Eu não sou exactamente um misantropo, pelo menos não na sua definição etimológica, não odeio o Homem, antes pelo contrário, acho que somos uma espécie com demasiadas particularidades, e demasiado interessante para a odiar. Mas não sou definitivamente pessoa para me embrenhar nas relações humanas, não tenho fobia ás relações humanas, mas definitivamente não são para mim. Isto não significa que seja um amargurado, as desilusões que tive foram todas assimiladas do mesmo modo, raiva e explosão inicial, aceitação posterior, e por fim a indiferença. Toda a gente conhece pessoas de merda durante a sua vida, eu não sou excepção, e só tenho pena de rapidamente esquecer isso e nem uma ponta de ódio me sobrar, e por isso já não foi a primeira nem a segunda vez que foi fodido pela mesma pessoa uma e outra vez... Mas nem isso me aflige muito...
A minha questão é, e sempre foi a mesma, tenho uma necessidade quase patológica de solidão. Adoro o silêncio, adoro ficar acompanhado apenas e só pelos meus pensamentos, adoro fazer as coisas ao meu ritmo, adoro fazer apenas e só o que me apetece. Detesto a mediocridade, detesto a banalidade, detesto o carneirismo, detesto as modas, detesto o politicamente correcto, detesto gente sem a mínima personalidade. Detesto quem faz e diz apenas o que pensam que querem que façam e digam, detesto poses, detesto competições imbecis, sim... detesto o lado imbecil da Humanidade. E aí sim, sou Misantropo.
E porque isto tudo? Por um simples desabafo. A Humanidade não me detesta. Eu isolo-me, visto-me de forma a afastar as pessoas, sou frio, sou distante, inacessível... Gosto das pessoas, a sério que gosto, gosto das suas particularidades, gosto de as ouvir, gosto de falar com elas, gosto de discutir filosofias de vida. Gosto de uma boa piada, gosto de um copo partilhado, gosto de sorrisos sinceros e vazios, gosto de comprimentos de até outro dia, até à próxima, gosto de aprender, gosto de descobrir. Mas estou cansado... Estou cansado...
Quero estar sozinho, quero beber um copo em silêncio, fumar um cigarro em paz... Quero ser um vulto, negro, sozinho, não quero que ninguém me fale, quero uns dias assim... Não quero multidões, não quero que me venham falar de merdas que não tenho o mínimo interesse, não quero aturar as bebedeiras de ninguém, quero ser um fantasma. Não é a falar mal de ninguém, a sério que não. Se alguém que me conheça pensar que esta entrada é dirigida a alguém em especial, ou mesmo a ela própria acreditem que não é. Não estou de mal com ninguém, as pessoas com quem não quero falar digo na hora, conhecem-me, sabem disso. Mas estou cansado, gosto que me digam umas piadas, que se metam comigo, mas agora não, prefiro ficar aqui, longe, sozinho. Hei-de encontrar um bar ou café novo, para ir sem ninguém me conhecer, para ficar lá sozinho, beber o meu Carduh, fumar o meu cigarro, ler a Bola, beber um café... Afasto-me, em silêncio, como sempre o fiz, isolo-me, aguardo... Aguardo a Morte que um dia me encontrará, em silêncio, no meu canto, ninguém irá saber. Ninguém irá ao meu funeral. Ninguém irá derramar uma lágrima, irão talvez beber um copo em minha memória, irão sorrir e esquecer-me... Serei um nada, um nada que já sou, serei um fantasma, o fantasma de mim mesmo...
Ao fim de bastante tempo em busca das melhores soluções de download de boa música, eis que encontro... E está tudo em russo!!! Não há uma alma caridosa que tenha vindo das terras geladas dos czares que me queira ensinar russo? Spasiva desde já. Mas um homem desespera a olhar para aqueles caracteres sem perceber a ponta de um corno... Eu andei anos a tentar aprender russo, fiquei-me por pouco mais que as asneiras, o obrigado e as saudações, mas nada me preparava para estas porras de caracteres... Irra...
C'um rui!!! (eu sei... não é assim k se escreve, é com aquelas porras de caracteres, mas quem dá o que tem a mais não é obrigado.)
A vida são momentos perdidos que se sucedem em ciclos semi-constantes.
Reencontros que se sucedem a encontros, que se confundem com o encontro original, embora mais saborosos pois já possuem o agri-doce da perda do momento original confundido com o sabor da perda do sujeito do encontro. Achar, ter, perder, achar novamente e saber que se perde novamente. É uma imagem poética aquela velha ideia de "agarrar um momento para a eternidade", como se a eternidade não fosse este constante achar e perder, sabendo que no fundo nunca nada nos pertence, e por isso é tão saboroso ter algo por momentos. Um amigo, um copo, um sorriso, um amor, uma paixão, uma violência, uma traição, um amigo... Nada é nosso, mas tudo faz parte de nós. É por isso que eu adoro a vida com todas as lágrimas e todas as feridas que ela me faz... Porque a odeio com todas as minhas forças. Porque me dá por momentos aquilo que eu sei que nunca será meu.
E isto é tão válido para o amigo de "outros outros tempos, porque nem é dos outros tempos, é já dos outros" (parafraseando-me a mim mesmo numa conversa com uma amiga sobre um amigo que reencontrei à dois dias), como para o ter finalmente reinstalado a net em casa e estar lentamente a voltar a usar os programas que usava à uns anos, mas já tudo ser diferente do que era naquele tempo... Tudo passa, tudo muda, tudo avança, mas no fundo... tudo é igual... Momentos que se sucedem a momentos, que antecedem momentos... E coleccionar momentos ao longo da vida, para no fim, juntando todas essas insignificâncias de momentos, ao afastar-mo-nos da vida que vivemos e é nossa e estamos lá enfiados e não a conseguimos ver em todo o seu esplendor, darmos-nos conta que aqueles momentos todos somados fazem aquilo a que os poetas chamam a nossa Alma. A nossa Vida. Lentamente tudo volta, tudo vai... Só nós ficamos.
Já aqui desabafei tudo o que tenho sentido ultimamente pela minha cidade, inclusivamente, num comentário até casquei tudo o que tinha que cascar nos marinhotos, mas eu sou uma gota de água, imbecil e inculta, faço-o sem nenhum conhecimento de sociologia, apenas desabafo o que vejo e sinto, sentimentos sem nenhuma base racional ou empírica. Isto para dizer que se calhar em vez de desabafar, devia de estar calado, tentado ver os porquês e tentado perceber o que raio se passa na minha cidade para de repente ela cair abruptamente em direcção ao abismo. Vi hoje (quando estou a escrever este texto) um pequeno programa em que falavam da globalização e da nova revolução económica que está em curso e foi quando se fez luz. Embora seja mais coisa menos coisa aquilo que eu já tinha desabafado talvez seja melhor por os pontos nos is, e agora sim, baseado numa teoria feita por alguem bastante melhor que eu e que até sabe o que diz.
Segundo essa nova teoria, a globalização não correu na prática como estava pensada na teoria, o crescimento económico não se deu a um ritmo constante em todo o globo mas sim deu-se no sentido oposto, teve uma tendencia para se localizar em certos pontos específicos fazendo com que todos os outros locais se afundassem, ultrapassados nessa corrida sem apelo nem agravo. Que foi o que se passou aqui na Marinha Grande, no espaço de uma década perdemos o pelotão da frente, e se à uma década atrás eramos a cidade líder nacional economicamente, ou até mundial no caso especifico dos moldes, agora somos uma cidade à beira do abismo. Segundo esse estudo, ao se estudar os locais que deram o salto para a frente chegou-se à teoria dos três T: Tecnologia, Talento e Tolerância. Que é como quem diz, as cidades mais tolerantes em relação ás ideias diferentes, ao pensamento original e à inovação, enfim, tolerantes a tudo o que seja diferente, são terreno mais propicio ao aparecimento de talentos criativos que por sua vez fazem com que a tecnologia avance. E foi exactamente aqui que tudo falhou. Qualquer marinhense sabe que se há coisa que não existe nesta cidade é tolerância. E é uma tentação enorme dar o meu exemplo pessoal, e o porque de ser olhado de lado por andar de preto e ter cabelo comprido, por as pessoas me verem e á partida fazerem mil e uma ideias minhas sem nunca sequer terem tido o desprazer de falar comigo, e já para não falar do facto de certos marinhotos que me conhecem terem uma certa tendencia para embirrar comigo por eu ler demasiado, como se isso fosse a maior prova de que eu não devo bater lá muito bem da cabeça... É uma tentação, e até um excelente exemplo da mentalidade retrograda desta cidade, mas como até gosto que tenham essas ideias sobre mim (ao menos ninguém se mete comigo, e para ser sincero já se metem mais do que eu gostaria), e como infelizmente não tenho dinheiro suficiente para ler demasiado, o que digam ou pensem de mim é algo para que me estou completamente a cagar e nem me atinge nem um bocado (sem a minima hipocrisia ou ironia). Mas... Lá porque eu me estou a cagar para o que se fala nas minhas costas, para as ideias preconceituosas que tenham, ou até para me proibirem a entrada em discotecas (sim... já estou mais que habituado a me pedirem para “aguardar” por causa das camisolas), confesso que essa atitude e pensamento me irrita e enoja. Ninguém que me lê me conhece. Por isso agora é provável que não me entendam, mas isto é completamente honesto. Em relação a mim essas atitudes passam-me completamente ao lado, mesmo que muitas vezes a minha auto-estima ande pela lama, há uma coisa de que sempre me orgulhei, de ser extremamente realista, e toda e qualquer atitude de preconceito seja de que tipo for em relação à minha pessoa é sempre encarada da mesma forma, quem perde não sou eu! Mas esses preconceitos enervam-me, chateiam-me, metem-me fulo, não por mim, mas por eles, por ver que ainda há gente estupida, e por essa gente estupida poder estar a perder mais do que ganhava em não ser tão básica nas analises que faz, a mim e principalmente, a outros como eu, que até são bastante melhores que eu. O que me irrita é andar á muito tempo a ver que nesta cidade, outrora tão desenvolvida tecnologicamente, existe até bastante talento, e acreditem, conheci aqui muita gente talentosa ao longo da minha vida, em diversas e variadas áreas, da musica à pintura, das ciências á engenharia, fotógrafos fenomenais, actores talentosos (modéstia á parte, tomo para mim o talento da escrita lol), mas começo a ver, triste e desiludo, aquilo que aqui escrevi à umas semanas, os marinhotos imbecis, esta intolerância cruel e estupida, matou à nascença a revolução que estava para acontecer na Marinha Grande. E volto agora ao inicio desta entrada... O problema desta cidade está num dos T dessa teoria da globalização. O resto nós temos tudo. Agora deixo aqui um recado aos marinhotos, se querem fazer um favor à vossa cidade matem-se, eu pelo menos agradecia, gostava de voltar a ver esta cidade a pulsar. Isto porque já deu para perceber que mudar nunca hão-de mudar. E talvez... talvez ainda não seja tarde para voltarmos a apanhar o comboio do desenvolvimento. E acreditem... Nesta cidade há tudo, tudo para nos tornarmos uma grande cidade. Não era triste que se perdesse uma oportunidade de ouro para atravessarmos todo o século XXI na cabeça do país, talvez até da Europa e do mundo, apenas e só porque temos como vizinhos meia duzia de marinhotos que nos fazem sentir quase nojo desta cidade? Eu devo ser ingénuo, mas adorava que esta cidade se tornasse num pólo de desenvolvimento económico, artístico e cultural como ela merece.
E para finalizar deixo-vos uma citação do grande John Lennon:
"Keep you doped with religion and sex and T.V.
And you think you're so clever and classless and free
But you're still fucking peasants as far as I can see
A working class hero is something to be"
Uma pessoa está sempre em constante evolução. Essa é uma maxima impossivel de refutar. Mas neste momento, não sei se estou em evolução ou em regressão... E passo a explicar. Durante toda a minha vida sempre adorei a cidade onde vivo desde os meus dois anos. E mesmo esses primeiros dois anos vivi aqui perto, por isso é como se sempre tivesse sido habitante da Marinha Grande. E sempre adorei a Marinha Grande, apesar de sempre ter sabido que não era, nem nunca fui um marinhense. sabia que era diferente, quanto mais não seja porque a minha vida nunca passou muito por aqui, mesmo tendo aqui vivido sempre, mesmo ter feito aqui a escola normal, nunca fui um marinhense, porque sempre vivi um estranho limbo em que vivia e estudava na Marinha, mas muita da minha vida passava por Leiria, conhecia as duas cidades de igual modo, os meus parcos amigos estavam divididos entre uma e outra, as minhas compras eram todas em Leiria, as poucas namoradas de juventude eram leirienses na maior parte dos casos... Mas amava a Marinha Grande, sentia-a uma cidade vibrante, uma cidade industrial, com tanta vida no seu sub-solo que eu tinha a certeza que era uma cidade com tudo para a qualquer momento rebentar. Mesmo de lado, escondido na minha solidão, vivendo na minha propria franja, sentia na minha cidade (porque sempre a senti como minha, mesmo tendo nascido em Leiria) muito mais do que aquilo que sentia em leiria, mesmo aqui ao lado. Sempre me assumi como marinhense, diferente mas marinhense, e sempre disse para quem me quisesse ouvir que gostava muito mais da Marinha Grande que de Leiria. Mesmo que os meus avós ficassem tristes por eu dizer isso... Eram todos leirienses... Sempre disse que esta era a cidade onde queria viver até morrer...
Mas ultimamente...
Confesso desde já. Detesto a Marinha Grande. Não sei se é de agora passar aqui mais tempo, nem sei se é de agora já conhecer melhor algumas pessoas que dantes não conhecia, não sei porque. Mas neste momento a minha ideia desta merda desta cidade é no minimo horrivel. A Marinha Grande tinha tudo para explodir, tinha. Mas perdeu tudo, morreu. A cidade que outrora foi uma cidade vibrante é neste momento uma cidade moribunda, as pessoas são estupidas, a cidade industrial transformou-se numa cidade atrasada de gente imbecil e retrogada. O ritmo fabril destruiu mentes, o tempo não ajudou ninguem a evoluir, ficaram todos presos a uma ideia qualquer esquecida algures num tempo já morto. Uns falam da vida, outros falam do dinheiro, outros falam da idade, mas a verdade é que tudo estagnou... Talvez tudo tenha sido sempre assim, talvez fosse eu que estivesse enganado, talvez os charros que se fumavam não muito ás escondidas e que eu via como um simbolo de uma cidade com uma cultura moderna e virada para o futuro, como que uma revolução prestes a acontecer, tenha destruido toda uma geração... ou duas. A verdade é que no ultimo seculo poucas cidades em Portugal têm uma importancia economica, politica e social como a Marinha Grande, mas tudo isso se perdeu. A revolução cultural nem se iniciou, ficou perdida algures entre um charro e uma cerveja, e tudo ficou abandonado ao tempo. Não há sequer nada para contrariar este marasmo, toda a gente se resignou ao destino desta cidade, mais vale pegar no carro e ir para outro lado qualquer. A cultura industrial, feita de horários a pensar nas maquinas, mesmo a pedir um grito humano para se rebelar contra a ditadura da ferocidade da vida, nunca se rebelou. Toda a gente aceitou o seu destino, não há gritos humanos feitos de Arte contra o estado das coisas, ninguem tem força para isso, ninguem quer saber. Não há teatro nesta cidade, não há musica, não há literatura, não há pintura... Pelo menos não há uma cultura feita de sangue e suor e lágrimas como esta cidade pede. Há reuniões esporádicas das mesmas pessoas que vão para serem vistas. E com isso tudo vai atrás. Ficaram aqui apenas poucas dezenas de milhares de pessoas que vão aos mesmos sitios, ver as mesmas coisas, sem nunca passarem disso mesmo. E isso pagasse num mundo em constante evolução. O mundo avança, e nós, aqui, sozinhos e abandonados, nós que à menos de uma decada eramos o conselho mais industrial do pais, que já fomos o segundo conselho mais rico do pais (apenas ultrupassados por Cascais e a sua Quinta da Marinha) ficamos a ver os outros abraçarem as novas tecnologias, evoluirem, andarem para a frente, enquanto nós ficamos no mesmo sitio de sempre...
Não quero ser injusto. Há excepções, ainda é aqui que se faz alguma da tecnologia de ponta do país, ainda é aqui que existem algumas das melhores empresas do pais, ainda é aqui que vivem e trabalham pessoas com tudo para transfomarem enfim esta cidade numa das melhores cidades do país, mas ultimamente sou levado a acreditar que essas excepções estão presas a uma verdade triste e quase que irremediavel, os marinhotos (o equivalente tuga dos portugueses na Marinha Grande) estão em clara maioria, e enquanto ficarem presos a uma ideia do mundo algures esquecida durante os anos 80, não há nada a fazer, e esta cidade irá mesmo morrer.
E como ultimamente me dei conta dos marinhotos, e vi que já não mudam, estão mortos e com eles irão arrastar todos os marinhenses, vejo ao que esta cidade irá parar. Uma cidade fantasma, vazia, com tudo para o ter sido, mas sem nada ser... E odeio isso... Odeio esta Marinha Grande que confesso, nunca tinha visto... Ou só agora abri os olhos ou então... Morreu mesmo.
Este texto não deveria estar aqui. Isto deveria ser um texto para o Templo da Música, mas este disco bateu-me tão forte que nem quero falar da música. A música foi apenas uma banda sonora para eu ler, fascinado, letras que para mim, no dia em que recebi o disco pelo correio, nem poesia eram. Eram letras que li quase como uma carta pessoal para mim. Já ouvi milhares de discos, acompanhando-os a ler as letras, muitas vezes fascinado, já me arrepiei a ouvir discos pela primeira vez, já delirei a ouvir musica milhares de vezes, mas nunca como no dia 28 Fevereiro ouvi, li e senti este disco. A nossa vida é um caminho muitas vezes tortuoso, isso não é surpresa para ninguém, mas a vida tem momentos sublimes que lhe dão o sumo e o sentido que por vezes sentimos não possuir dentro de nós. Entre uns e outros há por vezes músicas, filmes, livros ou poemas que conseguem dizer aquilo que nós não temos capacidade de dizer, apesar de sentirmos esses momentos no mais fundo da alma.
Mas este disco foi algo estranho de contactar pela primeira vez.. Alguma vez acordaram num dia qualquer, sentir no ar algo diferente, pensar para vocês mesmo que há algo diferente, que vocês estão diferentes, e antes sequer de o tentar explicar, enquanto apenas o sentem, o querem sentir, alguém vos diz exactamente aquilo que vocês sentem no mais profundo do vosso ser? Tal e qual… As mesmas palavras que sabem que iriam usar, que usariam caso já estivessem para ai virados? Pois foi isso que me aconteceu com este disco. Uma experiência estranha, cheguei a casa, fui ver o correio e tinha lá finalmente o pacote castanho porque já ansiava à uns dias. rasguei o papel, rasguei o plástico-bolha, olhei o CD, digipack, lindo, todo em preto, com letras em dourado, sem fotografias ou desenhos, apenas um cartão negro, com letras douradas gravadas no cartão, simples mas lindíssimo. Enfiei imediatamente o CD para o ouvir, começou a ecoar nos auscultadores o som límpido de um prato, seguido de uma guitarra acústica deambulando no ar, seduzindo os sentidos… Saltei os olhos para a primeira frase da segunda musica e li: “I’m fighting back my fear of life” e pensei imediatamente “Foda-se!”. Li as letras todas, como se cada palavra fosse dirigida a mim, só a mim, como se um dos meus compositores favoritos, tivesse escrito uma carta para mim, como se tivesse recebido pelo correio não uma encomenda perfeitamente normal de um CD, mas sim uma carta pessoal, com as palavras todas certas, como se a minha alma estivesse ali e alguém me disse tudo aquilo que eu sentia, que eu precisava de ouvir, porque ainda não o tinha escrito, ainda não o tinha pensado, apenas o tinha sentido. e tudo o que ali estava escrito não eram letras de um qualquer disco, não, eram palavras com um único destinatário, eu mesmo, mais ninguém, mais ninguém poderia pensar aquilo, não estas frases, não neste dia, não… aquilo era só para mim, era eu que ali estava, era apenas eu que sabia aquelas palavras, era apenas eu que sentia aquilo, era comigo que o Duncan Patterson falava…
Um disco só para mim… Um disco perfeito só para mim…
Esta história começa à mais de uma década atrás...
Sempre fui diferente, confesso. Para o bem e para o mal sempre fui um solitário, nunca fui atrás de modas, nunca fiz o que os outros faziam. Pelo menos não quando elas me queriam convencer. Quando na minha escola o metal se tornou a moda, todos os gajos com quem eu me dava queriam imitar o Fragoso, metaleiro convicto, todos foram atrás, eu resisti a essa moda, imbecil e estupida como eu lhe chamava, mero barulho para psicopatas e gajos com graves problemas emocionais e mentais. Era o que eu achava, e se hoje em dia sou o que sou ("Este gajo na altura que nos conhecemos detestava metal, recusava-se a ouvir. Hoje em dia é pior que eu." Fragoso dixit, à um par de anos, quando me cruzei com ele no Old), consigo compreender as pessoas que continuam a dizer que detestam metal, muito bem até, eu já fui pior que elas, e sei que é tudo uma questão de preconceito.
Mas não é essa a história. A história é mais complexa até. Nos meus 14, 15, 16 anos, naquela idade em que se começam a fumar os primeiros cigarros, porque é fixe, porque faz parte do crescimento, porque todos querem ser adultos e mostrar que já não são crianças, eu recusei-me, até ás ultimas, nem uma passa dei, na unica ves que estive quase a vacilar, acabei por tomar consciencia à ultima da hora da estupides e de estar a fumar apenas pelos outros e acabei por atirar num impulso o cigarro para cima da mesa de snooker. Não ia atras da maioria, eu era teimoso o suficiente para isso. E não fui.
Mas... Um dia, sozinho, em casa, sem nada para fazer, roubei um cigarro ao meu pai ou à minha mãe e experimentei. Não gostei confesso, detestei. Mais tarde voltei a experimentar e até comecei a descobrir-lhe um certo prazer. Um prazer solitário (isto não soa lá muito bem), um momento para mim, adorava o sabor do cigarro depois do jantar, à noite, à janela, a ouvir e sentir o pulsar da cidade, no escuro total, a ver o fumo do cigarro a dançar à minha frente. Durante anos o tabaco era apenas isso, um prazer solitário, localizado no tempo e no espaço. Era apenas isso. Mais tarde comecei a fumar com um amigo às escondidas tambem, no sotão da casa dele, compravamos maços a meias e de vez em quando iamos fumar um cigarro. Durante anos mantive este hábito, estes momentos de solidão ou acompanhado, mas momentos localizados, e esporádicos. era o prazer do fumo, foi a altura em que tive a melhor relação com o tabaco, confesso que muitos maços deitei fora porque o tabaco pura e simplesmente se estragava de tanto tempo que um maço tinha de vida. Comecei a fumar mais quando fui estudar musica, tinha já 18 anos, a partir desse momento nunca mais deitei um maço fora, mas mesmo assim o tabaco ainda era um hábito, não um vicío, fumava nos momentos que tinha anteriormente, e fumava na escola, a falar de musica, no café em frente com um café, pouca coisa, mas foi a partir dai que comecei a fumar mais, por duas razões, porque comecei a fumar socialmente não por imposição mas como uma coisa natural e principalmente, porque foi a altura em que descobri a marca de tabaco que simplesmente adorei, Davidoff. Tinham-me dado um cigarro num festival, procurei tudo em Leiria e na Marinha e finalmente encontrei o tal tabaco que simplesmente adorava. Comecei a fumar socialmente, mas ainda não era um vicio, um maço dava-me para uma semana.
Mais tarde, num dia de que não falarei aqui, o pior dia da minha vida, precisava de uma muleta qualquer. Comprimidos, alccol, droga, não interessa, apenas interessa que há dias em que nós não aguentamos a pressão da puta da vida, precisamos de algo a que nos agarrar, algo artificial, porque se o ser humano aguenta tudo, tambem é verdade que ás vezes uma muleta psicológica dá uma grande ajuda. Agarrei o restinho de tabaco que ainda tinha e fumei-o, não chegou. No fim do dia tinha fumado 3 maços, não fosse o estado de inconsciencia em que estava, o estado de choque em que me encontrava, de certeza que teria sentido um grande mal estar fisico. Mas não senti, deixei essa muleta e por pouco tempo voltei ao ritmo que já tinha. Mas a pressão era enorme, precisava de fugir da minha vida, estava a enlouquecer dia a dia, hora a hora, e o resultado foi ter deixado de estudar, e começar a trabalhar. Fugi de tudo, mudei radicalmente a minha vida. Tinha 21 anos na altura, acabados de fazer. No trabalho comecei a entrar no ritmo, mas o ritmo teve um preço perigoso, quando o stress era muito, eu corria e fazia o que tinha a fazer e quando as coisas acalmavam precisava de 5 minutos para relaxar com um cigarro. Pelo contrário, quando as coisas estavam demasiado calmas e eu não tinha nada para fazer, fumava um cigarro para me ocupar o tempo. O resultado foi viciar-me. Ao fim de umas semanas um maço por semana já não chegava, ao fim de outras semanas um maço dava para três dias, e chegou ao ponto em que comecei a fumar um maço por dia. Era um fumador.
Passados uns anos, num periodo bastante conturbado da minha vida, pura e simplesmente enlouqueci. E de um maço passei para dois, daí para três... Confesso que houve uma altura da minha vida (mais ou menos na altura que criei este blog) em que cheguei a fumar... OK, é loucura mesmo, mas eu cheguei a andar a fumar durante uns meses 6 (SEIS!!!!) maços por dia. Nem o Jim Morrison foi tão estúpido a este ponto. Juntando a essa dose imbecil de tabaco o alcool, a droga, a falta de sono e a má alimentação, escusado será dizer que passado não muito tempo caí de cama, estive duas semanas a delirar com febres estratósféricas, e o médico chegou a dizer-me as palavras mágicas "Continua a fazer a vida que fazes, fuma o que fumas, e daqui a um ano estás morto." Nunca mais fui ao médico.
Reduzi drásticamente os meus consumos, passei a fumar menos (embora fumar três maços não fosse nada do outro mundo em certos dias), deixei de beber tanto, deixei de tomar tantas drogas, enfim... a falar a verdade também nunca fui grande drogado e grande bebedor, por isso por aí não houve uma redução drástica, embora nunca mais tenha apanhado grandes grandes mocas, coisa que até hoje mantenho, quando vou para casa sei por onde vou,´nunca mais apareci em casa sem saber como lá cheguei como algumas vezes me chegou a acontecer.
Nos ultimos anos tenho andado a reduzir ainda mais tudo, tirando algumas excepções, raramente tenho passado do maço por dia, raramente apanho grandes bubas, e a droga... Até isso tenho reduzido ao minimo, no ultimo ano acho que apenas tive tres noites de semi-abuso, sendo duas delas em festas transe e outra uma "noite branca", nada de muito estrilho, e tudo com o máximo de controlo.
Mas confesso. Não foi uma decisão de Ano Novo, foi uma constatação matemática e biologica, certa noite enquanto fumava um cigarro e bebia uma cerveja calmamente. dei-me conta que faz daqui a meses, sete anos que fumo viciado, dei-me conta que tinha na altura 21 anos, dei-me conta que estou a fazer 28... 7 anos. O numero de anos do ciclo biologico do ser humano, as nossas células regeneram-se de 7 em 7 anos, vai ser agora, e se deixar de fumar agora terei sido apenas fumador durante 7 anos. Um numero mágico, mitico... Decidi nessa noite começar a reduzir ainda mais drásticamente, e mentalizei-me que no dia em que fizer anos será o primeiro dia em que vou estar sem fumar em anos...
Decidi...
Confesso. E sei já à partida que daqui a nada vou estar a fumar novamente, não sou tão ingénuo assim, mas à uma semana que não fumo. E finalmente consigo andar bem disposto sem fumar. Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. Depois de um par de semanas no minimo horriveis, hoje, sem tabaco, finalmente acordei e já não senti a falta da puta da nicotina. E daqui para o resto... Se em pouco mais de um mes consegui fazer o que pensei ser impossivel, o que a falar verdade nem sequer queria muito, vou aproveitar e vou meter mais meia duzia de pontos finais na minha vida, de pessoas a hábitos. Há coisas que por muito que gostemos delas só nos fazem mal, como o tabaco por exemplo.
Eu adoro este pais, a sério que sim. Amo Portugal e os Portugueses com sinceridade, amo a nossa História, a nossa Cultura, o nosso jeitinho especial, e até acho piada aos nossos defeitos... Mas a verdade é que somos um pais de imbecis e gente estupida. E a esse defeito não acho piada nenhuma. Nós não temos culpa, já somos assim talvez desde sempre, nunca nos comprometemos com nada, a Democracia não entra na nossa cabeça, tudo o que seja exterior ao nosso umbigo tem menos importância que merda, porque a merda e o cagar tem em Portugal muita importância, pois não há Filosofia de Vida que não se explique com uma boa metáfora com a merda e o cagar. "Eles", ou seja, os que mandam, os ladrões e os chulos que se decidam, e não nos chateiem não é? Se eles arranjaram um bom tacho para que havemos de ser nós, que nada sabemos, a decidir as coisas por eles? E não sei se já adivinharam mas falo do referendo que ai se aproxima. Embora com menos força que no outro já se começam a ouvir as opiniões, mas ao fim e ao cabo já toda a gente sabe qual vai ser o resultado, ninguem vai perder um Domingo para ir votar, e tirando meia duzia de caramelos (que de certeza que têm algum interesse nisso) ninguem lá vai. O Não vai ganhar, porque os do Sim vão achar que são favas contadas e como tal ninguem lá vai. Enfim... Da outra vez foi assim, agora... Agora não é disso que quero falar, desculpem.
Seguindo.
Como dizia, este é um pais de gente estupida e imbecil. Quem fala sobre o aborto e o referendo fala de uma forma tão parva e estupida que eu penso mas que raio se passa na cabeça destas pessoas. Ser pró-aborto ou anti-aborto? Por amor de Deus! Qualquer pessoa normal e com um QI superior a 10 tem que ser anti-aborto, eu sou anti-aborto, toda a gente é anti-aborto, ninguém pode ser a favor de um caso extremo desses, mas essa não é a questão. A questão é, eles existem! Num mundo ideal nenhuma miuda engravidava por acidente, num mundo ideal, as unicas gravidas que existiam tinham condições para criar os filhos, os filhos eram desejados e os progenitores ficavam felizes da vida por mais um rebento. Mas o mundo não é ideal. Há crianças que ficam grávidas, há mulheres que não tem condições para ter filhos, há filhos que não são desejados, há crianças que digam o que disserem os sonhadores sobre a Igualdade e todas essas merdas, há crianças que já têm um destino de miséria e sofrimento marcado. Há crianças que pura e simplesmente vão destruir a vida aos seus pais. É verdade. Não vale a pena mentir e ser idealistas. A questão é só uma: havendo a possibilidade de o problema se resolver com condições haverá necessidade de se resolver sem condições?
Mas claro, na mente retrogada dos defensores do Não, a partir do momento que o Sim ganhar as pobres mulheres portuguesas serão obrigadas a fazer abortos e como disse uma imbecil qualquer que ouvi "daqui a cem anos não há ninguem em Portugal". O papão aproxima-se, um manto negro vai cobrir Portugal e a partir de agora ninguem vai poder dar à luz neste pais, haverá uma clinica em cada esquina, médicos trocarão as batas brancas por outras negras, e os seus movimentos nas sombras serão macabros e secretos. Grávidas irão desaparecer aos milhares, raptadas por estas mentes perversas, serão trancadas em catacumbas onde lhes serão feitos abortos forçados...
Enfim... Eu adoro este pais, mas as vezes fico desiludido. Eu vou votar Sim. Não porque seja a favor, ou ache muito bem, ninguem o acha, mas já que ás vezes é o menor de dois males, por mim as mulheres portuguesas do futuro quando precisarem de fazer um só terão o trauma de o fazer, por mim retiro-lhes o perigo, retiro-lhes a falta de apoio e retiro-lhes o serem tratadas miseravelmente quando tiverem que o fazer. Não podendo ter um mundo ideal, prefiro ter ao menos um mundo digno e em que cada pessoa seja livre de tomar as suas decisões e principalmente, se o resolver fazer, ao menos que tenha condições fisicas para o fazer, já que as emocionais essas são impossiveis de resolver. Porque fazer abortos farão sempre, os traumas ficarão toda a vida, a diferença é se o fazem bem ou mal, com ou sem condições, com ou sem apoio. Só isso, mais nada, e é isso que vamos votar no referendo. Honestamente... Não há muito que pensar.
Foi mesmo agora. E num impulso apetece-me escrever.
Chama-se Emanuel, à uns meses voltou aqui à cidade, esteve preso, começou a pairar por aqui na esperança de se adaptar, de encontrar um rumo. Passado um mês as conversas por momentos comentaram o facto "Fodeu-se todo outra vez", "Andou um mesito ainda bom, não tarda nada volta para lá outra vez". Desapareceu.
Hoje vinha a entrar no café para tomar o pequeno-almoço, passou por mim, perguntou-me se tinha visto a irmã dele, não sei quem é disse-lhe eu, acompanhou-me ao longo da rua, "Como foi o Natal?", quis ele saber, sempre o mesmo disse-lhe eu, nós estamos num limbo, já não somos crianças e ainda não temos crianças, o Natal é apenas uma recordação do Passado e uma preparação do Futuro, agora não tem grande significado. "Pois, quando tivermos filhos é que a magia volta" foi a resposta sincera dele, enquanto o corpo lhe tremia da ressaca, essa cruel verdade no meio da mentira.
Fiquei a pensar. Apetecia-me escrever, um texto bonito, poético, falar umas verdades sobre o Natal, a Familia, a Magia, a Infancia. Ligar isto tudo com o Desespero, a Solidão, a Dor, o ser adulto e estar perdido. A Droga, a Hipocrisia, defender o que defendo à anos da legalização... Apetecia-me fazer a comparação entre este Emanuel e o outro Emanuel, o tal que nasceu á uma porrada de anos e ainda hoje comemoramos o pretenso aniversário dele. São os dois o mesmo Emanuel, é a mesma história de vida, nasceram, morreram, ressuscitaram, morreram novamente... Somos no fundo todos iguais, seja um drogado cadastrado perdido na cidade a ressacar, seja o Filho de Deus que num gesto de Amor pela Humanidade morreu por todos nós. Tanta mentira neste mundo, e no fundo tanta verdade nestes dois homens que como o nome indica "emanam Deus".
Apetecia-me escrever... A sério que sim. Daria um belo texto, podia aqui tirar o sumo da Humanidade. Mas não me apetece. Não quando acabei de ver um gajo até bastante fixe a ressacar ao frio, desesperado e perdido à procura da irmã. Todo fodido, ainda com lembranças de quando era criança e o natal era mágico, ainda com aquela centelha de magia nos sonhos, mas com tremuras e com desejos de enfiar a merda da agulha na veia, e fugir por momentos desta merda deste mundo frio, inóspito, desesperado, cruel e trucidante... E aqui está todo o sumo da Humanidade, sem palavras, apenas a emanação de Deus, Nós.
Existe algo de fascinante na solidão. O silêncio seduz mais que a mais bela melodia, a mais envolvente harmonia, o mais demolidor ritmo. Qualquer paisagem ganha outra cor ao envolver-se em negro… Há quem não entenda isto, quem tenha uma necessidade desesperada por companhia, por confusão e barulho, quem precise de haver alguém mais para dar sentido à sua existência. Desconfio sempre de quem não consegue estar sozinho, mas também admito que a minha necessidade dos meus momentos a sós pode por vezes parecer doentia. A chave é o equilíbrio, em tudo na vida, este é um dos pontos em que ainda procuro o meu. Isto para falar do meu novo prazer, já antigo aliás, mas renovado.
Entrar num bar vazio, sentar-me ao balcão e com um cinzeiro, o tabaco á minha frente e o copo do meu whisky favorito, ficar assim, perdido no tempo e na penumbra do escuro e do fumo. Ouvir o som das colunas, procurar identificar o som, ou simplesmente nem ouvir a musica, deixar que se dilua entre as vibrações da chuva na rua. Acender um cigarro, com prazer, sem culpas, apenas o prazer de fumar em silêncio, o fumo é preciso num bar e numa noite assim, e o tabaco é só um prazer. Saborear o liquido, pequenos goles, perdidos no tempo, uma companhia silenciosa e quente, sentir primeiro o seu odor hipnótico, depois fechar os olhos e sentir aquele primeiro sabor ácido na boca, antes de sentir o liquido quente, queimar a garganta suavemente, desperta os sentidos, envolve os sentidos…
Estes momentos para mim são especiais confesso, e infelizmente a minha ideia de momentos perfeitos é demasiado especifica, apesar de muitas vezes me desligar do exterior, o exterior tem que ser do meu agrado, tem que me embalar, e infelizmente um bar vazio e com a decoração perfeita só para mim é algo incomportável seja para quem for, a excepção é eu ter o meu cantinho, o meu som, o meu tabaco e o meu whisky… e tenho, mas não é a mesma coisa. Existe um bar perto de minha casa que está amaldiçoado, já abriu e fechou e reabriu e fechou inúmeras vezes, já teve mais gerências e donos com ideias que provavelmente qualquer outro espaço da cidade, mas por uma razão qualquer, escondida de nós comuns mortais, nunca ninguém conseguiu fazer aquilo rentável. Será por ser tal e qual o que eu quero de um bar? Não sei… Sei que até fechar novamente quero fumar lá uns cigarros descansado, beber uns copos e gozar o silêncio recortado pela musica e pela chuva… Em perfeita comunhão comigo mesmo… Em Relax.
Numa noite como outra qualquer, no Verão de 2003, fui até ao Snoobar. Ao chegar a casa escrevi um pequeno texto, como muitos que escrevia naquela altura e coloquei no blog, uma coisa nova que nem sabia o que era, que era lido por ninguém, e que me ia entretendo. Á medida que o tempo passou, descobri o que era essa coisa da blogosfera e descobri que afinal o blog era lido, e essa entrada particular tornou-se não sei como ainda, a página mais lida na net sobre o Snoobar (ou pelo menos é a primeira página que aparece no Google) por gente que eu nem conheço, talvez as mesmas pessoas que vejo lá e não conheço de lado nenhum. A quantidade de comentários que a entrada já teve levou a que esta se torna-se como que um fórum sobre o Snoobar, os adeptos, os que passaram lá umas férias, os de antigamente. Naquela altura específica o blog era usado de um modo bastante mais pessoal, sentimental até, expiação de fragilidades que tinha na altura. Passados estes anos todos (e já lá vão 3 (três!!) anos), derivado também do facto de a certo momento os comentários terem sido cortados, houve uma diminuição drástica nos comentários, mas a entrada continua lá, e de tempos a tempos até eu a leio com um misto de nostalgia e mágoa. Por cima daquelas centenas de comentários sobre o Snoobar, um texto dorido, de raiva até, meu. Uma visão pessoal e emocional de uma noite passada no Snoobar.
Ora bem… de lá para cá muita coisa mudou, inclusive o próprio Snoobar. E é sobre isso que quero falar.
Naquela altura especifica o Snoobar mais não era que uma pálida imagem de uma discoteca mítica cá da zona. A certa altura, talvez derivado de uma certa saturação, a discoteca fechou, foi remodelada, e foi reaberta com o intuito de voltar a ser o único ponto de passagem da noite de Sábado, naquelas noites em que nem se conseguia lá estar dentro, em que a Hot Rio metia para cima de 3 mil pessoas, em que estacionar em São Pedro era um exercício próximo da impossibilidade. Mas… o resultado foi o inverso. A mudança era tão grande, tão chocante, da decoração á musica, que o Snoobar pura e simplesmente ficou entregue às moscas. Ninguém queria pactuar com aquele autentico crime à vida nocturna da zona. No Verão compôs-se um pouco, foi quando escrevi a entrada numa noite que lá fui… Passados 3 anos, passadas mais algumas remodelações (nem sei quantas nem quais ao certo) voltei nos últimos tempos a sentir algo do antigamente no Snoobar, e tem sido novamente passagem obrigatória das noites de Sábado em que quero ir a uma discoteca. Primeiro devo confessar, redescobri o prazer de sair de lá de manhã, coberto pela luz matinal, coberto algumas vezes pela névoa etílica e recheado de vontade de ir até ao Old Beach comer um bitoque para retemperar forças. No novo Snoobar voltei a sentir o prazer de estar, de observar, de me sentar no meu cantinho a fumar um cigarro, de esperar ao balcão por mais uma bebida, de encontrar pessoas, de falar, de trocar olhares, e até, coisa inédita (ou quase) em mim, ás vezes até de dançar! O som não é o que mais gosto (longe disso), sou um adepto à já 27 anos de sons depressivos e intensos, primeiramente com algum pop que ouvia influenciado pelos gostos da minha família, depois á medida que cresci fui descobrindo coisas bastante antigas, que tinham influenciado as coisas que os meus pais ouviam e que aprendi a gostar (do blues á folk), mais tarde descobri o punk genuíno, passando para o grunge e acabando no metal (principalmente doom). Mas nunca parei de procurar som novo, e um dos sons que aprendi a tolerar em certas ocasiões foi o trance, e a sua versão mais moderada do deep house. E é isso que ouço e gosto de ouvir no Snoobar. A decoração não é nada do outro mundo, não interessa. A música não é a musica que geralmente ouço em casa, não interessa. As bebidas são caras, não interessa. Redescobri o Snoobar. Quando me quero sentir como um miúdo vou lá, os miúdos que lá vão, postos em sentido pelas médias de idade mais decentes comportam-se, divertem-se, bebem, dançam, não me chateiam, nem me fazem olhar como se fossem um bando de selvagens ansiosos por afirmação. Há respeito, civismo, e sorrisos sinceros nas faces. Há excessos, há risos, há grupos, engates, cigarros que se pedem, lume que se partilha. Há acima de tudo o prazer de ir ao Snoobar, contrastando com a necessidade de ir engatar umas “damas” que sentia a certa altura no ar. Os cromos em busca de “damas” foram para terrenos mais propícios, as pitas vazias e quentes foram criar terrenos mais propícios noutras paragens. Ficou o Snoobar. A discoteca onde se vai, não para ir à discoteca, mas para ir ao Snoobar. Talvez ainda não esteja lá, mas acredito que não tarda muito tempo começarei a ouvir novamente que é a melhor discoteca do país (ou da Europa como cheguei a ouvir).
Os tempos são outros. Por muito que me custe o grunge já não é sinonimo de modernidade, de revolta, já não simboliza a confusão da juventude. Já não serve para terminar uma noite de descoberta e partilha. Já é nostalgia. E os nostálgicos encontraram outros locais, mais recatados para levar as famílias, mais propícios a saborear bebidas para carteiras de quem já tem a vida razoavelmente organizada, com horários consentâneos com vidas que já não aguentam as noitadas dos “bons velhos tempos”, porque até têm os filhos em casa… O mundo avança, cada geração agarra-se a uma ideia de diversão e descoberta sem se lembrar que essa descoberta é primeiramente intrínseca e pessoal, não há nada por descobrir, nem verdades ocultas que por artes magicas nascem do nada, muito menos profetas malditos, heróis que subitamente dizem ao mundo aquilo que nós queremos dizer. O que há são mentes inocentes, sedentas de saber e conhecimento, ávidas da descoberta, que há medida que os dias se acumulam, ou se gastam em direcção ao fim, começam a apreender a realidade, e a descoberta não é uma revelação, antes um encontro imediato no tempo que nos cruza. Com a sucessão dos dias, com o desgaste dos minutos algo se perde… A inocência, o prazer da descoberta, o êxtase da revelação. O raio de luz que rasga as nuvens é mais forte que o Sol que brilha no céu sem nuvens. E nesse ponto olha-se para trás, porque já há um Passado, e coberto pelo manto dourado da memória, tudo o que foi brilha mais intensamente que aquilo que é.
Mas algo se ganha… Ganha-se a possibilidade de já saber, ganha-se os dias somados, e principalmente, ganha-se o voltar atrás. O poder de voltar atrás. A vantagem de já não ter 16 anos é poder voltar a ter 16 anos… Quando se quiser, como se quiser… Com mais 10 anos de experiência em cima (ou 11 no meu caso…), e mesmo assim voltar a ter 16 anos, não descobrir profetas, não ficar fascinado com heróis, mas ver e sentir algo no ar como quando descobrimos os nossos profetas e os nossos heróis. Beber um copo, beber alguns copos, beber bastantes copos… olhar e sorrir, ter aquele sabor da descoberta, a noção que por vezes descobrimos aquilo que já pensávamos conhecer, ser livre e leve e inocente, por uma noite, por uma noite que vale uma vida passada, e ir dormir, e acordar 11 anos depois… Descobri a vantagem de já não ser jovem. É poder voltar a ser jovem, é sentir-me jovem e dar agora, 11 anos depois, o valor de ter 16 anos. Sentir a doçura de ter 16 anos, doçura que como toda a gente sabe, nos é desconhecida aos 16 anos. Pois é… A vida é um constante perder de oportunidades, um constante perder de tempo, uma constante confusão, e é preciso perder algo para se lhe dar valor, chegar aos 27 para dar valor aos 16, chegar aos 35 para dar valor aos 27, chegar aos 50 para dar valor aos 36… Morrer para sentir que vivemos, olhar para trás, sorrir, voltar atrás, e seguir em frente… E todos os anos perdidos, são momentos ganhos, uma aventura sem fim á vista, apesar dele estar cada vez mais próximo.
A maior mentira que nos contam é o mito do Presente, o tão proclamado Carpe Diem, como se apenas o agora fosse importante, porque o que está para trás para trás ficou. Permitam-me discordar. O agora é o agora, um segundo, que passa e rapidamente deixa de ser presente. Porque o passado é uma onda que está constantemente a engolir o presente. O agora, o presente, o momento, é a construção do Futuro, é a criação num jorro, através de um passe de mágica, num drible entre Nós, o Destino e o Mundo, de memórias e de um Passado muitas vezes recordado. E recordar é viver novamente, e é sempre possível voltar atrás, não no nosso caminho, mas reviver, a idade que desejarmos, e reviver é viver novamente, com uma vantagem: já nada é estranho, e tudo é saboreado. Como quisermos, onde quisermos, quando quisermos…
Hoje fizeram-me lembrar do Rallie Rota do Sol, e fez-me recordar as noites que passava ao frio para ver passar um carro de dois em dois minutos, as tardes em que faltava a escola para ir ver o primeiro dia do Rota do Sol, e lembrei-me tambem que eu sou fruto do Rallie, como costumo dizer. Afinal os meus pais conheceram-se num rallie, provávelmente fui "feito" num acampamento de um rallie, e a primeira coisa que os meus olhos viram, sem sequer ver, e os meus ouvidos ouviram, sem sequer ouvir, foi os carros de um rallie, pois foi esse o primeiro sitio para onde a minha mãe foi depois de sair do hospital quando eu nasci. Os rallies são parte integrante da minha pessoa, apesar de já não ver um carro passar por mim à uns bons anos, e a ultima vez a que assisti a um foi à já dois anos, na especial nas ruas da Marinha Grande que durante dois anos fizeram no primeiro dia do Rota do Sol. Depois acabaram com isso porque era um estorvo demasiado grande para ter no meio da cidade já de si demasiado pequena. Mas... Isso não é rallie, isso só serve para os amantes do desporto automóvel, coisa que eu decididamente não sou. Eu sou amante dos rallies, de estar no meio do pinhal, no meio de uma serra, longe de tudo, ouvindo os gritos das pessoas que estão lá apenas para ver um carro passar no limite de dois em dois minutos, para estar a ouvir o silêncio recortado pelo som da multidão na espera daquelas três segundos, para ouvir o roncar dos motores ao longe, queimando gasolina, metendo velocidades na urgencia do limite, na espectativa que ele vai passar, provavelmente fazer um peão na curva para a multidão gritar, ouvir o som cada vez mais próximo, a urgência do limite, a promessa, as cores do carro, o pó no ar, as pedras que saltam, o som, a música daquele som, daquele ronco, e pensar "É agora, é agora", mas esse agora demora, mas sabemos que ele ai vem, os ultimos aventureiros que atravessam a estrada a correr, ele não pode parar, ele está no limite, ele está próximo, ouvimos o som cada vez mais omnipresente, cada vez mais próximo, os primeiros gritos "Vem lá um.. Vem ai." E ele passa. Três segundos, passou. O som mais longe, ficaram os gritos, o pó no ar, o cheiro da borracha, do metal, a gasolina queimada, o som das pedras a repousarem em torno da estrada, a memória das cores, o som do motor, majestoso a rasgar o silêncio, e o silêncio que parece mais ensurdecedor. E a espera... A longa espera de dois minutos pelo carro seguinte, pela espectativa seguinte... A longa espera paciente pela urgência do limite...
Menina da Lousada, que nunca viu um rallie, que vive tão perto e tão longe deste mundo, nem te conto o que é isto tudo à noite... Quando tudo isto é recortado pelos flashs das máquinas fotográficas, quando aquela luz intensa ilumina de magia durante instantes de segundos as máquinas que passam a voar apenas para depois devolver tudo à escuridão. Já nem sei se ainda fazem a especial da Ponte Nova (que é velha), mas se um dia tu vires esse espectáculo durante a noite, aposto a minha vida que nunca mais dizes que este espectáculo não te interessa. Não consigo convencer-te que é montes de fixe, por isso tentei escrever como é LINDO :P
Numa tarde cinzenta, com pequenos fiapos de Sol que teimavam em espreitar por entre uma brecha nas nuvens, percorria as pequenas ruas da minha aldeia, acompanhado pelos meus dois vizinhos, cuja troca de meras palavras no café que aqui abriu fez com que de repente eu começasse a pertencer a pequena aldeia onde sempre vivi. São de outra geração, um uns meros cinco anos mais velho que eu, coisa pouca hoje em dia, grande diferença enquanto crescíamos. Sempre o conheci, ele também a mim, mas enquanto eu nascia ele já brincava nestas ruas, quando eu comecei a brincar nestas ruas, ele já se aventurava noutras, mesmo na escola sempre andamos em escolas diferentes, por isso os nossos caminhos só se cruzavam esporadicamente e não trocávamos mais palavras que não um ténue “Olá vizinho, tudo bem?”. O outro é um pouco mais velho, enquanto eu nascia ele já namorava, quando fui para a escola já ele tinha entrado no furacão que tudo consome e nada resta senão uma ténue esperança de um dia a agulha deixar de penetrar nas veias, roubando toda a decência das vidas que se esgotam numa dormência hipnótica tão mais agradável que a dor da ressaca, que o grito desesperado do cérebro e do corpo por mais uma dose. Nunca os nossos caminhos se cruzaram, e todos nós pertencíamos à mesma aldeia. Começámos a sentarmo-nos na mesa inerte do café, trocar palavras, ensinamentos, gargalhadas e pequenos insultos de sorriso rasgado nos fins de tarde em que as nossas vidas repousam por momentos, tragando cerveja e cigarros. Depois partimos à descoberta de outros recantos e de outras mesas para bebermos mais cerveja e fumar mais cigarros. Os outros recantos servem apenas de desculpa para sairmos e mexermos as pernas, ver gente, e por vezes parar num recanto mais esquecido de uma qualquer esquina para enrolar uma ganza e partilhar um belo de um charro. À amizade dizem sempre eles. Eu concordo. São os tijolos e o cimento de um edifício bastante belo cujo arquitecto é o próprio destino.
Um deles é a classe operária, como ele orgulhosamente se intitula, come, dorme, trabalha, e anseia pelos momentos de liberdade vazia que uma cerveja e um cigarro proporcionam nas mesas dos cafés. O outro é o político, gosta de ler o jornal, gosta de refilar contra os políticos, está sempre informado sobre os projectos e as disputas entre quem manda e quem quer mandar. Eu sou, como eles dizem, mais poesia e música. Não me interessa isso e prefiro olhar as pessoas, ouvir e quando falo é para tirar importância a coisas que acho terem mais importância que aquilo que merecem.
Neste dia dirigíamo-nos para o bar onde costumamos ir. Um sítio por demais agradável, embora a classe operária o ache muito jet, e prefira o bar ao lado com putos ganzados, mas malta altamente como ele diz. Sem fatinhos e nariz empinado, embora só ele veja nariz empinado, eu sinto-me bem e não tenho nada contra um pouco de classe, mesmo que seja uma classe estandardizada, baseada nas correntes minimalistas dos anos 90 com resquícios do free-jazz transmutado em drum and bass. Gosto, e se não insistir em levar as camisolas que me proíbem a entrada em ambientes mais chungas mas que aspiram a ter este estilo passo completamente despercebido. Se as levar ninguém diz nada, porque a verdadeira classe sabe aceitar as diferenças. Quando íamos a subir as escadas o politico cumprimenta um camarada que vinha a passar, convida-o a entrar e beber um copo, ele aceita. Eu fiquei a ouvir, falavam da luta, da causa, o camarada esteve trinta anos emigrado na Alemanha, vai voltar no fim do mês, reformou-se, quer vir para o seu pais lutar pela causa, como o fez na Alemanha, vem cheio de força, cheio de vontade, contou historias da sua luta pelo proletariado contra o patronato como delegado sindical, quis provar-me o valor dos sindicatos, a importância deles, não disse nada porque já estava queimado, porque antes dele começar a falar com paixão já eu tinha dito que os sindicatos eram um bando de chulos, não quis esmorecer a paixão do camarada, gosto de ver tal paixão ainda tão inocente, ainda tão de olhos fechados perante um mundo que já acabou mas ele ainda acredita que existe na terra que o viu nascer. Mais tarde ele abrirá os olhos, não serei eu a abri-los hoje. As histórias eram fascinantes, até estranhas, perguntei quando tinham sido. 1978, 1979, não tinha a certeza, podia dizer que esse mundo tinha acabado, não o fiz. Gostei de ver a paixão, o amor por uma causa morta e enterrada, mas que ele acredita que apenas está moribunda e pode ajudar a revitaliza-la.
Fomos jantar, despedimo-nos, trocamos apertos de mão sinceros, a luta ficou adiada porque o jantar estava em cima da mesa e a fome apertava.
A História da Humanidade é feita em ciclos, tudo continua sempre na mesma, apenas os nomes mudam. Existem sempre duas forças antagónicas, que lutam pelas mesmas coisas mas em lados opostos. Eu tinha visto um vislumbre de uma luta que tinha atravessado todo o século XX, e pensei para mim quais as guerras que tínhamos nos dias de hoje, visto que esta estava morta e enterrada. O Homem não vive sem Guerra. E se para combater o Comunismo inventaram o Fascismo primeiro, aligeiraram-no depois para criar a Guerra Fria, que mais não foi que um muro (literalmente) que separou dois blocos numa longa espera por um deles sucumbir perante o seu próprio cadáver, agora os muros ruíram, por isso tinha que haver duas forças prestes a gladiarem-se até ao ultimo suspiro, até a ultima morte, até ao ultimo cadáver.
Muçulmanos. Acredito que a própria palavra tenha feito toda a gente arrepiar-se, quando falei de Comunismo acredito que apenas um ligeiro sorriso de escárnio vos passou pelos lábios, talvez nem isso, talvez só mesmo pela mente. É por isso que esta Guerra é muito mais perigosa, porque as fronteiras estão muito mais delineadas, é uma Guerra feita de Nós contra Eles e não de Nós somos melhores que Eles, porque nós lhes chamamos terroristas, porque eles nos matam com as suas bombas. Porque eles nos chamam terroristas, porque nós os matamos com os nossos tanques. Porque nós queremos protegermo-nos dos seus ataques, porque eles se querem proteger dos nossos ataques. Porque eles nos atacam em nome de Alá, porque o Bush diz que ganha com a ajuda de Deus. Porque eles criam células terroristas contra os infiéis, porque nós pegamos na Bíblia poeirenta para pedirmos a ajuda de Deus para nos salvar. E atacamos.
Bem sei que há quem não concorde com a invasão do Iraque, porque tem medo das consequências, porque “eles que façam as suas revoluções, nós não temos que nos meter”. Mas ninguém se lembra que enquanto houver esta distinção entre Nós e Eles a Guerra está em aberto. Ninguém se lembra que Eles são como Nós, classe operária, que apenas quer trabalhar e viver a sua Vida descansada. Talvez não acabar a tarde num café com cerveja e cigarros, mas acabar a tarde com outra coisa qualquer equivalente. Ninguém se lembra que quando um jornalista vai entrevistar a mãe de um bombista suicida ela diz que tem orgulho no filho, porque ele deu a vida em nome de Alá, ele protegeu a sua terra e cobriu de honra a sua família, mas quando o gravador se desliga, ela chora e diz que apenas queria que o seu filho estivesse a seu lado. Ninguém se lembra que quando um americano vai para o Iraque a sua família tem orgulho nele, porque vai defender a Liberdade, vai defender o seu país, vai combater os terroristas, mas quando recebe o seu corpo mutilado dentro de uma caixa hermeticamente fechada chora e diz que não nos devíamos de meter com Eles. Quanta diferença existe entre duas mães que choram por filhos mortos contra Eles? Algum politico alguma vez tirou os olhos dos gráficos do preço do petróleo e viu a composição química das lágrimas das mães Deles e das mães dos Nossos? Porque raio insistimos em diferenciar os Nós e os Eles? Porque raio ninguém percebe que enquanto houver Nós e Eles continuarão a haver mortes, e essas mortes continuarão a alimentar o ódio contra Eles? Sejam eles Nós ou Eles. Porque raio ninguém mete na cabeça que Eles são como Nós? A diferença já está impregnada no nosso inconsciente, até no nosso consciente, por isso o ódio não terá barreiras. Vamos continuar a matar e a morrer, e lembro-me de a umas semanas ter lido algures que existem células terroristas a tentar construir bombas atómicas. Alguém duvida que as farão? Alguém duvida que as nossas bombas atómicas não serão usadas em retaliação? Desculpem… Nessa altura o seu uso será justificado como “cortar o mal pela raiz”, protegermo-nos de vez desse perigo, porque Nós não poderemos continuar a morrer nas mãos Deles. Os mesmos argumentos que Eles usam para nos matar. O mesmo Vazio sempre nas palavras de quem não suja as mãos de sangue. Nós, a população anónima só quer é um copo num café ao fim da tarde depois de um dia de trabalho. Tirem os olhos das notícias de atentados, de ataques, de preços de petróleo, de discursos inflamados de políticos e líderes religiosos. Leiam, ou vejam na televisão, as reportagens sobre as pessoas inocentes que só querem é trabalhar, comer, beber um copo. São como todos nós. Não existe nenhuma diferença entre o Nós e o Eles. Apenas existe gentinha reles que tem nas mãos mais poder que aquele que tem capacidade para lidar. Gentinha que não percebe que o Ódio apenas produz mais ódio, e o ódio produz a Morte. E todos nós entramos nesse ciclo, todos nós entrámos numa espiral de violência, de morte, de ódio pelo simples desejo de bebermos uma cerveja descansadamente ao fim da tarde sem que um ataque suicida ou um tanque nos entre pela porta.
E este Medo, este Terror, apenas é aproveitado pela gentinha do poder para nos conduzir à autodestruição. Porque Eles nos querem matar, não é verdade? Nós temos o direito de nos proteger, não é verdade? É o mesmo discurso de sempre, Eles e Nós dizem o mesmo.
Eu gostei de beber uma cerveja com o camarada. Gostava de beber uma cerveja com um Muçulmano, calmamente, num fim de tarde, a ver os raios de Sol espreitarem por entre as nuvens cinzentas… Só Nós e a cerveja. E nem me importava que ele bebesse um chá de menta em vez de uma cerveja.
Esta semana estava a correr muito bem, demasiado bem...
Menos de uma semana depois de ter apertado a mão aos principais membros da minha banda actual favorita, eis que me cai a noticia que eu nunca esperaria ouvir: Dimebag Darrel morreu!
Foi com uma tremenda tristeza que eu soube a dois anos atrás que a minha banda favorita terminou. Hoje fui coberto por um manto negro espesso ao saber que o guitarrista dessa minha banda favorita foi assassinado por um fã tresloucado. Não queria dizer palavras lamechas pela perda de alguem que nunca tive o prazer de ver e de apertar um bacalhau, mas esta morte bateu-me demasiado fundo, incompreensivelmente fundo. Não queria dizer que se perdeu um vulto enorme da música mundial, acho que isso é por demais evidente, não queria dizer que se perdeu o melhor guitarrista do mundo dos nossos dias, acho que isso tambem é por demais evidente. Não queria dizer mesmo nada, mas não consegui resistir a vir aqui ao blog dizer o quanto esta perda me dói. Já ouvi pela televisão ou por alguem me dizer no calor das notícias muitas mortes de ídolos meus, do Kurt ao Senna, mas nunca nenhuma me doeu tão fundo como esta. Porquê? Porque se o Kurt era uma questão de tempo e foi uma escolha sua, porque se o Senna morreu na frente a fazer o que mais gostava e como queria morrer, o Dimebag não. Foi assassinado e tinha ainda muito para dar ao mundo e à música. Era uma gajo cool cuja unica perdição era a música e os copos entre amigos, era um gajo que sabia dar valor à vida, e tirava-lhe todo o sumo possivel. Foi com muita estupefacção e horror que hoje soube esta noticia.
"Darrell Abbott is the son of country-western songwriter Jerry Abbott. Born in Dallas, Texas, Dime grew up with a lot of country influences in his life. He was always exposed to music and musical instruments, and he began playing the guitar at a very young age. He took lessons from country legends, and picked it up easily. He was considered a virtuoso at an early age, and by the time he was sixteen years old, he had already won all of the local talent competitions and band contests, and was no longer allowed to enter. Dime spent many years playing clubs and bars around Dallas before getting any national recognition, but nowadays he's known as a guitar hero. Fast and furious, Darrell has come into his own, and he has many more albums in him that will come out in the future."
Infelizmente o futuro acabou cedo demais... Fica ao menos o génio dele e digo aqui com muito orgulho que esta noite vou passar a noite toda a ouvir o seu solo na música 10's, na minha opinião o melhor solo de todos os tempos...
RIP Dimebag...
Perdi-me novamente aqui pelo blog, e constato que esta porcaria anda a ser invadida pelos merdosos do SPAM. Perdi nem sei quanto tempo a apagar montes de comentários mas mesmo assim ainda há ai centenas deles... Como sempre a vida corre languida, entre uns cigarros fumados na solidão dos meus pensamentos, entre um riso ou dois trocados entre liquidos que se bebem num qualquer café ou bar onde me sento a conversar uns minutos, ou umas horas...
Já estamos no Inverno, e as promessas de noites passadas a lareira ouvindo o mar a rugir dão-me alguma tranquilidade. Sim... Por vezes é preciso bater no fundo, para olharmos para cima, para vermos o desenho que a luz faz refletida pelas aguas que julgavamos turvas e escuras. A escuridão? Essa sempre me acompanhará, faz parte de mim, mas de qualquer dos modos deixar-me-ei invadir pelas chamas crepitantes que me aquecem nestas noites longas, frias e escuras... A felicidade mais não é que uma ilusão partilhada em momentos estéreis. Aceito isso com a convicção de um condenado.
Até lá me aguardem... Confesso que começo a ter saudades da net, por isso é bem provavél que até ao fim do mês volte a mete-la para poder perder aqui algum tempo. Mas a minha recente inspiração literária não me tem deixado tempo para pensar em música, com excepção feita a música já conhecida, por isso não tenho sentido a necessidade de ouvir coisas novas... criar, escrever, conhecer... Tem sido essa a minha vida, e sinceramente tenho gostado dela, mas acho que vou dar um descanso a mim mesmo, abandonar o livro em que me tenho perdido durante umas semanas, meses ou mesmo um ano ou dois, voltar ao ritmo que tive nos ultimos quatro anos: uma linha de seis em seis meses lol sinto que este ritmo de uma ou duas páginas por dia está a acabar, por isso tenho que me virar para outras coisas. E a música sempre foi a minha ilha secreta onde me perco. Até lá... Take care :)
Pois é... Enquanto espero neste café quase vazio (a excepção são duas estrangeioras bem boas que aqui estão) resolvi vir a net e escrever a porcaria de uma entrada... Sobre o que? Sobre nada que é o que tenho vindo a escrever a mais de um ano. Palavras aleatórias, escritas num teclado estranho a velocidade do meu pensamento, sem nenhuma matris de racionalidade, sem a mais pequena réstea de fundamento lógico. é apenas o vazio que me sustem, é apenas o olhar para o relógio e a triste constatação de que o cabrão do Paulo demora e demora... Olho o telemóvel e continuo a ver a triste imagem da Morte, um pequeno aglomerado de pixels a preto e branco com uma caveira coberta de um trage negro erguendo ameaçadora uma foice. Nem a mais pequena ténue de palavras lógicas como "uma mensagem recebida" ou "uma chamada não etendida", ninguem me liga nenhuma e eu não ligo a quase ninguem. Perco-me neste limbo, e deixo-me arrastar enquanto espero quer seja pelos amigos, pelas amigas, pelas amantes, por alguem...
è esta a razão porque chego sempre atrasado ficam já sabendo... detesto esperar e já cá estou a quase 30 longos, arduos, eternos minutos... Foda-se... Tás fodido comigo Paulo. Digo eu claro, mas quando ele chegar começaremos a falar do que se passou nas nossas vidas na ultima semana, as mulheres que conheci, os atrofios dele com a mulher dele, as mulheres que mandei dar uma volta, as despesas que ele tem com a casa, o tempo em que eramos njovos e sem responsabilidades, em que faltavamos a escola porque simplesmente nao tinhamos paciencia e iamos para o centro da Marinha, para o jardim, para a loja de música ouvir Cd's...
A nostalgia é a prova de que estamos velhos. é o primeiro passo para a constatação de que vamos morrer e tudo o que vivemos esta enterrado e nada nem ninguem pode voltar atras no Tempo. O caminho é sempre para a frente... sem destino, sem norte, sem nada...
Mais uma vez o meu PC foi-se... Aproveito e meto-lhe uma caixa nova (simplesmente divinal) e posso dizer que vou ficar cm uma máquina mais moderna, visto que finalmente vou tambem colocar-lhe o gravador de DVD que andava a muito a prometer-me a mim mesmo. Mas nada disso interessa... Nada interessa mesmo.
Ontem tive novamente um daqueles dias, desta vez não reagi muito mal, apenas um pequeno momento de desespero, que deu lugar a recuperar novamente a força que a muito tempo andava alheada de mim. Aguentei a pancada, sem emoção, sem lágrimas, sem raiva, sem nada para além de.... aguentar. Fui trabalhar normalmente, e apenas o silêncio me acompanhou o tempo todo. Por volta das 11 da noite tive um ultimo momento de fraqueza, e como não tinha dinheiro enviei kolmis numa ultima esperança desesperada de chorar, mas a resposta foi a esperada, eu já sabia qual a resposta, afinal é obvio que ela não sabia do que se passava, partiu do principio que era apenas mais um sintoma do meu famoso sindrome pré-menstrual, pancadas aleatórias sem sentido, sem razão...
Acabaram-se os kolmis e fiquei novamente no silêncio, e não desesperei, não... Voltei atrás no Tempo, e transformei-me naquilo que sempre fui: seco, sem emoção, sem nada além de um vazio emocional. Quando regressei a casa, deitei-me sem mais nada que não uma vontade de dormir, mas não adormeci logo, recordei, pensei, relembrei momentos do passado, recordei os tempos de escola, recordei coisas que já nem me lembrava que se tinham passado comigo tão enterradas estavam no meu passado, não era eu, era como que uma personagem de um filme que imaginei, e sorri com a perspectiva de me ter tornado novamente naquilo que sempre fui: um Vampiro. Uma alma imortal, sem emoção, com um desejo de Amor, e uma sede de sangue pacata. Um vulto, uma memória, um buraco negro... Sem nada, sem ninguem... Uma alma depressiva sem uma lágrima derramada, as palavras que ribombavam na minha cabeça: "Tens que ser forte, tens que aguentar" Sim... Vou ser forte, sim... vou aguentar. Não... Não tenho emoções dentro de mim. Não... Não vou chorar mais. Cresci e tornei-me forte. Sem raivas, sem lágrimas, sem desespero, sem nada... Apenas o vazio. Sempre o vazio...
São sete da manhã, regresso a casa e entrego-me de novo a minha solidão. Repenso no passado, repenso nos meus erros, repenso na minha miserável mania de ser explosivo, de ser cruel, de magoar as pessoas de quem gostava. Só eu sei o quanto essas atitudes me doeram, só eu sei o quanto me martirizo por elas, só eu sei... Por muito que me achem um merdas, por muito que me ache um merdas, por muito que me culpabilize por ter feito tudo o que fiz, por muito que compreenda até que me abandonem e me larguem como um cão sarnento que mais nenhuma utilidade tem na vida senão lembrar a minha doentia presença, duma coisa eu tenho a certeza: Eu merecia mais, merecia muito mais! Se não mo deram, se não compreendem que isso me magoou, que me magoa, se o meu sofrimento é ignorado e menosprezado, se nada valho para além de um nada... Não deixo de ter merecido muito mais do que aquilo que tive, talvez agora não o mereça, o perdão e a consciência infelizmente não está ao alcance de toda a gente. E essa é a mais é a maior das verdades! Nada dar sem nada receber. Quando é que aprendo essa lição? Quando se dá sem nada pedir, quando depois o pedimos por desespero ou por necessidade, não podemos esperar mais que uma fria indiferença. E exigem-nos compreensão, como se não fosse um ser humano que sofre e tem sentimentos...
Tudo na mesma...
Sem dormir...
Apetece-me gritar e nem isso consigo, apetece-me chorar e só consigo escrever...
São 6:30 da manha quando começo a escrever este post. Como sempre não consigo dormir, sinto-me novamente alvo de uma maldição da Humanidade, sinto-me o centro de um mundo que desaba insistentemente ante meus pés. (uma pausa para fazer um cigarro) sinto-me mal. Sinto-me um nojo, não sei se hei-de gostar de mim ou se me hei-de suicidar, se hei-de fugir, se hei-de apodrecer aqui. Sei que não estou bem, que o Mundo continua a excluir-me e eu só me apetece gritar contra tudo, contra todos, contra mim… (o cinzeiro está tão cheio, e não me apetece limpa-lo) ninguém me ama, ninguém sente nada por mim que não mais que asco, não mais que enfartamento. Peço ajuda e o meu grito morre surdo numa parede fria, peço carinho e repulso o pouco que me dão. Não me quero chorar, mas nada mais faço que não lamentar-me enquanto toda a gente vive a sua Vida pequena e miserável mas tão mais brilhante que a minha. A umas semanas tive a paranóia que ia morrer cedo. Hoje tenho a impressão que não chego ao fim do dia, apetece-me cada vez mais desaparecer, mas até isso começo a evitar, começo a pensar que prefiro morrer. Se não consigo comer, se não consigo dormir, se não consigo viver para alem de um cigarro que se queima solitário envenenando-me… para que quero este vegetar? Para que quero isto? Para que insisto em viver se não tenho Vida? Se me encerro em mim e aqui vegeto e aqui morro lentamente? Porque não morrer de vez? Já o Kurt Cobain citou o Neil Young “It’s better burn away, than fade away…” e é… Sinceramente é.
(preciso de mudar... urgentemente!!!)
O blog tem quase um ano. E reparo que funciona como uma resenha da minha vida no ultimo ano, desde os momentos de maior apatia que vivi, aos momentos em que transformei a minha vida num vazio enorme em que apenas procurava esconder-me sentado aqui no computador, numa hiper-actividade de entradas (lembro-me dum fim-de-semana em que postei trinta vezes), desde sentimentos que nutri, em entradas com poemas escritos de um jorro por necessidade, a imagens ou textos relacionados com algo que me fazia lembrar algo que vivi, a letras que descreviam os meus sentimentos, os meus dias, o que sentia nessa altura. Quase tudo de um modo o mais possivel camuflado, apenas perceptivel para mim e para as pessoas que me conhecem, ou pelas pessoas que poderiam perceber caso lessem o blog, coisa que a maioria das vezes não se passa, mas escrevia sempre com o pensamento de que elas o leriam. E lembro-me das entradas que postei aqui no inicio, mais pessoais, funcionando como um diário, com os meus pensamentos sobre as mais variadas coisas, embora sempre com um unico pensamento em mente. Já foi a um ano, e desde lá tudo mudou. Mas agora que se aproxima o aniversario dessas vivencias sinto-me a cair no mesmo abismo, embora agora não perceba a razão. Começo pouco a pouco a atingir o volume de cigarros que fumava a um ano,´um maço já não me chega para um dia, e não fosse o ter retomado a fumar tabaco de enrolar nos momentos em que quero fumar mas sei que não preciso do tabaco, dois tambem não chegavam, embora ainda longe dos exageros do ano passado sinto-me a caminhar para lá. Sei que se voltar a fumar os seis maços por dia ao fim de semana o meu destino está traçado - Morro. E não é uma morte hipotética de talvez apanhar cancro, é uma morte bastante real, os meus pulmões já não aguentam isso, e de certeza que teria uma paragem respiratória. O médico avisou-me, e o meu prazo acabaria dentro de um mês. Tambem começo a perder o apetite, ontem quando me deitei alarmei-me ao fazer a retrospectiva do dia e ter reparado que não tinha comido mais que 3 sandes. E isso até não seria grave se não fosse o facto de não ter fome, de não ter vontade de comer, de pura e simplesmente o meu corpo e a minha mente estarem numa inércia tal que nem algo tão simples como a alimentação é susceptivel de me alertar a mente e o corpo para a falta da mesma. Não durmo. Deito-me todos os dias sempre de madrugada, perto das 5, e depois de voltas e voltas na cama acabo por acordar as 7 para não mais dormir. Isto a quase 1 semana. Sinto que estou a cair novamente, e não sei a razão para isso. Sei que não quero voltar atrás um ano, mas sinto-me cada vez mais a tocar o fundo... Hoje ao acordar e não conseguir adormecer, pensei em muitas coisas como sempre, mas há um pensamento que me assusta: deste modo, da maneira como ando, como andei, como se calhar nunca deixar de andar apenas estava disfarçado, de certeza que morro cedo. O meu corpo não pode aguentar isto muito mais. E isso assusta-me...
Continuo sem saber o que colocar no blog. Sinto por vezes uma necessidade pungente de escrever algo, de ver a nova entrada, para que o Main Índex, não esteja constantemente a avisar-me que os meus delírios estão votados ao abandono, mas não faço a mínima do que escrever. Tudo o que escrevo, ultimamente tem um sítio específico para ir, quanto mais não seja, a privacidade dos meus papéis abandonados, e o blog continua votado ao abandono, sem uma única entrada, nem que seja uma qualquer imagem que via num qualquer site que vasculhava com o rato. Agora já nem tenho tempo para isso. Entre o trabalho e o namoro, o dormir e a guitarra, o sair e o vazio, os projectos que teimo em fazer ou que melancolicamente teimo em adiar, o único tempo que tenho para estar no computador, que é o sitio onde tenho tudo o que preciso para os meus períodos de ócio (da musica, aos vídeos, aos filmes) perco-o a procura de coisas especificas, ou a fazer algo necessário. Mas sonho… sonho com a promessa de no fim disto tudo, os projectos estarem feitos, de finalmente seguir os meus sonhos, de finalmente conseguir algo mais que sempre desejei e nunca busquei. Vai fazer três anos neste Verão, que passei um mês em dedicação absoluta a musica. Do compor ao gravar, das letras aos acordes, estive um mês obcecadamente votado quase exclusivamente a uma ideia. No fim do mês tinha no computador, e em CDS gravados talvez perto de 100 canções, ou pelo menos esboços, no mínimo ideias, algumas improvisações registadas para posterior desenvolvimento. Passados 15 dias, 1 mês, não sei ao certo, escolhi dentro da ideia que tinha, um lote de 7 músicas com a duração total de 27 minutos, por uma questão de superstição numerulógica, gravei um CD com esses registos, e com a excepção de uma única vez, esse CD nunca mais saiu da prateleira em que o coloquei. Hoje fui busca-lo pela segunda vez em três anos a prateleira em que o abandonei.
O que fazer com isto? Hoje lembrei-me do que fazer. Apesar das péssimas condições de gravação, apesar da enorme ignorância sobre essas mesmas técnicas que na altura tinha, apesar da horrorosa interpretação quer vocal, quer instrumental, apesar até da gritante falta de qualidade de algumas canções, hoje lembrei-me do que fazer com isto. A ver vamos…
É assustador, mas já faz 2 horas e 15 minutos que estou mais perto dos 30 anos que dos 20 :(
OK... Confesso que é um fétiche meu, mas eu acho esta mulher linda. E ainda há pouco na conversa com um rapaz do Brazil, ele estava a mandar-me umas fotos dumas brasileiras, e quando me pediu de portuguesas, este foi o primeiro nome de que me lembrei. Procurando pela net rapidamente descubri este site, ainda não o vi, mas decerto que venho cá dar uma vista de olhos. Fernanda, se por acaso fores uma das leitoras assiduas do meu blog (ok... sonhar não custa nada e pode até ser saudável), faz um favor a mim e a ti e manda-me um mail hehehe, é muito simples, basta preencheres aqueles três quadradinhos na caixa por debaixo da frase Janela para o meu Mundo.
Que querem que vos diga mais? Esta mulher é linda, talentosa (nem todas as modelos são broncas), e um dia que eu seja realizador de cinema, de televisão ou qualquer coisa assim faço dela uma estrela a nivel mundial... ups... mais um sonho com ela, mas desta vez não manchei nada :P
Chamo-me João Eloi, gosto do meu nome. Procuro fazer uma auto-analise, como já tantas vezes fiz, quem sou, como sou, e porque? Não o sei explicar. Sei que sou de altos e baixos, demasiado repentinos, demasiado “violentos” por vezes. Ainda a uns dias estava a falar com um amigo meu, falava-lhe do que falo sempre, preciso de um Anjo. E a resposta dele foi a mais simples que poderia haver: “Com o teu feitio, se eu fosse gaja, não te aturava três dias.” E essa é a mais pura das verdades. Eu sei que muita gente gosta de mim, quase toda, por mais que os meus momentos de paranóia me digam o contrario. Mas quando um anjo passa a fronteira da amizade, ou quando um amigo ou amiga, passa o limite de algo inexplicável, passo a ser exigente. Demasiado exigente. Quero que me amem, que me mostrem que me amam, que gostam de mim, exponho as minhas fraquezas, as minhas fragilidades, as minhas carências, e quero que me fortifiquem, que me dêem a força que eu mesmo não tenho dentro de mim. E quando não o fazem, quando a frustração me assola, quando não estou satisfeito e sinto a necessidade de explodir… Expludo. Ou como me disse o meu amigo: “Quando começas a dizer asneiras, já sabemos que te vai sair tudo de repente, e tu nunca pensas o que dizes, por isso o melhor a fazer é não ligar.”
Este sou eu. E o próximo post vai ser um breve dicionário, ou tradutor, das minhas asneiras. O que quero dizer quando digo uma coisa qualquer? Tenho pensado nisso ultimamente. Há muito tempo que penso em mudar, neste preciso momento não sei se quero. Está bem que não é fácil aturar-me. Mas é assim que sou. Talvez deixar de insultar injustamente, chamar coisas que depois me arrependo, mas as minhas explosões quem não gostar que não as ature, quem achar que o meu bem não compensa o mal, que deixe de me chatear. Se acham que o bem compensa, façam como a Mónica: três chapadões bem assentes quando é preciso, e um sorriso lindo para reconciliar. Por isso é que eu a adoro.
Ontem perdi uma amiga. Uma pessoa que adorava deixou de me falar. Cansei-a, fartou-se, não está para me aturar… E com muita razão.
Exigências, e sei lá que mais que lhe fiz, levaram a que a sua decisão fosse a mais natural: cagar em mim. Afinal para que quer ela chatices? Se eu não ando bem, eu que me cure, que me mate, que vá para qualquer sítio, ou faça qualquer coisa, mas não tenho o mínimo direito de esperar dela qualquer tipo de ajuda, e muito menos ser verbalmente agressivo se ela não a dá, porque tem mais que fazer, ou porque simplesmente não se interessa, pouco importa.
A amizade é apenas uma troca de confidências, entreajudas pontuais, um sorriso partilhado, uma risada eventual, qualquer coisa menos aquilo que eu lhe pedi: um esforço qualquer por mim. Ontem tive muito medo, pensei que iria sentir muito a sua falta, e que me iria recriminar, culpar, e odiar ainda mais por ter destruído essa amizade. Mas hoje é um novo dia, e sei que uma amizade por vezes tem que implicar esforço, eu muitas vezes faço-o, outras nem por isso, mas também sei que quando nunca o fazem é porque afinal não existe nada. Por isso sei que não irei sentir a falta de uma amiga, visto que nunca a tive, apenas irei sentir a falta de uma ilusão. Esforço? Já me esforcei o suficiente, já perdoei o suficiente, já fiz muitos esforços para a ajudar. Não tendo nada de volta, mesmo que o tenha pedido ou exigido, apenas me leva a concluir que não existe nada do outro lado. Se uma amizade apenas serve para existir compreensão e um ombro amigo deste lado, se não existe o mesmo quando os papéis se invertem, para que quero eu essa amizade? Por gostar dela? Mas só tenho o direito a gostar dela quando eu estou bem? Quando sou eu que estou mal, não tenho ajudas, não tenho apoio, não tenho compreensão, não tenho nada, então não preciso dessa amizade para nada, e não tenho a mínima razão para ficar triste. Afinal quem perdeu um amigo foi ela, visto que eu nunca tive nada. E se nunca tive nada, porque é que ficarei triste por perder algo que afinal nunca tive? Se a culpa é minha? Tenho a certeza que sim. Eu maltratei-a, fui injusto, fui parvo, fui ignorante, fui paranóico e tratei-a como ela não merecia. Mas quis algo que ela não tinha para me dar, e por esse mesmo motivo, perdi o que ela me dava. Tenho pena do que perdi, ela era uma pessoa por quem tinha uma estima enorme, mas se ela não me dá essa mesma estima, que diz sentir, quando mais preciso dela, não a quero quando já não precisar dela.
Afinal, hoje o dia está lindo, o Sol brilha depois dum Inverno cinzento, por isso o melhor que tenho a fazer é seguir em frente, contar apenas comigo e não esperar nada de quem não tem nada para me dar. Se ela gostasse mesmo de mim, como diz quando estou bem, então não diria as coisas que diz quando lhe peço a ajuda que preciso. Saberia fazer um esforço, e não me deixar abandonado e só, quando mais me sinto abandonado e só, só porque pensa que nada tem que dar em troca. Mas a culpa é minha, eu é que lhe disse que tudo perdoava, e que sei ser compreensivo com as coisas. Quando o namorado a proibiu de falar comigo, disse-lhe que comigo estava a vontade, que quando quisesse estava aqui para ela, dei-lhe a entender que não preciso de nada, que pode vir ter comigo apenas quando precisa, que estaria aqui para a ajudar, apenas porque sinto uma admiração enorme por ela. Pois agora gosto mais de mim, e não estou para servir apenas de consolo quando precisa dele. Agora sou eu que preciso de compreensão, paciência, ajuda, consolo e amizade. Se não o tenho, então não perdi nada.
Mas mesmo assim arrependo-me de ter sido tão merdoso :(
Hoje tive um bom dia, quase que estou feliz... Há algum tempo que não me sentia tão leve, e há momentos em que não se escreve... Apenas se goza o momento, hoje é um deles, ainda com o sabor da carne de porco preto alentejano, se as batatas fritas fossem aos palitos era melhor, mas... não posso ser muito esquisito.
odeio-vos a todos.
estou farto da merda da vida, estou farto de dar sem nada receber. estou farto desta merda toda.
nunca, mas nunca mais sou amigo de ninguem, sem receber nada em troca. estou farto de ser usado, estou farto que abusem de mim. so se fingem de amigos quando precisam de algo, quando estao sozinhos, quando se sentem na merda porque o mundo todo abusa delas, ai sao minhas amigas, ai gostam de mim. mas quando é ao contrario, quando sou eu a precisar das pessoas, quando sou eu que preciso de carinho a unica coisa que me dizem e k nao estao para me aturar, "adeus joao". pois fica bem. tanta paciencia que um gajo tem para que? para se livrarem de nós com a merda dum adeus e continuarem a sua vida sem ligar a minima a pessoa que deixam de rastos atras. pois adeus. vai-te foder. achas que preciso de ti? pois preciso, precisava duma amiga neste momento. e o k tenho? um adeus. quando precisares, se precisares, podes vir ter comigo que eu sou muito compreensivo e ajudo-te né? pois bem... essa merda tem que mudar. adeus mesmo. precisas-te de mim quantas vezes? quantas vezes te ajudei? e agora? tens ja quem te ajude né? nao precisas de mim nao é? por isso eu que me foda. rica amiga, realmente gostas muito de mim como disseste.
2003.
Mais um ano que passou. E este ano foi deveras estranho para o meu lado. Ainda não consegui perceber se foi péssimo, mau, mais ou menos, bom ou excelente. Foi estranho. Essa a melhor caracterização.
Comecei o ano ainda no meu Paraíso privado, namorando com a mulher da minha vida (pensava eu), apaixonado, amando perdidamente, e sendo amado. Mas algures lá no meio a coisa deu para o torto (mesmo torto) e agora nunca mais se endireita, se alguma vez deixarmos de sentir raiva e ódio um pelo outro, se alguma vez conseguirmos trocar um bom dia sem frases como: «ès um merdas, seu estúpido paranóico dum caralho.» e «cale-se sua puta de merda.» acho que então a gente deve amar-se mesmo lol.
Bati mal como é normal, andei meses incontáveis perdido, querendo achar-me em qualquer sitio, e nesse perdido, nessa busca de mim, acrescentei muitas coisas a minha vida, que foram sempre boas, e conheci montes de pessoas e principalmente descobri um novo Eu, que mais não é que o mesmo de sempre mas muito mais confiante, menos depressivo, mais feliz e mais em comunhão com o Mundo. Não foi pelos bons motivos, mas acabou por ser bastante positivo o Verão e os meses que o antecederam e procederam. Mas nada é eterno, e quando tudo estava até a acalmar, a repousar da loucura a começar a gozar as coisas que tinha descoberto e ganho, começa a minha maré de azar: primeiro fui assaltado, depois bati e fiquei temporariamente (que ainda dura) sem carro, o culminar do meu mal-estar intimo com a ida ao medico para receitarem-me comprimidos que me deixaram num estado próximo do zombie (por isso o acidente, mas naquele dia tinha que pegar mesmo no carro), confusões com seguros, confusões com bancos (os cabrões quiseram tirar-me um cartão de crédito por 4 contos, faz sentido??? Fdx…), confusões com a porcaria da burocracia deste pais porque não tinha documentos nenhuns depois do assalto… Enfim, a única coisa que se salvou dos últimos dois meses foi o ter sido promovido, o que já não é nada mau, há anos que não dormia como no ultimo mês, e o cabrão do meu chefe já não me chateia mais (mas confesso que tenho saudades de o mandar para o caralho e de desatinar com ele lol).
No início do ano ia casar, estava com a mulher da minha vida, pelo meio pensei que nunca mais seria feliz, sentia-me num beco sem saída, destruído pela mulher que pensava que era a minha cara-metade, depois uma mulher salvou-me, e mostrou-me que a esperança nunca morre, que sentimentos puros e mágicos não são exclusivo de ninguém, que somos nos que fazemos a nossa felicidade e não outra pessoa, e agora… Agora o futuro apresenta-se sob a forma duma névoa brilhante: não sei o que lá vem, não sei como acabará o dia de amanhã, mas sei que seja o que for, com mais ou menos Dor (e quando me dão as pancas costumam ser violentas) cada vez mais sei que seja lá por onde for tudo se compõe. Há quem diga que sou um felizardo, que nunca soube o que são dificuldades, que tenho gente que me faz tudo, e quando as coisas se compõem, as vezes até penso que se calhar têm razão. Mas…Será que é isso que quero? Não sei, mas acho que lhe vou dar uma hipótese de felicidade, se não for logo se vê. Balanço de 2003? Ainda não sei… 2004 logo o dirá.
Pois é... Estou em pleno bairro alto, já com uma oca consideravel e nao menos bebido, e vim a um ciber durante um tempo apenas para dizer umas palavras:
1º estou sem PC por isso o blog puta que o pariu.
2º Estou a atravessar um momento daqiele mesmo fodidos em relação a depressão. Só me apetece atar ou morrer.
3º estive para acabar com o blog, por isso não aparecer nada no main, porque apaguei tudo para se comecarem a habituar, mas enquanto escrevia o mail para o senhor paulo querido a informa-lo que poderia apagar o registo do meu blog, o meu PC foi de cona, e como acredito o destino... Em principio não vou acabar com o blog.
4º Não sei se é bom ou mau... Mas enquanto estou aqui num PC etsranho ao meu, percorrido já por dezenas, centenas, milhares de dedos... não consigo deixar de pensar que talvez aquilo que tenham em mãos é aquilo que eu sempre desejei assstir: a Dor em estado puro...
Estou farto da vida, estou farto de tudo, e só me apetece morrer. estou num daqueles momentos em que afasdto tyoda a gente de mim, em que as minhas paranóias, os meus ataques de insegurança, a minha possessividade e acima de tudo o meu desejo de algo mais, me arrastam para um limbo (e só por curiosidade já fechou, esta semana...) ara um limbo de apatia, raiva, e agressividade para com toda a gente. AMEM-mE!!! parece que grito. deixem-me em paz, digo eu com o resto do meu orgulho que sobra... Foda-se digo eu no meu mais intimo fluir de raiva.
Sei que afasto muita gente. Sei que não é facil aturar-me, sei isso tudo... e muito mais. sei apenas que estou num limiar em que agora se fará o balanço, em que agora verei quem são os meus amigos, e quem são os conhecidos, e como sempre a resposta será... Ficarei sozinho. Uma vez amaram-me... à Lucura. e nada sobrou porque quando tive um destes ataques, ela simplesmente cagou em mim, e agora ninguiem me ama... njinguem tem nada a vwer comigo, apenas me aturam porque estou bem, sou divertido, e tenho carro. mas agora... agora não estao para me aturar. Pois bem... Abandonem.-me aqui, não me importo, ficarei só ma aprenderei (meu deus.... alguma vez aprenderei?) que não posso contar com ninguem que não eu. Sozinho... Orgulhosamente só... Ou nem por isso. Fodam-se todos. Morram... E deixem-me morrer em paz.
A Morte é um delírio. Não passa de sonhos de fuga, de qualquer coisa diferente apenas. Talvez pelo medo, talvez pelo enfartamento da Vida, que nos parece sempre igual, sempre um beco sem saída.
Em tempos desejei a Morte, pensava que apenas ela me conseguiria livrar do vazio que a minha vida assustadoramente se ia embrenhando. Fechei-me em mim, e criei em mim “cancros psicopatas”, não me conseguia dar com ninguém, nem me dava a ninguém. Qualquer amigo, qualquer rapariga, qualquer pessoa que se cruzasse no meu caminho estático, eu afastava-me e afastava-a, porque não me sentia digno de partilhar os meus podres com os risos dos outros. E lentamente fui odiando os risos dos outros. Por inveja principalmente, mas também e muito por raiva de mim. Por me odiar por não conseguir partilhar dos seus risos, porque eu não tinha dentro de mim risos nenhuns. Sentia-me inferior a toda a gente, era apenas um resto de carne deixado a vogar na imensidão. Todos namoravam, todos tinham amigos, e eu afastava-me dos meus amigos (que pensava não os ter), e qualquer rapariga que se tornasse mais intima minha, deparava com um muro intransponível, e se por acaso eu abria uma brecha qualquer, o meu temperamento possessivo fechava essa brecha, prendendo todas as infelizes num mundo de caos e Dor. Rompiam a brecha, e eu deixava-as ir sem a mínima lágrima. Nunca foram minhas, nem eu as queria, não suportava intromissões na minha solidão, e apenas queria alguém na minha solidão. Nada mais que isso. E descobria-me a mim, algo que hoje em dia dou muito valor, e sonhava com a morte, com a fuga…
Depois fartei-me, e descobri que afinal não era muito diferente dos outros, eles também tinham lágrimas, e eu também tinha risos. E comecei a usar os meus risos, para esconder e fugir das lágrimas que eu sentia dentro de mim. Como as deitar cá para fora? Com a escrita, com pulsões pseudo artísticas (a guitarra eléctrica com o amplificador no máximo e tão boa para deitar a raiva cá para fora, sendo esmagado pelo som pesado que eu mesmo faço… pela minha raiva.), com momentos de solidão auto infligida para nunca perder o contacto com o meu lado negro, com as minhas lágrimas, comigo. E gostaram de mim, e amaram-me, e afinal eu também era fixe, apesar de continuar a fugir muito e de ter muitas quebras de confiança, e muitos picos de ódio por mim mesmo. Mas no dia 5 de Abril de 2002 por incrível que pareça isso mudou tudo. Ou quase… o que se passou nesse dia? Nada de mais. Fui ao Porto ver um concerto de Moonspell, no Hard Club, e apesar de ir até algo tímido, porque achava que aquele ambiente era demasiado negro e pesado para mim (afinal eu sou apenas um amante de música, não pertenço a nenhum grupo estandardizado de cabedal negro e pulseiras de picos) ia com a sensação que não ia inserir-me, que me iriam olhar de lado, que iria ser um estranho, ostrizado e se calhar até ouviria risos abafados pelas minhas calças de ganga azuis. Mas nesse dia reparei em algo. Já não existem os tais grupos que quando era miúdo ouvia as lendas. Essas lendas já são homens e mulheres de responsabilidades, que apenas continuam a ouvir os sons que sempre gostaram, e os grupos estandardizados não passam de miúdos com falta de afirmação pessoal, que entram nesses grupos porque precisam de entrar em algum grupo. Eu não era de nenhum dos grupos. Eu afirmava-me, porque era eu (algo que nunca deixei de ser), porque estava ali porque compreendia as mensagens e não porque a isso era obrigado pelo grupo de amigos. Eu era um dos originais. Aquele que ali estava porque se identificava intrinsecamente com a cultura, e não alguém que apenas lá estava por conveniência social. Os famosos wannabes, os putos que se vestem de rebeldes, mas que não têm metade da rebeldia que eu pacatamente ostentava. Afinal a rebeldia é apenas um estado de espírito, um seguir em frente com aquilo que gostamos e somos. Eu afinal pertencia aquele grupo, o grupo das mentes negras, mesmo que não precisasse de gritar bem alto através do meu exterior. Aquilo era a minha Alma, ou uma parte dela, e não o meu social. Eu através dos anos de solidão e sofrimento tinha conseguido para mim algo que muita gente nunca conseguiu nem nunca conseguira, uma individualidade, uma Alma perfeitamente conhecida e reconhecida por mim, um lugar no Mundo mesmo que esse mundo fosse apenas o meu, afinal só isso é que importa, eu não preciso de nenhum grupo, porque eu sozinho aprendi a sobreviver e a viver sem complexos, conhecendo-me quase completamente mesmo no meio do caos, esse poderoso aliado que nunca prescindi, porque é do caos que se faz a ordem. Eu era forte. E nesse dia percebi-o.
Ganhei uma nova confiança, e desse dia em diante passei a gostar de mim, porque finalmente tinha percebido que eu já tinha conseguido mais que muita gente. Passei a dar-me com toda a gente, porque já sentia que tinha algo a dar, quer em experiência, quer em confiança em mim para novas experiências. Eu já me conhecia e me sentia forte, agora queria alargar os meus conhecimentos e beber todas as sensações possíveis. Nesse intermédio apaixonei-me, e fiquei fraco novamente. Amei, fui amado, ou pelo menos senti-me amado, e deixei-me cair num rodopio de Loucura, a meio da viagem estava demasiado preso nessa sensação e começou o meu medo de a perder e cair novamente. Algo que irremediavelmente veio a acontecer. Mas desta vez não me fechei em mim… Não. Segui em frente com os olhos fechados e entrei noutras loucuras conhecidas e desconhecidas. Vivi ainda mais ao extremo, e dei-me ainda mais com as pessoas, mas já não me entreguei, já tinha cometido esse erro uma vez e não o cometeria segunda, por isso fui um vampiro de novidades e experiências. De droga a viagens pelo desconhecido, do extremo ao singelo, do reaproximar-me de quem me afastei ao dar-me com quem não conhecia, tudo vivi, tudo experimentei, e tudo me serve agora de enriquecimento de vida. Ainda não acabei esta viagem, apenas estou a saborear o descanso do guerreiro. Mas sei que agora a morte mais não é que simbolismos de experiências de vida, de extremos que beijei, e de extremos que saboreei…
Ainda sou o mesmo que sempre fui. Apenas estou mais rico… Mesmo que continue a remexer na minha podridão. Afinal, se fugimos dela nunca a descobriremos. E ela voltara sempre para nos magoar. Eu apenas a conheço…
Penso que voltei ao estado funesto que me destruiu meses atrás.
São 6 da manha, já me deitei e ainda não dormi, amanha tenho que me levantar cedo, e já estou a ver o que me vai acontecer: o vazio, e o nada de volta a minha mente. Tenho a minha frente os comprimidos que deixei de tomar a algumas semanas, e na mente a voz que me relembra que nada se resolve por si. Deveria de procurar um psicólogo, um psiquiatra, qualquer coisa com capacidade de me retirar do abismo em que lentamente caio. Lentamente?... Não, não é lentamente. Cai num abismo a uma velocidade vertiginosa, e pensei ter saído dele, mas estou a constatar que ainda não sai. A minha barriga acusa-me que deveria comer, mas não tenho fome apesar de não ter comido nada de jeito hoje, apesar de não comer nada de jeito (reparo agora) a uns 2 ou 3 dias. É este o abismo que me encerra em mim sem eu dar por isso. É a falta de algo que nem sei que me faz falta. É o destino de sofrer que me acompanha a anos, tomando um nome de há meses para cá: Depressão.
Quem engano eu? Ainda hoje a Mónica me disse que nunca perco o sentido de humor. E tem razão. Uso sempre esse sentido de humor para me esconder. Quero voltar aos tempos antes de ter visto o “A Vida é Bela”, altura em que lentamente me comecei a esconder atrás do humor, não deixando ninguém ver as cicatrizes da minha alma. Já não sei se o meu humor agora é apenas uma defesa, um refúgio, ou uma mentira que alimento para não me estatelar num qualquer chão frio no fim deste abismo escuro. As lágrimas de nada adiantam, e o humor faz sempre alguém sorrir, e por momentos eu também consigo esquecer as lágrimas. Mas as lágrimas seriam mais verdadeiras e sempre me aqueciam a face. Um sorriso nada faz por mim senão matizar-me de mentiroso e falso.
Lá fora a chuva cai insistentemente. Acabou-se o tabaco, vou ter que enfrentar o frio e o vento e a chuva, e o meu desejo de solidão para ir comprar tabaco…
Ou então…
Deixo-me apodrecer na cama, como se o amanha tivesse sido ontem, e nada mais importa a não ser a tépida suavidade dos lençóis que me protegem até a minha Partida…
Estar farto de tudo… Quando é que eu passo a sentir algo mais que não apenas o vazio que me aflige por não me afligir? Quando é que voltarei a sentir pulsões apaixonadas, ciúmes, desejos, qualquer coisa que me diga que estou vivo e que sofro e que amo? Quando é que sentirei algo para alem deste vazio na alma que me aconchega num doce abraço de Morte e Solidão?
Isto dos comentários tem os seus contras. Se por acaso alguém coloca um comentário numa entrada que já não está na página principal, e nesse dia (ou quando vou ao motor editorial) tenho mais que cinco comentários, já fico sem saber que comentaram entradas antigas. Pois hoje vi uma, e vi que estava lá uma antiga (mas por acaso, mesmo que a entrada tenha sido mesmo do inicio o comentário ainda é deste mês). A entrada é sobre o Snoobar, uma discoteca outrora mítica cá no burgo (e mesmo a nível nacional) hoje em dia já nem sei, visto que ou muito me engano ou essa foi a última vez que lá fui, se essa não foi a ultima a ultima não foi muito depois. E como não podia deixar de ser, reli a entrada, uma entrada pessoal, como muitas que metia no inicio, hoje em dia deixei-me disso, e quando o faço é de tal modo subliminar que muito pouca gente percebe, muitas vezes nem a pessoa de quem falo. Relembro aquele tempo, não foi á muito, à uns meros quatro meses mas mesmo assim parece um outro mundo, uma outra galáxia, primeiro era Verão e de certeza que naquela noite ninguém tremia de frio como eu agora aqui, depois naquela altura estava numa média incrível de perto de 1 maço por hora durante a noite (sim… cheguei a sair à noite e fumar 5 maços por noite), o resultado disso foi quinze dias de cama e um pulmão semi-destruído, duas semanas sem fumar, e agora fumo no máximo dois maços e mesmo assim muito raramente e em “dias especiais”. Mas aquilo que reparei mais foi a parte do fim, do anjo como não podia deixar de ser, e não pude deixar de rasgar um sorriso algo sarcástico para mim mesmo. Os anjos morreram, caíram do céu em que foram colocados, e hoje (quatro meses depois das saudades) relembro novamente um abraço daqueles, mas agora tem cheiro, tem sabor, tem tacto de presente e de futuro, e não apenas recordações delirantes de passados que apenas serviram para me dar a desilusão, a mágoa, e a Dor que precisava para poder ter uma relação séria, calma e sem mitos de Amores Eternos e Entregas e Perfeição. Agora as coisas são o que são, nada mais. E por incrível que pareça podem ser muito melhores. Sem loucuras desmedidas, e sem ilusões que apenas levam a desilusões. Agora não amo, apenas vivo.
Talvez seja um Anjo afinal, mas caído e largado no meio dos mortais.
Eu nem queria escrever mais, mas deu-me para aqui. Vou estar uns dias sem escrever penso eu, ando demasiado em baixo, para me por a escrever coisas sem sentido, mesmo que o blog se intitule Delírios, não me apetece delirar. Por isso pelo menos no mínimo até terça-feira em principio não meto entrada nenhuma, só se me apetecer mesmo escrever, mesmo sem sentido como agora. Até lá então e voltem depois quando eu estiver novamente com vontade :)
(Fechado para desatrofio…)
Regressado do trabalho sento-me ao computador. Dou uma olhadela pelos blogs que costumo visionar diariamente e constato que não estou só neste meu deambular pelo Universo. Existem tantas lágrimas ocultas nas caras sorridentes que se cruzam comigo diariamente que penso que nem eu as consigo destrinçar a todas.
Eu que imagino e deliro lágrimas por debaixo da cara mais sorridente, eu que chego a dizer á pessoa mais feliz que ela sofre, que escusa de me mentir, que compreendo todo e qualquer sofrimento, porque eu mesmo sofro, eu mesmo estou só.
Mas por vezes ponho-me a pensar. Será que sofro tanto como as pessoas felizes, que escondem as suas lágrimas? E a única conclusão que posso tirar é que não. Eu conseguia ser feliz. Não me custava nada: tenho um emprego que apesar de não ser nada de especial, é o ideal para mim, pouco trabalho (algumas vezes) um ordenado que só não me chega quando exagero mais nas noitadas ou nas viagens delirantes pelo nosso pais, tenho amigos, mesmo que nem sempre os veja, mesmo que muitas vezes me esconda em mim, porque preciso disso, tenho pessoas que gostam de mim, toda a gente gosta de mim, e até o meu complexo de fealdade desapareceu a muito tempo. Percebi ao fim de anos de falta de iniciativa, em relação as mulheres de quem gostava, por me achar feio e desinteressante, que isso não interessava para nada, que até a mulher mais fantástica e maravilhosa do mundo me poderia Amar, que até a mulher mais bela do Mundo pode sentir um fraquinho por mim. E agora neste limbo de paixão, relembro a mulher que me fez sentir isso.
Estranho. Mas esta história remonta a minha primeira paixão que alguma vez tive, tinha eu os meus 14 anos. Chamava-se Lina, conhecia do modo mais impróprio possível no 6º ano (e esse modo dava uma outra entrada, qualquer dia conto-a mas hoje não porque tenho vergonha), e por crueldade do destino, no meu 7º ano calhou na minha turma, e por capricho dos professores desse ano, que insistiram em os lugares serem por ordem alfabética, ela foi minha parceira o ano todo. Tornamo-nos os melhores amigos, apaixonei-me por ela mas nunca lhe disse nada. Tirando um beijo furtivo, ela nunca imaginou sequer que estava apaixonado por ela. Eu não tinha coragem de lho dizer. Ela era linda, provavelmente a mulher mais linda que já conheci ate hoje, e toda a escola tinha um fraco por ela, e ela nunca ligou a ninguém, nunca deu hipóteses sequer de um beijo a ninguém, e eu remeti-me a minha insignificância…
Com o passar do tempo perde-mos o contacto, e nunca mais a vi.
À coisa de uns 3 anos revi-a. No Snoobar. Estava eu já com um grau de álcool e droga bastante acentuado no corpo e na mente (já tenho saudades desse tempo) e estava a dirigir-me aos meus amigos para me despedir porque me ia embora. Tinha sido essa a minha decisão do tempo que tiro sempre para mim e para a minha solidão (sim… mesmo num sábado a noite eu afasto-me sempre do pessoal e tinha mesmo o meu cantinho no Snoobar para beber e fumar um cigarro e pensar em mim). Não a vi. Viu-me ela e chamou-me. Nesse dia disse-me que sempre gostou de mim mas eu nunca lhe liguei nenhuma. Eu disse-lhe que nunca lhe disse nada porque ela não ligava a ninguém, e a resposta dela foi que não ligava a ninguém porque gostava de mim. Esse dia mudou a minha vida, e a partir desse dia por mais bela ou fantástica que fosse a mulher alvo da minha paixão nunca mais me escondi, e não fosse eu ser uma pessoa bastante fiel e mesmo obsessiva nas minhas paixões acho que nestes três anos teria tido montes de curtes e namoros. Mas não… Para me apaixonar a pessoa tem que ser mesmo muito especial, e quando isso acontece tenho um gosto de sofrimento tal que demora muito a perder esse sentimento. Esse é o entrave a minha felicidade. O perder-me por uma mulher em particular e não ter aquele sentimento egoísta de cabrão e filho da puta que tanto invejo, que tanto desejo possuir. Nestes 3 anos percebi duas coisas. A primeira é que as mulheres não ligam ao aspecto físico e que eu sou uma pessoa bastante interessante ao contrário do que pensava. A segunda é que elas só querem mesmo é foder, e qualquer ideia de romantismo ou entrega é quebrada só porque segundo elas beijo bem e sou bom na cama…
E que conclusão tiro disto tudo? Que elas não merecem mais que uma foda bem dada, e que eu tenho que começar é a pensar em mim.
Mas não consigo… E ainda sonho com o tal Anjo…
À uns dias que venho vindo a evitar colocar uma entrada. Esta é a entrada cem do blog, queria fazer uma auto-analise sobre o que tenho vindo a escrever aqui nos últimos quatro meses. Mas penso que essa entrada ficará para a entrada cento e um (o que até é mais normal para assim ter cem entradas para avaliar lol) porque esta tarde um pensamento filosófico assaltou-me, uma parte de minha alma confusa obstruiu todo o resto de meu pensar. Falo da diferença entre a Paixão e o Amor.
Já amei. Uma vez. Mas esse Amor não saiu do nada. Por muito que eu tenha pensado que a amei no momento que a vi, por muito que tenha acreditado nisso, isso é mentira. O que senti por ela foi uma loucura que tomou conta de mim e de tudo o que vivia nessa altura e de tudo o que eu vivi até esse dia. Enlouqueci por ela, e ela por mim. Vivemos meses de loucura, não podíamos viver um sem o outro, gastámo-nos, e vivemos um para o outro. Passei por muito, muitas vezes, para estar com ela, andei muitas vezes sem dinheiro e fiz esforços maiores que eu podia por ela, para estar com ela (eu que nunca me esforcei por nada) e da parte dela foi o mesmo. Chateamo-nos com os nossos pais, deixamos os nossos amigos, vivemos um para o outro, meses a fio, todo o dia. Recebia dezenas de mensagens dela por dia, centenas de toques, nunca estávamos mais que vinte minutos sem um contacto qualquer: ela na escola, eu no trabalho, qualquer tempinho que nós tivéssemos usávamo-lo para mandar uma mensagem ou apenas um toque para o outro, para dizer que estávamos a pensar no outro, chegamos ao exagero de mandar dez e mais toques seguidos (acredito que houve intervalos em que ela apenas me mandava toques, nem falava com ninguém) e quando estávamos juntos até o céu nebulado ficava estrelado (parece uma passagem poética mas é verídica).
Enlouqueci por ela. Uma paixão que tomou conta de tudo o que havia em mim. E o dia que a conheci foi o dia em que isto começou. 12 Julho de 2002, dez e meia da noite, estava ela vestida com umas calças pretas e um top branco. Apaixonei-me por ela. Enlouqueci mas não a amei… não nesse dia. O Amor que acabei por sentir por ela veio depois. Com o passar do tempo aquilo que eu via nela acabou por transparecer para mim. Era recíproco e ela fazia coisas por mim. Quando eu bati mal no festival Sudoeste num sábado a tarde e fui para a tenda para estar sozinho, ela foi ter comigo, deixou os amigos e abraçou-me para eu chorar por traumas do passado. Acho que foi ai que a amei pela primeira vez. E a partir desse dia ela fez muitas coisas por mim, fez-me feliz e quando deixou de o fazer por motivos alheios a ela (e até certo ponto também a mim) eu exigi que ela fosse como tinha sido durante muito tempo para mim. Não percebi o porque daquela mudança visto que ainda via nela a loucura da paixão que nos tinha atingido no dia que nos conhecemos. Percebi mais tarde. Muitíssimo mais tarde… Quando já era tarde demais, quando a deixei por uma infantilidade de puto desesperado e ela quis tirar o tempo para ela que ela tanto precisava. Desesperei, e a hipocrisia e falsidade dos «amigos» dela e a minha estupidez e raiva descontrolada fizeram o resto. Perdemos o contacto. Ela odeia-me, despreza-me, e tem medo de voltar a falar comigo. Eu sei o quanto é injusto isso, mas não consigo deixar de perceber e até admirar a atitude dela apesar de saber o quanto estúpida e parva essa mesma atitude é.
Achei que nunca mais encontraria ninguém como ela. Achei que nunca mais sentiria aquela loucura…
Mas senti, e sinto, e estou perdidamente apaixonado novamente. E hoje percebi qual a diferença entre o Amor e a Paixão. Paixão sinto por alguém de quem gosto, que me enlouqueça, que me faça sentir o desejo que tanto tempo andou adormecido em mim. É um sentimento puro, enlouquecido, arrebatador por alguém. Querer estar com ela, desejar sentir apenas o seu cheiro, pensar nela a toda a hora do dia e da noite, querer estar com ela. É algo que sentimos pela outra pessoa, por alguém que desejamos fazer feliz. Amor já não é o sentimento que nutrimos por essa pessoa. É o sentimento que essa pessoa nos faz nutrir por ela devido aquilo que nos faz sentir a nós. É o esforço e dedicação ao nosso bem-estar que sentimos da outra parte. É o esforço que essa pessoa faz para nós estarmos bem, mesmo que para isso tenha que ir contra algo que não sinta ou não deseje. É fazer aquilo que a certo ponto deixaram de fazer por mim. Deixar os amigos de parte uns minutos, deixar de ir ver aquele filme que queria tanto ver, talvez ir até ver um filme que não desejava ver só porque o outro quer. É ir a um jantar que não quer ir por não conhecer ninguém, é chatear-se com outra pessoa só porque nos faria felizes e porque querem estar connosco. E com isto eu quero dizer o que? Quer dizer que queria ir ver o novo filme do Quentin Tarantino, mas já não vou. Caguei no filme… Se não fizerem por mim aquilo que eu quero, também não me importo. Paixões podemos sentir por muita gente, basta que sejam especiais. Amor temos que o merecer e se não somos merecedores de esforços pela nossa pessoa, as paixões acabaram por se reciclar. Mas o que importa é ver um sorriso estampado na cara de quem gostamos. Se não fazem o mesmo pela gente… Cagando e andando. Um dia alguém fará.
Hoje o dia arrastou-se algo desconfortávelmente, as segundas-feiras têm este condão sobre nós, ainda habituados ao dolce fare niente do fim de semana, os nossos corpos e mentes arrastam-se na tepidez do dia.
Por vezes dou por mim a pensar que o fim de semana nunca deveria de existir, a gente lentamente entraria no ritmo de trabalhar diáriamente, com o tempo até talvez deixássemos de detestar toda a gente com quem lidamos numa base diária e talvez... Mas só talvez conseguissemos ser felizes. Como se a habituação ao tédio, à rotina, ao stress, fizesse com que a nossa mente lentamente se começasse a habituar aquilo que nunca nos conseguimos habituar por que temos sempre estes dois dias em que o surreal é real: dormir até altas horas da tarde, poder ir para a Loucura até as horas que quisermos, ver toda a gente na rua, nos bares, nas discotecas, divertindo-se e dando azo a sua alegre Loucura como se o amanhã não existisse, porque na realidade o amanhã não existe... Amanhã é apenas aquele dia que não temos entregue a ninguem, amanhã somos livres, amanhã faremos aquilo que quisermos, sem patrões, sem colegas chatos, sem obrigação de nada... Ficar na cama a ver televisão o dia todo? Ok... Podes fazê-lo, quem te proibe? Ninguem!
A felicidade ás vezes pode ser isso mesmo: NADA!!!
Apenas o ser, o existir... Sem promessas nem obrigações, apenas o suave vegetar dum animal porco, sujo, com o suor ainda na pele da preguiça de não tomar banho, deitado num sofá a roer comida pré-fabricada com o confortável vazio de saber que ele não tem nada para fazer senão olhar estupidamente um ecrã com pessoas irreais que ele conhece tão familiarmente e não pensar...
Apenas existir...
Ando todo fodido…
Finalmente ou nem por isso é oficial: Estou doido! Receitaram-me a porcaria duns ansiólíticos, e ando desde quarta-feira com a fantástica moca. Mas desta vez com receita médica. Nada de drogas pelo prazer, ou drogas para ver como é, Não, desta vez ando todo drogado com um sentido: o de ser feliz. Acham por bem que não ando bem, as noites sem dormir, e os dias sem comer, a apatia, a vontade de morrer não são normais. Por isso fui ao médico que me receitou a merda duns comprimidos para me fazerem feliz… Desculpem, não são os comprimidos que me fazem feliz. O que me fará feliz é o não pensar, é o adormecimento dos meus sentidos, o estar completamente alienado de tudo, a vontade de dormir que fará com que não pense em muita merda e assim possa vir a ser feliz. O medico também me aconselhou um psiquiatra mas… Que raio vou eu fazer a um psiquiatra? Para ele olhar para o meu cérebro, verificar que existe falta de componentes químicas que fazem com que certas zonas do meu cérebro não funcionem bem e isso me impeça de ter um raciocínio e um estado emocional estável e normal? Para ele me dizer que tudo o que sinto e penso a oito anos (este estado já dura a oito anos!!!!) é apenas um ligeiro “defeito electro químico” do meu cérebro? Não obrigado. Louco ou são prefiro ser eu. Não quero chegar a triste conclusão que tudo o que fez de mim a pessoa que sou é apenas um defeito de fabrico, uma anomalia que se fosse resolvida a tempo talvez impedisse de eu ser como sou. Talvez ate estivesse agora na discoteca da moda a curtir o som e a engatar umas gajas, talvez ate não tivesse o cabelo comprido e sim cabelo curto com montes de gel capaz de armar-me o cabelo de modo a conseguir derrubar uma porta do sitio mais in da cidade. Realmente… quem no seu juízo perfeito ao tentar entrar no sítio mais in da cidade, e ao ser convidado a esperar manda o porteiro foder-se e vira costas? Só alguém como eu: um louco.

Sou como uma árvore morta...
São seis da manhã...
No cinzeiro arde o segundo cigarro desde que me levantei a ver se ganhava sono, nos headphones passa Jorge Palma - Like A Rolling Stone, e não tenho sono nenhum... daqui a quatro horas tenho que ir trabalhar e sei que o dia amanhã vai ser para esqueçer, porque vou estar cheio de sono o dia todo.
Mas este mal-estar que nem sei donde vem continua a perseguir-me...
Porra... Alguem que me salve desta merda... Alguem que me mostre outra coisa que nao a auto-destruição em que lentamente me encerro... Alguem...
Mas tambem sei que só eu me salvarei, mas neste momento não consigo...
Por vezes sinto-me pior. Não sei a razão, não sei o motivo… Sei que a vida não me seduz, não me apresenta motivos de rejúbilo, olho em frente e não vejo nada, tudo parece seguir o seu ritmo normal, mas a normalidade é-me estranha. Preciso de novas experiências, de sentir novos prazeres, descobrir novas coisas, e a normalidade parece que me aflige, demasiado familiar, repetitiva, entediante.
Nos últimos tempos parece que a minha vida vai fechando círculos, reencontro pessoas que não vejo há anos, imenso tempo, pessoas com quem me cruzei fugazmente ou pessoas com quem até tive alguma intimidade, e constato que já não me lembro de nada, de ninguém, tudo esta no passado e são sempre elas que se lembram de mim. Como raio um gajo que conheci no meu primeiro festival já há uns seis ou sete anos, se lembra de mim?
Vou fumando cigarros atrás de cigarros, bebendo cervejas atrás de cervejas, e várias outras bebidas, e deixo para trás o descanso que tanto preciso (não consigo dormir mais que três ou quatro horas diárias) não me alimento (já cheguei a passar um dia inteiro sem comer) e sinto um vazio enorme na alma. Nada me interessa, e tudo esta tão como eu sempre quis, os meus sonhos lentamente vão concretizando-se, não sinto a falta de amigos, porque parece que agora que deixei de fugir reparo que eles sempre lá estiveram eu é que não os via. E apesar de estar como nunca estive pelo lado negativo, estou como também nunca estive pelo lado positivo.
Acho que estou com uma depressão enorme. Mas estou feliz comigo mesmo… gosto de mim, acho que é apenas um desequilibro químico… É a normalidade de toda a minha vida: ter tudo e nada me satisfazer, tudo o que quero tenho, mas não tenho o que quero, talvez porque não sei o que quero. Quem amei afastou-se, quem eu desejo esta a afastar-se…
Se não fosse o estar bem no meio de todas as lágrimas escondidas, há muito que já teria abraçado a Morte. É o que quero, mas gosto de viver… Apenas não sei se deva seguir o coração.
Ontem tive um dia excelente mesmo.
Eram perto das duas da tarde, tinha acabado de iniciar o trabalho depois de almoço tive uma fraterna troca de ideias com o meu chefe. Ele é que manda como ele tão bem expôs, mas isso não invalida que erre, e quando ele decide uma coisa (alteração numa nota de encomenda) e não nos diz nada, e orientamos o trabalho consoante aquilo que esta determinado o erro é dele por não o comunicar e não meu. Pois tentem explicar isso ao meu chefe, ao contrário do que é normal em mim não me alterei, não levantei a voz, não disse asneiras, não o mandei para sitio nenhum, não dei pontapés em nenhuma palete ou caixa (e isso é que é muito estranho, o facto de não me ter alterado com ele) mas repeti e insisti com exemplos, com calma, com determinação que o erro era dele e não meu. Ele não gostou e o resultado foi uma resposta simples e directa: “Olha que tu não me contraries, senão vais já para casa.” a minha resposta foi igualmente simples e directa: ”E vou sem problema nenhum.”.Virei-lhe as costas, sai pelo portão, entrei no carro e vim-me embora… a faltarem cinco horas para a minha hora de saída.
Cheguei a casa, liguei o computador, liguei o IRC, estava lá o Quim-Zé, estranhou eu estar em casa aquela hora disse o que se tinha passado e fui ter com ele. Fomos primeiro para a beira do rio, num sítio bastante bacano (tirei umas fotos, depois hei-de meter aqui as fotos), mandámos uma abaixo, depois fomos até uma explanada, ver “gajas” e acabamos a tarde em casa dele a jogar Pro Evolution Soccer 3.
Hoje… Até fui mais cedo para o trabalho para ir falar com a gerência, mas nem cheguei a ir porque mal entrei disseram-me logo que não tinha problema nenhum, que me pagavam o dia, e que o meu chefe foi chamado a atenção sobre a besta que é. Ele nem coragem teve de me olhar nos olhos o dia todo, baixava sempre a cabeça ao passar por mim, ninguém me disse nada (com a excepção de um pequeno conselho e pedido: que para a próxima lhe dê um murro e de preferência que vejam), e a única coisa que saiu de toda esta história bizarra foi: um dia de folga para mim, e a constatação de que ele é um cromo. Mas eu adoro-o à mesma, afinal deu-me um excelente castigo: em vez de andar a trabalhar, fui ver gente, ver o Sol, ver o Mar… E a ser pago. Digam lá se não queriam chefes assim. :)
Lealdade…
O que significará esta palavra? A quem devemos lealdade? A nós ou aos outros? E quando os outros são pessoas que estimamos? Mas o destino ou algo que desconhecemos a face nos seduz com algo que sabemos a partida que irá prejudicar outrem, mas que nos irá fazer enfim sorrir?
Não pretendo magoar ninguém. Não quero ver lágrimas derramadas a meu lado, mas as minhas lágrimas foram enfim enxutas. E a esperança que à muito tinha perecido na minha alma enfim sorri-me por detrás duma nuvem negra, aquecendo-me o espírito com o seu morno contacto dourado. Não menti, não fugi de nada, a tudo enfrentei e isso diz-me que segui o caminho certo, mas nesse caminho magoei quem não queria, quem eu prezava, quem eu tinha garantido com toda a sinceridade que minha firmeza possui que não iria magoar. Mas… no caminho sempre incerto da vida, o meu coração pregou-me uma partida e agora… sinto-me mais reles, baixo, desprezível e nojento que todos os sétimos, mentirosos e hipócritas deste mundo…
Não sou melhor que eles. Posso ter seguido um caminho de verdade, posso não ter o desprezo nem de quem magoei, posso continuar a ter a cabeça erguida porque nada fiz de mal e errado… Apenas me apaixonei, apenas perdi a cabeça por alguém que me devolveu a esperança perdida.
Mas isso justifica a falta de força para fechar os olhos ao meu sentir e pensar em quem eu prezo?
Não!!!!
Hoje o dia foi bastante estranho…
Acordei com a minha mãe a ligar-me porque tinha que ir a Leiria ter com ela, passada hora e meia e meia hora a procura de estacionamento (maldito dia sem carros e sem estacionamento) lá entrei em casa. Foi uma seca tremenda, numa casa sem PC, sem nada para ler e com a única televisão da casa sintonizada na TVI porque a minha avó estava a ver sei lá o que estava a ver. Estive lá horas incontáveis acabei por adormecer no sofá e acordar as dez e tal da noite com a minha mãe a chamar-me para ir jantar. Fui beber café e durante o café o Marco ligou-me para irmos beber um copo. Fui para a Marinha Grande para irmos beber o tal copo, mas como me demorei um bocadinho (só um bocadinho lol) quando entrei no Opera Prima vi no telemóvel que ele já me tinha mandado uma mensagem a dizer que ia bazar. “Ora Foda-se” pensei eu, mas ainda bebi uma cervejinha e fumei um cigarrito.
Estava eu a beber muito descansado a minha cerveja quando o gajo que estava ao meu lado me começa a falar do F.C. Porto e do Real de Madrid e do Benfica, e eu comecei também a meter conversa com ele. Conhecia-o de algum lado mas não sabia de onde, apesar de ele parecer não fazer a mínima de quem eu era. A certo ponto falou dum disco qualquer que tinha emprestado e nunca mais o tinha visto e até era pena porque tinha umas frases que ele gostava de tirar. Foi quando se me apareceu defronte da mente de onde eu o conhecia: era o guitarrista da banda de covers de blues que eu vi a umas duas ou três semanas e por quem tinha ficado bastante impressionado. Lembro-me que até comentei com o Pedro que adoraria que ele tocasse comigo no projecto que tenho que fazer para a Susana.
Resumindo e concluindo, não querendo dar mais pormenores porque tudo ainda me parece um sonho, um truque do destino: para o meu projecto de blues, pop, folk, e tudo aquilo mais que me passar pela cabeça já tenho: uma vocalista com uma voz que vai fazer furor; um teclista que tem um talento nato e quase genial para a musica; um guitarrista que transpira blues por todos os poros; e… Eu…
Será que conseguirei escrever músicas com valor suficiente para tanto talento junto? Se sim atingiremos o céu, a estratosfera, se não… Teremos um bocadinho de fama apenas.
Mas duma coisa tenho a certeza: Aguardem porque vamos dar que falar.
Que dia de merda hoje tive, um calor infernal e eu encerrado na fabrica a ter que aturar chefes e colegas… as vezes os pensamentos ainda afloram a minha mente cansada e penso em dar um murro em alguém e vir-me embora e ir deitar-me na praia, mas infelizmente somos animais racionais e sabemos que esses desejos têm que ficar apenas para nós. Ou então faz-se algo sobre isso (uma entrada num blog ou um cartoon, cada qual com aquilo que prefere)

Sabem o que é estar farto de viver?
Sabem o que é olhar em frente e nada ver?
Sabem o que é construir algo que não existe?
E depois...
Sabem o que destruir algo que não queriam ver destruido?
Sou uma merda pior que as merdas que me destruiram a vida, não sou melhor nem mais inocente, sou apenas isso... A merda que eu mais odeio e destrui-o a minha vida, é tão merdosa quanto eu.
A sinceridade não compensa!
Estive perdido num sonho qualquer.
Regressei as bases e sentei-me a observar o mundo com a serenidade de um guerreiro (fica óptimo no papel, mas infelizmente falta-me o espírito). E observei o meu blog… já não lhe mexia a mais de uma semana, bem mais, e consegui abstrair-me dele como autor e ser apenas o espectador no palco de loucuras, nos delírios inundados de Dor. Confesso que gostei, ri-me com algumas coisas, sorri com outras, pensei seriamente em retirar algumas entradas, mas neste momento estou já muito mais “cagativo”, que me importa estar lá uma música minha? Se alguém tiver a paciência para a tirar que tire, que passe na net e goze com a minha voz, que faça o que bem quiser… não tarda nada morro e nada mais faz sentido, para que preocupaçoes inúteis? Pensei em retirar algumas entradas com imagens menos “artísticas” (está ali uma miúda bem gira a ocupar espaço inutilmente, mas não é isso que fazem as miúdas muito giras?) considerem a sua entrada como uma alegoria ao mundo da superficialidade (coitada da miúda até pode ser bastante interessante), pensei que deveria de meter os documentos mais visíveis, mas uma brevíssima sondagem pelo IRC fez-me ver que os links são visitados (sinceramente acho que os documentos são o melhor), e pensei em o apagar…
Pensei em apagar isto e desistir de mais um delírio meu, mas por enquanto ganhou forma o pensamento que lhe sobreveio – o de relançar a inspiração, perder a apatia, o vazio, o nada sentir, o ficar a olhar as manchas na parede a tomarem conta de mim (se alguém quiser também fundei esta semana ou a outra um canal na PTnet de seu nome #Mão_Morta passem por lá para vos enviar algum do melhor som que já se fez em Portugal e no mundo…) ganhei uma nova obsessão (One Last Goodbye dos Anathema, a duas semanas que ouço a musica incessantemente, e quando não ouço canto para mim) e um novo vicio (cerveja preta). Vi concertos (o blues ganha por acaso com duas bandas de covers), vi amigos, chorei, insultei a engenheira minha superior umas duas ou três vezes, fui ameaçado desde descontos no ordenado a reuniões com a gerência, fui acusado de desrespeito pela hierarquia empresarial, e demasiada impertinência “quando mandam você faz que é para isso que é pago” mas para mandar é preciso saber respondi eu. E tudo com a certeza que a gente esta cá e para se dar bem e as discussões apenas servem para nos tirar da apatia. Mas eu estou em apatia… não é que nada faça mas nada sinto… apenas desejos irrealizáveis na alma… e a certeza que os anjos não existem, morreram nos sonhos ilusórios… e há mulheres tão concretas e sorrisos e desejos tão palpáveis.
Perco-me por vezes em recordações do passado…
Deixo-me ficar a olhar o fumo do cigarro a esvair-se na atmosfera, pensativo, contemplando o vazio, relembrando sorrisos de que sinto a falta, gargalhadas partilhadas, memórias duma vida que sinto vazia e cada vez mais. Nunca me entreguei a ninguém, nunca me dei a ninguém, mas houve duas excepções, ambas estão longe de mim, ambas estão inacessíveis, ambas me abandonaram fruto ora do destino ora de complicações irreais de tão estúpidas que são. Por vezes penso como estaria eu caso ainda tivesse essas pessoas a meu lado, provavelmente estava na universidade, provavelmente nunca teria conhecido uma delas, provavelmente estaria ainda como estava a três anos, a viver do fingir de estudar, perdendo-me em delírios só meus, provavelmente nunca poderia ter juntado essas duas pessoas. Mas penso como seria… e sinto que poderia ter sido bem feliz, partilhar a minha vida com quem eu mais amava, sem sentir nenhum vazio, apenas o meu que lentamente aceitei e com o qual convivo bem (talvez até já nem consiga viver sem ele, porque sem ele não seria eu). Mas.. Não tenho ninguém a quem amo.
Gosto de muita gente, gosto de toda a gente, alias, uns mais outros menos, uns entrego-me mais, outros menos, mas ninguém tem a minha alma. A quem a entreguei fugiu de mim, porque teve que ser ou porque não a compreendeu, ou não acreditou nela (ainda estou para perceber como podem pensar que a fingi). E encontro-me neste momento num período curioso da minha vida: estou só, completamente só, ninguém me tem, não tenho ninguém a meu lado, ninguém a quem entregar a minha vida e a minha alma, mas estou tão bem como nunca estive, como se este “esconder” de minha alma a fizesse ser apenas minha, e a tivesse que enfrentar sozinho, e aprendi a enfrentar, compreendo-a aceito-a e gosto dela, coisa que nunca fiz, e isso levou a que os outros me aceitassem também, amam-me, gostam de mim, ainda esta semana apenas tive duas pessoas que me disseram aquilo que queria que as duas pessoas que fugiram de mim dissessem, que estão loucamente apaixonadas por mim uma, e a outra disse-me que eu era de longe o melhor amigo que teve na vida, ate acrescentou que estava bêbado e um bêbado nunca mente. Gosto delas, mesmo muito, mas hoje dei por mim a pensar que ninguém substitui os meus anjos amados, um deles é impossível, e já o aceitei a muito, qualquer palavra dita com álcool ou sem álcool, bate num muro impenetrável. A outra… a outra é possível, e desejo ardentemente que o consiga, mas em dois dias de loucura e quase que paixão ardente, não sou capaz de me abstrair de comparações, e os outros dois dias… continuam a fazer-me sentir pulsões e desejos muito mais intensos.
Como é possível que uma memória seja mais poderosa que um toque de pele ainda quente?
Não sei porque sofremos por amor. Sei que sofri muito por amar e não ser correspondido, e já sofri bastante mais por o ter sido e o ter perdido…
Achava que nunca ninguém poderia alcançar o meu coração novamente, que estaria fechado para todo o sempre na perfeição de um sonho, que nunca acordaria para a realidade porque a realidade é sempre diferente de um sonho. Mas hoje olhei a lua, estava prateada e derramava a sua luz pelos nossos corpos sentados num muro. Não existiam as luzes da rua, nem os carros que passavam. Apenas cigarros fumados no meio de dois dedos de conversa, almas entregues à descoberta de outras almas.
Existem belezas escondidas na carne de seres humanos disfarçados de cidadãos, existem anjos no meio de nós, capazes de rasgar trevas não com sabres de luz mas apenas com um riso contagiante, ou apenas um sorriso de lábios hipnotizadores. Espantei os demónios, deixei-me abraçar pelo anjo, e fui enlevado em sonhos há muito saudosos.
Existe vida depois da morte, mas agora sei que também existe a morte no auge da vida.
Estou preparado…
"O Amor é sempre igual, é sempre do teu coração. Apenas o objecto desse Amor muda..."
Paulo Coelho (citação livre, feita de memória, qualquer incorrecção é normal)
Ontem tinha combinado ir tomar café com a Mónica hoje as quatro horas, quem me conhece sabe muito bem o problema que tenho com os horários. Geralmente o tempo de espera varia entre a meia hora e as três a quatro horas (sim.. eu exagero mesmo em tudo) mas a Mónica… a Mónica é diferente.
Eram quatro horas em ponto ligou-me ela, acordou-me como é normal, e disse para me despachar, que não estava para ficar a espera senão ia-se embora. Em 16 minutos levantei-me, vesti-me, desenrasquei uma higiene pessoal à pressa, meti-me no carro, fui levantar dinheiro, e estava a dar-lhe um beijinho no café em frente de casa dela. É isto que gosto numa mulher, personalidade, autoritarismo sempre com um sorriso na cara, a força e a inteligência da justiça, o saber o que quer, e… o saber ceder quando é necessário.
Já tive alguns desatinos com ela, principalmente por responsabilidade minha (sempre alias) e nunca lhe pedi desculpa, nunca tentei remediar os insultos e quase agressões verbais e emocionais de que foi vitima, e ela sempre soube mostrar-me que era um merdas, sempre me soube mostrar que errava, e sempre teve a força e a inteligência de me deixar de falar se necessário fosse. Mas em todos esses casos foi superior a mim, e foi ela que me mostrou que o orgulhoso estúpido era eu, e foi ela sempre que fez com que a nossa amizade nunca acabasse.
Eu adoro a Mónica, é das poucas pessoas que admiro a cem por cento, por quem tenho uma amizade que nem eu sei explicar. A miúda é perfeita e o Marco é um sortudo por ter uma mulher assim, coisas assim não existem muito por este mundo.
Acreditam no destino? Eu acredito, sempre acreditei e começo a duvidar do que é o destino…
Ontem sai as 5 do trabalho como de costume, fui beber uma cola no café em frente de minha casa, não vou lá muitas vezes depois do trabalho, mas ontem fui, precisava de desanuviar a cabeça, porque infelizmente ontem meteram-me a trabalhar (sacrilégio… o melhor empregado da fabrica a fazer trabalhos duros só porque o seu trabalho estava completamente orientado ao contrario do resto da empresa). Estava sentado numa das mesas, a olhar desinteressado o leve fluir do fumo do tabaco, ouvindo por detrás de mim o som da televisão, mas a musica não me interessava e perdia-me nos meus pensamentos mais recônditos. Sem eu dar por isso entrou alguém no café e sentou-se na mesa em frente a minha. Confesso que estremeci, era uma loirinha ultra querida com uns olhos azuis enormes, uma pele já um pouco morena, vestia um top azul celeste, e os braços davam vontade de beijar, tinha uns lábios fininhos, mas bem delineados… Era lindíssima!!!
A dado momento os olhos dela cruzaram-se com os meus, ela sorriu (estranho) e eu desviei o olhar envergonhado… Ela pediu o que queria a dona do café (ainda não sei o nome dela) e o som da televisão voltou a reinar. A dona trouxe o pedido que ela tinha feito (uma torrada e um santal, adoro santal, será destino?). Acendi novamente um cigarro (tinha que ser não é?) e pedi um café a dona. Quando a loura acabou o seu lanche abriu a carteira e tirou um cigarro, levantou-se e aproximou-se de mim pedindo-me lume, acendi-lhe o cigarro (nos reinos dos Algarves dizem que só se acende um cigarro ás putas) ela agradeceu, e sentou-se.
As duas começaram a falar (mulheres… não podem estar muito tempo sem falar né?) primeiro sobre o tempo, o calor infernal que se faz sentir, os incêndios… as tretas do costume, apenas não queriam que o espaço estivesse envolto em silêncio e claro… a língua feminina como todos sabem é um órgão autónomo do resto do corpo, nunca descansa e funciona sem ser necessária a interacção com qualquer outro órgão, nem o cérebro, órgão sem o qual a língua masculina é incapaz de funcionar. A dado momento começaram a falar sobre o que a loura achava da vizinhança (pelos vistos está cá a pouco tempo), e confesso que gostei de saber que agora existem vizinhas assim, coisa que nunca aqui houve.
Isto de há uns 3 anos para cá mudou radicalmente, eu ainda sou do tempo de ir roubar castanhas a quinta das nespereiras (hoje é um condomínio fechado de luxo), de ir no verão para o descampado que existia entre a minha casa e o Ricardo Galo onde havia o poço (hoje existem lá dezenas de prédios e nasceram lá duas ruas), de ir para a pista de cross improvisada em frente ao Manuel pereira (hoje tem lá uns 6 prédios e uma rua), de ir para a “casa assombrada” ao fundo da rua (apenas a demoliram quando uma drogado lhe pegou fogo a uns anos, é terra batida apenas), de entrarmos a socapa na fábrica fechada que havia em frente de minha casa (hoje existem lá 3 prédios estando na esquina o tal café onde a historia se passa), e de ficar a olhar da minha janela o Rottweiller do Tovim que assustava as pessoas que passavam ao lado do muro dele (hoje existem lá dois prédios semi-luxuosos) …
Eu sou dos antigos, tirando três anos em que vivi na casa da praia (os dois primeiros, e o ano passado quando a minha casa foi ser remodelada) toda a minha vida foi passada aqui, e de há três anos para cá, tudo mudou, a minha casa é das poucas que sobreviveu e quase que parece o centro onde tudo se move em redor (felizmente, nesta zona é proibido fazer prédios superiores a três andares visto ser a zona histórica, por isso a casa esta ao nível dos prédios em redor).
Pois bem… Continuando...
A dona do café começou a dizer que apesar de não viver ali, algumas pessoas iam lá ao café e que ela ia gostar pois eram todos muito simpáticos, e nisto em tom de brincadeira pergunta-me o nome (ela também não sabia o meu nome) e apresenta-nos. Disse que não conhecia os novos vizinhos, porque raramente ia ao café, e falamos um pouco dos velhos tempos que só eu conhecia (claro, até me senti velho, apesar de ser o mais novo, embora não saiba a idade da loura). Entrou um cliente e a dona foi atende-lo, continuei a falar com a loura: gostei dela e acho que ela gostou de mim, riu-se, senti-me bem e a dado momento começou a passar uma musica na televisão que é simplesmente a minha favorita do momento “The White Stripes - Seven Nation Army” ela disse com uma voz quase que musical (tem uma voz bonita) “grande som!” eu taurino como sou disse que a musica é excelente mas detesto o vídeo, ao que ela respondeu “também eu… é muito disco, não achas?”
Eu disse “Ya…” mas no meu intimo pensei “É claramente disco, é isso que eu digo sempre…” e durante o resto das quase duas horas que estivemos a conversar não deixei nunca de pensar: “Será este o Anjo que espero há cinco meses?”
Ontem fui ao snoobar, já lá não ia a perto de dois meses ou mais, vi a nova decoração da hot rio (nojenta, jet parolo para atrair os pseudo jets das aldeias em redor), antes de entrar fumei uma jointzinha no paredão da praia a olhar o mar e a sentir aquele ventinho e odor marítimo que tanto adoro (não adoramos todos?) conheci uma miúda que me veio pedir um bafo (já não me lembro do nome dela como é costume... fdx...) e finalmente entrei.
Pedreiros, bifas quentes, mini-saias a rolar pelos corpos suados de danças provocantes (estas gajas andam doidas), gajos de cabelo espetado, camisolas sem mangas para mostrar os pseudo músculos queimados (eu por mim matava-os a todos) e meninos de camisinhas todas bonitinhas no engate das pitas parvas e sorridentes...
Sentei-me numa cadeira na rua, a fumar os meus cigarros intermináveis (por acaso acabaram, mas o Marco tinha acabado de comprar um maço por isso...) uma francesa toda boa veio para o meu lado (de certeza à espera de conversa, visto que era o único que arranhava o francês, mas apesar de me ter despertado desejos há muito reprimidos, não foi o suficiente para me dignar olhar para ela) e fiquei a observar o povo...
As discotecas são um terreno muito interessante, é o mesmo que olhar um documentativo do national geographic mas com musica merdosa de fundo (eu com a minha t-shirt de pantera auto-exclui-me imediatamente daquela merda): os machos tentam impressionar as fêmeas com galanteios e competições entre eles de poder (ou o mais mau, pedreiros a mostrar músculos, ou o mais poderoso, os meninos das camisas) e as fêmeas pavoneiam-se tentando ser mais bonitas que a concorrência e tentando dar mais nas vistas para tentar sacar o macho mais forte e poderoso. Na pista de dança é que tudo se decide, mostra-se as habilidades do corpo, provocasse em movimentos pseudo sensuais, para mostrar ao sexo oposto como é que são na cama (quanto melhor se mexem melhor fodem, é simples e directo).
Eu... Foda-se continuo a auto-excluir-me disto, não me apetece, tornei-me assexual desde há quatro meses (houve uma excepção mas isso foi influencia do LSD e da gaja ser mesmo boa) e continuo sem perceber o porque da necessidade de sexo e curtição que assola toda a gente. O sexo e o beijar é bom não o nego, mas é tão melhor quando usado como complemento de algo superior, nunca encarei isso como um fim, e cada vez mais nem o desejo eu o tenho. Limito-me a olhar e a sonhar com os abraços de que tanto sinto a falta (não é o amor carnal nem o beijar de que sinto mais falta, é mesmo um abraço daqueles, senti-la nos meus braços e achar-me especial por sentir a pele e o calor dela...)
Porque raio não conheço um anjo?
Acabou o tabaco...
vou dormir.
o vazio sempre...
São 3:15 da madrugada. A minha frente um cigarro a arder (lights, roubado da minha mae blarkkk....) garrafas de yogurtes liquidos vazias, uma caneca de leite em cima da torre, isqueiros e lençoes de papel espalhados pela secretaria, headphones a passar um sonzinho (neste moemto esta a passar Soundgarden - black hole sun) sinto-me vazio... interrompi de escrever durante mais de uma hora, e sinto-me vazio. esta calor, estou mole, ligaram-me sei la qts vezes para ir para a loucura e nao me apeteçe... queria o meu anjo fugido a meu lado para vermos as estrelas, mas o meu anjo esta fugido, e sinto que nunca encontrarei nenhum como ela.
Sexo, drogas e rock n' roll... sempre foi o meu sonho, mas agora que tenho isso tudo (fiz o upgrade de rock n'roll para uma maisor ecleticidade sonora, por ex. agora ouço slayer - angel of death) ando a perder tempo com programas de ftp (kem kiser ir sacar qualquer programa clique aqui), servidores ftp e merdas k nao percebo mesmo nada, mas hj sinto-me vazio... nao quero pensar, nao quero prazeres, nao quero nada, entedio-me aqui tentando criar paginas algo k nc fiz, fiz uma introduçao para este weblog se quiserem ver... mas mesmo assim...limito-me a fingir k estou a «trabalhar» para ng ver k nao kero falar com ng (o valter é a excepçao pq ele e mesmo bacano, apesar de se querer passar por mau) queria era escrever a uma pessoa k eu sei mas nao tenho coragem.
fdx... hj penso nela mais k nos outros dias.nao sei se leras isto, mas se leres só quero dizer-te k sinto muito a tua falta, e gostava k pudessemos partilhar os dois o amor k sei k sentes e nao cada um em sua casa a pensar no outro...
fdx... vou é dormir (esta a passar lou reed - walking on the wild side)