No tormento do teu corpo
Anseio por toques carnais,
Rasgando multidões enfurecidas
Na passagem do Tempo inócuo.
Sentir a aspereza da pele suave,
Revolucionando-se nos meus sentidos,
Incendiando o mais escuro sofrer da minha solidão…
Se eu fosse o fogo que me queima,
Decerto serias hoje lenha para me arder
Consumindo-te no pulsar de cada segundo
Vazio de toda a minha emoção delirante.
Se eu fosse o fogo que me queima,
Entraria por ti,
Dilaceraria todos os teus gritos,
Faria de ti suor,
Êxtase sufocado e adiado
Na cruel espera da tua Morte…
Se eu fosse o fogo que me queima…
Seria uma chama negra na noite colorida…
Anjos prostrados em vis derrotas,
Sementes vomitadas no néctar etéreo,
Deuses esquecidos em conferencia…
Acólitos fumando pratas,
Fumos de escapes pairando,
A podridão entranhada nas vestes alvas…
Chagas nos corpos,
Gangrenas na pele,
Feridas nos lábios…
Na confusão dos corpos,
Um corpo levanta-se
Caminha sobre as águas
(sujas de merda e vomito)
E no toque dos pés descalços
Sente a sua pele apodrecer,
Grita ao vento nauseabundo
E cai num êxtase de Dor…
No silêncio ouviu-se uma prece pela sua alma.
Ventre de luz,
Cuspindo Fogo e Negro,
Memórias corruidas,
Feridas salgadas,
imundas e pútridas,
Em corações despedaçados,
Solitários,
De lágrimas engolidas,
Chorando sorrisos escondidos,
Esperanças que se perdem,
Lentamente,
No constante ribombar
De segundos que se perdem...
Houve no Negro um grito:
Fechada no silêncio,
Rasgou ecos na pedra.
Dentro da sua lágrima
Evitou um último sorriso,
Uma ultima mentira,
Prostou-se nua no chão,
Qual deusa milenar,
Num mar de sangue
Manchando a terra vazia...
O seu ultimo sorriso
Foi rasgado a chumbo.
E todo o ruído se fez Nada
No silêncio do seu grito...
No tempo da minha infância,
Os dias eram semanas,
As semanas meses,
Os meses anos,
Um ano era uma vida…
No tempo da minha infância,
Cada dia uma epopeia:
Os socos trocados
Com outros miúdos;
As pedras voando,
Sem destino e certeiras;
O ultimo grito do dia,
Na debandada a chinelos…
Éramos reis num trono de lama,
Em batalhas ruidosas e alegres,
E orávamos em tréguas, partilhadas,
Numa bola no descampado,
Entre balizas de pedra e ar,
Limitadas pela imaginação.
No tempo da minha infância,
Lembro-me que a idade era algo mágico:
Um rapaz com poucos meses mais que eu,
Já tinha nas cicatrizes por desaparecer
E no ar superior da cara sem um sorriso,
O peso dos anos.
E eu olhava-o com uma certa admiração,
Invejando o cabelo desgrenhado,
Que já tinha visto muito mais vento
Que o meu inocente cabelo desgrenhado.
No tempo da minha infância,
Invejava aquele rapaz vivido.
Nas manchas de lama da camisola,
Havia um grito de liberdade
Sufocado no silêncio de lugares estranhos.
Diziam em surdina, com medo que ele ouvisse,
Que aquela lama que secava na sua camisola,
Tinha sido conquistada no pátio da casa velha,
Aquela casa enorme e assustadora,
Com muros respeitosos do peso dos anos…
(Andavam lá fantasmas nas noites de lua cheia!)
Diziam em surdina, com admiração e excitação,
Que ele subia pelo muro como um macaco,
Num sitio secreto, só ele sabia onde era.
Mas já o tinham visto entrar no beco,
Aquele que ficava ao lado da casa,
Abandonado ás silvas entre o muro e o prédio do lado.
No tempo da minha infância,
Aquela casa era mistério encarnado pedra,
O vulto desenhado a medo
Nas noites sem escola no dia seguinte.
Uma massa imensa de negro,
Espreitando além do muro,
Fronteira de medo sem desafio.
Silêncio de um nada inatingível,
Desenhando fronteiras e limites,
Alem do mundo descoberto a sangue.
No tempo da minha infância,
Num dia difuso de silêncio,
Murmurou-se palavras pesadas,
Palavras que metiam medo,
Palavras que não conhecia-mos.
As mães sussurraram-nos medo
Falaram no miúdo mais velho,
Na casa assombrada, abraçaram-nos…
Havia no seu tom uma novidade,
Um respeito novo desconhecido,
E durante vários dias,
Talvez vários anos,
Talvez um Verão,
Uma sombra desconhecida,
Um peso invisível,
Acompanhou a leveza dos dias de Verão…
No tempo da minha infância,
As memórias eram conquistas,
Partilhadas e aumentadas,
No desafio de crescer.
No tempo da minha infância,
Não me sentava a olhar,
Não sabia que havia Passado,
Tudo era sangue e vento,
Tudo era o que foi,
Tudo seria o que era,
Futuro,,,
Um desejo do Presente.
Hoje…
Sento-me a olhar do café,
A demolição da casa velha.
Recordo o tempo da minha infância,
E tudo são sombras,
E tudo são vultos…
Mas recordo o Jorge,
Com a clareza de agora saber…
Recordo o Jorge…
O puto que morreu,
Vitima de uma queda,
Na casa que agora cai…
Que será feito da Dor?
Olhando as estrelas de um céu negro,
Sem nada sentir além do Vazio,
Inspiro o fumo do cigarro,
E contemplo a sua dança inútil.
Que será feito da Dor?
Os gritos e as lágrimas,
O leito feito mar da minha pele,
Os murros no vento indiferente...
Que será feito da Dor?
Nada existe quando nada sou...
Existe algo na noite…
Um murmúrio que atravessa os sentidos,
Um vazio por preencher,
Que grita no mais Negro do Ser.
Entre a humidade dos copos que pingam,
E a bruma espessa dos cigarro que se fumam,
Há um grito por gritar,
Há uma lágrima por chorar,
Um Vazio por encher…
Lágrimas engolidas,
Na sofreguidão dos dias,
Perdidos e sós,
Uma esperança latente,
Um sorriso por brilhar.
Há algo na noite,
Algo que se distingue,
Um Desespero que sorri,
Em caveiras salgadas,
Ansiando uma luz,
Repisando e pisando o pó,
No mais negro da luz.
Existe algo na noite…
Existe algo na Solidão…
A trova de encantar,
Repetida em melodias quentes,
Calando gritos que se engasgam,
Engolindo sorrisos de mármore,
Ceifando o viver de não morrer…
Sim… Existe algo na noite,
Palco de peças originais,
Repetidas nos dias,
Segundos únicos,
Que se perdem nas horas,
E as mesmas folham que morrem sem rasto de Sol.
Não sei como o fazer.
Memórias perdidas num rumo que não tomei,
A triste personagem que partilha as minhas glorias,
O mundo que hesitou em me receber…
Num estado de efervescência emocional,
Entrei numa corrida que não queria correr
Partilhei os lençóis de vil derrotas
E nesse estado de petrificação entrei em mim e chorei.
Corri os olhos através de retalhos de fotografias perdidas e rasgadas,
Num qualquer estado ensanguentado de sal,
E todos os frios que a minha pele beijava lembraram-se de outros toques,
Que num qualquer sorriso perdido no pó dos dias que passam,
Me queimaram a pele no mais fundo estado Sangue e Morte.
Eu, qual trovador de choros inertes,
Apodreço nas memorias que não tive…
Ó Glória vegetativa… Morre essa Não Vida!
Bebe o seu sangue contaminado.
Demencial inconstância de lágrimas!
Feridas abertas de gangrena salgada!
Morte errante em peles rasgadas por lâminas frias!
É a ti que a Morte espera...
É a ti que a carruagem espreita na viragem do Sol...
É a ti...
Persisto na insistência da solidão.
Em clamar velhos fantasmas ressequidos,
Esquecidos e perdidos
Na bruma das memorias desconexas.
Insisto em olhar as sombras,
Em vangloriar a sua dança tenebrosa
Acercando-se de mim em carícias frias,
Murmurando-me… Chamando-me…
Nas minhas entranhas apodrecidas
Jaz uma luz que se apagou,
Um fogo azul consumido pelo Tempo,
Cinzas fumegantes ainda quentes.
Não sei por onde vagueio.
Não sei onde a Morte se cruzará comigo...
Talvez num beco desconhecido,
Talvez num luar matizado de Solidão
Percorrendo os ventos sussurrantes,
Ouvindo o silêncio trespassante.
Apenas o vazio, sincero e nú,
Dançando sobre o Abismo,
Sorrindo, de veias frias...
A fronteira entre o Ser e o Vazio esvaisse no fumo hesitante.
Num suspiro inerte que gemo num chão sangrento de pele seca,
Mergulho num abismo familiar
Que me rasga os sentidos moribundos.
A carne apodrece no pulsar dum segundo vazio,
E toda a força que não tive perdia...
(na chama de gelo morri!)
O meu silêncio apenas é quebrado pelo grito que não gritei,
E nesse espaço de Tempo aguardo o que não virá,
Réstias de sonhos que flutuam no negro,
Cadáveres prostrados em cerimónias solenes,
Fronteiras guardadas por exércitos derrotados...
Quis a Humanidade toda,
Fiquei com uma lágrima derrotada no peito,
Ergui-me ao vento que me acariciava o cabelo
E cai da montanha que nunca tinha escalado.
Espanquei a Terra com saliva de sangue
Mas os meus lábios beberam areias de desertos rochosos.
Sentei-me num trono sem reino,
Orei a um Deus que não existia,
Fui acólito de causas que não acreditava,
E todo eu era fecundidade de nados-mortos.
Rasguei peles e lágrimas,
Gritos e vazios,
Universos e veias.
Bebi todo o sêmen,
Vomitei néctares,
Cuspi na face de todas as estátuas,
Violei prostitutas,
Assaltei mendigos,
Gritei palavras que não conhecia
E repousei sobre jardins de granito.
Fiquei com uma mão fechada sobre um Nada.
Patético triunfo sobre o Vazio que era eu...
Acordei dum sono que nunca dormi,
Vi os meus restos mortais,
Derrotados sobre cinzas incandescentes de gelo,
Sorri perante a minha própria Morte
E estanquei o sangue que me cobria,
Olhei as serpentes dormindo sobre mim,
Acariciei-as...
Beijei-as...
Fiz delas o que nunca fui,
E olhei um nascer de um Sol numa noite que nunca acabou.
Olhei ao espelho de sal,
Um feto apodrecendo,
Túmulo de um útero estéril,
Desejo inerte de conquistas vagas.
Na minha lágrima entrei e sorri.
Fiz dela um diamante por lapidar,
Abandonei-o na terra salgada,
Deitei-me sobre as asas que me acariciavam
Abracei o Vazio,
Bebi do rio sangue em que me banhava,
Abri a mão vitorioso,
Deixei escapar o vento que era meu,
Gritei mas não venci o silêncio,
Dentro de mim o abismo abriu-se
Era luz apodrecida de negro,
Feridas de batalhas que não travei.
Chorei dentro do buraco negro,
Em silêncio, sem ninguém ver,
Abandonei o palco sem cantar,
E deitei-me na cama de pétalas podres.
Olhei o meu cadáver,
O cadáver que sempre foi meu,
A única carne e pele e sangue certeza...
Chorei no silêncio da noite.
Múrmurios secos de sal,
Espadas trespassando a minha carne,
Gangrenas na alma derrotada de Mim...
Sou o meu próprio cadáver...
Desejos encarcerados dentro do vazio,
Olhares nebulosos que se perdem num destino algures lá ao longe.
Raios mente podre, acorda dessa letargia que te cega os sentidos,
Entra no turbilhão de vida que te esmaga de encontro a tua própria indefinição,
Rasga esse manto, pobre lágrima desterrada de Ti!
Acendo um cigarro…
Olha a neblina de mim a envolver-me,
Olho o vazio de mim…
Grita…
Rasga…
Mergulha…
Entra…
Dilacera…
Bebe o Sangue que te sabe tão bem
(tão bem que te sabe este sangue apodrecido)
E mergulha enfim nesse Oceano que ruge nos teus sentidos hipnotizados.

O gume da tua ternura,
A dilaceração dos meus sentidos,
O sangue que escorre na minha boca…
Rasgar-te a pele,
Penetrar-te na Alma,
Morrer em ti!
It’s only a stain,
A deep red stain in the floor,
A scream in a quiet night…
I was so peaceful, so lost in her beauty,
So alone in the silence of my room,
Watching the solitude of a red stain.
«Get up! »
(I scream to myself in silence)
«There shall be a scream still echoing,
Touch it with your lust. »
It’s only a stain…
No Desespero dos dias,
Na Imensidão das Noites…
Arrasto o meu cadáver,
Em lânguidas e hipnóticas divagações,
Em delírios de vazios por preencher,
Em lágrimas que escorrem solitárias pela face seca.
Vagueio no gume da espada,
Num equilíbrio instável,
Dum lado uma cama de rosas,
Do outro um Abismo de espinhos.
No vento que me afaga o cabelo,
Sinto o odor do perfume apodrecido,
Duma pétala que se feriu sob o peso da minha espada.
O seu sangue escorre, pinga, esvai-se,
E acaba por ser engolido pelo húmus que alimenta o Abismo…
Percebo o seu cantar hipnótico,
E escuto o seu chamamento
A medida que fecho os olhos.
A medida que sinto o gume frio da espada rasgar-me a Solidão.
O silencio…
O silencio que me ribomba nos sentidos,
Esmagando-me,
Violando-me…
Estaco no fim do Tempo,
Observando através de olhos vazios
A imensidão que se confunde com o Vazio,
Que se matiza para lá da essência,
Como um grito que rasga o silencio e se apaga sem um eco…
Pende-me a mão,
Num gesto desesperado de agarrar o Vento,
De beijar o Infinito,
De rasgar o luto e as lágrimas,
De sentir a Dor,
De ouvir o coração,
Da confusão dos carros que passam,
Do grito que já apaguei…
Mas…
Apenas o ser de não ser…

Não sei porque erro neste limbo,
Arrastando-me por viagens inóspitas,
Cheias de sombras e gritos murmurados
Em silêncios de explosões de Humanidade.
Olho através dos vultos cerrados,
Suspirando pelos Poetas de outrora,
Suspirando pelas Musas,
De folhas virgens ante mim…
O fumo do cigarro dilui-se,
Dança melancolicamente envolvendo-me,
Adormecendo-me,
Libertando-me para um mundo de caos…
O meu mundo.
Em mim nada existe,
Tudo erra,
Tudo se absorve na minha Dor,
E tudo afasto com uma Apatia violenta.
O cinzeiro de vidro,
Persiste em me chamar,
Eu vejo-me cinza,
Num destino que me espera ao longe,
Numa espera eterna de Eternidade,
Num vazio,
Numa escuridão,
Numa deambulação,
Entrega ao destino,
Espera…
Os ponteiros do relógio
Esvaziam-me persistentemente,
Mais um bater de Vida para fora de mim,
Mais um momento perdido,
Um eterno esbanjar,
A certeza de me perder
A velocidade da vida,
A sempre constante persistência do Nada…

A névoa…
A tua majestosa presença sob mim…
As peles confundidas,
No frio cortante.
E pergunto-me, enquanto te amo com ternura,
Será o Mundo capaz de nos derrotar?
Ou ficaremos imóveis, como uma velha fortaleza,
Resistindo à agrura da Humanidade?
Sem ordem
Sem pontuação
Sem direito
Sem dor
Apenas lágrimas
Derramadas
Perdidas
Salgadas
Lábios
Carne
Convulsão
Repressão
Loucura
Prostras-te
Enlouqueces-me
Perco-me em ti
Acho-me
No teu corpo
Quente
Voluptuoso
Febril
Sensual
Fervente
Queimas-me
Deixas-me
Choro
Perdi-me
Morri…

Perdido…
Estou aqui jazendo na minha solidão,
Percorrendo memórias perdidas
De tempos idos,
De vagas que o vento acariciou,
Olhando o lento corroer de minha pele,
A triste decomposição de minha alma,
O sombrio vagar em limbos salgados
Em dores reais de sonhos por viver…
Olho as sombras…
Apenas vejo névoa.

("ambientes" por Nuno Luís em 1000 Imagens)
You are an angel…
A Dark Angel with light
Deep in your heart,
Every time I put a shadow in that light,
I hope you’ll know that tears burn me.
Please forgive me my sweet angel…
E eu o teu Demónio...

E na vida que se esvai nas minhas veias,
Sinto o palpitar do teu ser em mim,
Sinto as palavras murmuradas dentro de mim,
E os gritos da tua boca húmida,
Enlouquecem-me até ao fim…

Fumo envolve-me…
Aconchega-me o peito em résteas de sonhos,
Absorve-me o sangue,
E beija-me a mente,
Deixo-me errar eternamente,
Anseio o pousar na face negra,
Sorri-me com o teu olhar penetrante,
Agarra-me neste deambular errante,
Mata-me,
Sofre-me,
Esmaga-me os sentidos,
Absorve-me em ti,
Ama-me…
Deixa-me aqui perdido,
Com a pele a apodrecer,
Os olhos flamejados,
As veias cicatrizadas,
A Morte beijando-me,
Bebo o teu sémen,
Enlouquece-me em ti,
Bebe-me os sentidos
E prostra-me no teu Sonho…
Algures num limbo perdido, anseio as tuas mãos...
Algures num limbo perdido, anseio o teu cheiro...
Algures num limbo perdido, vagueio na sofreguidão do desespero lancinante....
Algures num limbo perdido....
MORTE
SANGUE
ÓDIO
Pulsões sanguinárias de desesperos mudos.
Olho-te nos olhos flamejados de dor salgada,
Cuspo-te na face (qual leito de um rio mar)
Gritos calados no silencio compulsivo da minha Dor...
NÃO!!!!!!
Gritei eu no desespero da queda do anjo dourado...
Caiu...
Apanhei do chão pedregoso os seus restos mortais,
As suas asas que outrora me cobriram no voo magico
Estão rasgadas e cobertas de sangue que é engolido pelo solo indiferente...
Beijo a sua pele ferida, respiro por fim o seu repouso calmo,
E deito-me a seu lado a olhar o céu,
Esperando a descida sobre nossos corpos prostrados de um anjo....
Levem-nos para o fim do tempo...
Abandonem-nos aqui...
Não quero saber....
Já nada interessa
Já nada faz mais sentido
Excepto o sol que lentamente se cobre de estrelas e nos beija pela ultima vez...
(a tua pele esta fria)
Olha-me nos olhos anjo dourado
(viro-lhe a face na minha direcção)
Uma pena solitária pende-lhe por cima do sobrolho,
E a minha carícia fá-la voar ao sabor do vento.
Cai longe de nos...
Repousa.
Beijo-lhe a fronte e espero a seu lado o nosso reencontro naquela estrela negra que brilha só para nós no céu estrelado...
(uma carruagem negra de cavalos negros pára junto a nós e no murmurar da figura de negro apenas o brilho da foice me ilumina a alma)
A dream… An Angel pure and beautiful, to the delight of my eyes. Blonde, with stars shinning in your eyes… I kiss you with insanity, and you tremble on my arms, only to lay above my body and travel through the stars. I love you with no words in the middle, only flesh and wet desires to inject some hope in my veins.
Then I cry. And you comfort me, when you’re the one who need comfort… We are lost souls… In a vow through the insanity, with no strings to pull us to the ground… But tonight I wrote you a song. Tonight I need you…
"A lying hand beneath my tenderness
A soft look in the eyes, and flames burning
Through my flesh, full of emptiness.
I rest myself in this solitude… Dying.
Caress my soul with tenderness…
Kiss me and burn me with your skin.
I promess to respect your loneliness,
But for one day, embrace me on my dream.
‘Cause I need my iced heart to cry,
No one shall fall in my abyss,
But for this night… Follow me and die.
I just need your arms… And one kiss."

A sad rose lay on the cold, dusty ground.
She whispers to me visions of lost memories.
I pick it up gently, but a petal fall down,
And I watch her dancing with the breeze,
To rest, so pure, where was found.
No man can take her from her grave,
No man can pick her from the ground,
For she shall rest in the eternal dust
Forever… Where shall not be found.
Look to my face, wet with my tears,
My cry... My scream... An eco of my fears.
The land... The dust... Will clean your bones
But your smile, your life, forever grows.
In the day that you gone
I think that I’ll never be strong,
But when you lay on your grave
I know that I got to be brave.

Uma rosa pousei na tua pele nua…
Deitados nos lençóis
Embrenhados de teu odor,
Deitei-me sobre ti,
Estremeces-te com o meu toque…
Abraçados num nó de carne e suor
Percorremos as vielas da Loucura
E encontramo-nos no fim da Vida…
Além da Morte.
Serenity… I scream through my emptiness,
I revolve all my hopes, they are lost in time,
And I scream… I need an angel’s soft caress.
I’m alone… Crying but the tears don’t shine.
We are all lost,
We are all lost,
Revolving through the graveyard,
Seeking hope in our tears,
Seeking memories of past wars,
Victories to comfort our fears,
To silence our deepest roars.
Não sou nada...
De nada sirvo,
Ninguem me quer,
Nem a Morte...
Sou um resto de carne pútrida, vagando perdida pela Lama.
A Morte, o Delírio, a Solidão…
A tristeza, o deambular pelo cemitério dos vivos.
O ser sem o ser,
A tristeza do perecer.
A imensidão e a desilusão,
O pecado doce na ponta da língua.
O desejo moribundo,
O desejo de Morte…
Anseio-te,
Resisto as pulsões de meu ser,
Por ti,
Minha Deusa de Negro.
O teu beijo na minha face,
Fechar os olhos com o conforto,
Sereno e persistente,
De uma eternidade indolor,
Incolor…
Tu ó Morte,
Amante de meus delírios,
Conforto de minha dor,
Tu ó Morte,
Só tu me libertarás deste ser
Repugnante,
Pérfido,
Nojento,
Asqueroso,
Que sob teu manto repousa,
Sob tua essência sonha,
Leva-me contigo,
Através do Tempo silencioso,
Imutável.
Beija-me com a tua foice,
E dá-me o repouso de Mim.

O seu corpo prostrado,
Respirando languidamente.
O seu odor adocicado,
Deixando-me demente.
Os seus olhos penetrantes,
Incendiando-me a loucura.
As suas carícias enlevantes,
Na minha pele com doçura…
Ser teu para sempre aqui e agora,
Seres minha, como quem me devora,
Esta é a ânsia de teu ser,
A sua lacuna o meu sofrer…
Uma mulher deitou-se na minha cama.
Via sorrir-me quando lhe beijei a pele,
E embriaguei-me no seu sabor a mel.
Deitei-me sobre ela e fi-la arder em chama.
Lá fora os ruídos do mundo de fel,
Revolviam-se longe da paixão insana,
Derramando suor nos lençóis da cama,
Como se o Tempo alem da nossa pele.
Chega-te a mim com toda a tua doçura,
Beija-me os lábios para alem da tua saliva,
Envolve-me através da tua loucura,
E deixa-me perder no cheiro que me cativa,
Na cruel serenidade de tua candura…
E ficar a olhar-te… Enfim salvo nesta vida.
Perco-me em mim…
Anseio as vésperas da minha Morte,
Quando o surreal destino de meu ser,
A cruel inconstância dos meus gritos,
O meu desespero lancinante me irromper os sentidos,
Numa agonia sem nome nem idade,
Apenas o concreto da madeira dos caixões,
Que em meus sonhos suados me descarnam a pele….
Ser feliz…
Ser uma pedra na beira do caminho,
Chutada por um puto que passa e ri,
Mais não ser que a miséria humana,
Que a solidão e o desespero,
Mais não ser que um Nada….
Morre em mim,
Como eu já há muito morri em ti,
No suave toque do teu sorriso,
No escarlate dos teus lábios,
No rubro desenho da tua língua na minha pele…
Morro…
Sofro agonias inconstantes…
Desespero aqui sem Tempo nem espaço,
Apenas um fluir de lágrimas e Desespero.

Like a stream through it's bed,
Your fingers run through my skin…
The warm touch of your nails,
My ecstasy every time your lips,
Soft, musty, tender,
Touch my skin embracing your soul…
Happiness…
The soft caress lying on the revolving sheets.
Estrada perdida,
De desejos e esperanças,
Surreal sangue negro,
Moribundo sorriso mórbido.
Percorro as tuas veias,
O teu sémen queimado de Loucura,
Sem destino,
Sem Futuro,
Sem Passado…
Apenas o Presente constante de descoberta,
Com o teu corpo prostrado a meu lado,
O teu odor inebriante, convulsionando o ruído persistente,
Os meus sentidos vogam pela insistência da tua presença.
Gozo-a enquanto é real,
Presente,
Palpável…
O Fim…
Sorrisos tímidos,
Corpos ansiosos,
A descoberta etérea,
A ilusão…
Serei feliz no toque quente do desconhecido.

(foto de Rogério Pires "A noite dos lobisomens")

Perdido na noite, erro de bar em bar,
Olho caras lascivas,
Desejos reprimidos na vertigem voraz do quotidiano,
Prestes a explodir num grito de luxúria e prazer...
Corpos esvoaçando no ventre do desejo,
Movimentos hipnotizantes,
Respirando calor e carne em convulsão...
Estaco num canto isolado...
Observo...
Copo numa mão adormecendo a razão,
Cigarro na outra,
Como se fosse uma tocha que me ilumina na noite...
Continuo em frente!
Entro no vazio de minha alma,
Ao meu redor, os risos abafados na multidão,
Devolvem-me ainda mais à minha solidão...
(improviso no #poesia em 16 Agosto de 2003 às 7h30 da manhã)
In a cruel night of dark desires
I found myself alone in the cold blowing wind
The soft storm of my mind
Rumble my dreams in tragique despair
I saw you...
A golden angel in the night
Smiling shy to the loneliness
Seeing some hope in the mad dream
You lay in your soul
And let the crazy dream take control of you
Make a vow trough lost nightmares
And land in the cruel reality that a dream can never be real
Tears softly, insisting, fall on your feats
Cut a wound in my dream....
And now
Looking trough old memories
I smile
And unveil your hidden smile
When we look back
To the times where dreams were real
A dream can also be a memory
But a memory can never be a dream
Cause can not be dream with tears in our souls
Vivi um sonho iluminado pelas estrelas,
Deitei-me na areia fria da beira-mar negra
E sorri para o céu com olhar de desafio,
Vi uma estrela cadente brilhar intensamente
E a meu lado repousou um anjo que vinha sorrir-me.
Falamos pela noite dentro, e o meu sonho etéreo
Confundiu-se a certo ponto com as suas lágrimas
Dançamos sob o olhar da lua e as ondas confortaram-nos,
Levantei-me anjo, deitei-te mulher,
Aquecemo-nos através da viagem do sol,
Saímos as estrelas e abraçamos-mos pelo tempo
Rumamos na direcção do vazio e lá amamo-nos
Sorrimos ao oceano e regressamos a nossa tenda...
Confundiram-se peles e sonhos,
Lágrimas e sorrisos,
Felicidade e medo...
Erguemo-nos ambos anjos humanos
E prostámo-nos sob a tepidez do universo.
Sorrimos,
Amámos,
Chorámos,
Abraçados sempre pelo calor do olhar,
Percorremos o universo,
Percorremo-nos a nós,
Entramos na luz e na noite,
Viajamos matizados pelos braços quentes...
Silêncio...
Lágrimas escondidas,
Promessas esquecidas,
Esperanças perdidas.
Veio a noite,
Veio o medo,
Veio o lobo,
A serpente,
A lua enegreceu,
O sol queimou,
A pele caiu,
O frio cortou,
O ventou uivou,
Gritos,
Lágrimas,
Traumas,
Ódios,
Feridas na alma,
Sangue,
Morte,
Gangrena no sonho,
Podridão,
Restos de estrelas,
Cometas,
Lixos,
E pó...
Só pó de flores
Que murcharam sem dar semente...
Repousamos num pesadelo,
Choramos almas dilaceradas
Que se esmagaram no chão frio da indiferença.
Deitamo-nos no frio da noite sem estrelas,
E nesse quarto melancólico e lugúbre sorri.
O sonho crispou-se, morreu no reflexo do espelho,
Mas o sorriso da noite salgada,
Eleva-se através das chamas geladas.
Os anjos dos sonhos alados repousaram na pele da minha alma,
E a minha alma brilha intensamente com a luz da lembrança.
Servi-te lama numa bandeja de prata,
Deste-me ouro no brilho do por do sol,
Continuamos o caminho...
Sós e sorrindo para engolir as lágrimas que derramam saudade.

Na sempre instabilidade emocional…
No concreto pulsar do vazio na alma…
Na lágrima que cai,
Sorrateiramente no chão indiferente…
Ai eu encontro a minha Humanidade,
O meu desespero,
O meu vazio…


And suddenly life goes dark…
The emptiness takes control of me,
The void embrace my last inhale,
And my hopes rest under my ashes…
Laying above me a dream still smile’s,
He flutes in the sky…
Far away…
I jump,
I jump…
I can’t reach him…
Death!
As memorias são frágeis,
São résteas de sujidade
Perdidas no pó do tempo,
Sorrindo nas faces desesperadas.
Morrendo lentamente nas névoas do tempo,
Dissipando-se …
Ansiando libertar-se no vácuo em que se encerram.
Amei um dia…
Amei para a Vida toda…
Amei…
As memórias são como as ondas do Mar...
Algures num vazio eterno,
Erro por entre as névoas…
Sinto o frio na pele,
Fazendo-me sentir algo.
Este limbo eterno de Dor
O cruel passar do tempo,
O peso insuportável do Vazio,
As lágrimas que teimam em sufocar,
Os gritos que teimam em morrer no silencio…

Nada…
Apenas o olhar a paisagem,
Que nunca muda,
Que é sempre a mesma,
Que me diz sempre o mesmo:
“Morre!!”

E a fuga insiste em ser a unica saída...
Perdido num sonho
Perdido em alguma esperança perdida...
Olho através dum espelho,
E vejo faces mortas no seu reflexo…
No meu olhar uma lágrima insiste em nascer,
E sabe que o chão frio a aguarda.
Até uma lágrima sabe que a Morte a espera…
Vultos…
Sombras perfilam-se no vazio,
O vento insiste em gritar o teu medo,
E percorre os teus sentidos.
O silencio…
O Nada,
O constante pulsar do Universos,
O constante ribombar do silêncio no teu vazio…
O vento uiva e não sentes nada.


Sentei-me numa nuvem,
Repousei a cabeça no regaço de um anjo,
E fiquei ali embalado pelo tempo,
Com dedos de cetim nos cabelos,
E carícias quentes e húmidas na face…
Senti-me levitar,
Fechei os olhos e um jardim de cores
Dilui-se enquanto eu sonhava de sorriso nos lábios…
Deus violará outra virgem,
Na vinda de uma nova morte,
E os anjos violadores
Cobrir-lhe-ão o ventre de sangue
Cuspindo ódio na humanidade,
Gritando vingança pelos mortos
Ansiando o novo calvário
Na pedra cobarde,
Atirada com despezo,
Despedaçando o crânio flamegado de espinhos.
Irá morrer num turbilhão sangrento,
Despedaçando vidas no cruel passar do tornado de seu pai...
Gritos raivosos,
Gritos sangrentos,
Gritos desesperados,
Gritos....
Silênçio...
A morte venceu.
O anjo negro levita sobre os derrotados,
A foice pinga sangue,
As almas voam ao vento,
E a brisa murmura:
«A morte chegou.... nova vida sangrará,
No ventre de mais uma virgem violada»

Morte morte,
Cruel destino de minha sorte,
Surpreende-me inesperadamente nesta noite
E serra-me a mente com a tua foice...
Morte morte,
Sorriso enlevado de solidao,
Leva-me à tua sorte
E desvanece-me em podridão...
Uma noite calma e silenciosa.
Uma noite tempestuosa na minha mente.
Anseio vida,
Anseio loucura,
Anseio-te a ti!
Mas neste canto desalinhado,
Com gritos mudos na mente inerte,
Observo lânguidamente o sangue correr entre os dedos.
Sinto o seu pulsar,
Sinto a dor de não sentir dor,
Sinto....
Sinto que não sinto,
Sinto enormes vagas de medo
Ribombarem nos ouvidos,
E ouço o silêncio esmagador
Corroer-me os sentidos adormecidos...
Não sou nada!!!!!
Grito ao mundo que não sou nada!!!!
Mas cada vez que grito
Grito que sou humano,
Que sinto dor...
Mas os gritos mudos que me esmagam
São como água que passa no tranquilo ribeiro à beira da estrada.
O carro passa...
E eu aqui choro.
Algures
Algures num tempo esqueçido
Hesitei em olhar para fora
Espequei com os meus demónios,
E morri por dentro...
Agora espero a oficializaçao do meu sentir,
deem-me uma arma,
Uma Morte qualquer.