste canto da casa, olhando o Mundo com olhos de emoção vazia, esperando algo que me diga o que quero ouvir. Mas… Eu não sei o que quero ouvir, por isso vou ouvindo sem nada me atingir a profundidade da minha Dor. Será por isso que nunca encontrarei uma saída deste abismo? Porque não sei o que quero para alem do abismo? Porque desconheço o que está lá no fundo, e o sítio donde cai já esta fora da minha vista?
O abismo é demasiado comprido… Talvez nem tenha fim…

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dezembro 15, 2003

Um Sonho

Entrei num castelo, de paredes frias e fogos incandescentes, com castiçais e candelabros matizando o ambiente de sombras. Vesti-me de estranho, e colori-me de Nada. Uma mulher de cabelos louros e olhos azuis convidou-me a deitar em lençóis de veludo vermelho, e nesse recanto a amei. Os seus beijos ainda me queimam os lábios, e o seu toque ainda estremece a minha pele. Os nossos suores, e o calor das nossas peles ainda me envolvem com o seu cheiro quente, e enquanto saiu pelos portões majestosos e deixo atrás de mim um silêncio de Morte e um último beijo de despedida, não consigo deixar de pensar que nunca deixei de ser um estranho…

Publicado por almahperditae em 02:29 PM | Comentários (2)

Um Sonho

Entrei num castelo, de paredes frias e fogos incandescentes, com castiçais e candelabros matizando o ambiente de sombras. Vesti-me de estranho, e colori-me de Nada. Uma mulher de cabelos louros e olhos azuis convidou-me a deitar em lençóis de veludo vermelho, e nesse recanto a amei. Os seus beijos ainda me queimam os lábios, e o seu toque ainda estremece a minha pele. Os nossos suores, e o calor das nossas peles ainda me envolvem com o seu cheiro quente, e enquanto saiu pelos portões majestosos e deixo atrás de mim um silêncio de Morte e um último beijo de despedida, não consigo deixar de pensar que nunca deixei de ser um estranho…

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dezembro 13, 2003

Esta noite morri

Esta noite morri.
Sinto o medo transbordar em mim. Falo-te no silêncio do fumo partilhado, anseio-te num passado que jaz frio. Não me sintas em ti, deixa-me abandonado na cruel persistência dos dias, no arrastar diabólico de Loucura nas veias, no sangue partilhado num cálice de prata, nos lábios molhados de desejo e nos vómitos de prazer moribundo.

Esta noite morri.
Vi um Anjo Negro abraçar-me… Não o senti sussurrar-me nos ouvidos que me amava. Fiquei preso num sonho que não sonhei, e as lágrimas que derramei já as tinha derramado e sorvido e vomitado em palpitações etéreas de Morte. Continuei o caminho que não tinha iniciado e perdi-me sem sair do meu quarto Universo.

Esta noite morri.
Beijei-te mas os teus lábios eram uma caveira de sangue coagulado pelo Tempo do Futuro. Vi os fantasmas que me tocaram e passaram por mim sem me tocar. Tentei falar-lhes, mas o túnel que percorri era um vácuo, e o silêncio absorveu os gritos que não gritei. Tentei morrer, mas a minha sepultura já estava fechada e a lápide já tinha a data da minha Morte, estava escrita em letras de sangue e o sabor do sangue era o meu, mas ao bebe-lo a data desapareceu e a sepultura nasceu macieira mas o desejo já tinha sido consumido e a serpente jazia morta na beira da cova que era raiz da vida.

Esta noite morri.
E nada do que vivi era Vida. E nada do que sonhei era Sonho. E nada do que morri era Morte.
Esta noite morri… E continuo a sentir a Dor da Vida.
Mas esta noite morri…

Publicado por almahperditae em 06:18 AM | Comentários (2)

dezembro 09, 2003

Vazio

Um vazio existencial… Um vazio na alma… Erro através de limbos conhecidos como um estranho. Não vejo nada, não sinto nada. Apenas vejo as faces que sorriem, e eu próprio meto um sorriso na face, apesar de por dentro estar vazio. Nem sei o que escrever. Para escrever é preciso sentir, e eu apenas sinto o vazio…





























.......


Publicado por almahperditae em 02:25 PM | Comentários (1)

dezembro 06, 2003

Desejei arder numa chama fria, perdi-me num qualquer recanto de Desespero. Enquanto a morte me sorria fui feliz, quando senti o seu toque gelado e a única coisa que me aquecia era o calor das lágrimas emanadas por mim rasguei a minha pele já dilacerada por tormentas e rajadas de ventos agrestes, e as minhas mãos mancharam-se de sangue. Deitei-me perante o meu vazio transbordante e chorei o que tinha já chorado. Não consigo chorar…


Erro…

Deitei-me numa nuvem, gritei segredos para o Mundo e apenas o vazio me respondeu. Continuo a errar em segredo.

Gritos mudos e vazios devolvem-me a minha podridão, espero neste recanto milenar de folhas apodrecidas algo que me devolva os gritos, mas nada me responde senão o vento… que sussurra o meu nome para a Eternidade.


Publicado por almahperditae em 04:55 PM | Comentários (0)

dezembro 03, 2003

Sou uma réstea de sonho... Um Oceano transbordado de vazio. O sal e o sémen da Loucura. O Nada.

Publicado por almahperditae em 04:26 PM | Comentários (1)

dezembro 02, 2003

Entrada final de raiva... Ou, Como por vezes é preciso agredir para esquecer... Ou, Expulsão de fantasmas que me sufocam...

Olha para mim.
Sentes a Dor? Consegues sentir o seu frio na tua Alma? Pois sou eu...

Não me consigo transpôr... Por muito que queira ser feliz e sóbrio e social.
Sou eu apenas... Não me queres? Tenho pena... Espero que sejas feliz.

Espero que encontres quem te faça esconder, quem te faça sair de ti e esqueceres-te... Não sou eu? Mal o teu... Entrega-te a quem te fode, a quem não quer mais que hipocrisia, a quem não quer mais que o teu corpo...
Afinal... Nem tu queres a tua Alma... É porque sabes que ela não presta, e quando a Alma não presta a pessoa passa a ser apenas um corpo apodrecendo. Acabarás por perder a beleza, acabarás por perder a ilusão que te desejam fazer feliz... Ai nada mais resta senão a Solidão e a Dor... Aproveita! Aproveita enquanto te iludes que gostam de ti. Não és nada mais que não carne. És apenas carne a apodrecer.

Pensei ver uma Alma... Pensei ser a mais bela Alma que já tinha visto... Era apenas uma ilusão... E a ilusão desfez-se com lágrimas e sangue e pó.

Ponto Final

Publicado por almahperditae em 06:32 PM | Comentários (0)

novembro 30, 2003

Four Steps 'Till Death

Olho a chuva a diluir-se na atmosfera, batendo sincopadamente numa poça de água por baixo da minha janela.

Abro a janela, e o vento violenta-me, rasgando-me a pele em arrepios gelados… encolho-me no meu calor.

Fico estático, vazio, a olhar o frio tomar conta de tudo… deixo de sentir frio.

Acendo um cigarro e fico ali perdido no Tempo, com o olhar vazio a assistir a dança das gotas da chuva na poça de água…

Publicado por almahperditae em 04:18 PM | Comentários (3)

novembro 27, 2003

Pointless...

Via algures… Estava inserida nos meus sonhos, fiquei fascinado a olha-la, tinha estrelas nos olhos e promessas nos lábios. Não sei o nome dela, não sei quem era, quem é, em que peito chora. Mas quis abraça-la, beijar a humidade de sua boca, confundir as nossas salivas, aquecer a minha pele na dela. Molhar o meu peito com as suas lágrimas…

Publicado por almahperditae em 01:54 AM | Comentários (1)

novembro 25, 2003

Apenas o suicídio me sorri...

Publicado por almahperditae em 08:09 PM | Comentários (3)

novembro 22, 2003

Serenamente...

Serenamente repenso em mim...
A Morte é uma ilusão, e a Vida segue em frente... Existe apenas uma Morte, não perderei tempo com ilusões.

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Sozinho erro...

Publicado por almahperditae em 12:51 PM | Comentários (5)

novembro 21, 2003

Dignidade?

Resto…
Coberta de lágrimas secas por chorar, dorida por dentro, résteas de sonhos, braços matizados de cicatrizes, pele pálida, olhos de Morte, corpo consumido pelo desespero… Ana era seu nome, já não possui identidade. Perdeu-a na multidão que se revolve na lama. Serve o seu corpo, outrora desejado, templo carnal de desejos silenciosos, agora um sepulcro de decadência.

(lágrimas recusam cair… já todas foram consumidas, nada mais resta, nem memórias.)

A perda da dignidade, em nada se distingue da Morte…
Excepto na Dor indolor que se sente no vazio da alma.

Publicado por almahperditae em 10:34 PM | Comentários (1)

Noite

Noite.
Chove na rua.
No meu silêncio, vozes gritam-me solidão, a minha companhia sorrateira no delírio suicida de minha imensidão repleta de lágrimas…

Publicado por almahperditae em 09:53 PM | Comentários (0)

Lunch Time

Um cigarro a queimar-se languidamente, e um café a fumegar... Memórias trespassam-me os sentidos e a solidão aconchega-me. Enquanto pago, penso em escrever estas linhas... Um grito mudo.

Publicado por almahperditae em 01:07 PM | Comentários (0)

novembro 16, 2003

Delirio

Erro… Erro numa imensidão de Dor, Desespero, Irreal monotonia, persisto num sonho, e deixo-me afogar nas lágrimas que caem secas através de minha face dorida…

Publicado por almahperditae em 06:29 PM | Comentários (0)

novembro 14, 2003

No Universo erro, no Universo me perco, em mim desejo perder-me, para nunca mais me achar.

Escrevo como um alucinado…
Tenho dentro de mim gritos que desesperam por me esmagar os sentidos de cansaço, de Loucura, de Desespero…. Não sei o que sinto, apenas sei que preciso de sair daqui deste mundo, do mundo por mim já tantas vezes amado e odiado, perder-me no universo, talvez descobrir alguém que me ame, talvez perder-me na pele duma mulher sem nome, talvez mesmo morrer num canto qualquer desconhecido… Talvez ir ver o nascer do Sol depois duma noite sem Lua, errando pelas trevas, iluminado apenas pelo som do silencio. Qualquer coisa… Quero qualquer coisas mas por favor quero esquecer-me de mim…

Publicado por almahperditae em 08:19 PM | Comentários (0)

Luz & Sombra

Perco-me na tua pele de seda, sinto-me tranquilo quando repouso os meus lábios no teu calor, enlevados numa cama qualquer perdida, de um sonho por viver. O silêncio cortado pelos carros que passam lá fora indiferentes, apenas é cortado pelos nossos corações, compassados, tranquilos, unidos… Carícias e sorrisos, num abraço eterno, palavras murmuradas, receios confessados, tragédias entrecortadas por lágrimas e beijos. Desejo ser o teu pilar, encostares a cabeça no meu ombro e confessares-me o teu íntimo, eu quero chorar também no teu peito, unir as nossas almas pelas lágrimas derramadas e estranguladas com um toque terno, e mãos na face húmida e salgada. Trocar esperanças renovadas, dizer obrigados mudos num abraço luminoso.

A noite… O abraço efémero… O repouso… Acordar contigo nos meus braços, sorrindo tranquila. Acordar-te com beijos na face, na testa, suores trocados, calores partilhados, ouvir o canto das aves no ramo que pende através do universo da nossa janela… O nosso mundo somos nós, e de mãos dadas venceremos a tempestade.

Acordo…

(foto de Tiago Reis em 1000 Imagens)

Publicado por almahperditae em 08:01 PM | Comentários (0)

novembro 12, 2003

Elegia à melancolia...

Sento-me no computador e quero escrever algo. Mas não sei o que escrever, a minha cabeça revoluciona-se com lentidão, não consigo pensar ou penso demais, ainda nem percebi, sinto-me vazio e apático. Fumo cigarros atrás de cigarros, ouço uns sons que vou sacando e outros que fazem parte já de mim (reparo quão bela é a melodia de “Angel” da Sarah Mclaughlin) e aqui ao lado falam-me de Moonspell.
Fui vê-los no sábado, foi um excelente concerto como são todos os de Moonspell (menos o do Ermal do ano passado disseram-me, mas eu não vi) e as suas melodias irrompem-me pela mente, vou meter a tocar um som de Moonspell, só um pouco que vou abrir a pasta… Voltei. “Opus Diabolicum” é sempre uma grande musica seja aonde for e em que altura for. Mas o seu riff compassado não me da vontade nenhuma, não me alegra em nada… Estou vazio por dentro, morto…

(Apenas o vazio me seduz, apenas a Morte me sorri, nada faz sentido na minha vida…)

Publicado por almahperditae em 01:45 AM | Comentários (6)

novembro 04, 2003

For My Sweet Maiden... (We Are Lost In A Dream)


Só...


Completamente só erro pelas brumas da ilusão. Anseio vespertinas carícias, prolongadas através do luar mágico, na lama do nosso ser... Lá ao longe as estrelas vagueiam na bruma. E o frio assola nossas peles sem no entanto dar-mos por ele. Aqueço-te a pele... Acendes-me a ilusão...

As chamas de ti.... O meu Fogo, pulsão animalesca de Desejos com brilhos dementes no olhar, cortam qualquer esperança à Noite...

Anseio o abraço... Anseio a tua pele na minha, percorrendo a Loucura, os teus lábios nos meus, os teus lábios na minha pele, fazendo-me sentir pulsões que me arrastaram até à eternidade... O Tempo não possui castidade.
O Tempo morre e gela no toque suave de nossa Paixão. Entrego minha alma ao teu sorriso (quão belo é o teu sorriso sereno, repousante, quando sentes a minha presença sobre a tua Alma)




Morri em ti...
Senti os meus sentidos divagarem, perderem-se na nossa Loucura e sei que te Amei...

Sim...
Amei-te quando as nossas carícias cessaram, quando apenas um abraço tépido nos enlevou e tudo parou... Tudo morreu.

Um ponto final... Uma esperança por morrer, porque o sonho foi real, vi o Anjo Da Morte, Que me Puxou para o seu interior, que me Amou com o seu abraço, que me retirou do Abismo... E morri nos seus braços, e a Morte morreu nos meus braços... E fui feliz e agradeci. Agradeçi o ter-me salvo de Mim... O meu pior inimigo.


Fui um condenado outrora... Fui um prisioneiro de mim mesmo, reles objecto de carne apodrecendo lentamente na esperança duma Morte cruel... Mas tu retiraste-me da cruz, depois de me teres lavado a face com a tua manta de sonhos. Sonhei contigo, vagamos pelas estrelas e pela magia surreal do nosso mistícismo. Foste a minha salvação. vivi o teu sonho, e tu deste-me um sorriso...

Sorri

(No leve planar de nossas Almas... A visão da tua serenidade, o beijo no teu corpo efervescente, fez-me sorrir por o sonho ser real...)

Agradeço os Deuses terem-te criado...
Agradeço-te a ti teres-me salvo...
Agradeço as lágrimas terem-nos lavado a Alma sedenta...

Salvaste-me

Publicado por almahperditae em 08:04 AM | Comentários (6)

outubro 22, 2003

BEIJO

Algures perdi-me num sonho, revi as estrelas com olhos lacrimejados, perdi-me em suaves carícias que me aconchegam na memória, e revi toda a frieza da minha pele. Um beijo perde-se na saliva derramada, fica para sempre nos lábios que depois irão beijar outros lábios, e a Loucura que se dá na entrega daquele beijo perde-se na bruma do Tempo. Para que o beijo? Para que a entrega, a Loucura se essa Loucura é apenas passageira? Se outros lábios e outras peles se confundiram a certo ponto com todos os lábios e todas as peles?

Amei… Amei no toque de um beijo. Agora nada mais é que não um vazio, um Nada… Quero antes morrer, o beijo da Morte é eterno!

Publicado por almahperditae em 11:27 PM | Comentários (5)

outubro 14, 2003

Sonhos, Realidades & Ilusões

Olhei a tua face, triste, com lágrimas engolidas na sofregidão da tua alma. Sorriste na tua mente, eu revi o sorriso no leve afagar de mãos, na tua pele na minha...
Aproximei-me sedento de teus lábios e viraste-me a cara, disseste-me com o olhar que as nossas almas estavam unidas, e a saliva poderia devolver a realidade um sonho vivido no escuro de nossas almas. Continuei sentindo-te em mim, perdido no doce odor do teu ser, amando-te, desejando-te sem Amor e sem Desejo, apenas um constante pulsar de ilusão.

Um sonho desperto pelos sentidos, um sonho há muito vivido na lenta seduçao de ti...

Publicado por almahperditae em 11:49 PM | Comentários (3)

outubro 10, 2003

The Beauty Of A Tear

A sedução da Morte, do negro, do deprimente…

Será possível que uma pessoa “normal” não consiga vislumbrar a beleza dum por do sol? E será que não compreende essa mesma beleza? Então porque a dificuldade de compreender a beleza da Morte? É o mesmo.
Uma lágrima caída que se absorve no peito de algodão de uma mulher é bela: imaginem a sua trajectória através da face, seguindo um curso próprio e sem destino (conhecido por ela mesma) e o seu crescimento para o vazio… primeiro apenas um pouco, mas lentamente a gota cresce para o vazio, abandonando o refúgio da pele e crescendo… crescendo para o Nada. A certo ponto o seu tamanho é mais forte que o seu medo, e cai embalada pelo seu próprio destino, atrás de si ficou o rasto de sal que a mulher esfrega com as palmas das mãos, tentando esconder-se de si mesma, esconder-se da sua fraqueza, querendo ser forte. Mas a lágrima já caiu… já seguiu o seu rumo, já leva consigo toda a Dor e toda a Tristeza, e a certo ponto… embate violentamente no seio da mulher, a roupa da mulher absorve a lágrima, e esta lentamente começa a sentir o calor, o odor, o aconchego de um seio feminino. Lá dentro a Dor e a Tristeza ainda vivem… mas agora são apenas parte da grandeza da Mulher, e deixam-se aconchegar pelo amor, calor, e odor que brota do seu peito alvo.

De todas as lágrimas rejuvenesce um sorriso, e todos os sorrisos nos provocam lágrimas, só temos que saber desfrutar da sua beleza.

Publicado por almahperditae em 12:41 AM | Comentários (6)

outubro 08, 2003

Fogo

No mais profundo silêncio, alguém se abeirou da minha alma… O seu arfar demente de desejo, o seu fogo que me incendiava o corpo e a mente, queimou-me o sonho, e labaredas incandescentes rasgaram a negridão de minha alma… Segurei firmemente a Loucura dentro de mim, mas o Fogo daquela mulher destruiu qualquer desejo de nuvens, e a chama da Paixão ardeu a noite toda… a Alma toda… Toda a loucura repousou enfim sobre as cinzas arfantes de nossos corpos e no calmo rufar de peles amei-a com um sorriso.

Publicado por almahperditae em 01:48 AM | Comentários (3)

outubro 07, 2003

Suicídio

Por vezes penso em suicídio…
Sentir a vida esvair-se pelas veias abertas dos pulsos, o ar faltar nos pulmões e o coração começar lentamente a parar devido a força que os comprimidos lentamente roubam a todos os músculos, o corpo começar a deteorar-se intrinsecamente, com ácidos e substancias que provocam pulsões tais que o corpo se auto destrói com a intensidade eléctrica do corpo, o sangue e a carne a expelirem-se através da atmosfera, depois dum embate no solo frio e indiferente, depois da vertigem da queda, ou então… o chumbo trespassando o cérebro, beijá-lo e dizer-lhe com carícias na mente: “Descansa. O sofrimento acabou…”

Publicado por almahperditae em 03:59 AM | Comentários (21)

agosto 27, 2003

hoje vou subir o abismo que zumbe nos meus ouvidos... vou voar!

Fartei-me de tudo…

Deixei-me cair num abismo, e já sinto o vento a zumbir nos ouvidos com a vertigem da queda. Confundem-se a certo ponto com os meus gritos mudos…

Acho que estou a entrar em depressão, o que é estranho visto ter tudo o que queria, mas o anjo enviado para me salvar, não consegue romper a barreira que criei em torno de mim, e deixo-me destruir lentamente. E a destruição parece ainda mais demolidora agora que vejo um porto de abrigo, e me sinto a afastar-me dele. Hoje vou nadar ainda com mais força, hoje vou-me deixar enlevar pelo anjo, fechar os olhos e saltar no abismo… No seu abismo, no seu desconhecido, no medo da queda que ainda tenho firmado na carne e na alma.
Se cair… Eu já estou em queda mesmo sem saltar…


“Look ate me I’m chasing after dreams left in the storm…”

Rob Halford “Silent Scream”

Yesterdays smile is tomorrows tears

Novembers Doom “my agony, my ecstasy

And in the early morning light
After a silent peaceful night
You took my heart away
I wish you could have stayed

Anathema “One Last Goodbye

Publicado por almahperditae em 09:01 PM | Comentários (1)

pensamento

A unica coisa que mete mais medo que a Morte é a Solidão.

É ela a responsavel por todos os suicidíos. preferimos a Morte á Solidão...

Publicado por almahperditae em 01:58 AM | Comentários (4)

estou a fumar, a olhar o vazio imenso que me faz sentir deprimido

Entro por vezes em delírios mórbidos. Penso na Morte, desejo desaparecer, entrar num vácuo qualquer e perder-me por lá… deixar-me apodrecer num qualquer canto sem ninguém me ver, me sentir, me amar, me odiar, me desprezar, me ver… apenas ter a suave existência de não existir, fumar cigarros e olhar o vazio, ver o fumo azulado diluir-se no ambiente, ter a cabeça vazio de pensamentos, de dores, de sonhos.

Existir como um vegetal, sem ter que pertencer a algo, algo ao qual nunca pertenço, sem desejar algo que nunca desejo, sem sonhar com algo que não sonho… ser apenas. Não sei se quero a Morte, mas a ideia de ser apenas uma pedra no meio de milhentas outras, sem outra identidade que não as letras comidas pelo tempo, me agrada. Já não serei aquele que disse ou fez ou esteve mesmo sem o dizer ou fazer ou estar, seria apenas um nada, um vazio, um espaço que pretende apenas recordar o que foi, e pensa-se em tudo o que fez, sem no fundo saber o que fez. É um nada, é algo que seduz por não ser nada, apenas o que se imagina que foi…

O conforto do vazio, do Nada…

Publicado por almahperditae em 01:43 AM | Comentários (0)

agosto 25, 2003

no pesado arrastar dos dias, insisto em não acordar de um sonho que morreu

E agora?

Deixo-me apodrecer neste canto?


Ou vou deixar-me enlevar por um anjo?


Só quero desaparecer...

Talvez morrer.

Publicado por almahperditae em 04:47 AM | Comentários (0)

agosto 10, 2003

The Doors


A porta persiste em se esconder...

Publicado por almahperditae em 08:26 AM | Comentários (0)